quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A ENXURRADA*

A gargalhada ecoa no ar
e nós, ajoelhados,
oramos a poesia
que me veio
sei lá de onde
Uma nuvem cinza gigante
abraça o monte
sussurrando a enxurrada
de tijolos, cimento e barro
troncos, galhos e folhas
sacos, garrafas e merda
ripas, caibros e telhas
crianças, homens e mulheres
deslizando numa avalanche
morro abaixo
pra no dia seguinte
voltar morro acima
recolher seus pertences
corpos de parentes
e fazer tudo de novo
em outras bandas
com a aquiescência governamental
Os homens cospem desculpas
escapando de suas culpas
pra melhor repetir seus erros
Ê Brasil,
vasta terra brasileira
de gente que insiste
e se devasta
vem desembestada
descendo sua ladeira.
* Esta poesia pertence ao livro "Profano Coração", lançado em julho de 2009. Se você deseja adquirir um exemplar, escreva para edulamasneiva@gmail.com

Foto: Genilson Araújo.

Veja também:
Crônica da Cidade
A Dança da Chuva
Ensandecida Cidade
Eros, Vênus e São Pedro