sábado, 10 de dezembro de 2016

POESIAS CANTADAS 6: NADA MAIS

A poesia "Nada Mais" abre o livro "Profano coração", o primeiro de minha autoria, lançado originalmente em 2009 da forma tradicional. No ano passado, lancei-o de forma independente na versão digital, assim como fiz este ano com "O negro crepúsculo", meu segundo livro. "Profano coração" digital tem 4 poesias extras e está à venda na Amazon, é só clicar aqui.
"Nada mais" para mim é minha homenagem à própria poesia, ou melhor, é um pouco das minhas tentativas de definir o que seja essa coisa ao mesmo tempo tão aparentemente inútil, mas fundamental, vital.
Antes do vídeo, queria apenas lembrar que a série Poesias Cantadas está sendo publicada também no meu canal no Youtube. Faça uma visita, dê sua opinião, inscreva-se, se gostar. Obrigado pela visita, volte sempre.



NADA MAIS
(Eduardo Lamas)

A rua com suas imensas cicatrizes
O mar com suas estranhas estrias
O céu e suas ranhuras de nuvens
A letra mal rabiscada num papel amassado
O olhar assustado de um rosto feminino, porém selvagem
O arrepio que faz o corpo tremer
O cheiro da chuva que cai no asfalto escaldante
O resvalar de pele num encontro incomum
O rasgo criativo em meio ao lugar comum
O estímulo que vem do cansaço
A revelação involuntária como se fosse oração
Uma fita ao léu em laço
A luz que não pede licença e doura a poeira no chão
O som fluido que levanta pêlos, cabelos
A planta que nasce na brecha do concreto
As curvas do rumo reto
A obsessão por tudo isso, ademais:
Poesia, nada mais.

Veja também:
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
"O negro crepúsculo" pelo mundo
O caminhante