quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

POESIAS CANTADAS 7: SEDE

Esta sétima poesia cantada pode ser chamada de um gospel de protesto. Publico numa época de reflexão, após um ano tão duro, num mundo cada vez mais endoidecido, pela sanha crescente da ganância de seres desumanos. Cometi aqui outra ousadia, ao pôr na introdução um trecho de "Emmanuel", música de Michel Colombier, que Murilo Antunes letrou e Flávio Venturini gravou no seu disco solo "Andarilho", de 1984, com a participação mais do que especial de Milton Nascimento.

Desejo um Natal e um Ano Novo repletos de amor, paz e prosperidade para todos que fazem por merecer. Não são poucos, felizmente. E é nestes que reside a esperança de dias muito melhores. "Sede vós a esperança, nunca ceda à vingança..."



"Sede"
(Eduardo Lamas - introdução: trecho de "Emmanuel", de Michel Colombier e Murilo Antunes)

"Seria primavera feliz
se a voz dos homens
entoasse a paz
se o dom dos homens
fosse a arte de amar
se a luz dos homens
fosse Emmanuel..."

Sede vós
a sede da sede
Da sede por ceder
Da sede de viver
Sede vós

Vá, desce do teu pedestal -
Pestilento pedestal -
E cede algo desta
tua suntuosa sede
Aos sedentos
Sede vós

Sede algo,
Sede alguém
Cede algo a alguém
Que tem fome,
muita sede
de viver

Sede vós!

Sede a esperança
Nunca ceda à vingança
Sede algo
Sede alguém
Cede algo a alguém
Que tem fome,
muita sede
de viver

Sede vós!
Sede vossa voz!
Seja a nossa voz!
Sede vós!

Senão, então, por que não?
sê tu mesmo o sedento
pra provar do mesmo veneno
Que cedeste
Pela sede de só ter
Ter, ter e ter
Sede de mais ter
e ter e ter e ter

Não, não sede vós!

Sede vós a esperança
Nunca ceda à vingança
Sede algo
Sede alguém
Cede algo a alguém
Que tem fome,
muita sede
de viver

Sede vós!
Sede vossa voz!
Seja a nossa voz!
Sede vós!

Veja também:
Um tanto de grandeza e muito de coragem
Para Milton e nossos amigos
Villa-Lobos, o pai da MPB