quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

POESIAS CANTADAS 8: HÁ MUITO O QUE FAZER

O oitavo vídeo da série Poesias Cantadas é um blues, que tinha a princípio um andamento mais rápido, na intenção de ser um roquenrol. Porém, por sugestão do grande Luiz Antonio Mello "para valorizar a letra", fiz uma versão mais lenta. Com os sons dos instrumentos que ouço em minha imaginação e mais algumas correções de rota sei que tudo ficaria muito melhor, mas espero que já haja qualidades para ser apreciada por você que se dispôs a vir aqui ou visitar o meu canal no youtube. Nem que sejam só os versos desta torrente imaginária.



HÁ MUITO O QUE FAZER
(Eduardo Lamas)

Ainda ecoa o grito sufocado da noite
nesta tarde abafada sem sol
Os reflexos do olhar perdido
com este céu cinzento

Tudo se perde neste dia
tão igual ao outro
O formigueiro humano
escoa sob os meus pés

Girando, girando, girando
em torno do ralo gigante
que é esta grande cidade
tão provinciana

É a torrente imaginária
carregando a multidão
sempre pros mesmos lugares
olhares, prisão

O espelho de carne e osso
se partiu na noite passada
e reflete uma vida despedaçada
ninguém vê, ninguém vê
há muito o que fazer

O incenso do lixo urbano
não é recolhido, nem reciclado
fica perdido no meio desse dia nublado
ninguém percebe, ninguém percebe
há muito o que fazer

Ainda grita no vácuo do tempo
o urro desperdiçado da noite
ninguém ouve, ninguém ouve
há muito o que fazer.

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