quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

POESIAS CANTADAS 9: BAILE DAS CHAMAS

Esta poesia, "Baile das Chamas", já esteve publicada neste blog, foi retirada e retorna de forma cantada. A título de curiosidade, quem se interessar pode conferir no Jornal Portal deste mês a versão original que - perceberá quem se dispuser - recebeu pouquíssimas mas importantes modificações para ficar melhor na melodia. Provavelmente estará num futuro livro, chamado "Sutilezas", se eu resolver publicá-lo, pois escrito já está há muitos anos. A letra cantada no vídeo está aí abaixo, como sempre faço. Obrigado mais uma vez pela sua visita, volte sempre.



BAILE DAS CHAMAS
(Eduardo Lamas)

Cinzas, fuligens, folhas secas
voam pra bem longe
no vento...

O pavio, o rastro,
fagulhas, centelhas,
a pólvora

e o silêncio enganoso
num surdo rumor
do baile das chamas

dos desejos incandescentes
dos olhares que se abrem
das pálpebras que se apertam
das pernas e braços contorcidos
entrelaçados, retorcidos

incêndio de labaredas incolores
num quarto de cortinas cerradas
lâmpadas queimadas
portas trancafiadas
corpos abertos
interpenetrados

um banho inflamável
regado a suor e saliva
e lágrimas e mel e
seiva seminal
amaina enfim
este fogo que não cessa
que só se prepara, em brasa,
pra reacender.

Cinzas, fuligens, folhas secas
voam pra bem longe
no vento...

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