sábado, 4 de fevereiro de 2017

POESIAS CANTADAS 10: A FRONTEIRA

Nestes novos retrógrados tempos em que vivemos, as fronteiras voltam a demarcar claramente o espaço a ser ocupado por cada um e distancia ainda mais povos, culturas e pessoas de si mesmas. Os muros externos, alimentados por radicalismos e discriminações insanos, e internos, impostos por uma variedade interminável de auto-limitações, preconceitos e violências, estão cada vez mais altos e espessos, quase intransponíveis. "A fronteira", poesia que escrevi já não sei mais há quantos anos e que publiquei no Jornal Portal deste mês, se apresenta na série Poesias Cantadas para tocar nesta ferida reaberta. Espero que você goste. "Is there anybody out there? Is there anybody in there?".



A FRONTEIRA
(Eduardo Lamas)

Fronteira,
linha imaginária,
invisível, tênue,
marco divisório
entre ponto de fuga
e desvio de conduta,

Loucura e lucidez
sensualidade e obscenidade
sobriedade e embriaguez,
Olhar e divagação,
segurança e liberdade
morte e ressurreição

Vida revivida,
prolongada,
traço infinito,
risco neste solo,
fantasia deste palco,
máscara que revela
face na penumbra,
claros olhos negros
dentro desta sombra.

Veja também:
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Roger Waters setentão
Poesias Cantadas 5: Dissipações