quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

POESIAS CANTADAS 11: PLENITUDE

Aqui vai mais uma poesia cantada. Ela retrata nos versos da segunda estrofe uma bela imagem que guardarei sempre comigo da cidade maltratada onde nasci, naquele lado onde sempre me senti estrangeiro. Talvez por isso um olhar tão encantado - e apartado -, no caso o do turista em sua própria cidade. Na verdade, minha cidade mesmo fica mais para dentro, o suburbano, este lado que tem sido sempre o mais escorraçado e vilipendiado ao longo dos muitos últimos anos.

Pode soar algo brega, ou romântico demais, para os mais exigentes, porém creio que haja algo de blues aí. E o blues tem uma história de choro (qualquer que seja ele), como o samba também tem. Então, que a guitarra e a gaita chorem e o bumbo da bateria marque o ritmo do coração. Nem que seja só na minha imaginação.



PLENITUDE
(Eduardo Lamas)

Plenitude
é o que alcanço
quando você se debruça
sobre mim

Como as ondas
abraçam as pedras no Joá
e escorrem por elas
se desfazendo
e se recompondo

Você se derrama em meu corpo
com sua pele alva
salpicada de gotas de chuva,
de orvalho, de mar
a me fazer transbordar
e matar sua sede
enquanto sorvo seu ser.

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