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sexta-feira, 25 de abril de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #33

Uma coisa jogada com música - Capítulo #33

Roberto afasta Brito, após soco do zagueiro em José Aldo Pereira. Jairzinho e Zequinha observam o árbitro, que parece ser consolado por Waltencir. Foto aprimorada por IA

Todos se divertem e dançam com a música gravada pelo Sotaque Brasileiro. Ao fim, Zé Ary toma a palavra, pois uma surpresa está por vir.

Garçom: - Olha, gente, o Everaldo prometeu que virá aqui mais tarde, aí ele poderá falar sobre aquele episódio com o árbitro José Faville Neto.

João Sem Medo: - É bom lembrar que Everaldo foi homenageado pelo Grêmio com uma estrela dourada na bandeira do clube. Ele tem também muitas boas histórias pra contar.

Idiota da Objetividade: - Verdade. Ele foi o primeiro jogador de um clube gaúcho a ser campeão mundial pela seleção.

Músico: - E tem música em sua homenagem também, gravada depois que ele faleceu, em 1974.

Garçom: - É verdade. Chama-se “Everaldo, estrela de ouro”, de Francisco Castilhos e Albino Manique, fundadores do grupo gaúcho Os Mirins, que gravaram a música. Vamos ouvir aqui no som.


Todos ouvem com atenção e respeito. No fim, alguns se emocionaram e todos aplaudiram.

Garçom: - Everaldo prometeu vir, acho que junto com o Lupicínio Rodrigues, e aí a gente vai poder conversar com ele.

João Sem Medo: - Sobre o Grêmio e a seleção brasileira!

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Idiota da Objetividade: - Outro que fez parte da seleção tricampeã mundial, em 70, e agrediu árbitro foi o zagueiro Brito. Ele deu um soco no estômago de José Aldo Pereira, depois de não marcar um pênalti contra o Botafogo, num jogo que o Vasco venceu por 1 a 0, pelo Campeonato Brasileiro de 1971. Chegou a pegar um ano de suspensão, mas foi beneficiado pelos serviços prestados à seleção e a punição foi reduzida.

João Sem Medo: - O zagueiro Moisés, do Vasco, declarou à Rádio Globo, nas vésperas da partida, que iria entrar e espanar. De fato cumpriu parte de sua promessa antes de dois minutos de jogo sem sequer ser advertido. Foi um esbulho, uma desmoralização para o futebol. Disseram que o Brito deu a primeira e perdeu a cabeça, mas foi outro jogador e o juiz sabia quem tinha sido. Mas não teve coragem, nem moral para assinalar isto na súmula. Prova o fato de tal pusilanimidade...

Sobrenatural de Almeida: - Pusilanimidade, João! Gastou o vernáculo agora, hein.. hahaha (dá sua risada assombrosa)

Outros riem também, mas João está sério, retoma a bola e prossegue.

João Sem Medo: - Prova o fato que o jogador continuou no campo. É a consciência pesada de quem sabia estar prejudicando um time que impede isto. O Vasco nada tinha com o peixe. Tratou de seus papéis. Se não marcaram o pênalti em Jairzinho, paciência. O juiz parece que tinha combinado que não valeria pênalti. A única decisão sábia do juiz foi não comparecer à delegacia.

Garçom: - Bom, o senhor José Aldo Pereira não está aqui pra se defender, vamos deixar quieto, então.

Zé Ary percebe um burburinho próximo à entrada do bar e anuncia.

Garçom: - Olha só, gente, quem está chegando: o mestre Telê Santana!

Telê é aplaudido de pé por todos.

Telê Santana: - Obrigado, muito obrigado.

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Garçom: - Seu Telê, estávamos pouco antes de o senhor chegar falando do título brasileiro do Atlético, em 1971. São muito boas as lembranças daquela conquista, não é?

Telê Santana: - Sim, muitas. Fomos jogar no Rio pelo empate, mas não o fizemos. Partimos para a vitória e ficamos com o título.

Idiota da Objetividade: - E a promessa, Telê?

Telê Santana: - Quando fiz a promessa, calculei que seriam 50 quilômetros de minha residência, em Belo Horizonte, até a igrejinha de Pires, em Congonhas do Campo. Estava enganado, eram 78! Era impossível fazer tal distância a pé. Por isso aceitei o transporte oferecido pelos patrulheiros. Estava exausto, queimado do sol e com bolhas nos pés.

Ceguinho Torcedor: - Você foi heroico, Telê! Além do título nacional, ainda percorreu a pé 45 quilômetros. Quando jogador do meu Fluminense era o Fio de Esperança. No Atlético, transformou-se no Pagador de Promessa.

Todos riem muito e aplaudem Telê, que agradece e vai pra sua mesa.

Garçom: - Como todos sabem, mestre Telê tem muita coisa pra nos contar, além daquele primeiro título brasileiro do Atlético.   

Ceguinho Torcedor: - Amigos, foi uma vitória perfeita, irretocável, a do Atlético. Não é à toa, nem por acaso, que Minas exultou com o título do futebol brasileiro. Sempre digo que um campeão não se improvisa. É todo um processo, toda uma preparação. O Atlético Mineiro teria de vencer, porque amadurecera para a vitória tão desejada. Duzentos ônibus  invadiram a Guanabara, como era chamado na época o estado em que ficava apenas a cidade do Rio de Janeiro, com as faixas de campeão. O título não era um desejo, uma esperança, mas uma certeza inapelável. Ao longo da jornada, o time mais regular foi o mineiro.

João sem Medo: - O Atlético fez mesmo por merecer o título.

Garçom: - Em mais uma homenagem ao Galo, vamos ver no telão, a homenagem do cantor, compositor e violonista Celso Adolfo ao Clube Atlético Mineiro. A música se chama “Paixão atleticana”.

Muitos aplaudem a música, que agrada principalmente aos atleticanos presentes.

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Fim do Capítulo #33

Episódio originalmente publicado em 14 de setembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 25 de abril de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

quarta-feira, 23 de abril de 2025

"JOGO DE BOLA", POESIA MUSICADA COM IA

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Foto: Sasint (Pixabay)

"Jogo de Bola" é uma poesia que faz parte do ainda inédito livro "Canções" e, por eu entender que seus versos são muito musicais e coloquiais, com falas, gritos de uma pelada, um jogo, seja de jogadores ou torcedores, e com um ritmo bem próprio, resolvi experimentá-la com o recurso musical proporcionado por um dos sites que usam a inteligência artificial para isso. Com a poesia e o comando para que o estilo musical fosse um samba maxixe carioca, o Suno fez, como de praxe, duas versões, mas a que me agradou mesmo foi a que publiquei em meu canal do YouTube e nas redes sociais, antes de trazê-la aqui.

O resultado ficou muito bom, de acordo com a minha avaliação, e resolvi fazer um vídeo, com fotos colhidas no Pixabay, uma feita por I.A. e as de Dario e de Pelé e Garrincha abraçados, colhidas na internet. Como brincadeira, criei um nome para compositor e cantor de "Jogo de Bola": I.A.n A.I.dar. E também pro conjunto musical que o acompanha: "I.A. I.A. com Iô, Iô". 

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Pretendo fazer outras experimentações, pois creio que valorizam muito as poesias. Por isso, já havia criado melodias para umas 20 poesias minhas em 2016. Agora, com o recurso da inteligência artificial, vou testando, buscando as melhores versões e editando para apresentar ao público. 

Se você me perguntasse, eu diria com toda sinceridade que minha preferência seria que minhas poesias fossem musicadas por compositores, instrumentistas, cantores e arranjadores humanos, mas decidi não ficar mais pedindo a bola pra poder jogar um pouco, e ir na direção da pelota para ao menos dar um toque, quem sabe, um chute em gol. Quem sabe.

Curta aqui ou no canal Eduardo Lamas Neiva do YouTube o vídeo abaixo e deixe sua opinião. Se curtir, dá um "joinha" lá, siga o canal e compartilhe com amigas e amigos. Agradeço muito desde já.


Versão em inglês 

"Jogo de Bola" is a poem from the as-yet unpublished book "Canções". I felt its verses, full of musicality and colloquial charm—with the chatter and shouts of an impromptu street game, whether among players or fans and all imbued with their own distinct rhythm—deserved to be brought to life with some musical magic. So, I decided to experiment using one of those AI-powered sites. I fed it the poem along with instructions to render it in the style of a Carioca samba maxixe. As usual, Suno produced two different versions, but the one that really struck a chord with me was the one I ended up posting on my YouTube channel and social media before sharing it here.

I was quite pleased with the result, and I even put together a video featuring photos sourced from Pixabay, one generated by AI, and some images of Dario alongside Pelé and Garrincha in an embrace, all gathered from the web. For fun, I coined a name for the composer and singer of "Jogo de Bola": I.A.n A.I.dar, and for the accompanying band: "I.A. I.A. with Yo, Yo."

I plan to experiment even further because I believe these efforts add tremendous value to poetry. Back in 2016, I had already composed melodies for about 20 of my poems. Now, leveraging artificial intelligence, I’m testing different approaches, seeking out the best versions, and editing them to share with everyone.

If you asked me, I’d honestly say my heart would be most content if human composers, musicians, singers, and arrangers were the ones setting my poetry to music. But I decided it was time to stop just waiting for the ball to be passed my way and, instead, to take a shot myself—maybe even score a goal. Who knows?

Enjoy the video over on my YouTube channel, Eduardo Lamas Neiva, leave your thoughts, and if you like it, give it a thumbs-up, subscribe to the channel, and share it with your friends. Your support means the world to me!

Obs.: tradução da plataforma de IA "One Pro". Caso queira traduzir os textos do blog para outras línguas, é só selecionar o idioma na caixinha do Google Tradutor no canto superior esquerdo.

Veja também:

sexta-feira, 18 de abril de 2025

OLHARES ALHURES - FOTOS #127: MORRO DO CAMPESTRE

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Veja também:
Olhares Alhures - Fotos #107: Pôr do sol em Sambaqui
Olhares Alhures - Fotos #36: Domingo no Parque

 






Fotos de Eduardo Lamas Neiva, feitas no dia 6/4/25, em Urubici (SC)

O Morro do Campestre, localizado em Urubici, na Serra Catarinense, é um dos principais destinos de turismo de aventura no Brasil. Situado a aproximadamente 8 a 9 quilômetros do centro da cidade, este morro oferece vistas deslumbrantes do Vale do Rio Canoas. Com uma altitude de 1.380 metros, é formado por impressionantes formações rochosas de arenito, que proporcionam uma experiência única para os visitantes.

Veja também:
Olhares Alhures - Fotos #99: E lá se vai o sol
Olhares Alhures - Fotos #81: Vestígios do sol


Recentemente, o acesso ao topo foi melhorado com a pavimentação da rua, permitindo que os visitantes cheguem de carro. Além disso, uma escadaria foi construída para facilitar a subida até as pedras. O pôr do sol no Morro do Campestre é especialmente famoso, tornando-se um momento imperdível para casais e amantes da natureza. A estrada que vai do Centro de Urubici para a entrada do Morro do Campestre estava sendo reformada quando estive lá, no início deste mês.

O local também oferece um espaço gastronômico chamado Paradouro, onde é possível saborear lanches e petiscos. Para quem deseja uma experiência ainda mais especial, há a opção de piquenique com cestas preparadas para casais e famílias. Atualmente, a entrada inteira custa R$ 40,00 por pessoa, com a meia entrada sendo permitida para estudantes (meu caso) e maiores de 60 anos de idade (ainda falta).

Versão em Inglês


The Morro do Campestre, located in Urubici, in the Serra Catarinense, is one of Brazil's main adventure tourism destinations. Situated about 8 to 9 kilometers from the city center, this hill offers breathtaking views of the Rio Canoas Valley. At an altitude of 1,380 meters, it is formed by impressive sandstone rock formations, providing a unique experience for visitors.

Recently, access to the top was improved with the paving of the road, allowing visitors to arrive by car. Additionally, a staircase was built to facilitate the climb to the rocks. The sunset at Morro do Campestre is particularly famous, making it an unforgettable moment for couples and nature lovers. The road from downtown Urubici to the entrance of Morro do Campestre was under renovation when I was there, at the beginning of this month.

The site also offers a gastronomic space called Paradouro, where you can enjoy snacks and appetizers. For those who want an even more special experience, there is the option of a picnic with prepared baskets for couples and families. Currently, the full admission price is R$ 40.00 per person, with half-price tickets available for students (which is my case) and for people over 60 years old (I’m not there yet).

Veja também:
Olhares Alhures - Fotos #70: Aves de Coqueiros
Olhares Alhures - Fotos #102: Tarde em Itaguaçu


Siga o perfil do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva no Instagram, 
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quinta-feira, 10 de abril de 2025

FILIPE LUÍS, NEM BESTA, NEM BESTIAL

"Quando se perde, o treinador é chamado de besta; 
quando vence, de bestial"
(Otto Glória, técnico brasileiro que comandou
a seleção portuguesa na Copa de 1966)


Filipe Luís, ex-lateral-esquerdo e treinador de futebol há pouco mais de um ano, está na berlinda desde que, no segundo semestre do ano passado, assumiu o comando técnico do time principal do Flamengo. Sua ascensão foi meteórica: saiu do time sub-17, passou pelo sub-20 e, em pouco tempo, chegou à equipe profissional — conquistando títulos em todas as categorias.

Filipe Luís. Foto: Wagner Meier/Getty Images

Foi alçado a “gênio” do futebol com a mesma velocidade com que subiu. A quantidade de vídeos e textos exaltando a "genialidade" do jovem treinador é enorme e facilmente encontrada na internet. No entanto, a derrota de ontem para o Central Córdoba, no Maracanã, não pode transformá-lo em "besta" ou "burro" — embora tenha escancarado falhas que já vinham sendo cometidas nos jogos anteriores, mesmo durante a ótima sequência de 27 partidas de invencibilidade.

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Para não listar um rosário de defeitos, destaco quatro pontos críticos:

  • Lentidão ou pressa (e não velocidade) na saída de bola e na armação das jogadas;
  • Erros de posicionamento na defesa, sobretudo em jogadas com viradas rápidas na área rubro-negra;
  • Gols desperdiçados em excesso, por precipitação, má pontaria, egoísmo, displicência ou falta de visão de jogo;
  • Escalações equivocadas, inclusive com atletas que ainda não demonstraram qualidade para fazer parte do elenco bilionário do Flamengo.

Até então, tudo era justificado e acobertado pelo “resultadismo”. Agora, com a derrota, é possível (e desejável) que mídia e torcedores, especialmente os flamenguistas, passem a ver Filipe Luís como ele é hoje: uma promessa, um técnico potencialmente brilhante, que ainda está em formação.

E que assim seja, por um bom tempo. Para o bem dele — e, claro, para o bem do Flamengo.

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Para não dizer que só falei das flores murchas, é justo lembrar dos títulos já conquistados: Copa do Brasil 2024, Supercopa do Brasil 2025, Taça Guanabara 2025 e Campeonato Carioca 2025. Além disso, Filipe Luís tem se mostrado um profissional extremamente estudioso, com humildade para reconhecer erros (como fez após a derrota para o time argentino) e coragem para continuar aprendendo.

Seu time, apesar das falhas, cria muitas chances de gol, domina adversários e, quando acerta o ritmo e os passes, encanta com um toque de bola envolvente — típico do futebol bem jogado.

Desejo a ele muito sucesso — até porque sou flamenguista —, e à mídia, embora eu saiba que não vá mudar, espero que ao menos diminua sua avidez por transformar técnicos, jogadores, políticos, autoridades em geral, artistas, pessoas das mais diversas, famosas e anônimas, em vilões ou heróis só para emular boas histórias, muito menos em tempo recorde. Talvez assim o povo, o público, o eleitor e o torcedor parem de seguir de manada rumo ao brejo.

E você?

Concorda? Discorda? Nem uma coisa, nem outra? Muito pelo contrário?
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terça-feira, 8 de abril de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #32

Uma coisa jogada com música - Capítulo #32

Flagra do fotógrafo José Santos da agressão de Nilton Santos a Armando Marques, em 1971,
no Maracanã. Foto: Agência O Globo (aprimorada por IA)

Dos títulos brasileiros de Inter e Guarani, nossos amigos vão ao princípio das competições nacionais de clubes. Idiota da Objetividade retém a bola. 

Idiota da Objetividade: - Durante muitos anos foi considerado como o primeiro campeão brasileiro o Atlético Mineiro, que venceu o Botafogo, na última rodada do quadrangular final do Campeonato Nacional de 1971, por 1 a 0, no Maracanã, com gol de cabeça marcado por Dario.

João Sem Medo: - E só voltou a ganhar em 2021, uma longa espera  de 50 anos.

Músico: - O Galo mineiro merece uma homenagem musical aqui, não é, Zé Ary?

Garçom: - Sem dúvida alguma. Uma não, vamos de duas, não é, Tony Damito? Venha ao palco, por favor.

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Damito vai ao palco aplaudido.

Tony Damito: - Minha gente, muito obrigado. Se me permitem, então, vamos tocar aqui duas em homenagem ao grande Clube Atlético Mineiro, “Esse Galo é um espeto” e “Galinho tu és o maior”, que gravei com o conjunto Brasa 5 nos tempos em que vivia em Belo Horizonte. Depois fui pra Santa Catarina, em Camboriú, mas aí é outra história.  


Todos aplaudem Tony Damito, que agradece, desce do palco e vai pra sua mesa.

João Sem Medo: - Naquele dia lembro que dei carona pra três garotos, nunca conseguia atravessar o Túnel Rebouças sem levar gente. O mais velho devia ter uns 14 anos e o pequenino, uns 10 ou 11. Um deles tinha uma bandeirinha do Botafogo. Eles entraram no carro e foram dizendo o mesmo que dona Celeste, uma antiga empregada baiana lá de casa: “Olha, seu João, nós não queremos que o Botafogo perca o jogo, mas preferimos que o Atlético seja campeão”.

Idiota da Objetividade: - No triangular final, em turno único, o Atlético derrotou o São Paulo por 1 a 0 no Mineirão, na primeira rodada, e o Tricolor paulista goleou o Botafogo, em seguida, por 4 a 1, no Morumbi. Então, para ser campeão, o time carioca tinha de golear o mineiro por seis gols de diferença.

Sobrenatural de Almeida: - E a rivalidade dos cariocas com os paulistas sempre foi maior que a com os mineiros.

João Sem Medo: - Pois então aquela situação me fez pensar naquele caboclo esperto, quando se metia numa enrascada de votar no “coronel” que lhe dera emprego ou no médico que tinha feito um parto de graça na sua mulher. Então, o sabidão dizia no boteco da cidadezinha: “Bem, eu não quero que o veado morra, nem que a onça passe fome...”

Risada geral.

João Sem Medo: - E aí ele saía de fininho sem dizer em quem ia votar. Essa era a posição da torcida do Botafogo. E a minha também, ante o merecimento esportivo indiscutível do Atlético. Os torcedores dos outros clubes cariocas todos estavam abertamente a favor do Atlético. Os do Botafogo obviamente não poderiam torcer contra o seu clube. Nenhum torcedor digno pode fazer isso.

Garçom: - Ih, seu João, vimos em alguns campeonatos brasileiros, nesta Era dos Pontos Corridos, muita gente torcendo contra o próprio time pra que o rival não fosse campeão.

Todos concordam e começam a se lembrar e comentar uns com os outros vários casos recentes deste tipo.

João Sem Medo: - Bom, nenhum torcedor digno pode fazer isso, repito. Mas, em 71, os do Botafogo não queriam absolutamente o São Paulo. Veio o jogo e o árbitro foi o ArmandoMarques. Houve um pênalti do goleiro do Atlético sobre o Zequinha. A torcida deu uma vaia, fez um coro e deixou pra lá. Mas ficou muito feroz quando uma faltazinha foi invertida no fim do jogo. Era a tal gota d’água. O árbitro catava na fogueira e achou que tinha de mostrar autoridade. Inexplicavelmente e com total abuso de autoridade, o juiz marcou falta técnica contra o Botafogo. Foi clamoroso e contra as leis do jogo. Demonstrava apenas que o árbitro estava perturbado e coagido por ter sido obrigado pela Comissão de Arbitragem a apitar três jogos decisivos, por três clubes de três diferentes estados. Veio o xingamento e a primeira expulsão.

Idiota da Objetividade: - O lateral-direito Mura, do Botafogo, foi expulso.

João Sem Medo: - O Jair perseguiu o árbitro pra chutar a bola em cima dele e nada sofreu. Veio o NiltonSantos e perdeu a paciência.

Idiota da Objetividade: - Nilton Santos era dirigente do Botafogo naquela época.

João Sem Medo: - O Armando foi o bode expiatório de uma política falida no setor de arbitragem.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso! Nilton Santos agrediu Armando Marques na descida pro vestiário.

Idiota da Objetividade: - A foto do momento da agressão deu Prêmio Esso no ano seguinte ao fotógrafo JoséSantos, do jornal O Globo.

Garçom: - Não sabia dessa história! O Nilton Santos agrediu o Armando Marques? Nunca tinha ouvido falar sobre isso. Tem a foto aqui? Achei. Vamos ver no telão.

Idiota da Objetividade: - E não foi a primeira vez. Em 1964, o Enciclopédia do Futebol levou Armando Marques a nocaute ao lhe dar um violento soco no Pacaembu, num jogo entre Corinthians e Botafogo, que terminou 3 a 3.

Garçom: - Olha, estou surpreso. Gostaríamos de ouvi-lo, seu Nilton!

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Nilton Santos se levanta.

Nilton Santos: - Sempre tive problemas com alguns árbitros, exceção de Mário Vianna, Alberto da Gama Malcher, Aírton Vieira deMoraes, José Gomes Sobrinho e Gualter Portela Filho.

Idiota da Objetividade: - Ainda bem que Armando Marques não se encontra por aqui. Não é, Zé Ary?

Garçom: - Ele não pôde vir.

Nilton Santos: - Ainda bem que nem ele, nem o Eunápio de Queirós vieram.

Alguns risos são ouvidos.

Ceguinho Torcedor: - Mas isso em nada apaga o brilhantismo da carreira de Nilton Santos, que merece os nossos aplausos por tudo o que fez pelo Botafogo e, principalmente, pela participação destacada no bicampeonato mundial da seleção brasileira, em 1958, na Suécia, e em 1962, no Chile.
Todos aplaudem a Enciclopédia do Futebol, que agradece.

Nilton Santos: - Obrigado a todos, em especial ao Ceguinho Torcedor.

Sobrenatural de Almeida: - O mais assombroso é que Everaldo, o lateral-esquerdo titular da seleção no tricampeonato mundial, em 1970, no México, também foi autor de um soco monumental num árbitro.

Idiota da Objetividade: - Foi em 1972, num jogo entre Grêmio e Cruzeiro, no antigo estádio Olímpico. Everaldo deu um soco em José Faville Neto, quando, com o placar empatado em 1 a 1, o árbitro marcou um pênalti para o Cruzeiro.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!!

Idiota da Objetividade: - O árbitro deu queixa na polícia e Everaldo abriu mão do troféu Belfort Duarte que havia recebido três meses antes e ficou mais de um ano suspenso por causa da agressão.

João Sem Medo: - A coisa poderia ter ficado apenas no terreno esportivo. A briga em futebol é uma coisa totalmente impessoal. E o juiz, pelo visto, não teve a esportiva que os jogadores têm. Everaldo não tinha nada contra o Faville Neto.

Idiota da Objetividade: - Há controvérsias.

Garçom: - Bom, vamos amenizar o clima? Sabemos todos que juiz não é Deus, então vamos ouvir “Mané Juiz”, de Alfredo da Dedé, com o grupo Sotaque Brasileiro aqui no som.

Fim do Capítulo #32

Episódio originalmente publicado em 7 de setembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 7 de abril de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.