quarta-feira, 13 de agosto de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #38

Uma coisa jogada com música - Capítulo #38 <
Gaúcho, no Palmeiras, defende um dos pênaltis cobrados pelo Flamengo em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro de 1988, no Maracanã. Foto aprimorada por IA 

A música de Marco Ferrari atraiu a atenção de grande parte do público e de nossos amigos. Após o burburinho dos comentários, Zé Ary manteve o tema e lançou a bola na área.

Garçom: - Não foi naquele mesmo Campeonato Brasileiro, em 88, que o Gaúcho defendeu dois pênaltis contra o Flamengo?

Idiota da Objetividade: - Sim, o Flamengo perdia para o Palmeiras, por 1 a 0, quando o goleiro Zetti se machucou gravemente após choque com o atacante Bebeto. O time paulista não podia mais fazer substituições, então Gaúcho, falecido em 2015, vestiu a camisa de goleiro e levou o gol de empate, marcado pelo próprio Bebeto. Na disputa de pênaltis, no entanto, ele virou herói ao defender os chutes de Aldair e Zinho.

Sobrenatural de Almeida: - Dei uma grande ajuda pro Gaúcho naquela noite. Não foi Gaúcho?

O artilheiro se levanta rindo e não deixa barato.

Gaúcho: - Que nada, eu sempre fui bom goleiro.

Ceguinho Torcedor: - Assombroso!

Todos riem muito.

Gaúcho: - Na primeira bola eu levei o gol, mas consegui depois pegar os dois pênaltis que ajudaram o Palmeiras naquela noite no Maracanã.

Todos o aplaudem. Ele agradece e se senta novamente.

João Sem Medo: - Zetti, Bebeto, Aldair e Zinho foram campeões mundiais em 94.

Garçom: - E o Gaúcho, um dos heróis do Flamengo no Brasileiro de 92.

Idiota da Objetividade: - Foi sim, mas o grande nome daquele time de 92 foi o Júnior, que além de Maestro, foi o artilheiro do Flamengo, com 9 gols. Um a mais que o Gaúcho.

Gaúcho se levanta de novo.

Gaúcho: - Eu deixei essa pra homenagear o Maestro.

Risos na plateia.

João Sem Medo: - É, mas o Flamengo teve muito mais time no início dos anos 80.

Idiota da Objetividade: - Aquele time comandado por Zico foi campeão brasileiro em 1980, 82 e 83. Ainda venceu a Libertadores, o Carioca e o Mundial de Clubes em 81.

João Sem Medo: - Em Tóquio, Zico, Adílio, Júnior, Leandro, Andrade e Lico ficaram bem à vontade e puseram o Liverpool na roda. A vitória de 3 a 0 foi muito justa.

Garçom: - E a festa da torcida varou aquela madrugada, o bar em que eu trabalhava na época não fechou de sábado pra domingo. Se já era ídolo, Zico virou Rei.

Músico: - Merece música, né? Zico tem muitas pra contar e cantar.

Garçom: - Verdade! Vamos ouvir, então, uma do CarlinhosVergueiro, aqui no som, que se chama “Zico”.

Todos aplaudem a música, e Geraldo, muito amigo do Galinho de Quintino, aplaude de pé e é seguido por seu Antunes, dona Matilde, Antunes e Tunico e por outros ex-companheiros de Flamengo e seleção brasileira, como Figueiredo, Zé Carlos, Rodrigues Neto, Sócrates.

Idiota da Objetividade: - O Flamengo foi o primeiro time brasileiro a conquistar o Mundial Interclubes depois do Santos, que foi bicampeão, em 1962 e 63.

Ceguinho Torcedor: - O Santos de Pelé deu grandes exibições de futebol. Foi assim no título mundial de 62, quando goleou o Benfica, no Estádio da Luz, por 5 a 2. Só Pelé fez três gols. O Santos destroçou o Benfica de Eusébio. O Santos não, Pelé. Só o Negro Divino existiu naquela noite diante de uma multidão uivante de 80 mil pessoas, sem contar os caronas espectrais, os infantes, os Camões, o túmulo de Inês de Castro. Houve em Lisboa um silêncio de catástrofe, de estourar os tímpanos, como em 50, aqui. Ao terminar o jogo, a garotada invadiu o campo e Pelé foi caçado. Estraçalharam sua camisa, e os portugueses levaram os seus farrapos como se fossem trapos radiantes de um santo.

João Sem Medo: - Pelé foi o maior que vi jogar.

Garçom: - Falando no Rei...

Músico: - É, sem dúvida, o jogador que mais homenagens musicais recebeu até hoje.

Ceguinho Torcedor: - O Rei merece, por tudo o que fez pelo Brasil.

Garçom: - Então, vamos ver no telão, uma apresentação especial da Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste tocando “A ginga do Pelé”, de João do Pife?

Todos respondem em coro um “sim” em alto e bom som.

Garçom: - Então, vamos lá!

Todos aplaudem muito.

Garçom: - Ainda falaremos muito de Pelé e ouviremos muitas músicas sobre ele, que virá aqui, com certeza.

Fim do Capítulo #38

Episódio originalmente publicado em 19 de outubro de 2022 e republicado totalmente modificado em 13 de agosto de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
Saiba mais clicando aqui.
 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

NAU POESIA: POESIA SEM VERSOS*

Nau Poseisa: Espiral do Tempo
a existência é um imenso vazio recheado de tudos recheado de nadas as árvores das ruas as copas das árvores as folhas das copas as copas flanantes bailantes sensíveis à mais leve brisa vento vento vento voa gaivota voa a vida voraz, efêmera e eterna a esperança alimento luz e energia viva desesperança também por que não a chance uma pequena viva cor viva incendeia o esmaecido solo que pisamos que deitamos em que nos ralamos a ferida aberta a dentadas a unhadas sangue brotando e escorrendo denso e fluido onde a vida começa e termina no círculo não há início, meio ou fim não há rumos não há objetivos não há alvos somente caminhar o eterno retornar o passar para deixar algo de si desmantelado esfacelado poeira suspensa que parece cair que parece levitar

Ilustração produzida com auxílio de IA



Vídeo:
"So What", Miles Davis e John Coltrane


"Poesia sem Versos" faz parte do livro Profano Coração, que está à venda, em todas as versões digitais, na Amzon do Brasil e de mais 13 países. Para adquirir no Brasil o seu ebook, clique na capa acima. Lançado originalmente em 2009 por uma editora que posteriormente não teve escrúpulos e continuou a vendê-lo após o término do contrato, em 2011, sem repassar qualquer percentagem das vendas ao autor, o livro foi muito elogiado. Para ler algumas opiniões sobre ele, clique aqui.

Poesia publicada originalmente no dia 26 de agosto de 2010.

Ilustração produzida com auxílio da IA

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