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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

MEMÓRIAS AMARGAS DA INFLAÇÃO

Memórias amargas da inflação
O dragão da inflação brasileira, por Julos/Getty Images

Nos últimos meses, ir ao supermercado se tornou um programa repleto de novidades. Ruins. Muito ruins. Ou você encontra os preços de vários alimentos novamente reajustados, ou os produtos tiveram peso, tamanho ou quantidade reduzidos para se ajustar ao preço, numa canalhice mais antiga de parte do nosso empresariado do que muitos deles imaginam. Preste atenção quando voltar ao supermercado. E nem falei na troca de ingredientes para baratear o custo, mesmo a custo de prejudicar a qualidade dos produtos e a nossa saúde. É a chamada inflação invisível.

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O medo da inflação, que vem desde o desgoverno passado e encontra eco no atual (por enquanto, com o som bem alto), é algo que certamente acomete os que viveram os duríssimos dias dos anos 80, a chamada Década Perdida. Em 1989, a inflação anual chegou a estratosféricos 1.972,92%. E eu estava lá, naquele turbulento Planeta Século XX, já com meus 20 e poucos anos, sabendo pouco, mas já trabalhando, inclusive em supermercados, com maquininha na mão, trocando todos os dias os preços dos produtos que representava como promotor de vendas. Foram só 2 meses, mas que valeram por 20 e poucos anos de aborrecimentos e aprendizado.

Naquela época, a tática de reduzir peso, tamanho ou quantidade dos produtos foi a saída "jenial" de certos empresários para combater a inflação galopante, como se dizia naqueles tempos. Lembro muito bem que, só no que se refere a supérfluos, as barras de chocolates ficaram translúcidas; os vinis dos LPs, quase isso, e os álbuns eram vendidos com capas de papel dos mais vagabundos.

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Por outro lado, com o fracasso do Plano Cruzado e a disparada dos preços de leite e carne, em 1986 o então presidente da época passou a culpar os pecuaristas de estarem escondendo os bois no pasto. Muitas décadas depois, vimos um presidente também delegar culpas pelas suas incompetências e a alta dos preços a insubordinados, e outro, em seguida, a aconselhar o povo a não comprar produtos caros, mesmo que - isso ele não disse, mas deixou tanto implícito quanto explícito - sejam essenciais.

Promotor de vendas remarca preços do inseticida
SBP em um supermercado do Rio de Janeiro,
em 1993. Foto: Antônio Moura/Ag.O Globo
Posteriormente, com o confisco (eufemismo para roubo) do Plano Collor, a inflação foi a um lugar ainda mais alto e além: a impressionantes 2.477,15%, em 1993. No ano seguinte, após a cassação do falso Caçador de Marajás, veio a estabilização com o Plano Real, sob o governo de Itamar Franco, eleito como vice de Collor, então primeiro cassado da Nova República, para alguns anos depois ser novamente aclamado pelo povo que reclama muito, mas não muda nada.

É bom lembrarmos aqui - não tão bom assim dependendo de quem leia - que o partido do atual presidente, ele inclusive, combateu com todas as forças o plano que finalmente deu estabilidade a uma moeda no Brasil. Aliás, o anterior, quando deputado, também votou contra a medida provisória que deu origem ao Plano Real.

No entanto, apesar de ter enfrentado ao longo das últimas décadas crises econômicas, internas e externas, em alguns momentos com sucesso, em outros, muito pelo contrário, o país ainda consegue se manter num patamar de inflação bem longe daqueles dos anos 80 e início dos 90. Mas, volta e meia, as memórias amargas retornam ao imaginário popular. Mesmo a quem não viveu aqueles tempos de outrora, mas sabe que o mundo não começou no estonteantemente veloz Planeta Século XXI.

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E aí, está gostando mais dos conteúdos do blog ou dos preços dos alimentos no supermercado? Essa pergunta é muito fácil de responder, concorda? 

Brincadeiras à parte, agradeço muito pela sua visita, volte sempre.

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

MÚSICA PRA VIAGEM: SANGUE LATINO

Música pra Viagem: Sangue latino

A potência poética e musical dos Secos & Molhados arrebatou milhões de brasileiros, inclusive crianças como eu. As caras pintadas, as fantasias, o rebolado de Ney Matogrosso, além de sua voz incomum, talvez sejam o que mais tenha chamado a atenção logo de primeira naqueles Anos de Chumbo. O sucesso foi estrondoso e não pude ignorar, mesmo tendo 6 para 7 anos em 1973, quando o primeiro LP do grupo foi lançado.

Secos & Molhados, no Maracanãzinho, em cena usada na arrepiante abertura do "Fantástico", de 1974

Dentre os maiores sucessos, "O vira" e "Sangue latino" foram os que mais me agradaram naquela época. Com o passar do tempo, outras foram incorporadas às minhas predileções musicais, como "Fala", posteriormente gravada por Ritchie, "Rosa de Hiroshima", "Amor", "Primavera nos dentes" e "O patrão nosso de cada dia", além de outras do segundo disco, como "Flores astrais", por exemplo. 

Porém, é "Sangue latino" que permanece na minha lista desde o princípio e, por isso, foi (a primeira) escolhida do grupo para entrar na série "Música pra viagem". 

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A força dos Secos & Molhados e Ney Matogrosso

Capa do LP de estreia, em 1973
"Sangue Latino" é um clássico da música brasileira, composto por João Ricardo e Paulinho Mendonça, e lançado no álbum de estreia dos Secos & Molhados, em 1973. A canção capturou a essência da resistência cultural, unindo poesia e teatralidade, em um período marcado pela repressora, torturadora e falsa moralista ditadura militar.

Com versos marcantes, como os que dão início à música ("Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados"), a música reflete temas de identidade, liberdade e luta, tornando-se atemporal e muito influente. Afinal, eles romperam tratados e traíram os ritos vigentes, impostos pelos militares e os civis que os seguiam.

Uma revolução musical

Formado por João Ricardo, Ney Matogrosso, Gerson Conrad e outros músicos convidados, o grupo se destacou por sua mistura única de música, poesia e performance. Com influências que iam do rock ao folclore brasileiro, eles criaram um estilo inédito e audacioso. Sua estética visual, marcada por maquiagens elaboradas, inspiradas pelo teatro japonês Kabuki e figurinos extravagantes, foi uma ruptura com os padrões da época.

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O primeiro álbum, que inclui "Sangue Latino", vendeu mais de 1 milhão de cópias, um feito impressionante para o cenário musical brasileiro dos anos 70. Apesar de sua breve existência, principalmente com Ney Matogrosso, que só gravou dois álbuns com a banda, os Secos & Molhados deixaram um legado duradouro na música e na cultura nacional. E há, até hoje, uma fortíssima desconfiança de que o Kiss, banda de rock americana, os imitou no que se refere às maquiagens.

Uma voz e presença únicas

Ney Matogrosso, com sua voz aguda e interpretação intensa, tornou-se o rosto (maquiado) mais reconhecido dos Secos & Molhados. Sua performance em "Sangue Latino" combina força e delicadeza, expressando plenamente a mensagem da canção.

Após sua saída do grupo, Ney construiu uma carreira solo brilhante, explorando diversos gêneros e consolidando-se como um dos maiores artistas do Brasil. Hoje, com mais de 80 anos, continua em impressionantes formas física e vocal, ainda a inovar e encantar plateias, mantendo-se relevante mesmo num momento de completa pulverização dos streamings de música.

Show histórico no Maracanãzinho

A apresentação no Maracanãzinho, em 10 de fevereiro de 1974, foi um marco na carreira dos Secos & Molhados, consolidando-os como um fenômeno da música brasileira. O show fez parte de uma turnê de 369 apresentações em um ano e atraiu naquela noite cerca de 20 mil fãs e um número ainda maior do lado de fora, impulsionando o grupo a recordes de público e vendas de mais de 1 milhão de discos.

Aquele espetáculo histórico foi a primeira vez que uma banda nacional se apresentou como atração solo no Maracanãzinho, abrindo caminho para que ginásios de esportes fossem considerados viáveis para shows de artistas nacionais. A apresentação histórica levou a TV Globo a enviar suas câmeras para registrar a noite, aumentando ainda mais a visibilidade do grupo. Após o show, a fama do grupo se espalhou para outros países, com notícias em revistas como a "Billboard" e sucesso no México.

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Durante o show, houve um momento de tensão quando o público tentou se aproximar do palco e foi contido pela polícia, o que levou Ney Matogrosso a interromper a apresentação até que a situação fosse resolvida.

O show no Maracanãzinho, em fevereiro de 1974, foi um marco histórico para a música brasileira

Assista e redescubra "Sangue Latino"

Veja a apresentação de "Sangue Latino" com os Secos & Molhados na TV Cultura/Rede Tupi (Diários Associados):

 

 Assista também a uma espetacular releitura que Ney Matogrosso fez da música em sua carreira solo:

sábado, 18 de janeiro de 2025

ROCK IN RIO QUARENTÃO

Título da Postagem

Quem foi ao primeiro Rock in Rio não esquece. Até quem não foi também deve ter em boa lembrança. Embora não tenha sido a melhor edição das três que pude presenciar (as outras foram em 2001, pra mim a mais bacana, e 2011), o de 1985 inaugurou inclusive uma nova fase na minha vida.

Pode parecer exagero, mas pelo tanto que a música ocupa em minha vida, aquele festival modificou, sim, muito do que eu escutava e isso começou assim que foi anunciado. Em 1984 ainda, eu, amigos, amigos dos amigos e conhecidos nos reunimos no apartamento que eu e meus irmãos morávamos com meus pais para ouvirmos no nosso aparelho de som, LPs das bandas que viriam e outras de roquenrol que eu nem imaginava que existiam.

Aliás, alguns artistas que vieram ao Rock in Rio eu nunca tinha ouvido falar, como Nina Hagen, Go Go's e B 52's, por exemplo. Vi os dois últimos grupos no dia 18 e não gostei. Na verdade só confirmei ao vivo o que já tinha ouvido antes.

E a expectativa foi aumentando, ainda mais depois que comprei os meus ingressos, pros dias 18, 19 e 20 de janeiro. Inexperiente em festivais na época, fui tão afoito à Cidade do Rock e nos dias de mais lamaçal, por causa das chuvas, que acabei, mesmo com 18 para 19 anos de idade, não conseguindo ter forças para ir no último dia e assistir ao show do Yes, a banda que eu mais queria ver.

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Música pra viagem: Soon
O inesquecível show do Queen

Mas ficaram na memória, claro, momentos memoráveis, principalmente de Queen, Pepeu e Baby, Whitesnake, Scorpions e AC/DC. E as lembranças de ter ido com meu irmão e amigos naqueles dois dias inesquecíveis. Há 40 anos!

Os ingressos dos dias 18 e 19 de janeiro de 1985 que ainda tenho guardados comigo

O nascimento do festival

O primeiro Rock in Rio, realizado de 11 a 20 de janeiro de 1985 no Rio de Janeiro, marcou a história dos grandes festivais de música. Idealizado por Roberto Medina, o evento se destacou por sua magnitude e por trazer artistas de renome internacional ao Brasil. Foram dez dias de shows, que atraíram mais de 1,38 milhão de pessoas à "Cidade do Rock".

Os artistas brasileiros

O line-up incluiu bandas e artistas históricos como Queen, Iron Maiden, AC/DC, e James Taylor. Cada performance foi memorável, mas o show do Queen é frequentemente lembrado como um dos melhores, com Freddie Mercury, em duas apresentações da banda, liderando o público em um coro emocionante durante "Love of My Life". 

Além das bandas internacionais, o festival também deu destaque aos artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso. A mistura de talentos locais e internacionais ajudou a criar um ambiente único e multicultural. O primeiro Rock in Rio não só trouxe mais visibilidade para a música brasileira, também abriu portas para futuras edições desse e de outros festivais no país.

Veja também:
Os 20 anos do melhor Rock in Rio de todos os tempos
"Bohemian Rhapsody", emocionante rock dos branquelos loucos

A infraestrutura do evento foi um marco à parte. A "Cidade do Rock" tinha uma área de 250 mil metros quadrados, com uma imensa estrutura de palco, som e iluminação nunca antes vista no Brasil. Além disso, foram montadas tendas de alimentação, áreas de descanso e zonas de lazer, proporcionando uma experiência completa para os fãs de música.

A Cidade do Rock ficou lotada nos 10 dias de festival. Foto: divulgação/Rock in Rio

O legado

O impacto do primeiro Rock in Rio foi imenso, não só no cenário musical, mas também cultural. O festival mostrou que o Brasil era capaz de organizar eventos de grande porte, em condições de atrair a atenção mundial. Isso pavimentou o caminho para o país se tornar um destino importante no circuito internacional de shows e eventos culturais.

Depois da primeira edição, o Rock in Rio só voltaria em 1991, no Maracanã, e posteriormente, em 2001, em outro local de Jacarepaguá. A partir da década passada passou a ser realizado com mais frequência, expandindo-se para outras cidades e países, incluindo Lisboa e Madrid. 

No entanto, a edição de 1985 permanece na memória como um divisor de águas e um exemplo de como a música pode unir pessoas de diferentes culturas e origens. 

Veja também:
Música pra viagem: Flight of Icarus
Nau Poesia: Oração dos marginais (We are the losers)

Pra fechar, o trecho mais emocionante de "Love of my life" em 1985.


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sábado, 11 de janeiro de 2025

A INSUFICIÊNCIA DA PALAVRA

Sim, sim, eu sei, eu sei... Sei? Não, não sei, não tenho certeza. Absoluta, não, claro que não. Mas, desconfio - digamos, fortemente - que minhas experiências com a inteligência artificial (IA) venham gerando mais narizes torcidos do que agrados aos raríssimos e às raríssimas que se aventuram a encarar um texto, um trabalho, meu. 

Bom, parodiando o velho e surrado dito popular: "quem não tem ator ou atriz disponível para um texto seu, caça leitores (ou espectadores) e leitoras (espectadoras) com "avatores" ou "avatrizes"". Desistir nunca fez parte dos meus planos, por isso busco, muitas vezes solitariamente, caminhos retos e tortuosos para fazer chegar ao maior número de pessoas os trabalhos que produzo com a minha alma.

Veja também:

Diante disso, apresento aqui mais uma experiência que fiz com um "avator" interpretando um curto texto meu, bem antigo, mas que creio continua muito atual, chamado "A insuficiência da palavra". Na verdade, eu o uni, de forma adaptada, a uma espécie de haicai que já publiquei aqui há quase uma década e meia. Clique aqui, caso queira ler.

Saiba mais sobre a produção

Para contar um pouco como procedi, fui ao HeyGen e convidei o "avator" Fabio Vernon para interpretar este texto que andava escondido há tantos anos em meus arquivos. Vernon aceitou prontamente, como normalmente fazem todos os "avatores", e só tenho a agradecê-lo. 

E também muito a Renrebello, ao talento musical do qual mais uma vez recorri no Pixabay. Desta vez, trouxe a composição dele chamada "tribal" e acredito que tenha casado perfeitamente, mais uma vez, com o texto, a "interpretação", a produção toda de um modo geral.

Veja também:

Então, convido você a assistir abaixo ao vídeo que produzi com estes auxílios citados. Se curtir, deixe um comentário, um "like" no YouTube, no Vimeo e nas demais redes sociais onde divulgarei "A insuficiência da palavra" e compartilhe. Agradeço muito!



O texto na íntegra

A INSUFICIÊNCIA DA PALAVRA

A palavra é insuficiente, mas é com ela que parto nessa busca incessante por mim mesmo, esta viagem no vasto mundo que me habita e, creio, habitam outros seres.

Sou uma guerra civil se debatendo sem tréguas neste campo de batalha, ora desértico, ora pantanoso, densamente habitado, ou em mata escura e fechada.

É com a palavra que ataco, defendo, me armo e desarmo. Mas é sem ela que muitas vezes  preciso prosseguir, porque – sim! – por vezes, a palavra é insuficiente.

E, vez por outra, quando mais necessito, quando mais anseio pela sua presença, quando é urgente tê-la pronta, na ponta da língua, ela me falta na hora H.

Então, como se fosse eu um zen-budista a receber uma pergunta sobre Deus, só me resta entregar-me ao silêncio.

Só, silencio.

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"Difícil é ser Homem", ebook de monólogos
Música pra Viagem: Samsara
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Pesadelos

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

A SOLIDÃO PLENA, OUTRO EXPERIMENTO COM IA

Em mais um vídeo experimental, resolvi utilizar o texto "A solidão plena", de minha autoria, para ser "interpretado" por um avatar e uma voz disponibilizadas por uma plataforma de inteligência artificial (IA). O "ator" foi "batizado" por mim de Roberto Conrado, uma versão brasileira de Robert Conrad, podemos dizer assim.

A música de Renrebello encontrei num site que disponibiliza músicas para esses e outros fins, com a recomendação apenas de que se dê o crédito. Ela foi fundamental para que eu conseguisse dar um toque final à edição e publicar aqui, no Youtube e no Vimeo.

Com tantas peças, roteiros e outros textos inéditos, fico imaginando como ficaria ainda melhor este e outros tantos já escritos, para teatro ou cinema, principalmente, com um ator ou uma atriz de verdade, algo que consegui mais recentemente com minha amiga Ana Melão numa poesia que ela gravou e publiquei aqui e no Youtube, chamada "Esperar pelo sol".

Veja também:

Porém, no teatro ou no cinema, por enquanto, fica o sonho que já dura 21 anos, desde que a peça "Sentença de vida", de minha autoria, foi encenada em palcos alternativos de Rio de Janeiro e Niterói, e no tradicional do Sesc-São Gonçalo, entre março de 2002 e maio de 2003. Enquanto isso não ocorre, sigo incansavelmente buscando espaço pro meu trabalho.

Além de ser fonte de estudos em um curso livre e outro acadêmico de pós-graduação (MBA), a IA vem me dando a oportunidade de ampliar as possibilidades de levar o meu trabalho artístico pro mundo.

Espero que você curta o vídeo, tanto aqui abaixo, como no YouTube e no Vimeo.


Veja também:
Nau Poesia: O caminhante
"Velhos conhecidos", uma peça em ebook


O texto, na íntegra, vai abaixo:

A solidão plena

Miro-me no espelho e vejo já em meu corpo os primeiros traços do idoso que talvez eu nunca venha a ser. Curiosamente, lido melhor com ele hoje do que quando tinha meus 17, 18, 20 e poucos anos. O tempo já o deixa levemente curvo, afinou minhas pernas, deixou formas mais retas, menos eretas, nem por isso menos elegantes. A pele já não tem o mesmo viço e linhas retas e curvas redesenham meu rosto. Pêlos brancos nascem na cabeça e na face como os pubianos surgiam espantosamente em eras adolescentes.

Tenho mais força nos braços do que nas pernas em comparação aos anos passados, mas sei que isso não é duradouro. Ainda exibo raras espinhas que me lembram que não posso deixar de ser menino. Os olhos já não têm mais a mesma facilidade de enxergar as pequenas letras de embalagens e livros, mas seguem percorrendo-os com cada vez mais curiosidade, embora haja bem menos precipitação.

O tempo passa, nós passamos, cada vez que um segundo avança nos aproximamos mais da despedida. E mil perguntas me vêm à cabeça. O que deixarei de bom por aqui? E se deixar algo, servirá de quê? Irei mesmo para outro lugar, ou o fim é mesmo o fim? Quando descobrir as respostas não poderei contar a ninguém, cada um terá de descobrir por si só. O que me dá uma sensação de solidão plena. Sem angústias, sem melancolias. Solidão na exata acepção da palavra, se é que ela encerra um único sentido e significado. Mas se a resposta for sim, é o que sinto neste momento e certamente voltarei a sentir no momento final.

Veja também:
Oceano de memórias em "O negro crepúsculo"
Tempo presente


E aí, o que achou? Comente, sugira, siga o blog, agradeço.


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Nau Poesia: Nada mais
Poesias cantadas: Dissipações


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

MÚSICA PRA VIAGEM: PARALELAS

Vanusa e Belchior em programa da TV Globo, em 2002. Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo)

Uma das mais lindas músicas, dentre tantas, de Belchior, "Paralelas" conheci pelas ondas do rádio na belíssima voz de Vanusa, ainda nos anos 70. Só muito mais tarde, já em tempos de internet, se minha memória não falha, é que fui ouvir a interpretação de seu compositor. 

Escrita no início dos anos 70, a canção explora os contrastes entre a vida cotidiana e os sonhos interrompidos, com uma melodia envolvente e versos profundamente poéticos. É uma viagem urbana arrebatadora, inspiradora e romântica.

A música ganhou notoriedade mesmo com Vanusa, que gravou a interpretação emocionante mencionada acima em 1975, dois anos antes de Belchior registrar sua versão em disco. Muitas décadas depois, "Paralelas" continua a impactar gerações, sendo revisitada por artistas como Tim Bernardes, que a incluiu em uma performance memorável juntamente com "Changes", balada do Black Sabbath, no programa Cultura Livre, da TV Cultura.

Veja também:

Belchior, um poeta da MPB

Belchior, conhecido por sua voz grave e composições carregadas de crítica social, foi um dos principais nomes da MPB na década de 70. Em "Paralelas", ele usa metáforas potentes para retratar um homem dividido entre a aspereza da realidade e a busca por algo maior. Seu legado como poeta e cronista da vida brasileira permanece vivo, influenciando artistas dentro e fora do país.

Nascido em 26 de outubro de 1946, em Sobral (CE), Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes dizia jocosamente que era o maior nome da Música Popular Brasileira. Seu legado parece ter ganho maior força após sua misteriosa morte, em 30 de abril de 2017, em Santa Cruz do Sul (RS).

Vanusa e sua interpretação marcante

A gravação de "Paralelas" por Vanusa trouxe uma nova dimensão à canção. Sua voz poderosa, aliada à interpretação sensível, tornou a música um sucesso nacional, consolidando-a como um clássico da MPB.

Vanusa foi uma das grandes intérpretes de sua geração, destacando-se por sua versatilidade e entrega emocional em cada performance. Paulista, de Cruzeiro, nasceu numa manhã de setembro? Não sei, só sei que foi no dia 22 daquele mês, em 1947, e faleceu em 8 de novembro de 2020, em Santos (SP).

Veja também:

Tim Bernardes: um elo entre gerações

Em uma performance marcante, Tim Bernardes revisitou "Paralelas" ao piano, abrindo com "Changes", do Black Sabbath. A fusão das duas músicas destacou a universalidade das emoções humanas, unindo a melancolia de Belchior à introspecção do rock clássico.

Tim Bernardes, conhecido por seu trabalho solo e com a banda O Terno, trouxe uma nova camada de profundidade à canção, apresentando-a a um público mais jovem.

Assista e Reviva "Paralelas"

Assista abaixo à interpretação de Vanusa, num especial da TV Bandeirantes, em 1987: 

Confira também a releitura de Tim Bernardes com "Changes":

"Paralelas" continua a atravessar gerações, reafirmando a genialidade de Belchior e o poder atemporal da música brasileira. Ele disse em um show que a música foi a primeira que fez quando chegou ao Rio de Janeiro, oriundo do Ceará.

Então, por fim, pela primeira vez trazendo três versões diferentes da mesma canção, a série "Música pra Viagem" apresenta a versão de seu genial compositor, gravada no disco "Coração Selvagem", de 1977:

Bom, quando já ia terminar por aqui, eis que encontro um vídeo com Vanusa e Belchior juntos cantando "Paralelas", então, vão a quatro versões pra você que se dispôs a vir aqui:

E aí, gostou? Deixe o seu comentário e curta o blog.

Obs.: Pesquisa e parte do texto foram feitos com auxílio de IA.

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

FLERTANDO COM A LOUCURA NA IA

"Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, 
construiu ou inventou senão para sair do inferno".

Ilustração criada por IA
Trecho do livro "O negro crepúsculo", o segundo de minha autoria a ser publicado, "Flertando com a loucura" foi usado por mim para alguns experimentos no vasto, assustador e - ao mesmo tempo - encantador mundo da Inteligência Artificial. O meu primeiro passo foi pedir a uma plataforma de IA que criasse um áudio com um narrador para o texto. 

O resultado não foi perfeito, claro, mas creio que o "locu-ator", que já estou chamando de Bill Collins, interpretou o texto de uma forma que muito provavelmente eu não saberia fazer com tanta competência. Sério, muito sério isso!

Tentei depois fazer uma leve correção, mas os créditos acabaram, fica então pra quando eu decidir assinar o plano pago. Posteriormente busquei uma imagem que ilustrasse este texto e a encomenda saiu melhor do que eu esperava, até porque sequer disse - ou melhor, escrevi - do que se tratava, apenas disse que era algo surrealista. E aí surgiu esta belíssima ilustração acima.


Quando pedi o que queria, a princípio as imagens criadas não corresponderam às minhas expectativas. Mas depois utilizei o prompt criado pela própria IA para em outra plataforma criar outras imagens do mesmo estilo. Tentei postar, então, apenas o áudio aqui abaixo, mas o Blogger não aceita, só vídeos,  que acabou saindo melhor que a encomenda, pra mim. 

Bom, avalie você mesmo, o vídeo vai abaixo pra você conferir e depois, se gostar curtir, comentar e aproveite pra se inscrever no canal Eduardo Lamas Neiva do YouTube


E aí, o que achou? Eu fiquei bem satisfeito com o resultado e vou produzir outros que certamente ficarão melhores.

Caso queira ler este trecho no contexto da história do taxista-publicitário-escritor c.j. marques (assim mesmo com letras minúsculas, como o poeta e.e. cummings) você pode adquirir o ebook na Amazon do Brasil e de mais 12 países, que também vendem o livro físico. Infelizmente - e não me perguntem o motivo - no Brasil o livro em papel não está disponível.

Veja também:
Lucidez e loucura no Lamascast 
O casarão no Lamascast


Espero que tenha curtido, inclusive o blog, e volte sempre.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 13

Dinamite dá o lençol em Osmar antes de fazer o golaço da vitória do Vasco sobre o Botafogo*

No dia 9 de maio de 1976, o Vasco da Gama e o Botafogo protagonizaram uma das partidas mais marcantes da história do futebol brasileiro. O clássico disputado no Maracanã pelo Campeonato Carioca foi decidido por um dos gols mais lindos já vistos no antigo estádio, marcado por Roberto Dinamite.

Com apenas 22 anos de idade, Dinamite encantou não só os vascaínos, mas todo fã de futebol, ao fazer aquilo que o também saudoso locutor Luciano do Valle costumava chamar de "gol de Copa do Mundo". O gol não só garantiu a vitória, de virada, do Vasco por 2 a 1, como também se tornou um símbolo de sua presença na área com o seu talento e uma lembrança eterna para os torcedores cruzmaltinos.

O contexto do clássico

O confronto entre Vasco e Botafogo naquele dia era crucial para a sequência da Taça Guanabara, primeiro turno do Campeonato Carioca de 1976. Ambas as equipes buscavam consolidar suas campanhas em um torneio marcado pelo equilíbrio entre os grandes clubes do Rio de Janeiro, incluindo-se aí o América, que infelizmente nas últimas décadas não tem conseguido mais qualquer destaque sequer no cenário estadual.

Veja também:

O Botafogo abriu o placar no primeiro tempo num chutaço de Ademir Vicente, que Mazaropi nem viu por onde passou, mas numa infelicidade de Wendell, que fazia grande partida até então, Roberto se aproveitou da falha do goleiro botafoguense e empatou com um chute praticamente sem ângulo. A vitória épica veio no último minuto com o tão propalado e espetacular gol do Garoto Dinamite, um dos maiores ídolos da História do Vasco.

A vitória classificou o Vasco para a final da Taça Guanabara, que venceria em disputa de pênaltis, por 5 a 4, contra o Flamengo, após empate em 1 a 1, no tempo normal.

O gol de Roberto Dinamite

O gol que decidiu a partida é lembrado até hoje como um dos mais belos da História do Maracanã. Dinamite recebeu a bola de um cruzamento meio no desespero de Zanata, matou no peito e antes que Osmar Guarnelli consegui dar o bote, deu-lhe um balão desconcertante e de sem-pulo fuzilou a meta guarnecida por Wendell, que não teve qualquer chance de defesa.

A jogada foi exaltada pela imprensa esportiva da época e permanece viva na memória do futebol brasileiro, sendo frequentemente mencionada em listas dos gols mais bonitos da história.

O legado de Roberto

Ídolo eterno do Vasco, Roberto Dinamite é o maior artilheiro da História do clube e do Campeonato Brasileiro. Sua carreira foi marcada por gols espetaculares, liderança em campo e uma conexão inigualável com a torcida cruzmaltina.

Após encerrar a carreira, Dinamite seguiu contribuindo para o futebol, seja como presidente do Vasco, mais ainda como uma referência para as novas gerações. Seu gol contra o Botafogo em 1976 simboliza não apenas seu talento, mas também a magia do futebol jogado no Maracanã.

Veja também:

Roberto faleceu em 8 de janeiro de 2023, aos 68 anos. Ele tinha contra um tumor no intestino desde 2021 e chegou a ser internado algumas vezes antes de morrer. Porém, jamais será esquecido pelos fãs de futebol, especialmente os vascaínos, por este e tantos outros golaços que marcou na sua vitoriosa carreira, com passagens pela seleção brasileira, inclusive na Copa do Mundo de 1978 (em 82 chegou a ir a Espanha, mas sequer ficou no banco de reservas).  

Ficha Técnica

VASCO 2 x 1 BOTAFOGO

Data: 9 de maio de 1976.

Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.

Público: 39.232 pagantes.

Competição: Campeonato Carioca (13ª rodada da Taça Guanabara).

Árbitro: Armando Marques.

Gols: Ademir Vicente, aos 43 do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 18, e aos 45 minutos do segundo tempo.

Vasco: Mazaropi; Gaúcho, Abel, Renê e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Luís Carlos; Luís Fumanchu, Roberto Dinamite e Dé. Técnico: Paulo Emílio.

Botafogo: Wendell; Miranda, Osmar, Nílson e Marinho; Luisinho, Ademir Vicente e Mendonça; Mazinho (Rogério), Manfrini (Antônio Carlos) e Mário Sérgio. Técnico: Telê Santana.


* Encontrei esta foto num site e não havia crédito. Por favor, quem souber, avise-me para eu dar o devido crédito a esta fotografia tão bela quanto o gol.

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Geraldo, um assovio que ainda se ouve
Ode ao futebol-arte
Cinema, futebol e música no Lamascast

Obs.: Pesquisa e texto foram feitos com auxílio de IA.

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