terça-feira, 27 de janeiro de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43

Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem crédito encontrada na internet e melhorada com auxílio da IA

Após “Camisa Molhada” ser bastante apreciada pelo público, a camisa amarela, novo uniforme da seleção brasileira, voltou ser o assunto no bar “Além da Imaginação”. 

Idiota da Objetividade: - Em 1953 houve um concurso promovido pelo jornal carioca “Correio da Manhã” para se escolher o novo uniforme da seleção brasileira. O gaúcho Aldyr Garcia Schlee, então com 19 anos, derrotou mais de 200 candidatos, com sua criação: a camisa canarinho.

Garçom: - Com sorte ou não, foi com a camisa canarinho que conquistamos o penta.

Idiota da Objetividade: - Um ano antes do concurso, a seleção brasileira havia conquistado, já sob o comando do técnico Zezé Moreira, o seu primeiro título fora do nosso território: o Campeonato Pan-Americano de1952, no Chile. O título foi conquistado de forma invicta, com vitórias sobre o México, por 2 a 0; Panamá, por 5 a 0; Uruguai, por 4 a 2, e Chile, por 3 a 0; e apenas um empate, sem gols, no segundo jogo, contra o Peru. Na vitória sobre o time da casa, Ademir Menezes fez dois gols, e Pinga, o outro.

Ceguinho Torcedor: - Mas o primeiro título mundial, que nos arrancou das entranhas o complexo de vira-latas, veio em 58, na Suécia.

Músico: - Seu Ceguinho e demais senhores desta mesa tão qualificada, aproveitando o tema iniciado, peço permissão para interrompê-los, por favor. Tem música muito mais famosa sobre aquela conquista de 58, mas gostaria de tocar aqui no piano pra vocês uma composição do grande Altamiro Carrilho, que foi gravada naquele mesmo ano pelo pianista José Luciano. Chama-se “Os canarinhos venceram”. Gostariam de ouvir?

Todos concordam, então...

                                                           (Clique aqui para ouvir a música) 

O povo todo aplaude após a apresentação e Idiota da Objetividade retoma a bola com rapidez.

Idiota da Objetividade: - A classificação nas eliminatórias para a Copa de 58 veio com um empate em 1 a 1, em Lima, e uma vitória de 1 a 0 sobreos peruanos, no Maracanã.

Ceguinho Torcedor: - Com um maravilhoso gol de Didi, o Príncipe Etíope de Rancho, feito em folha-seca.

Idiota da Objetividade: - A seleção da Venezuela também participaria do grupo, mas desistiu.

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Ceguinho Torcedor: - O escrete naquele jogo contra o Peru não exprimiu, nem de longe, nem por aproximação, o futebol brasileiro. O que houve foram alguns lampejos individuais fulgurantíssimos, como o gol do Didi, as arrancadas de Garrincha e a compacta bravura de Bellini. Mas o futebol não vive de iluminações pessoais e tivemos de melhorar muito até conquistar a taça na Suécia.

Garçom: - Didi deu a classificação para a Copa e foi importantíssimo em 58.

Didi: - Obrigado!

Ceguinho Torcedor: - Sim, mas há poucos meses do Mundial, Didi viveu um dilema: a Suécia ou Guiomar.

Garçom: - Sua esposa?

Didi: - Verdade. O Ceguinho pode contar a história.

Ceguinho Torcedor: - Obrigado. A CBD tomou uma providência patética: baixou uma ordem impedindo que qualquer jogador levasse a mulher à Suécia. Só um cego de nascença não via que se tratava de separar Didi de Guiomar.

Didi: - É, cheguei inclusive a enviar uma carta à CBD solicitando a dispensa da Copa, por causa da decisão da entidade.

João Sem Medo: - Didi fez questão de dizer o tempo todo que ele pagaria as despesas da mulher. E ela não ficaria na concentração, ora bolas!

Ceguinho Torcedor: - Ficaria fora da concentração, apenas como torcedora de Didi e do Brasil.

Idiota da Objetividade: - Acabou que a dona Guiomar não foi à Suécia.

Didi: - Uma pena, não é meu amor?

D. Guiomar concorda com a cabeça.

Didi: - Até hoje não entendi aquela perseguição a Guiomar?

Ceguinho Torcedor: - Existia contra ela um preconceito militante, agressivo e eu quase diria internacional. Ela sempre tratou a todos com uma cordialidade quase doce. Mas bastava que Didi fracassasse numa folha-seca, ou desperdiçasse um pênalti, ou desse um passe errado, para que a torcida a responsabilizasse.

Garçom: - Que isso!?

Ceguinho Torcedor: - Vejam vocês a ironia do futebol: ela devia ser a responsável, por igual, pelos defeitos e os méritos de Didi. Mas não. Se Didi falhava era Guiomar, se não falhava, era Didi. Ninguém admitia que ela pudesse representar, no futebol do craque, um poderoso estímulo, um incentivo total.

Guiomar: - Obrigada, seu Ceguinho.

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João Sem Medo: - Ele tantas vezes declarou à imprensa o seu amor à mulher e sempre afirmou que era por ela que jogava. E o mais importante é que ele foi à Copa e ajudou muito o Brasil a conquistar o título.

Ceguinho Torcedor: - E como! O nosso Mister Football!

João Sem Medo: - Sim, foi como a imprensa internacional o apelidou na Copa da Suécia.

Ceguinho Torcedor: - Com Moacir por trás de cada um dos seus erros, como uma constante, ininterrupta ameaça, Didi, com seu nobre tipo racial, como um príncipe etíope de rancho, enxergava longe e percebeu que não podia se permitir o luxo de um cochilo.

Didi: - Não mesmo. Moacir foi um excelente jogador de meio de campo.

Idiota da Objetividade: - Moacir, meia do Flamengo, foi titular da seleção nos dois últimos amistosos realizados no Brasil antes da Copa de 58, nas vitórias de 4 a 0 e 3 a 1 sobre a Bulgária. No primeiro jogo, realizado no Maracanã, Moacir fez dois gols. Depois Didi ganhou a vaga de titular e foi eleito o melhor jogador do Mundial da Suécia, eleito pela Fifa.

Ceguinho Torcedor: - É, mas quase todo mundo gritou contra Didi. Nos treinos da seleção foi vaiado quantas vezes? Conclusão: amarrou a cara e seu comportamento, em todo o Mundial, foi esmagador. Não se podia desejar mais de um homem, ou por outra, de um brasileiro. Ninguém que jogasse com mais gana, mais garra e, sobretudo, mais seriedade. Nem sempre marcava gols, mas era ele quem amaciava o caminho, quem desmontava as defesas adversárias com seus lançamentos em profundidade. Com uma simples ginga de corpo, liquidava o marcador. E nas horas em que os companheiros pareciam aflitos, ele, com sua calma lúcida, prendia a bola e tratava de evitar o caos possível. Nenhum escrete levanta um Campeonato do Mundo sem extraordinárias qualidades morais. De nada adiantará o futebol se o homem não presta. O belo, o comovente, o sensacional no triunfo de 58 está no seguinte: foi, antes de tudo, o triunfo do homem.

Didi se levanta com Guiomar para abraçar Ceguinho Torcedor e João Sem Medo e todos são aplaudidos pela plateia. Zé Ary aproveita para tomar a palavra.

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João Sem Medo: - Meu amigo Neném Prancha já dizia: “O Didi jogava bola com quem chupa laranja, com muito carinho”.

Todos concordam e Didi, já de volta à sua mesa, se levanta novamente para ser aplaudidíssimo por todo o público de pé. Parecia um estádio de futebol, tamanha a ovação.

Didi: - Agradeço muito, de coração, a todos. Em especial pela defesa do Ceguinho Torcedor e do João Sem Medo a mim e, claro, a minha amada Guiomar. Muito obrigado.

Garçom: - Nós que agradecemos, seu Didi! Nós que agradecemos. Vamos ouvir aqui a narração do gol de Didi contra a França na semifinal, quando o Brasil desempatou a partida quando estava 1 a 1, na narração de Geraldo José de Almeida, na época na Rádio Pan Americana, de São Paulo. E ver o golaço no telão!

A vibração é tão grande que parecia estar acontecendo naquele momento. Zé Ary pede a palavra novamente.

Garçom: - E pra completar vamos ouvir “O nosso dia chegou”, de Alfredo Borba e OsvaldoRodrigues, que gravou a música. Quem quiser pode dançar à vontade. Vamos lá, seu Didi, e dona Guiomar!

(Clique aqui para ouvir a música)

Fim do Capítulo #43

Episódio originalmente publicado em 23 de novembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 27 de janeiro de 2026.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #42

Uma coisa jogada com música - Capítulo #42

Mario Vianna, entre o capitão suíço Roger Bocquet e o italiano Giampiero Boniperti, na "tirada do toss" antes da partida Suíça 2 x 1 Itália, pela Copa do Mundo de 1954

Zé Ary, ainda surpreso com o que João Sem Medo dissera sobre o desconhecimento do regulamento da Copa de 54 pela delegação brasileira, não se conteve.

Garçom: - Caramba, seu João, como pode? Que confusão!

Ceguinho Torcedor: - Confusão houve mesmo depois da partida contra a Iugoslávia. No jogo contra a Hungria, a pancadaria foi generalizada. Perdemos de 4 a 2 no jogo e a cabeça depois.

Idiota da Objetividade: - A Hungria abriu 2 a 0 logo no início da partida, com gols de Hidegkuti e Kocsis, que estaria em posição de impedimento. Djalma Santos, de pênalti, diminuiu ainda no primeiro tempo, mas o zagueiro Lantos aumentou pra 3 a 1 em pênalti inexistente de Pinheiro na etapa final. Depois, Julinho Botelho reduziu a vantagem húngara e a equipe brasileira passou a pressionar novamente em busca do empate. Chegou a botar duas bolas seguidas na trave, mas aí Kocsis marcou no fim.

João Sem Medo: - Jornalistas brasileiros chegaram a dizer que o atacante húngaro estava impedido, mas não houve nada disso. Os brasileiros ainda reclamaram um pênalti em Julinho, não marcado pelo juiz, que eu achei duvidoso.

Veja também:

Idiota da Objetividade: - O jogo foi muito violento, teve três expulsos: Pinheiro e Humberto, pelo Brasil, e Bozsik, que era deputado no Parlamento húngaro.

João Sem Medo: - Com todo mundo de cabeça quente estourou a pancadaria após a partida, que ficou conhecida como a Batalha deBerna. Atingiram até o ministro de Esportes da Hungria.

Garçom: - Nossa mãe!

Idiota da Objetividade: - Faltou espírito esportivo a quase todo mundo ali.

Garçom: - Boa, seu Idiota! Hehe da Objetividade! Vamos aproveitar tua deixa pra chamar ao palco mais uma vez: Moraes Moreira!

Aplausos de toda plateia.

Moraes Moreira: - Obrigado, gente. Se faltou espírito esportivo em 54, aqui vamos de “Espírito Esportivo”.

A plateia dança e se diverte muito com Moraes Moreira e aplaude ao fim da música. O artista agradece e volta à sua mesa.

Idiota da Objetividade: - Depois daquilo tudo, daquela total falta de espírito esportivo, até Mário Vianna, com dois enes, o árbitro brasileiro na Copa, se envolveu. Ele acusou o juiz inglês Arthur Ellis de estar comprado e a Fifa, de ser uma camarilha de ladrões.

Garçom: - Desde aquela época? Não sei como era, mas hoje tem ex-dirigentes da Fifa afastados e até presos.

Ceguinho Torcedor: - Mário Vianna arrancou o distintivo da Fifa do peito e o queimou.

Idiota da Objetividade: - Acabou sendo expulso do quadro da Fifa depois disso.

João Sem Medo: - Trabalhei com ele muitos anos na Rádio Globo.

Veja também:
Com o VAR, o futebol se tornou um "video-game" com defeito 
O jogo não começa, nem acaba com o apito do juiz 

Idiota da Objetividade: - Mário Vianna encerrou sua carreira de árbitro em 1957. Foi técnico do Palmeiras, mas acumulou oito derrotas em 14 jogos e acabou saindo do clube paulista. Temperamental e polêmico, ele foi comentarista de arbitragem na Rádio Guanabara na década de 60 e da Rádio Globo por mais de 20 anos, entre as décadas de 70 e 80.

Garçom: - Ah, me lembro muito bem dele. (canta a vinheta do comentarista na Rádio Globo) “Mário Viaaaaanna”, com dois enes.

Mario Vianna, que chegara naquele momento ao bar, ao ouvir sua vinheta na voz de Zé Ary, entra com seu vozeirão.

Mario Vianna: - “Gooooooooool legaaaaaaal”.

Risada geral.

Garçom: - Que prazer, seu Mario Vianna. O senhor chegou na hora certa.haha

Mario Vianna: - O prazer é todo meu.

Garçom: - O senhor tinha outros bordões famosos... Quando o árbitro cometia um erro, como era?

Mario Vianna: - “Eeeeeeeeeeerrooooou”! Cadê o eco? “Eeeeeeeeeeerrooooou”.

Garçom: - Tinha também “pênalti que não é, não entra”. Hahahaha .

Mario Vianna (rindo): - Também, também.

João Sem Medo: - Zé Ary tá com o gogó afiado. Dá um abraço aqui, Mario!

Os dois se abraçam e Mário Vianna cumprimenta Ceguinho Torcedor, Idiota da Objetividade e Sobrenatural de Almeida, que brinca com o ex-árbitro.

Sobrenatural de Almeida: - Você era assombroso, Mário. Assombroooooosoooooo!

Os dois caem na gargalhada. Mário Vianna segue então em direção à sua mesa. João Sem Medo retoma  pelota.

João Sem Medo: - A derrota de 50 gerou uma pressão imensa da imprensa e dos torcedores para que o time brasileiro deixasse de ser frouxo. Havia quase uma unanimidade...

Ceguinho Torcedor: - Toda unanimidade é burra!

João Sem Medo: - Pois é, Ceguinho, acredito que aquilo acabou mexendo com a cabeça dos jogadores. Até o uniforme mudaram pro Mundial na Suíça.

Idiota da Objetividade: - A seleção jogou até a Copa de 1950 com camisas brancas, calções azuis e meiões brancos.

João Sem Medo: - Aí juntaram a pressão com a superstição. Disseram que além de um time frouxo, tínhamos um uniforme que dava azar.

Sobrenatural de Almeida: - Ora essa! Isso é assombroso, assomborso. Hahaha

Garçom: - Seu Almeida, peço licença, mas assombrosa mesmo é a qualidade das músicas brasileiras que falam do futebol. Vamos ouvir no som o grande CarlinhosVergueiro num samba que fala de juiz, camisa, muito do que foi conversado aqui. Vamos lá, “Camisa Molhada”, de Toquinho e Carlinhos Vergueiro.

Fim do Capítulo #42

Episódio originalmente publicado em 16 de novembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 18 de dezembro de 2025.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A GRANDE LIÇÃO DE FILIPE LUÍS

A grande lição de Filipe Luís

Filipe Luís, técnico do Flamengo, durante a Copa Intercontinental, no Catar. Foto: Getty Images

O jovem e já muito vitorioso técnico do Flamengo, Filipe Luís, vem sendo exaltado  com todos os motivos do mundo por torcedores e jornalistas pelas taças que ele tem ajudado muito o time rubro-negro a ganhar (claro, há os chatos e sem noção que ficam pedindo a cabeça do técnico a qualquer mau resultado, mas faz parte da cegueira da paixão que o futebol muitas vezes traz). Embora ele ainda cometa algumas falhas, o que é normalíssimo em se tratando de um treinador que está há pouco mais de um ano no comando do time principal, eu também estou muito satisfeito. Claro, como quem me conhece ou lê este blog sabe muito bem para qual time torço.

No entanto, no meu modo de entender, a maior lição que Filipe Luís deixa a todos, não só os envolvidos com o futebol é que a Educação compensa. Em um país em que até presidentes e políticos das mais variadas (des)orientações se vangloriaram e se vangloriam de que não precisaram estudar para terem chegado onde chegaram, o técnico do Flamengo deixa o recado importantíssimo, principalmente aos mais jovens.

Veja também:
Filipe Luís, nem besta, nem bestial
Ética no futebol

E não só o fato de dedicar horas e mais horas a estudar os adversários e o seu próprio time, a responsabilidade de liderar 40, 50 cabeças ou mais, das mais diversas culturas e vivências, é a Educação em lidar com o outro, com o adversário, jornalistas, funcionários etc. Filipe Luís trata a todos com muita Educação e valoriza a educação esportiva, pois sabe reconhecer os méritos dos adversários até mesmo quando vence e não fica dando chiliques e pressionando a arbitragem durante os jogos.

É portanto um jovem treinador brasileiro dando a lição em muitos dos seus colegas mais velhos, que em vez de estudarem e se atualizarem voltam-se contra técnicos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro. Alguns deles (nem todos, claro) importantíssimos para, justamente elevar o sarrafo e forçar nossos treinadores a melhorarem cada vez mais.

Outro jovem técnico em destaque 

Para completar, logo após a vitória sobre o Ceará, que garantiu o título brasileiro deste ano ao Flamengo, Filipe Luís elegeu Rafael Guanaes o melhor técnico da competição. Humildade, além de tudo, ele tem. Afinal, mesmo com todos os méritos do treinador campeão, o que o também jovem Guanaes fez com o Mirassol, ao levar a pequena equipe do interior de São Paulo ao quarto lugar na sua primeira participação na elite do futebol brasileiro e à consequente classificação para a fase de grupos da Taça Libertadores pode entrar no rol dos milagres futebolísticos. 

E Guanaes, pelo pouco que vi, li e ouvi, é outro que valoriza o estudo, a Educação. Que, neste mundo com tantos péssimos exemplos no comando de nações, inclusive, os técnicos de Flamengo e Mirassol sirvam de exemplo, referência. 

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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

NAU POESIA: UM MUNDO INTEIRO SEM CABER EM MIM

Nau Poesia: Um mundo inteiro sem caber em mim

A Lô Borgesin memoriam

Passeio no passado
Flutuo no futuro
Piso no presente 

E lá vou eu novamente
Em busca do meu lugar no mundo
Como, se há tanto, um mundo inteiro
Aqui dentro sem caber em mim?

Tantas terras, tanta gente,
Tantos cantos, tantas palavras,
Tantos momentos, tantos instantes,
Ecos, reflexos, reflexões, criações
Pensamentos, sentimentos, sensações,
Alegrias, emoções, consternações,
Conquistas, erros, erros, erros...
E a eterna vontade de acertar,
A vibrante inquietude
de ver florescer
Tudo, tudo, tudo o que foi
Pacientemente, diariamente,
Semeado.
E tudo, tudo, tudo o que ainda
Falta semear.

Passeio no passado
Flutuo no futuro
Piso no presente 

Ilustração produzida com o auxílio do GPT Image (IA)

Um pouco mais sobre isso tudo acima

Toda vez que ocorre uma mudança importante em minha vida palavras, versos, frases, versões brotam dos meus pensentimentos. Não só nestes momentos, claro, mas invariavelmente neles. E agora que deixamos, eu e minha mulher, Florianópolis - como moradia - no passado e estamos em Jundiaí (SP) com esperança de novos tempos, novas oportunidades, "novos olhares que nos façam sorrir" (muito grato, mestre Paulinho da Viola), compus em duas etapas "Um mundo inteiro sem caber em mim", que você que aqui chegou provavelmente leu.

E, como a tecnologia em que venho mergulhando já há um ano me permite, aproveitei para pedir ao Suno que me trouxesse música aos versos acima. Pensei depois em trocar "piso" por "finco pé" no presente, mas deixei como originalmente surgiu-me. 

Veja também:
Nau Poesia: Às obviedades da objetividade
Nau Poesia: Novos rumos, novos tempos

Creio que a interpretação de leitoras e leitores não será a de pisotear, mas ao lançar ao mundo o que escreve o poeta sabe que cada leitura traz uma nova cor, uma nova mensagem, novas interpretações de acordo com a vivência de quem lê e de alguma forma se apropria da obra. Desapego e lanço assim ao mundo. Mesmo que este mundo seja formado por apenas meia dúzia de pessoas.

Saudações a você e a tudo de maravilhoso que o Universo nos traz diariamente. E que os maus espíritos e maus pressen e pensentimentos não ganhem vida. Obrigado a Floripa e a todos os amigos e amigas que lá deixei e que reverei, alguns muitas vezes mais, pois se assim desejarmos. 

A homenagem

A partida de Lô Borges me deixou muito triste. Suas músicas, especialmente as do Clube da Esquina fazem parte da trilha sonora da minha vida e continuarão até o fim. Tenho sangue mineiro, isso explica muita coisa. 

Inclusive o pedido à plataforma de IA para que fizesse uma música para esta poesia que criei em duas partes há poucas semanas com estilo da música das Minas Gerais, com pitadas de rock e música clássica, o que neste caso específico entendo que foi completamente ignorada. Sem problemas, o resultado me agradou e me emocionou muito.

E a você? Ouça e veja o vídeo abaixo ou no meu canal do YouTube como ficou a música e comente, siga o blog. Agradeço.   


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Música pra Viagem: Children's Cruzade
Nau Poesia: Nada mais

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

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