sexta-feira, 28 de maio de 2021
CONTOS DA BOLA: O QUE É QUE SÓ VOCÊ VIU?
quinta-feira, 27 de maio de 2021
CONTOS DA BOLA: O TORCEDOR DE VIDEOTEIPE
Sujeito pacato e trabalhador, o Djalma. Adorava uma roda de samba, participava de todas, mas sempre discretamente. Era muito querido em todos os lugares por onde passava: na rua em que morava, nos pagodes e no trabalho. Além do samba, Didi, como era carinhosamente chamado pelos amigos e colegas de trabalho, tinha outra paixão: a seleção brasileira. Era um verdadeiro torcedor, mas diferente. Não era daqueles que ficam discutindo escalação, pedindo Fulano, Beltrano e Sicrano no ataque do escrete canarinho, como ele ainda se referia à seleção. Didi era avesso a discussões sobre futebol e, por isso, poucos se davam conta do quanto ele amava a seleção brasileira, muito mais do que o famoso esporte bretão, como os antigos cronistas e narradores se referiam ao futebol. Um caso ainda mais raro, não tinha clube do coração.
Às vésperas da Copa do Mundo de 1994, porém, a sua fama de torcedor fanático se espalhou. A história começou quando ele resolveu comprar uma antena parabólica com o 13º ganho no fim de 1993 para instalar na sua casinha lá em Vila Kennedy. Com muita dificuldade, ele fez a alegria de dona Guiomar, sua esposa, e dos filhos, que tiveram assim mais opções de divertimento. Didi, porém, só ligava a televisão para ver jogos da seleção brasileira, que então se preparava para o Mundial de futebol que se realizaria nos Estados Unidos. Ele pouco sabia dos campeonatos disputados no Brasil, pois, como já dito, não torcia para time algum, muito menos se interessava em ir ao estádio, a não ser que a seleção jogasse. Como jogo do Brasil no Maracanã passou a ser raro naqueles tempos, é fácil deduzir que Didi não ia mais ao Mario Filho com a frequência dos anos 60 e 70, quando quase sempre o escrete se apresentava no então maior estádio do mundo.
A televisão com a antena nova tinha ficado praticamente esquecida por Didi, até que numa noite ele perdeu o sono e resolveu ir à sala para arriscar um canal e ver se passava algo chato que o fizesse perder a insônia. Muda daqui, muda dali, até que ele se deparou com algo muito familiar. Em um canal que ele guardou o número, mas que jamais saberá de que país pertencia a tal emissora, ele viu a seleção canarinho toda perfilada, cantando o Hino Nacional, momentos antes da estreia na Copa do Mundo de 1970, contra a Tchecoslováquia. A partir daí ele não conseguiu mais dormir. Vibrou, chorou, torceu, esperneou, socou o chão e o ar e xingou, tudo isso aos sussurros, gemidos e grunhidos, com o máximo cuidado para não acordar a sua família e a vizinhança.
Quer ler este conto inteiro e os outros 18 do livro? Ele está à venda em papel na Livraria da Cartola, na Amazon.com.br (também em ebook nos mais diversos países), Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza, UmLivro, Mercado Editorial e Casas Bahia. Na versão digital, você também encontra Contos da Bola no Google Play, no Scribd e, no exterior, na Barnes & Noble.
Este gol é imperdível!
Veja também:
A Copa é um mundo à parte
Futebol brasileiro x seleção brasileira
Futebol-arte: os maiores jogos de todos os tempos 11
Música e futebol, o Brasil no Primeiro Mundo
segunda-feira, 24 de maio de 2021
"CONTOS DA BOLA" NÃO PODE FALTAR EM SUA ESTANTE, DIZ SITE DE SC
Recebi esta indicação elogiosa com tanta satisfação que não me permiti sentir um intruso na lista, mas um privilegiado muito bem acolhido. Mais uma vez, é bom que eu ressalte, pois desde que aqui cheguei só recebi carinho e atenção dos mais variados tipos de pessoas. Muito obrigado "Orgulho Catarina", muito obrigado povo catarinense e aos cidadãos que vieram de outros estados e países para viver aqui há mais tempo que eu e minha mulher e que também nos dão boas-vindas o tempo inteiro.
Além da Livraria da Cartola, "Contos da Bola" também pode ser encontrado na Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).
Veja também:
E 38 anos se passaram...
Setenta vezes Maracanã
Reencontro
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
"Profano coração" está de volta
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
terça-feira, 18 de maio de 2021
TRÊS HISTÓRIAS COM ROMÁRIO
Romário no jogo contra a Escócia, pela Copa de 90. Foto do site O Curioso do Futebol |
Em ordem cronológica, a primeira história é a mais banal, ocorrida no fim dos anos 80, numa boate da Zona Sul carioca que se chamava New Let It Be, onde inclusive trabalhara pouco tempo antes um saudoso amigo do Grajaú, o Almir "Barriga". Fui a uma festa com outro saudoso amigo, com quem trabalhava na Rádio Imprensa FM, o dublador, ator e locutor Andre Filho, e acabei sendo apresentado naquela noite a muitos artistas e jogadores de futebol de expressão. Pois foi lá a única vez em que estive pessoalmente com o gênio da grande área (definição de outro gênio, Johann Cruyff, também já vivendo em outro plano).
Romário já jogava no PSV Eidhoven, da Holanda, e estava de folga ou férias no Brasil. Mal trocamos duas palavras e nos cumprimentamos com um aperto de mãos. Foi só. Porém, como ele sempre foi atração por onde passava, não deixei de observar dois fatos inusitados para mim, especialmente naquela época. Aonde ele ia, dois ou três seguranças o cercavam, o que não era comum entre os craques brasileiros naqueles tempos. As "sombras" do artilheiro não se distanciaram dele nem mesmo quando ele subiu para o andar superior da boate para assistir a um strip-tease muito mixuruca que rendeu mais risos do que tesão na plateia masculina. O outro fato que me confirmou o que já diziam, mas eu não acreditava, é que ele não pôs uma gota de álcool na boca.
Na segunda vez, Romário foi apenas o motivo. Ele havia fraturado a perna num jogo na Holanda há poucos meses da Copa da Itália, em 1990, e o risco de ele ficar fora do Mundial era enorme. Ressalto para contextualizar que ele tinha sido, ao lado de Bebeto, o grande destaque da conquista da Copa América disputada no Brasil, no ano anterior. Portanto, a notícia estourou como uma bomba em todos os jornais, rádios e TVs, e não seria diferente no velho Jornal dos Sports de guerra, onde eu trabalhava. Por causa disso, o editor Carlos Macedo me incluiu às pressas na equipe já escalada para ir ao estádio Ítalo del Cima cobrir Nova Cidade x Botafogo, com a incumbência de entrevistar o médico Lídio Toledo, que além de trabalhar no clube alvinegro, servia também à seleção. Tive de esperar a fraca partida acabar, com vitória do Botafogo, por 1 a 0, gol do zagueiro Gonçalves no finzinho do jogo, ir ao acanhadíssimo vestiário onde se alojava o time alvinegro e falar com o médico para apurar o que ele já sabia sobre as condições do Baixinho.
Toda a cobertura daquele dia sobre a fratura de Romário no Jornal dos Sports e a entrevista com Lídio podem ser lidas clicando aqui.
O atacante acabaria sendo convocado pelo técnico Sebastião Lazaroni, mas foi para a Itália mais fazer figuração do que qualquer outra coisa, pois não teve tempo de se recuperar totalmente. Soube algum tempo depois por um integrante da delegação brasileira naquela Copa que numa reunião com Lazaroni, Romário o deixou bem à vontade para cortá-lo, algo nada comum na carreira do Baixinho. Para esta minha fonte, ter mantido Romário no grupo foi um dos grandes erros do treinador naquele Mundial. "Ele teve a faca e o queijo na mão para cortá-lo", disse ou deve ter dito desta forma, minha memória não deve ser tão prodigiosa assim.
A terceira vez foi a que motivou este texto. Quando achei numa velha e surrada agenda de telefones um papelzinho com os números de Romário na época em que atuava pelo Barcelona (1994) tive a ideia de fotografá-lo depois que já tinha amassado e jogado fora. Achei que a história merecia ser contada a partir deste registro que você vê aqui ao lado.Convidado por Mauro Cezar Pereira, que tinha sido meu chefe no Jornal dos Sports e já estava editando a revista Placar, em São Paulo, fui fazer um frila para a edição especial da revista sobre os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Como na época eu trabalhava em outro lugar e o prazo de apuração era curto, não tive condições de fazer os 11, então dividi a tarefa com meu amigo dos tempos de Gama Filho e também do JS, Edir Lima. Romário ficou comigo e lá fui eu buscar de todas as formas o telefone do Baixinho na Catalunha. Naquele tempo, para os mais novos saberem e os mais velhos relembrarem, era com catálogos de telefone e auxílio da Embratel que conseguíamos os números e as ligações para o exterior.
Pois bem, com alguma ajuda de colegas jornalistas descobri que Romário não morava exatamente em Barcelona, mas numa cidade praiana chamada Sitges. A muito custo, depois de ligar para o clube, para algum jornalista espanhol, um assessor do Baixinho, consegui o número certo, mas nunca que ele me atendia. Falei com a Monica, sua esposa na época, mais de uma vez. Então resolvi mandar um fax (um fax!!!!) com o pedido de entrevista explicando o motivo. Só que continuei no vácuo. Até que, não me recordo se por uma mágica palavra-chave que usei ou minha insistência foi suficiente para vencer a resistência do artilheiro, consegui falar com ele. O início do diálogo vale muito mais que a matéria publicada e foi mais ou menos assim:
- Oi Romário, tudo bem?
- Tudo.
- Queria falar contigo para pegar um depoimento seu para a revista especial da Placar com os melhores jogadores do Vasco de todos os tempos. Você recebeu o fax que enviei pra você?
- Recebi.
- E o que você achou da escalação dos 11, da sua presença entre tantos jogadores históricos do Vasco? (lembrando que até então, Romário só havia jogado no time principal do clube cruzmaltino, de 1985 a 89, com conquista do bicampeonato carioca de 87 e 88)
- Não achei nada, eu não estou no time.
- Como não está, é por isso que o procurei e mandei o fax, tem a escalação aí: Barbosa... Jorge... Ademir Menezes, Roberto Dinamite e você.
- Ah, eu?
- Sim, você (não lembro se cheguei a dizer, mas poderia ter frisado: "Sim, você é você, ninguém mais!")
Daí em diante ele se soltou e foi muito simpático até.
A matéria você encontra clicando aqui.
Este trabalho para a Placar, aliás, rendeu outra ótima história de bastidores, com o ex-lateral-esquerdo Jorge, que fez parte do Expressinho do Vasco nas décadas de 40 e 50, mas esta conto em outra oportunidade.
Reprodução da revista Placar |
"Contos da Bola" está de volta a campo
O dom de jogar bola e o Bolero de Ravel
Reinaldo, o rei do Galo mineiro
quarta-feira, 12 de maio de 2021
"CONTOS DA BOLA" É UMA CAIXINHA DE 19 SURPRESAS
O livro está em campo na Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia.
Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).
Veja também:
Elogio ao futebol
Devotos do dinheiro
segunda-feira, 10 de maio de 2021
"CONTOS DA BOLA" NA CAPA DO PORTAL "MAISPB"
Foi sem dúvida uma das melhores entrevistas que já concedi e a que mais tive a oportunidade de expor como encaro o meu ofício de escritor, especificamente o trabalho que realizei para criar Contos da Bola. E também fazer algumas revelações sobre minha vida pessoal, da infância à vida adulta, desde a minha paixão pelo futebol, como pelo teatro, a literatura, as artes em geral, a experiências no jornalismo.
Minha gratidão eterna a Kubi Pinheiro (e também ao Portal MaisPB), pela generosidade das palavras, das perguntas, do espaço e do trato comigo. Caso queria ler a entrevista completa, é só clicar aqui.
O livro continua à venda na Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Em breve estará disponível também o livro virtual (ebook).
Veja também:
Reencontro
"Sutilezas", amor, paixão e surpresas
Setenta vezes Maracanã
"O negro crepúsculo", um livro muito bem recomendado
"O negro crepúsculo" em destaque na mídia
"Profano coração" está de volta
quinta-feira, 6 de maio de 2021
A CORRIDA DA MORTE NO "JORNALISMO"
Foto originalmente publicada no site "Brasil Escola", do UOL |
Para começar e não deixar qualquer sombra de dúvida com relação à minha posição: o Jornalismo é fundamental. Ainda mais nos dias de hoje, neste país. Não fosse o Jornalismo (assim, com letra maiúscula), a boiada inteira já haveria passado com madeira ilegal no lombo, os equinos do poder estariam ainda mais despudorados e a cloroquina com agrotóxicos proibidos em várias partes do mundo estariam nas refeições diárias de quase todo brasileiro.
Paulo Gustavo |
O debate - importantíssimo - sobre este fato, começou num grupo do whatsapp do qual participo ainda no fim da tarde de terça, horas antes do falecimento de Paulo Gustavo, porque já se confirmara a barriga (como no meio jornalístico se chamam, ou se chamavam, as falsas notícias publicadas por erro de apuração. fake news é outra coisa, crime inclusive). Em virtude disso, lá mesmo, um dia depois, contei duas histórias que vivenciei de formas diferentes com o objetivo de ilustrar o debate.
Zuenir Ventura |
No fim, soube-se que o (ou a) repórter que deu a "notícia", confirmou a informação que recebera de alguém com a empregada da casa do Zuenir. Nem sei se existia essa empregada, se ele (ou ela) ligou para o número certo (muitas vezes liga-se para um e cai em outro, até hoje, com toda tecnologia existente), nem sei como foi a abordagem. Só sei que na pressa (não confundir com velocidade), no afã de dar o furo, deu-se uma barrigada estrondosa. Zuenir continua vivão, na ativa e completa 90 anos em 1º de junho.
Renato Russo |
Pois bem, Valéria recebeu um telefonema bem cedo de algum amigo ou amiga em comum dela e da família do Renato Russo com a notícia de que o cantor e compositor da Legião Urbana falecera. Era fonte fidedigna, não tinha erro, mas ela não abriu a agência antes do horário (como ocorria quando acontecia algo extraordinário) enquanto não conseguiu o telefone da casa do Renato Russo ou de algum familiar e confirmou a informação dada por uma pessoa identificada da família. Ainda assim, mesmo eu dizendo que ela não devia temer nada, pois tinha feito tudo corretamente, ainda nervosa, abriu a agência antes do horário regulamentar, como mandava o protocolo, e publicou a notícia.
Mais nervosa ficou e eu também fiquei bem apreensivo quando avistamos Ali Kamel, então ocupante dos cargos mais altos do jornal, vindo como uma seta do outro lado da redação (a equipe da Agência O Globo ficava no fundo da antiga redação em L do jornal, na pequenina Rua Irineu Marinho 35, atrás das editorias Internacional e Segundo Caderno. Para quem conheceu, ficava no lado oposto ao da lanchonete da redação). Naquele momento, alguns outros companheiros já haviam chegado para trabalhar. A cara do Ali era a mais séria possível e ele perguntou: "Quem deu a notícia da morte do Renato Russo?" Valéria se "acusou". Ele fez mais duas ou três perguntas de como tinha sabido e apurado. Ao ouvir as explicações, disse, mais seco que o mais árido dos sertões: "Parabéns!". Deu às costas e voltou para o seu aquário (as salas de vidro onde trabalhavam os peixões, ou seja, os editores).
Ressalto que o (ou a) repórter do Estadão, que nem sei quem foi, pode ter aprendido a lição e ao longo da carreira se recuperado do erro que cometeu. Inexperiência pode ser uma das causas. Porém, tudo isto - e muito mais - só prova que o Jornalismo não é, não pode ser, para qualquer um.
Veja também:
A melhor propaganda de todos os tempos
A propósito do jornalismo, o que tenho eu a dizer
O jornalismo em questão
A mídia bizarra
A midiotização
terça-feira, 4 de maio de 2021
O JOGO NÃO COMEÇA, NEM ACABA COM O APITO DO JUIZ
Alguém já deve ter dito isto, mas como ser inédito em matéria de futebol após mais de um século e meio de bola rolando é quase impossível, ouso não ser original: uma partida não se resume aos 90 minutos regulamentares, nem incluindo seus acréscimos, prorrogação e pênaltis, se houver. Um jogo de futebol, ainda mais aqueles mais importantes, começam muito antes do apito inicial e, em alguns casos, nunca terminam.
Pelé se prepara para fazer o gol da vitória sobre o Paraguai, nas eliminatórias da Copa de 70, no Maracanã. Nesta partida registrou-se o maior público pagante da História do estádio: 183.341 |
E isso vale não só para os artistas do espetáculo, o trio de arbitragem, comissão técnica dos times, toda a gama de pessoas envolvidas dentro dos clubes (até um terceiro, um quarto ou mais interessados direta ou indiretamente no resultado) e seus torcedores (e os fãs dos demais times atentos por motivos objetivos e subjetivos). Talvez, ou melhor, certamente ainda se possa acrescentar pessoas que nem querem saber do jogo, mas são parentes, amigos, familiares, colegas de trabalho de alguém tão ligado naquela partida que de alguma forma influirá no humor (mau ou bom) de quem estiver por perto.
A carga de emoções levadas a campo é inimaginável. Etéreas, muitas; palpáveis até, algumas. O Sobrenatural de Almeida, personagem-fenômeno genialmente criado por Nelson Rodrigues, explica muito, sintetiza o que desejo abordar aqui, pois o inusitado, o inesperado, enfim, o sobrenatural pode explicar os acontecimentos, os gols e não-gols que determinam o resultado final de uma partida de futebol. Explicar não é bem o termo, mas induzir a algum entendimento, a uma lógica, a uma ordem que contém tantas variantes físicas, emocionais e espirituais que fica impossível alcançar os reais ou surreais motivos do placar final, e todo andamento, a influência de um montinho artilheiro, de um efeito na bola, do erro do árbitro (mesmo com auxílio do VAR), do frango, da desatenção mesmo em disputas tão tensas etc.
Expectativa, desejo de consagração, sonhos, realização, alegria, explosão de emoções, lágrimas, vida. Lágrimas de vida!
Apreensão, desejo de revanche, frustrações mal resolvidas, mal digeridas, ódio, violência, choro, morte. Choro de morte!
Futebol.
Quantos ancestrais e antepassados de cada um dos milhões de envolvidos num jogo também não participam de alguma forma dentro e fora de cada indivíduo, influenciando no campo e fora dele, no andamento, nos acontecimentos de uma partida? Não citei jornalistas, radialistas, locutores, repórteres, comentaristas. Pois é, ainda tem mais estes. E maqueiros, funcionários do estádio e dos clubes...
Definitivamente, uma partida de futebol é muito, muito mais que um jogo de 11 contra 11 que se desenrola dentro das quatro linhas do gramado, com um árbitro e dois bandeirinhas. Como iniciei dizendo, começa muito antes e, em alguns casos, continua sendo jogado, arbitrado, comentado, criticado, exaltado, modificado, reinventado.
Veja também:
Um ótimo exemplo é aquele Brasil x Itália do dia 5 de julho de 1982. Quantos "se", dos mais diversos, originais e repetitivos, você já ouviu sobre aquele jogo? Aquela - que continua sendo eternamente esta - é uma partida que me marcou profundamente e não falo só por mim, claro. Porém, como é talvez o jogo marcante de toda uma geração, da minha geração, não podia deixar de contá-lo num livro. E, em "Contos da Bola", o "5 de Julho de 1982" é apenas uma outra versão da mesma história tantas vezes contada, recontada, adaptada, das mais variadas formas.
Mas, voltando a 82 e ao livro, como ocorreu com muitos meninos (e meninas também, claro), aqueles cinco tiveram de dar um jeito de prosseguir o jogo depois do apito do árbitro israelense Abraham Klein. E continuam retomando em suas memórias, vez por outra, as sensações e as recordações daquele dia. O futebol nunca mais foi o mesmo, nem aqueles cinco, milhões de meninos (e meninas, jovens, adultos e maduros), depois daquela partida. E ela continua sendo jogada, comentada, criticada, exaltada, modificada, reinventada, inclusive nas páginas de Contos da Bola.
Aproveito para convidar você a ler este e os outros 18 contos do livro. Ele é facilmente encontrado nas seguintes lojas online (clique num dos nomes para ir direto ao site): Livraria da Cartola, Amazon, Americanas, Submarino, Shoptime, Mercado Livre, Magazine Luiza e Casas Bahia. Um time tão bom no papel como no ebook.