terça-feira, 25 de agosto de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #50

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48

Pelé se lesiona contra os tchecos e fica fora do restante da Copa de 62. Foto aprimorada com IA 

Após a apresentação de Jackson do Pandeiro, com o “Frevo do bi”, a Copa de 62 passou a ser relembrada com detalhes e brilhantismo pelos amigos no bar Além da Imaginação.

Idiota da Objetividade: - A seleção brasileira em 1962 não deu show como em 58, mas jogou pra ganhar, que é o que interessa.

Ceguinho Torcedor: - Foi um futebol sofrido, quase feio, um duro futebol de cara amarrada. Jogávamos sim, pra vencer. Amarildo, o dostoeivskiano, enfiava-se pela área como um rútilo epilético. Ao marcar os dois gols da vitória sobre a Espanha já pendia do seu lábio uma baba elástica e bovina. Na final, quando os tchecos fizeram o primeiro gol, pensamos em 50, mas Amarildo apanhou a bola e partiu para o gol. Antes que o adversário pudesse esboçar o ferrolho, Amarildo dribla um, dois. O goleiro sai para cortar o centro. Era chegado o grande momento. E, então, o Possesso enfia uma bomba entre o goleiro e a trave. Amarildo nunca foi tão dostoeiviskiano como no segundo gol. Driblou não sei quantos e deu para Zito marcar. Após o terceirogol, a Tchecoslováquia estrebuchou, pôs fogo nas narinas como o Dragão de São Jorge. Naquele dia, o Brasil mostrou a potencialidade criadora de um povo de napoleões.

João Sem Medo: - Que maravilha, Ceguinho!

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Músico: - Depois de toda essa efusividade de nosso brilhante Ceguinho Torcedor, só tocando uma, ou melhor, duas músicas que têm o mesmo nome, “Brasil bi-campeão”, uma gravada antes e outra após a Copa de 62.

A banda que está no palco com auxílio de um coro infantil executa, então, a composição do Padre Ralfy Mendes, gravada originalmente pelos Pequenos Cantores da Guanabara. Logo em seguida a um breve diálogo, é executada a música de Umberto Silva e Lewis Jr., que havia sido gravada ainda em 62 pelo Coro do Clube do Guri.

Muitos aplausos. E o papo volta à mesa.

João Sem Medo: - Pelé se machucou na segunda partida e não pôde jogar mais naquela Copa.  

Músico: - Sim, na próxima música, gravada após a conquista do bi, fala do desfalque do Rei, cita todos os jogadores convocados e já se anuncia o tri.

Garçom: - Que não viria em 66, mas em 70, como todos sabem... Vamos ouvir, então, “Brasil bi-campeão”!

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Todos dançam e curtem muito como se comemorassem de novo o bicampeonato mundial. No fim, muitos aplausos. E rápido como uma flecha, o nosso copydesk pega a bola e parte pro ataque.

Idiota da Objetividade: - O técnico Aymoré Moreira levou para o Chile 14 jogadores que haviam sido campeões em 58. Trocou apenas DeSordi por Jair Marinho, na lateral-direita; Orlando por Jurandir, na zaga; Oreco por Altair, na lateral-esquerda; Dino Sani, Moacir e Dida por Zequinha e Mengálvio no meio; Joel por Jair da Costa na ponta-direita, e Mazzola por Amarildo e Coutinho no ataque.

João Sem Medo: - Apesar da experiência e de termos praticamente o mesmo time de 58, estreamos contra o fraco time do México comuma vitória de 2 a 0 que não credenciaria ninguém a ser campeão do mundo. Pelé sofreu com Vavá, que estava uma gracinha. O ataque esteve muito mal mesmo, nunca se entrosou naquele dia. Mas vencemos o primeiro jogo e o que mais interessa senão a vitória?

Idiota da Objetividade: - Os gols do Brasil foram feitos no segundo tempo, por Zagallo e Pelé.

Ceguinho Torcedor: - Amigos, qualquer brasileiro, vivo ou morto, só pensava no escrete. Até o grã-finismo se incorporou à torcida brasileira e com que ferocidade! Na tarde de Brasil x México eu fui dar uma olhada no Country. Todo mundo lá estava atracado ao radinho de pilha. Quando Zagallo enfiou o primeiro gol, vi um grã-fino tornar-se elástico, alado, acrobático e virar uma delirante cambalhota.

Risada geral no bar.

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Idiota da Objetividade: - O segundo jogo foi contra a Tchecoslováquia e houve empate sem gols. Pelé se machucou aos 27 minutos dejogo e, como não era permitido fazer substituições, ele ficou em campo fazendo número apenas.

Pelé se levanta e pede a palavra.

Pelé: - Eu senti que era grave depois que eu chutei a bola. Não sei se quem esteve lá se lembra, eu bati de esquerda, a bola bateu na trave e quando quis acompanhar a jogada, eu senti que a perna bambeou. Mas eu tentei ir e aí não deu pra firmar a perna e eu caí, pois teve um desagarro muito grande no adutor. O músculo desprendeu. Ainda forcei, saí de campo pra ver se dava pra voltar, mas não deu.

João Sem Medo: - E talvez tenha agravado a sua lesão, Pelé. O Brasil ficou praticamente com um jogador a menos até o fim.

Pelé: - É, João. Nesse jogo teve um fato bonito. Tem uma hora que eu já estou machucado e estou com a bola mais ou menos na lateral, acho que foi o Masopust, não sei qual jogador da Tchecoslováquia que ele para e não dá o combate, ele espera eu fazer a jogada.

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João Sem Medo: - Talvez tenha sido a primeira vez que presenciei dois times satisfeitos com um resultado, contentando-se com o empate em branco, sem que ninguém possa afirmar que o jogo tivesse sido marmelada.

Pelé concorda com a cabeça e se senta novamente, enquanto o papo continua à mesa principal.

Idiota da Objetividade: - Mas o Brasil pôs duas bolas na trave...

João Sem Medo: - A verdade é que aquele jogo teve o grande mérito de mostrar a personalidade do quadro brasileiro. Mesmo sem uma peça-chave, como Pelé, nossos jogadores nunca se perturbaram. E nisso tudo é justo que se destaque a categoria, a frieza, a inteligência, inconfundíveis do extraordinário Didi. Os tchecos também não se empolgaram com a vantagem numérica, entraram em campo para obter a classificação. Jogaram como se fosse 11 contra 11. Não fosse isso e nos teríamos estrepado de verde e amarelo. Vavá, embora lutasse muito, foi mal outra vez.

Ceguinho Torcedor: - E Amarildo não ia entrar, em hipótese nenhuma. Com suicida teimosia, o Aymoré estava disposto a deixar o Amarildo na cerca. Não percebia que o craque alvinegro é possesso e que o ataque precisava de possessos. E, súbito, a Fatalidade põe o dedo no escrete do Brasil. Pelé, o Divino, sofre a distensão mágica. Não recebeu nem um leve, imponderável toque. E caiu. Caiu como e por quê? Ninguém soube, mas eu sim: - a Fatalidade de Perez Escrich, que reabilitava e promovia suas adúlteras invocando a Fatalidade. A distensão de Pelé foi como a Revolução Francesa para Napoleão.

Fim do Capítulo #50

Episódio originalmente publicado em 11 de janeiro de 2023 e republicado totalmente modificado em 23 de agosto de 2026.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura brasileira.
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terça-feira, 14 de julho de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #49

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48

Garrincha dribla Gràcia (10), observado por Rodri (17) e Adelardo, no jogo Brasil 2 x 1 Espanha, em Viña del Mar, pela Copa de 62. Foto (editada e aprimorada com IA): Ultima Hora/Folhapress

Zé Ary aproveita a breve dispersão do público e uma pausa na resenha da mesa principal do bar Além da Imaginação após a execução de “Escolade Feola” para pôr no aparelho de som “Brasil campeão do mundo”, de Aldemar Paiva e Nelson Ferreira, interpretada por Claudionor Germano, acompanhado por orquestra e o Coro Mocambo.

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a música "Brasil campeão do mundo"

Com o fim da execução de mais uma homenagem à seleção brasileira de 1958, Vicente Feola voltou a ser o tema da mesa.

João Sem Medo: - Em clube, Feola só dirigiu o São Paulo e o Boca Juniors, da Argentina.

Idiota da Objetividade: - Tudo indicava que Feola fosse o técnico na Copa de 62.

Garçom: - Garrincha ganhou aquela Copa pra gente, não foi?

João Sem Medo: - Pra começo de conversa, gosto de afirmar que se Garrincha fosse espanhol, a Espanha teria ganho o negócio. Se fosse inglês, naquele dia dos 3 a 1, nós teríamos entrado pelo cano para os ingleses. Mesmo contra o impetuoso, mas modesto Chile, se o Mané não mete aqueles dois logo de cara, confesso que não arriscaria nada. Se estou dando berro a favor de Mané Garrincha é porque jamais se pode admitir que lhe roubassem outra vez um título que, de justiça, já deveria ter lhe pertencido desde 58, quando entrou num time que vinha jogando mais ou menos, igual aos outros, e que depois da entrada do cobra no jogo contra a Rússia passou a ser uma máquina infernal. Viva Garrincha! Daqui a 400 anos, toda vez que falarem de futebol terão de falar de Mané Garrincha.

Ovacionado mais uma vez pelo público presente ao bar, Mané Garrincha se levanta e agradece mais uma vez a todos, em especial a João Sem Medo. Zé Ary aproveita a deixa.

Garçom: - Vamos aproveitar para homenagear mais uma vez Mané Garrincha, então?

Músico: - Claro que sim, como se vê todos concordam. Vamos chamar ao palco o grande saxofonista Luiz Americano, um mestre do nosso choro.

Luiz Americano vai ao palco aplaudido por todos.

Luiz Americano: - Obrigado! Se é pra enaltecer este grande gênio do nosso futebol, a música chama-se simplesmente “Garrincha”.

Músico: - E isso resume tudo, vocês vão ver. Ou melhor, ouvir.

O público no bar caiu na gargalhada com a maestria de Luiz Americano ao representar no saxofone as risadas dos torcedores com os dribles do Mané. João Sem Medo, Ceguinho Torcedor e Sobrenatural de Almeida se levantam para aplaudi-lo de pé, juntamente com todos que estavam no Além da Imaginação. Uma epopeia!

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Garrincha, 77
Dom de jogar bola e o Bolero de Ravel

Rindo muito, Garrincha vai ao palco e dá um abraço apertado no saxofonista.

Luiz Americano (emocionado): - Muito obrigado! Muito obrigado! Muito obrigado por tudo, Mané.

Ambos saem do palco abraçados como se fossem amigos de longa data. E a resenha volta a esquentar.

Ceguinho Torcedor: - A partir da vitória de 62 sumiram todos os imbecis, não havia mais um idiota nesta Terra. Passamos a ser 75 milhões de reis, até mesmo o bêbado tombado na sarjeta, com a cara enfiada no ralo, também era rei. Ninguém tinha dúvidas da vitória. E sofríamos porque há também a angústia da certeza. Amigos, nunca foi tão fácil ser profeta. Nós sentíamos o Bi, nós o apalpávamos, nós o farejávamos.

Sobrenatural de Almeida: - Tirei o Pelé de campo e da Copa contra a Tchecoslováquia pra provar que o Brasil podia vencer sem seu rei.

Ceguinho Torcedor: - Feliz o povo que, na vaga de um gênio, põe outro gênio. Amarildo, o Possesso, surgiu contra a Espanha e foi o novo Pelé proclamado. E Garrincha? Foi o gênio duplo do escrete. Era genial por si e por Pelé.

Garçom: - E pra cantar os nossos gênios da bola, só mesmo mais um gênio da nossa música. Jackson do Pandeiro, por favor, venha ao palco.

Sob aplausos, Jackson do Pandeiro se encaminha para o palco e, sem perder tempo, vai direto ao assunto com a banda.

Todos aplaudem muito.

Jackson do Pandeiro: - Este foi o “Frevo do bi”, composto por Braz Marques e Diógenes Bezerra. Muito obrigado, minha gente! Em especial o meu agradecimento vai pro Zé Ary, que se mostrou um grande dançarino.

Todos riem. E aplaudem.

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Jackson do Pandeiro: - Só um esclarecimento: esta música foi feita e gravada antes da Copa de 62.

Garçom: - Ah, por isso a letra fala tanto do Pelé, que acabou jogando só duas partidas.

Jackson do Pandeiro: - Isso mesmo. Obrigado.

Jackson do Pandeiro sai do palco aplaudido de pé e se direciona à sua mesa.

Fim do Capítulo #49

Episódio originalmente publicado em 4 de janeiro de 2023 e republicado totalmente modificado em 14 de julho de 2026.

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #48

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48
Djalma Santos, Zito, Vicente Feola, Pelé e Aymoré Moreira. Foto aprimorada por IA

Com o apoio do público presente ao bar Além da Imaginação, Zé Ary mal esperou acabar o “Hino aos campeões mundiais” e emendou no aparelho de som com “Campeão do mundo”, de João de Barro, com Joel de Almeida, orquestra e coro.

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O povo se divertiu a valer com a marchinha, mas, como bem disse João Sem Medo logo que chegou ao Além da Imaginação, é a resenha que resolve qualquer jogo e o papo é a vida do futebol. Por isso que ele muitas vezes parece se tornar infinito quando estamos rodeados de amigos, ainda mais quando tem algo pra beber e beliscar, e muita música pra abrilhantar a conversa.

E como não se pode perder o domínio da bola, nem da resenha, João Sem Medo faz a meia cancha organizar o jogo, dando um toque final sobre aconquista de 1958 pela seleção brasileira, indo ao início da preparação da equipe.

João Sem Medo: - Da seleção de 56 que fez um giro à Europa, o Gino era o centroavante.

Idiota da Objetividade: - Gino Orlando tinha origem italiana, começou no Palmeiras, mas se destacou mesmo como centroavante do São Paulo, de 1952 a 62. E depois de encerrada a carreira ainda trabalhou como administrador do estádio do Morumbi.

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Zé Ary cochicha com os quatro amigos à mesa.

João Sem Medo: - Gino está aí?

Gino: - Sim, João Sem Medo. Com muito prazer.

Ele se levanta e o público o aplaude.

Gino: - Muito obrigado. Como bem disse o Sr. Idiota da Objetividade, fui da base do Palmeiras. Mas comecei a jogar antes, na Associação Atlética Matarazzo, clube das Indústrias Francisco Matarazzo. Fiquei no Palmeiras de 1947 a 51 e depois fui jogar no interior, no XV de Jaú e no Comercial de Ribeirão Preto, para só depois ir para o São Paulo e ser convocado para a seleção brasileira, entre 1956 e 57. Joguei depois na Portuguesa e no Juventus da Mooca. Eu era um grosso, trombador, mas estou na lista dos maiores artilheiros do São Paulo, com muito orgulho.

Idiota da Objetividade: - Fez 233 gols com a camisa tricolor e é o segundo maior goleador da História do São Paulo, atrás apenas de Serginho Chulapa, que fez 243 gols.

Gino é aplaudido, agradece e se senta.

João Sem Medo: - Pois então, Gino naquela excursão à Europa fez um gol de bicicleta contra Portugal.

Gino se levanta novamente.

Gino: - Ótima lembrança, João!

Mais aplausos.

João Sem Medo: - O Feola, que já tinha sido técnico da seleção em um jogo contra o Chile em 55, trocou todo o time de 56, 57, em 58, quando assumiu. E em 58 a seleção só deu o grande salto, porque fez dois jogos duros. O primeiro, em Uddevalla, contra a Áustria, ganhamos de 3 a 0 aquele jogo, campinho pequeno, 14 mil pessoas e tal. Quando entrou o Garrincha no time, a declaração da comissão técnica foi: “ganhamos com quatro reservas”. Os quatro reservas eram Zito, Garrincha, Pelé e Vavá. Porque não era o time, era o time da Escola de EducaçãoFísica do Exército, dois pontas recuados, os dois da frente que eram o Dida e o Mazolla abriam e aí vinha a jogada detrás. Do time de 56, se não estou enganado, sobrou o Djalma Santos, no último jogo. O Nilton Santos foi em 56, mas jogou pouco, jogou dois e depois se machucou, mas o Djalma jogou todas.

Idiota da Objetividade: - João, você está enganado, o Nilton Santos jogou todas as partidas na Europa, em 56.

João Sem Medo: - Mas foi um outro time, e o Feola foi imprensado pela tese de ter só branco no time, mas felizmente os reservas entraram... O Garrincha e o Pelé eram dois reservas. Com Garrincha e Pelé, joga as outras camisas pro alto, quem pegar joga.

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Garçom: - Diziam que o Feola dormia no banco de reservas e quem mandava mesmo eram os jogadores mais experientes.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

Garçom: - Uma pena ele não estar aqui pra que pudesse dizer o que aconteceu.

Ceguinho Torcedor: - Vicente Feola teve muitos méritos. Pelé na verdade era titular.

Todos ao redor da mesa de Pelé olham pro Rei, que apenas concorda com um gesto para não interromper a resenha.

Idiota da Objetividade: - Pelé ficou fora dos amistosos já na Europa e dos dois primeiros jogos da Copa de 58 porque estava machucado desde a vitória de 5a 0 da seleção sobre o Corinthians, no Pacaembu, o último amistoso disputado no Brasil. Feola foi o treinador da seleção de fevereiro de 1958 até 1959, quando teve de ser substituído por Aymoré Moreira, por razões de saúde. Devido a esses problemas de saúde, causados pelo seu peso excessivo, tomava muitos remédios, o que poderia causar sonolência. Ele deixou invicto o comando da seleção: com 18 vitórias e quatro empates. Voltaria em 1964 e dirigiria a seleção na Copa de 66, que não nos traz boas lembranças.

João Sem Medo: - Antes, em 55, ele já havia dirigido a seleção numa partida contra o Chile, como falei anteriormente.

Idiota da Objetividade: - O Brasil venceu por 2 a 1 e conquistou a primeira Taça Bernardo O’Higgins, que foi disputada cinco vezes entre as duas seleções até 1966.

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Garçom: - Peço licença à nossa mesa de debates pra outra homenagem a Vicente Feola e à seleção de 58.

Ceguinho Torcedor: - O que nunca é demais.

João Sem Medo: - Não mesmo!

Garçom: - Vamos ouvir, então, “Escola de Feola”, de Nelson Ferreira e Luiz Queiroga, com Os Três Boêmios e Orquestra. Podem sambar à vontade!

O povo ri e aplaude, enquanto se levanta para dançar.


Fim do Capítulo #48

Episódio originalmente publicado em 21 de dezembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 16 de junho de 2026.

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Uma coisa jogada com música - Capítulo #47

segunda-feira, 25 de maio de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46

Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mundo de 1958. Foto (aprimorada com IA): Acervo da CBF

A festa revivida pelo título mundial de 1958 parecia que não acabaria nunca. Pelé, Didi, Garrincha, Nilton Santos e outros integrantes daquele time fantástico são muito aplaudidos e reverenciados. João Sem Medo, Ceguinho Torcedor, Sobrenatural de Almeida e Idiota da Objetividade, então, os convidam a ir à mesa para falarem um pouco com o público sobre a primeira Copa do Mundo conquistada pela seleçãobrasileira. Didi começou lançando, mas Pelé e Garrincha acabaram tomando conta da peleja.

Didi: - Eu fazia um lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão.

Garrincha: - Em 1958 era muito jovem e tinha uma velocidade bárbara. As pernas corriam mais do que eu queria e as jogadas saíam-me quase sempre bem.

Pelé – Cada vez mais sinto saudades de você em campo, daqueles dribles, do povo nos estádios que vibrava com tuas entortadas nos “Joões”. Cada vez vejo menos habilidade no jogador brasileiro.

 

Garrincha – A pelada está perdendo espaço, só tem garotos jogando em campos cercados.

João Sem Medo: - E agora com grama sintética até nos campos oficiais, Mané.

Garrincha: - Verdade, seu João. Cadê o moleque de pé no chão batendo bola em terra dura? O pior é que todo mundo põe a culpa na retranca, mas continua bolando esquemas cada vez mais fechados. Parece saudosismo, mas na Copa de 1958 também éramos muito marcados.

 

Pelé – Pois é, eu era um garoto de 17 anos, mas tinha gente boa fazendo a minha cabeça. Aliás, você lembra por que o Paulo Amaral (preparador físico) acabou com as corridas depois dos treinos?


Garrincha – Claro, o pessoal corria até o lago não para melhorar o preparo físico, mas para ver as garotas tomando banho nuas. Daí o Paulo Amaral proibiu a corrida e o remédio foi aturar você tocando violão.

 

Todos riem muito.

 

Pelé – Tocar não é bem a palavra: eu batucava no violão.

 

Garrincha – E já aprendeu?

 

Pelé – Tocar eu ainda não toco, mas componho mais ou menos.

 

Garrincha – Já ouvi o Jair Rodrigues cantando uma música tua. Pega o violão e mostra aí.

 

Garçom: - Vamos aproveitar, então, e chamar mais uma vez Jair Rodrigues ao palco pra cantar com Pelé.

 

Todos aplaudem e vibram.


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Pelé: - Dá um abraço aqui Jair. Que felicidade estar com você novamente.

 

Jair Rodrigues: - A felicidade é toda minha poder abraçar você, Mané e toda essa turma boa de 58 e 62.

 

Pelé: - Vamos cantar “Cidade grande”?

 

Jair Rodrigues: - Vamos lá, meu Rei?

 

Pelé: - Vamos sim. O Mané pediu, então... 

Jair Rodrigues: - É uma ordem! (dá aquela risada gostosa que todo o Brasil se acostumou a ver e ouvir)


A dupla é aplaudidíssima e os dois se abraçam. Enquanto Jair Rodrigues volta à sua mesa, Pelé retorna pra continuar a resenha com Garrincha. 

 

Pelé: Bons tempos…


Garrincha: Bons mesmo. Na Copa de 1962 foi uma pena você ter se machucado. Eu dei sorte, fiz gols… Mas nunca vou esquecer da partida contra os russos em 1958. 

Pelé: Foi a primeira partida que disputamos juntos. Era a estreia de nós dois na Copa e vencemos por 2 a 0, dois gols do Vavá (aponta pro amigo que é muito aplaudido). Você enlouqueceu os russos, Mané! Logo na primeira bola, entortou três. Dali em diante, só deu você. Nosso futebol está precisando de um novo Garrincha, de outro “Alegria do Povo”.

 

Didi: - Convencemos o técnico Vicente Feola a colocar Pelé no lugar do Dida, que sentia uma contusão. Feola temia lançar Pelé, que tinha apenas 17 anos, mas concordou. Também pedimos que ele escalasse Garrincha no lugar de Joel. Feola nos atendeu, o time embalou e fomos campeões.


Vicente Feola, também presente, preferiu não interromper, nem concordar com o que Didi revelava.

 

Pelé: - Eu não imaginava que seria convocado.

 

Ceguinho Torcedor: - Mas você tinha feito uma promessa ao seu pai de que ganharia uma Copa pra ele... 

Pelé: - É, seu Ceguinho... Eu engraxava as chuteiras e os sapatos dos jogadores do BAC na época da Copa de 50.

Idiota da Objetividade: - Peço desculpas por interrompê-lo, Pelé, mas só pro público saber: BAC é o Bauru Atlético Clube. Prossiga, por favor.

Pelé: - Sem problemas. Bom, nós ouvimos a final de 50 no rádio e vi depois do jogo o meu pai e aqueles jogadores que eram companheiros dele chorando e todo mundo triste porque estava preparada uma festa lá em casa em Bauru. Aí eu falei pro meu pai brincando: “não liga, não, que eu vou ganhar uma Copa pra você”. E oito anos depois meu pai estava chorando, ouvindo o mesmo rádio, mas a gente ganhando a Copa do Mundo na Suécia.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso! Assombroso! (dá sua risada tenebrosa)

Risada geral.

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Garrincha, 77
Das peladas de rua às arenas

Idiota da Objetividade: - Mas qual foi o jogo mais difícil na Copa, Pelé?

Pelé: - Olha, nós não tínhamos o teipe naquela época, né? Nós tínhamos os olheiros que viam os jogos e todos diziam que a gente ia ter mais dificuldade contra a França, porque era a melhor equipe. Mas pra mim foi o País de Gales. Era um time que jogava na retranca, foi difícil, ganhamos de 1 a 0, com um gol que eu fiz, né. Depois que nós ganhamos da França, com a Suécia eu tinha certeza absoluta, nós tínhamos uma confiança que nós não perderíamos pra Suécia, porque o nosso time era melhor.

Todos aplaudem e os companheiros de 58 se confraternizam e abraçam também João Sem Medo, Ceguinho Torcedor, Idiota da Objetividade e Sobrenatural de Almeida. Zé Ary percebe a dispersão e não perde tempo.

Garçom: - Meus amigos, que grande felicidade, né? Pois então, uma festa tão bonita como essa merece mais futebol e música, então, enquanto imagens daquela seleção fantástica vão sendo mostradas no telão, ao som novamente de “A taça é nossa” e depois nas nossas caixas de som vocês vão ouvir o “Hino aos campeões do mundo”, de David Nasser e Vicente Paiva, cantado pelo Coro de Severino Filho. Divirtam-se!

Fim do Capítulo #47

Episódio originalmente publicado em 21 de dezembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 25 de maio de 2026.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura brasileira.
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