terça-feira, 28 de novembro de 2017

PENSO, LOGO SINTO 33

O Brasil entre duas mãos: a da ganância perversa que toma não mais tão discretamente quanto outrora e a do coitadismo, que afaga a cabeça de quem só quer receber sem qualquer esforço ou merecimento. Vamos prestar atenção aos discursos dos dois lados. Ambos não prestam.

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

QUESTÃO EM QUESTÃO 7

Quando, afinal, será fundada a República (res publica) no Brasil? Desde 15 de novembro de 1889 até hoje ela só foi afundada em causas próprias. Seus afundadores desde então levam tudo quanto possível (e até o que parece impossível) da vida pública para a privada. O regime "propinocrático" foi instaurado para facilitar os trâmites ilegais e até para tornar legais os mais absurdos atos espúrios. Quarta-feira vem só mais um feriado para nos distrair.



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Questão Em Questão 6

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

MÚSICA E FUTEBOL, O BRASIL NO PRIMEIRO MUNDO

Em pé: Lima e Denílson. Garrincha, Pelé e Ivair.
Foto retirada do site Terceiro Tempo.
Muitas e muitas e muitas vezes, no auge da revolta e da indignação com a bandidagem e o baixíssimo nível de nossos políticos, responsabilizei o povo brasileiro por este mal que não cessa. Não totalmente desprovido de razão, ainda penso assim. Afinal, os que estão no poder não caíram do céu, vieram desta sociedade cada vez mais doente em que (sobre)vivemos. Porém, também infinitas vezes brequei tão usais frases - mesmo que só em pensamento - como "temos um povinho de merda" e suas muitas variações. 

Abre parênteses: curioso e sintomático falarmos ou escrevermos sempre na terceira pessoa, nunca na primeira. "O inferno são os outros", já bem dizia Sartre. Fecha. 

Sempre que me confrontei para estancar a minha ira, o que trazia ao meu pensamento era o tanto de maravilhoso que emerge deste mesmo povo sofrido, mas não coitado, responsável também por tudo o que de ruim ocorre. Deixemos de paternalismos, de uma vez por todas. Abre e fecha parênteses novamente.

O flamenguista João Nogueira e o tricolor Cartola,
no projeto Pixinguinha, em 1977
Entre o melhor que temos, a nossa música e o nosso futebol são certamente o que de mais lindo oferecemos ao mundo, além das inegáveis e tão decantadas belezas naturais, algo que nunca nos competiu construir, mas destruir, sem dúvida, infelizmente. Claro que não me refiro a quase tudo o que tem feito sucesso nas mídias, nem ao que tem sido apresentado em nossos gramados nos últimos anos. Mas é indiscutível que a música brasileira, com toda a sua variedade de estilos e ritmos, neste misto de simplicidade com sofisticação e de inventividade com técnica, adjetivos que bem podem se juntar ao nosso futebol, está no topo do que de melhor já se fez - e se faz ainda - no Universo. Nos campos, fomos - e espero ainda sermos - responsáveis, especialmente em 1958 e 70, por elevar o futebol ao patamar de Arte, como bem definiu o historiador britânico Eric Hobsbawn ao escrever sobre a seleção do tri.


Mesmo o espírito destrutivo de alguns compatriotas, os 7 a 1 para a Alemanha e o sucesso internacional dos ruídos mais submersos feitos por aqui ultimamente não serão capazes de rebaixar a nossa verdadeira Música e o nosso mais genuíno Futebol. Nestes dois temas - e mais em uns dois ou três, não mais - o Brasil pertence ao Primeiro Mundo. E foi da tabelinha preciosa destes dois riquíssimos aspectos de nossa vida cultural que surgiu Jogada de Música, projeto que hoje está no rádio, mas que em breve estará em outros campos.

Acredito que valorizar o que temos de melhor é a única forma de tirarmos este país do atoleiro em que todos nós o pusemos. Portanto, mãos à obra!



Vídeos: "Só se não for brasileiro nessa hora" (Galvão/Moraes Moreira), com Novos Baianos, e "Aqui é o país do futebol" (Milton Nascimento/Fernando Brant), com Wilson Simonal.

Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 2
Jogada de Música está de volta
Futebol brasileiro x seleção brasileira

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O ROUBO DA TAÇA JULES RIMET NO JOGADA DE MÚSICA

Em episódio que reuniu, além da música e do futebol, literatura e cinema, o roubo da Taça Jules Rimet foi o tema principal do quadro Jogada de Música no dia 30 de abril, ainda no programa Panorama Esportivo do Pop Bola, da Rádio Globo Rio. Cheguei ao escritor Henrique Pongetti e seu conto publicado no livro "Inverno em Biquíni" que previu com pelo menos 19 anos de antecedência o roubo da Jules Rimet (ocorrido em 1983), por um livro que ganhei de presente no meu oitavo aniversário (20/7/74): "Futebol tem cada uma", de Armando M. Marques. Uma descoberta entre muitas neste trabalho que realizo desde o fim de 2015 sobre as músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro. 

Em breve, postarei no meu canal do YouTube os vídeos, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, dos outros dois episódios da primeira fase do quadro e os que já foram ao ar no programa Zona Mista, apresentado por Alexandre Araújo e os demais integrantes do Pop Bola. Às terças, entre 18h e 20h (de 19h às 20h na internet), você ouve o Jogada de Música na Rádio Globo. Marque na agenda.

Além do rádio, é objetivo do projeto Jogada de Música estar nas TVs (série e documentário), nos cinemas, nos teatros e casas de espetáculos. Só para começo de conversa, pois as possibilidades são muitas. As empresas interessadas em financiar este trabalho, que começou comigo, mas que tem parceiros totalmente engajados nele, são muito bem-vindas. Faça esta grande Jogada de Música com a gente! Entre em contato pelo email: emquestao.el@gmail.com. Crise é esperar a bola no pé.



Veja também:
Jogada de Música está na área
A premonição literária de um crime no futebol

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PENSO, LOGO SINTO 32

A Guerra Fria acabou? Capitalistas ainda querem nos livrar de comunistas. Comunistas continuam desejando nos livrar de capitalistas. Quem nos livra de tão estreita visão de mundo, da vida?

Veja também:
Penso, logo sinto 18
A questão em questão 3
Gasolina no incêndio 13
Estilhaços 4

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O FLA-FLU NO JOGADA DE MÚSICA

O último episódio do quadro Jogada de Música apresentado no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola teve como tema o Fla-Flu, no dia 7 de maio, poucas horas após a decisão do Campeonato Carioca deste ano. No vídeo abaixo, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, você poderá ouvir histórias e músicas sobre este grande clássico do futebol.

Na última terça-feira o quadro reestreou na mesma Rádio Globo, no programa Zona Mista, apresentado pelo pessoal do Pop Bola, tendo Garrincha e o surgimento do "olé" no futebol como tema. Na próxima quarta (6/9) - excepcionalmente, pois na terça haverá a transmissão de Colômbia x Brasil pelas eliminatórias da Copa 2018 -, outro gênio será lembrado com as músicas feitas em sua homenagem. Não perca!



Veja também:
Alguns jogos que faço questão de recordar 2
Um Fla-Flu e um herói quase esquecidos no tempo

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

JOGADA DE MÚSICA ESTÁ DE VOLTA

Nesta terça-feira, dia 29, a História do futebol brasileiro voltará a ser cantada e tocada na Rádio Globo. Depois de fazer parte do extinto programa Panorama Esportivo do Pop Bola, entre 29 de janeiro e 7 de maio deste ano, o Jogada de Música retorna em grande estilo, desta vez no Zona Mista, novamente com o pessoal do Pop Bola. Neste primeiro episódio de retorno do quadro, que será apresentado sempre às terças, músicas em homenagem a um dos maiores gênios do futebol de todos os tempos e como surgiu uma expressão que todo torcedor adora gritar nos estádios. O programa vai ao ar de segunda à sexta, das 18h às 20h. Para ouvir a Rádio Globo: http://radioglobo.globo.com/# .

Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la. Além desta volta ao rádio, em breve haverá muitas novidades sobre este projeto, que tem muita coisa para contar, cantar e tocar, de primeira. Aguarde!

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Jogada de Música está na área
Futebol-Arte: os maiores jogos de todos os tempos 11
Garrincha, 77

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ZICO CANTANDO DE GALO NO JOGADA DE MÚSICA

No último 5 de março, dois dias após o seu aniversário de 64 anos, Zico foi o tema do Jogada de Música, quadro que foi ao ar entre 29 de janeiro e 30 de abril deste ano no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola. O Galinho de Quintino é um dos jogadores brasileiros mais lembrados pelos compositores brasileiros, muitos deles do primeiro time da MPB. Não só foi homenageado em músicas inteiras, como fizeram Jorge Benjor, Moraes Moreira, Alexandre Pires e Carlinhos Vergueiro, como é citado em algumas delas, como em composições da dupla João Bosco e Aldir Blanc e de Erasmo Carlos.
Ouça no vídeo abaixo (ou no YouTube), curtindo a seleção de imagens e a edição feitas por Lucas Neiva. Este foi o terceiro episódio da série e começa com um gol histórico de Zico, narrado pelo saudoso Jorge Cury. Divirta-se!



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Jogada de Música está na área
Templos e espetáculos

terça-feira, 8 de agosto de 2017

TOSTÃO, MILTON E KID MORENGUEIRA NO JOGADA DE MÚSICA

No ar de 29 de janeiro a 30 de abril deste ano, o Jogada de Música foi um quadro do extinto programa da Rádio Globo do Rio de Janeiro Panorama Esportivo do Pop Bola. No segundo episódio, que foi ao ar no dia 19 de fevereiro, Tostão, Milton Nascimento e Moreira da Silva fizeram uma triangulação perfeita. Com edição do vídeo e pesquisa de fotos de Lucas Neiva, você pode ver e ouvir abaixo ou no meu canal do YouTube. A produção é de Alexandre Araújo e a narração, de Alexandre Tavares.

O Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la. Em breve, haverá muitas novidades sobre este projeto que une duas das maiores paixões nacionais: o futebol e a música. 



Correção: Tostão sofreu um descolamento (e não deslocamento) de retina.

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Jogada de Música está na área
O teatro e o futebol

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

domingo, 9 de julho de 2017

A SÍNDROME DO FUTEBOL

"O outro é seu espelho", retirado deste site:
https://www.o-curador.com/
No auge da minha vida como torcedor, naqueles anos em que minha paixão pelo futebol foi mais latente, entre os 7, 8 até 21, 22 anos, havia algo que me incomodava um pouco toda vez que vibrava muito com uma grande vitória ou conquista do meu time. Ficava e continuava alegre, mas dentro de mim havia um vácuo que, creio até ter identificado em alguns daqueles momentos, embora tenha deixado de lado com o passar do tempo. Trabalhei dentro do futebol como jornalista a partir do início dos anos 90 até 2013, com poucas interrupções. E conhecendo melhor tudo o que move este esporte que virou um grande (e muitas vezes escuso) negócio - justamente porque move paixões exacerbadas -, e observando bem colegas, amigos, conhecidos e até desconhecidos, fui tomando maior consciência do que significava aquele vazio em mim nos grandes momentos de glória do meu time: eu não havia conquistado nada.

Esta talvez seja a grande questão que faz das torcidas de futebol ao mesmo tempo um espetáculo lindo e também um cenário de horror pior que as piores selvagerias coletivas. O torcedor de futebol raramente é um apaixonado por futebol. E muitas vezes nem é apaixonado pelo seu time. Explico melhor um corriqueiro caso específico: a pessoa tem um time desde criança, porque seus amigos também têm, e passa algumas vezes boa parte da infância e até da adolescência sem dar muita atenção àquilo. Porém, quando as frustrações da vida adulta começam a bater à sua porta, passam a lhe corroer as entranhas, quando percebe que o tempo está passando e ele pouco se realiza, ou nada preenche o enorme vazio que construiu para a sua vida, agarra-se àquela ilusão infantilóide e perversa de que o time de futebol vai redimir tudo aquilo que ele não realizou e não faz para alcançar.

Vi isso muitas vezes não só nos estádios de futebol, nas mesas de bar, até mesmo nas redações em que trabalhei, e recentemente nas redes sociais, mas também nas peladas que joguei e deixei de jogar justamente porque queria me divertir e não mais disputar uma "final de Copa do Mundo" - sonho que já havia deixado para trás nos tempos em que vivia o tal auge como torcedor. É complexo lidar com uma massa de olhos vendados por uma ilusão a preencher vazios existenciais. E muito rentável também. Muito, mas para poucos. Isso só gera desilusão, frustração, e a violência advém daí, porque este tipo de torcedor, o que se agarra à superação de seus rancores por intermédio das vitórias e conquistas de seu clube não pretende só ser feliz com a felicidade que pensa ter, porque ela é insuficiente, afinal uma ilusão no fim das contas nada preenche. Ele quer ser feliz com a infelicidade do outro, do adversário, do rival, que na sua cabeça doentia é um inimigo. E busca no seu ódio por si mesmo provocar, xingar, ofender e agredir fisicamente o outro, aquele que veste a camisa "inimiga". Destilada a sua ira no espancamento, tiro, uso de arma branca ou fogos de artifício, o ato final, ele ainda crê em sua redenção. É a demência brutal e perversa alimentando a estupidez, a ignorância, a crueldade.

Sempre fui apaixonado por futebol - e continuo sendo, embora muito decepcionado com o nível técnico dos times brasileiros nas últimas décadas. E mais ainda com o show de horrores que esses pseudo-torcedores vêm protagonizando dentro e fora dos estádios já há muitos anos. Sempre assistia com prazer a jogos dos mais variados times e campeonatos do Brasil nos meus áureos tempos de torcedor. Acompanhei e vibrei muito com muito do que vi nos estádios e pela TV ou ouvi pelo rádio, um companheiro inseparável naqueles tempos. No entanto, havia o tal vácuo e tomei consciência dele. Há tempos, ele não existe mais, porque percebi que tenho de preencher meus vazios existenciais com minhas conquistas pessoais e fazer com que elas - na medida do possível - ajudem outras pessoas a se sentirem assim também. E não falo de sucesso profissional apenas, mas em todos os campos. E isso é uma busca incessante, que não acaba, só com a morte - ou talvez nem com ela, se significar um renascimento. Fico alegre com as vitórias e conquistas do meu time, sim - bem raras ultimamente, diga-se -, mas não faço disso a minha vida. Não mais.

Umberto Eco disse que a internet deu voz aos idiotas. Só que as arquibancadas dos estádios de futebol já haviam feito isso há muitas décadas. E as cenas medonhas se repetem a cada rodada, seja na primeira ou na última divisão.


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O meia-armador virou desarmador
Futebol brasileiro x seleção brasileira
O dom de jogar bola e o Bolero de Ravel
Elogio ao futebol
Das peladas de rua às arenas
O teatro e o futebol
Futebol-arte: os maiores jogos de todos os tempos 4

quinta-feira, 6 de julho de 2017

ESTILHAÇOS 17

Atordoado com dias tão surpreendentemente iguais em suas pequenas diversidades - e adversidades -, passados veloz-lentamente como se fossem aviões, andorinhas ou pardais, sem qualquer boa novidade para receber ou contar, eu me recolho ao pasmado passado espremido em minha mente sombria e em meu peito, apertado. E só aí me dou conta de dias atrás, mas num instante agora, que minha única saída é voltar aonde nunca estive e sempre apreciei tanto. Agora, mesmo que seja depois. Mas tem de ser agora. Agora quando?

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