terça-feira, 9 de maio de 2017

PENSO, LOGO SINTO 29

A saída para a Humanidade não está à direita, nem à esquerda, tampouco ao centro. Todas estas portas foram trancafiadas, emperradas pela ação do tempo. A única solução para o ser humano é elevar-se, despindo-se completamente de seus ódios, suas mágoas, seus ressentimentos, suas mesquinharias e as certezas absolutas.


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terça-feira, 18 de abril de 2017

A PREMONIÇÃO LITERÁRIA DE UM CRIME NO FUTEBOL

No último domingo foi ao ar, no quadro Jogada de Música do programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola, uma das boas surpresas que tive na pesquisa que estou realizando desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la: o roubo da Taça Jules Rimet foi profetizado pelo escritor mineiro Henrique Pongetti quase 20 anos antes do crime ocorrido na noite de 19 de dezembro de 1983. Porém, Pongetti nem pôde saber disso, pois faleceu em 1979, aos 81 anos de idade. 

A premonição literária foi registrada no conto “O roubo da Taça Jules Rimet” publicado originalmente em 1964 no livro “Inverno em Biquíni”, e relata em primeira pessoa um estranho sonho, no qual o troféu, que só seria conquistado em definitivo pelo Brasil em 1970, teria desaparecido da sede da então CBD, que se tornaria CBF no fim dos anos 70. Depois de fracassadas todas as investigações policiais e a decisão da Fifa de punir a seleção brasileira com a exclusão das três Copas seguintes, a taça aparece repentinamente na sede da Federação Metropolitana de Lambretistas, em Copacabana, “intacta e muito bem cuidada”. 

Pongetti escreveu: “... alguns jovens transviados a converteram em troféu secreto de uma disputa de ases da lambreta”. No fim do conto, o narrador da história é incumbido de levar a taça a Paris, mas acaba preso. No quadro de domingo, além de literatura, futebol e crime, teve música, como sempre, e cinema. Incluí ainda o samba da Caprichosos de Pilares de 1985, "E por falar em saudade" ("...e derreteram a taça na maior cara de pau. Bota, bota, bota fogo nisso..."), e o filme "O roubo da taça", com a sua música tema e a que o encerra: "Pecado Capital", de Paulinho da Viola.

Além deste, foram apresentados outros três episódios desde a estreia, no fim de janeiro: Pixinguinha e a homenagem ao primeiro grande título da seleção brasileira, o Campeonato Sul-Americano de 1919; Tostão na bola e nas músicas de Milton Nascimento e Moreira da Silva, e Zico, com as muitas canções feitas para reverenciá-lo. Estas e outras muitas histórias e músicas sobre o futebol brasileiro vêm sendo apresentados nas noites de domingo, e em breve virão outras novidades com relação a este trabalho, que realizo com grande prazer e que foi abraçado por Alexandre Araújo, apresentador do Pop Bola e do Panorama Esportivo do Pop Bola e produtor do Jogada de Música. 

Convido todo mundo a prestigiar o Jogada de Música. Inclusive os potenciais patrocinadores. O medo só alimenta o monstro da crise.

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sábado, 1 de abril de 2017

"O NEGRO CREPÚSCULO" SAIU EM PAPEL

Um ano após ter sido lançado em ebook (http://goo.gl/SdKSqU), "O negro crepúsculo", segundo livro de minha autoria, está à disposição no formato tradicional para os leitores interessados. Agora este romance escrito em prosa e versos, com a pele à flor da alma, pode ser manuseado, lido da forma que a grande maioria mais gosta e até cheirado, como muitos apreciam.

O livro está à venda na Amazon.com: http://goo.gl/KOqvBk. E também na Amazon de Reino Unido (http://goo.gl/Xhc9FV), Alemanha (http://goo.gl/KRKkIK), França (http://goo.gl/bxqyWq), Espanha (http://goo.gl/4c2qni), Itália (http://goo.gl/drDLO9) e Japão (https://goo.gl/WG6juW). 

Espalhe a boa nova, agradeço muito desde já!

"Já escrevi (e, com prazer, escrevo de novo) que o carioca Eduardo Lamas é um dos mais talentosos escritores de sua geração, com trânsito em diversos estilos e texturas...". (Luiz Antonio Mello, jornalista, escritor, produtor, radialista criador da Fluminense FM)

"... fiquei bastante impressionado com O Negro Crepúsculo. O autor consegue unir poesia e romance/crônica num estilo bem original. Recomendo muito a leitura". (Bruno Lobo, jornalista, editor do Globoesporte.com)

"Dono de uma primorosa capacidade de trafegar entre a ficção e a poesia, Eduardo Lamas escreveu um romance onde o mote é a busca pelo amor... Altamente recomendado para quem acha que a paixão move o planeta!". (Marcus Veras, jornalista, escritor e empresário do ramo de Comunicação na área cultural)

"Escrevo para não sucumbir".

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terça-feira, 28 de março de 2017

ALGUNS JOGOS QUE FAÇO QUESTÃO DE RECORDAR 2

Quem acompanha este blog, especialmente aqueles que já leram postagens minhas sobre futebol, sabem bem que sou torcedor do Flamengo. E já deve ter percebido que sou da geração que acompanhou de perto a formação e todas as conquistas do time mais vitorioso da História do clube rubro-negro. Por isso é fácil deduzir porque sou tão exigente e também que tive muito mais alegrias do que tristezas nos meus tempos de arquibancada de Maracanã, que durou de 1974 a 1989 (a partir de 1990 comecei a trabalhar como jornalista e passei cada vez mais raramente a freqüentar o Maraca como torcedor. Por outro lado conheci muito mais estádios do Rio do que antes).

Pois bem, feitas as explicações em nariz de cera - para desespero dos jornalistas brasileiros objetivamente corretos -, gostaria só de acrescentar que a quantidade de jogos espetaculares a que assisti, especialmente aqueles que resultaram na conquista de títulos, são ainda motivo de lembranças maravilhosas para mim. Saí muitas vezes feliz, algumas em estado de êxtase, com o que acabara de ver no Maracanã. Porém, orgulho, orgulho mesmo eu sinto de recordar um jogo que nada valia para o Flamengo, mas no qual ele demonstrou uma dignidade tão grande que, pelo que se tem visto ultimamente, seria até ofensiva para quem hoje já está até habituado a torcer contra seu próprio clube do coração só para prejudicar um rival. Falo de Flamengo 2 x 0 Bangu, último jogo do triangular final do Campeonato Carioca de 1983.

Voltemos ao tempo em que o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro tinha grande valor, pois desfilava em seus campos alguns dos melhores jogadores do mundo e, portanto, era dificílimo de se conquistar. Além dos quatro grandes tradicionais, Bangu e América tinham equipes muito boas, tanto que chegaram a algumas finais. E vencer, por exemplo, Americano, Volta Redonda, Olaria e Campo Grande em seus domínios, não era tarefa fácil. Assim, os títulos estaduais eram comemorados pela torcida campeã com muito mais festa do que hoje em dia. E com muito mais gente no Maracanã e nas ruas também.

Feito mais um parêntese, vamos às explicações para o motivo que me faz lembrar até hoje daquele jogo exemplar, embora quase não se fale nele. Na primeira partida do triangular, Fluminense e Bangu empataram em 1 a 1. A segunda foi o Fla-Flu  que começou a consagrar Assis como ídolo tricolor. No último minuto daquele jogo, logo após o árbitro Arnaldo Cezar Coelho ter apitado um impedimento inexistente de Adílio, que partira do campo rubro-negro completamente só em direção ao gol tricolor, o camisa 10 do Fluminense marcou o gol da vitória que eliminou qualquer chance rubro-negra de conquistar o título e colocou o Tricolor em boas condições de ganhá-lo.

O Flamengo foi então para a última partida, contra o Bangu, sem qualquer pretensão, a não ser defender a camisa rubro-negra e a lisura esportiva, algo tão fora de moda nos últimos sei lá quantos anos. E mesmo abatido pelas circunstâncias da derrota para o rival e a conseqüente desclassificação, a equipe do Fla e uma parte pequena, mas não desprezível, de sua torcida foram ao Maracanã com força para derrotar o bom time do Bangu, que já havia goleado o mesmo adversário naquela competição por sonoros 6 a 2. O time de Moça Bonita precisava vencer para forçar um jogo-extra com o Fluminense ou até mesmo ser o campeão (não me recordo se o regulamento previa desempate no saldo de gols, caso dois times terminassem com o mesmo número de pontos em primeiro lugar).

Lembro de ter ouvido o jogo num rádio de pilha de algum amigo tricolor na rua Araxá, no Grajaú, torcendo para que o meu time vencesse e afastasse qualquer suspeita de que faria corpo mole. E assim foi feito: com um gol de Adílio, logo no início, e outro de Tita, em belíssima cobrança de falta, no segundo tempo, o Flamengo venceu o Bangu por 2 a 0, resultado que deu ao Fluminense o primeiro título de seu último tricampeonato estadual. Claro que, em outra situação (como em 1985), eu iria preferir o Bangu campeão, em vez do Flu, mas as circunstâncias eram outras e, mesmo triste, já naquele dia senti muito orgulho do que aqueles rapazes rubro-negros fizeram.

É só ver e ouvir o vídeo abaixo para perceber que houve muita vibração em campo e nas arquibancadas. Enquanto isso, nas cadeiras especiais, os jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes tricolores puderam comemorar a conquista, valorizada ao máximo pela digna atitude do Flamengo. 

 

FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 2 x 0 BANGU
Local: Maracanã (Rio de Janeiro);
Data: 14 de dezembro de 1983
Juiz: José Roberto Wright;
Renda: Cr$ 16 902 600.00;
Público: 12.872;
Gols: Adílio 3 do 1.° e Tita 27 do 2.°;
Cartão amarelo: Marinho. Mococa e Edmar
Flamengo: Raul. Leandro (Heitor). Marinho. Guto e Júnior; Andrade. Cléo (Vítor) e Tita: Lúcio. Edmar e Adílio. Técnico: Cláudio Garcia.
Bangu: Tião (Júlio Galvão). Gilson Paulino, Tecão. Fernandes e Tonho: Mococa, Arthurzinho e Mário; Marinho, Fernando Macaé (Edvã) e Ado. Técnico: Moisés.

Veja também:
Futebol-Arte: os maiores jogos de todos os tempos 11
Adeus, Maracanã
Sempre um bom jogo para se recordar
Alguns jogos que faço questão de recordar

segunda-feira, 6 de março de 2017

AGRO CÂNCER


Agro agora
Agro ogro
Agro negócio
Agro ganância
Agro tóxico
Agro câncer
Agro estupidez
Agro demência
Agro homicida
Agro suicida.

Ilustração: imagem sem crédito copiada desta página: http://www.organicsnet.com.br/2014/09/brasil-e-o-maior-consumidor-de-agrotoxicos-do-mundo/

Veja também: 
A Terra de Salgado
O ilimitado abuso do homem

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

POESIAS CANTADAS 11: PLENITUDE

Aqui vai mais uma poesia cantada. Ela retrata nos versos da segunda estrofe uma bela imagem que guardarei sempre comigo da cidade maltratada onde nasci, naquele lado onde sempre me senti estrangeiro. Talvez por isso um olhar tão encantado - e apartado -, no caso o do turista em sua própria cidade. Na verdade, minha cidade mesmo fica mais para dentro, o suburbano, este lado que tem sido sempre o mais escorraçado e vilipendiado ao longo dos muitos últimos anos.

Pode soar algo brega, ou romântico demais, para os mais exigentes, porém creio que haja algo de blues aí. E o blues tem uma história de choro (qualquer que seja ele), como o samba também tem. Então, que a guitarra e a gaita chorem e o bumbo da bateria marque o ritmo do coração. Nem que seja só na minha imaginação.



PLENITUDE
(Eduardo Lamas)

Plenitude
é o que alcanço
quando você se debruça
sobre mim

Como as ondas
abraçam as pedras no Joá
e escorrem por elas
se desfazendo
e se recompondo

Você se derrama em meu corpo
com sua pele alva
salpicada de gotas de chuva,
de orvalho, de mar
a me fazer transbordar
e matar sua sede
enquanto sorvo seu ser.

Veja também:
Os infernos de São Sebastião
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
Lhasa de Sela já se foi e eu não sabia
Adiós, La Negra
Filipe Catto entre cabelos, olhos e furacões

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

GASOLINA NO INCÊNDIO 15

Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis.

A direita se preocupa tanto com a Justiça que quase sempre se esquece das injustiças. A esquerda é tão obcecada com as injustiças que muitas vezes ignora a justiça. 
E o centro, sempre oportunista, se aproveita flexibilizando seus discursos e suas ações (e omissões) de acordo com as circunstâncias e suas próprias conveniências.

Veja também:

sábado, 4 de fevereiro de 2017

POESIAS CANTADAS 10: A FRONTEIRA

Nestes novos retrógrados tempos em que vivemos, as fronteiras voltam a demarcar claramente o espaço a ser ocupado por cada um e distancia ainda mais povos, culturas e pessoas de si mesmas. Os muros externos, alimentados por radicalismos e discriminações insanos, e internos, impostos por uma variedade interminável de auto-limitações, preconceitos e violências, estão cada vez mais altos e espessos, quase intransponíveis. "A fronteira", poesia que escrevi já não sei mais há quantos anos e que publiquei no Jornal Portal deste mês, se apresenta na série Poesias Cantadas para tocar nesta ferida reaberta. Espero que você goste. "Is there anybody out there? Is there anybody in there?".



A FRONTEIRA
(Eduardo Lamas)

Fronteira,
linha imaginária,
invisível, tênue,
marco divisório
entre ponto de fuga
e desvio de conduta,

Loucura e lucidez
sensualidade e obscenidade
sobriedade e embriaguez,
Olhar e divagação,
segurança e liberdade
morte e ressurreição

Vida revivida,
prolongada,
traço infinito,
risco neste solo,
fantasia deste palco,
máscara que revela
face na penumbra,
claros olhos negros
dentro desta sombra.

Veja também:
Os muros
Roger Waters setentão
Poesias Cantadas 5: Dissipações

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PARA QUEM QUISER OUVIR

Estreou ontem no Panorama Esportivo do Pop Bola, programa da Rádio Globo do Rio de Janeiro, o quadro Jogada de Música, que reúne duas paixões nacionais, o futebol e a música. Quem quiser ouvir o programa, do qual tive o prazer de participar, é só clicar no link abaixo, pôr "Rio de Janeiro" como praça, "29/1/2017" como data e "20h" no horário para ouvir a primeira hora. Para ouvir a segunda e última hora, é só mudar para "21h". 

Divirta-se aqui: http://radioglobo.globo.com/arquivo-radio-globo/ARQUIVO-RADIO-GLOBO.htm.


Veja também:
"Jogada de música" está na área
"O negro crepúsculo" pelo mundo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

"JOGADA DE MÚSICA" ESTÁ NA ÁREA

Quando o juiz apitar o fim da rodada de abertura do Campeonato Carioca 2017, o Panorama Esportivo do Pop Bola entrará em campo na Rádio Globo (http://radioglobo.globo.com/) com o seu time de primeira e uma novidade: uma tabelinha sensacional entre duas paixões nacionais, o futebol e a música. No próximo domingo, dia 29 de janeiro, a partir das 20h, o programa apresentado por Alexandre Araújo promoverá a estreia do quadro “Jogada de Música”, que é um dos frutos do trabalho de pesquisa que venho realizando desde o fim de 2015 sobre a História e músicas relacionadas a episódios marcantes, clubes, grandes craques, personagens e estádios do futebol brasileiro. 

“Jogada de Música” promete fazer o torcedor se emocionar, rir, vibrar e se surpreender a cada lance contado, tocado e cantado. O quadro é uma criação de uma triangulação na área: além da pesquisa e do texto de minha autoria, a produção é de Alexandre Araújo e a narração, de Hugo Lago. O Panorama Esportivo do Pop Bola é apresentado na Rádio Globo todo domingo, das 20h às 22h, e faz um resumo dos principais acontecimentos do fim de semana com bom humor e informação. O programa é uma extensão do tradicional Pop Bola, que em 2017 completa 15 anos no ar.

Vamos encher a arquibancada para não perder esta "Jogada de Música"?



Veja também:
"O negro crepúsculo", um trabalho de 11 anos
"Profano coração" está de volta
Que me diz você?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

POESIAS CANTADAS 9: BAILE DAS CHAMAS

Esta poesia, "Baile das Chamas", já esteve publicada neste blog, foi retirada e retorna de forma cantada. A título de curiosidade, quem se interessar pode conferir no Jornal Portal deste mês a versão original que - perceberá quem se dispuser - recebeu pouquíssimas mas importantes modificações para ficar melhor na melodia. Provavelmente estará num futuro livro, chamado "Sutilezas", se eu resolver publicá-lo, pois escrito já está há muitos anos. A letra cantada no vídeo está aí abaixo, como sempre faço. Obrigado mais uma vez pela sua visita, volte sempre.



BAILE DAS CHAMAS
(Eduardo Lamas)

Cinzas, fuligens, folhas secas
voam pra bem longe
no vento...

O pavio, o rastro,
fagulhas, centelhas,
a pólvora

e o silêncio enganoso
num surdo rumor
do baile das chamas

dos desejos incandescentes
dos olhares que se abrem
das pálpebras que se apertam
das pernas e braços contorcidos
entrelaçados, retorcidos

incêndio de labaredas incolores
num quarto de cortinas cerradas
lâmpadas queimadas
portas trancafiadas
corpos abertos
interpenetrados

um banho inflamável
regado a suor e saliva
e lágrimas e mel e
seiva seminal
amaina enfim
este fogo que não cessa
que só se prepara, em brasa,
pra reacender.

Cinzas, fuligens, folhas secas
voam pra bem longe
no vento...

Veja também:
É preciso respeitar a dor do universo
Oferenda (ou Canção de um ser dilacerado)
Nada mais

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

POESIAS CANTADAS 8: HÁ MUITO O QUE FAZER

O oitavo vídeo da série Poesias Cantadas é um blues, que tinha a princípio um andamento mais rápido, na intenção de ser um roquenrol. Porém, por sugestão do grande Luiz Antonio Mello "para valorizar a letra", fiz uma versão mais lenta. Com os sons dos instrumentos que ouço em minha imaginação e mais algumas correções de rota sei que tudo ficaria muito melhor, mas espero que já haja qualidades para ser apreciada por você que se dispôs a vir aqui ou visitar o meu canal no youtube. Nem que sejam só os versos desta torrente imaginária.



HÁ MUITO O QUE FAZER
(Eduardo Lamas)

Ainda ecoa o grito sufocado da noite
nesta tarde abafada sem sol
Os reflexos do olhar perdido
com este céu cinzento

Tudo se perde neste dia
tão igual ao outro
O formigueiro humano
escoa sob os meus pés

Girando, girando, girando
em torno do ralo gigante
que é esta grande cidade
tão provinciana

É a torrente imaginária
carregando a multidão
sempre pros mesmos lugares
olhares, prisão

O espelho de carne e osso
se partiu na noite passada
e reflete uma vida despedaçada
ninguém vê, ninguém vê
há muito o que fazer

O incenso do lixo urbano
não é recolhido, nem reciclado
fica perdido no meio desse dia nublado
ninguém percebe, ninguém percebe
há muito o que fazer

Ainda grita no vácuo do tempo
o urro desperdiçado da noite
ninguém ouve, ninguém ouve
há muito o que fazer.

Veja também:
"O rio" entrelaçado à "Sequidão"
"O negro crepúsculo" pelo mundo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

UM ANO INESQUECÍVEL

Bem sabem os bem-pensantes, e nem precisam de grandes inclinações filosóficas para tal, que procurar o esquecimento é encontrar a lembrança. Por isso, nem adianta esquecer, porque 2016 será um ano inesquecível. De uma forma geral, por tudo o que as retrospectivas já vêm mencionando, e particularmente para mim e, possivelmente você que está lendo este texto, pelos mesmos e por outros tantos motivos. Foi - ou melhor, está sendo - muito difícil atravessar este longo e extenuante deserto, com raríssimos oásis. Eu me despeço deste ano com a certeza de que, se por um lado surgiram muitas decepções, tristezas e revezes, por outro vi reforçados o amor e a união, tive alegrias inesperadas e muito, muito aprendizado. E demasiado trabalho de criação, o que dá sentido e direção à minha vida.

Particularmente, a maior lição de 2016 foi "amizade não é para qualquer um". Este ano foi fundamental para reconhecer amizades onde achava que só havia coleguismo - um bom coleguismo, é bom que se ressalte - e ver reforçadas aquelas mais profundas, muitas de décadas. No entanto, falsidades nada surpreendentes foram ocultadas pela boa-fé, que muitas vezes nos embaça os sentidos. E foi também tempo de perceber que eram apenas turvos lagos que pareciam profundos. Para aqueles, a porta é trancafiada; para esses, será preciso que batam e esperem, pode ser que não sejam atendidos.

Nas inesperadas e muito bem-vindas novas amizades e naquelas com as quais sempre podemos contar sem riscos de decepção é que vamos reunindo as maiores alegrias da vida. E, certamente, elas trarão outras ainda maiores. Sem promessas, nem esperanças vãs, entrarei em 2017 com a força que me fez caminhar com as solas dos pés rachando, a sede matando, a pele queimando, as pernas ao mesmo tempo fraquejando e se fortalecendo, os cabelos embranquecendo, mais e mais. 

Desejo a todos que fazem por merecer, sempre - e não só neste próximo ano -, muita saúde, paz, amor e prosperidade. E não se esqueça: tentar se esquecer é mais lembrar e lembrar e lembrar... Até o ano que vem, na próxima estação!



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