quinta-feira, 14 de junho de 2018

ESTÁ NO AR "LAMAS NA ÁREA"

Embora jamais tenha sido um jornalista que ousasse aparecer em frente às câmeras, resolvi adotar um lema de Nelson Rodrigues: "Jamais tenha medo de ser ridículo". Ou seja, não seja ridículo de temer o ridículo. Não creio que chegue a tanto, mas posso escorregar aqui ou ali no "Lamas na Área". E é isso que dá graça ao espetáculo, não ter receio de errar. Como já aprendi muito, mas muito mesmo, com as derrotas da vida, agora quero decretar que chegou a minha hora de aprender com as vitórias, mesmo que sejam magrinhas. A primeira foi vencer minha timidez. E, para mim, particularmente, é uma goleada consagradora. 
Portanto, o programa "Lamas na Área" estreou ontem no meu canal do YouTube, seguiu com o segundo vídeo hoje e terá um episódio por dia até 15 de julho, data da final da Copa do Mundo da Rússia. Minha ideia é tentar fugir um pouco dos mesmos comentários de sempre. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar. E conto com a ajuda de quem acompanhar com comentários, críticas e sugestões. 
Não fui convidado, mas vim mesmo assim. Conto com sua audiência. 
O endereço? Clique aqui.


Acima, o vídeo e estreia.

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

O POETA E OS ESPANTALHOS URBANOS

O poeta não visitava a sua amada cidade natal há anos. As saudades apertavam mais porque as notícias eram poucas. No entanto, as lembranças ainda estavam vivas em sua memória. Da selvagem beleza das praias, morros e matas, da provinciana beleza de suas meninas, da lealdade canina dos amigos de escola, da infância nas ruas tranqüilas – que hoje, sabia bem, já não eram mais como antigamente –, das farras, das festas, enfim de tudo que cercava seu mundo passado. Tinha registrado em todos os sentidos a vida que levara: o cheiro da mata e da maresia ainda roçava seu nariz, os grãos de areia escorriam por entre seus dedos, o som das ondas batiam, imensas pedras banhavam-se no mar, o primeiro beijo ainda degustava.

A saudade se tornou uma imensidão apertada em seu peito. Assim, decidiu voltar para passar uns dias na sua cidade e escrever uma poesia em homenagem à amada. Não que jamais tivesse escrito versos sobre ela, mas é que em todas a cidade era o pano de fundo e a maior parte feita das lembranças. Queria voltar para novamente cheirá-la, percorrê-la, pegá-la, ouvi-la, vê-la e degustá-la. As informações que obteve eram de uma cidade mais moderna, com alguns problemas sim – quais não as têm? –, porém com reformas que valorizavam suas belezas naturais. O poeta não parava de sonhar durante a viagem com a sua chegada. Logicamente, ela foi mais lenta do que o normal.

O projeto era passear por todos os lugares que já conhecia e outros por onde nunca havia passado. O poeta queria sentir tudo a sua volta e fazer as anotações necessárias para a poesia da cidade amada. Queria até pesquisar a origem dos nomes de suas ruas. Pretendia também conversar com muitas pessoas, velhos, crianças, meninos, meninas, adultos, enfim, com o máximo de cidadãos e os que trocaram a capital para obterem mais tranqüilidade ou porque a acham ainda mais bonita.

Mal chegou, o poeta, mochila às costas, passou a caminhar pelas ruas da sua cidade reconhecendo lugares, notando algumas diferenças. Ele passeava ainda deslumbrado com tudo pelas ruas do centro, quando percebeu que algo o incomodava profundamente: os milhões de galhardetes e cartazes grandes, pequenos, médios e imensos com propaganda política agredindo tudo, até o que não tem beleza, mas jamais é chamado de feio: o poste. Para ele, aquela série interminável de fotos sorridentes com nomes, letras e números pendurados nos postes não passavam de espantalhos de plástico. Sua sensibilidade desta vez acabou por lhe trazer vertigens. Parou num bar e pediu um copo de água para se recuperar. Pensava: “A democracia é uma festa que foi proibida por tanto tempo, que acabou se tornando desorganizada pela falta de hábito. Isso passa. É melhor eu esquecer isso e partir em frente, porque não há cidade mais bela no mundo”.

Agradeceu a gentileza do dono do bar, saiu e nem bem se recuperara da vertigem pelas visões dos espantalhos urbanos sobrepostos, duas kombis velhas passaram gritando pelos alto-falantes o nome de candidatos rivais e seus auto-elogios, como se discutissem asperamente no meio do asfalto. Os motoristas sorriam, mas parecia briga séria, tal era altura e a péssima qualidade do som. Cada kombi defendia seu candidato com paródias infames de músicas de sucesso não menos infames. O poeta pensou: “Perfuração de tímpano não deve ser coisa muito pior que isso”. Entretanto relevou mais uma vez, afinal “a democracia é uma festa. Barulhenta e desorganizada, mas é uma festa”.

Pensava em seguir beirando a água, mas antes de chegar ao destino traçado teve de desviar de uma fileira interminável de camelôs com suas bugigangas brasileiras e paraguaias, tomou umas cinco braçadas, e escapou de umas dez, de gente distribuindo santinhos políticos – que de santos nada têm - e propagandas de dinheiro fácil e de planos de saúde - cada vez mais íntimos do comércio ambulante.
Sentiu-se recompensado depois de tanta luta com a vista. Chegou a parar para admirar a imensa superfície azul escarpada, pontilhada de dourado pelo belo sol de inverno. Porém, seu sossego durou pouco. Logo chegou um grupo de meninas uniformizadas dos pés à cabeça distribuindo – ou melhor jogando para o alto - santinhos de mais um candidato do povo – nesta época todos são do povo. Ao mesmo tempo, novo carro de som, desta vez um opala azul – o poeta nem mais se lembrava que existiam opalas – cantava aos berros vários motivos para que fulano de tal recebesse um voto de confiança.

O poeta se afastou e foi seguindo pelas ruas da cidade, percebeu maravilhado a variedade de beldades desfilando pelas ruas, visitou tudo o que programara. Depois de conhecer o mais novo museu “que nem precisaria conter qualquer obra de arte, pois é a própria”, passear por uma de suas praias mais centrais, pegou um ônibus para rever as mais longínqüas. Por todos os lugares por onde passou sentiu um misto de encantamento e decepção, pois além dos espantalhos que continuavam rodando em sua cabeça, não se livrava dos políticos nem quando olhava para o céu, pois lá passava um avião com uma imensa faixa. Acabou chegando à conclusão que a democracia é uma festa só freqüentada por penetras. Resolveu então ir embora logo e só retornar quando não houvesse eleições.

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A necessidade do desejo
Beleza e caos: arte em toda parte


quarta-feira, 4 de abril de 2018

DA BICICLETA DE CRISTIANO RONALDO AO BAILA COMIGO DE MENDONÇA

Foto: Divulgação/Real Madrid
Ao ver pela TV a torcida da Juventus aplaudindo Cristiano Ronaldo após o antológico gol de bicicleta que marcou em Turim, logo me veio à memória um episódio que muito pouca gente sabe ou lembra, mas do qual fui participante e testemunha ocular e auditiva. Quando Mendonça marcou aquele golaço no Flamengo em 1981, gol que ficou conhecido como Baila Comigo, por ser nome de música e novela de muito sucesso na época e pelo drible desconcertante em Júnior, muitos flamenguistas, inclusive eu e meu pai, aplaudimos. Foi o gol que decretou a vitória de 3 a 1 e a classificação alvinegra, que já viria com um empate, para a semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano. Um amigo flamenguista, ao receber a postagem que enviei com esta história pelo whatsapp, me contou que também ele aplaudiu o golaço de Mendonça e que viu e ouviu o mesmo que eu naquele dia.

Foto: Roberto Oliveira (copiada do
Globoesporte.com: http://goo.gl/DEyJSX)
Todas as (poucas) vezes em que contei esta história os botafoguenses que a leram ou ouviram se surpreenderam, claro. E não só porque muitos acham que na torcida rival só tem mal-educado e ladrão, mas também porque na hora todos deviam estar pulando, berrando, chorando e se abraçando com amigos e desconhecidos, muito justamente, aliás. Além disso, a TV não mostrou e, que eu saiba, as rádios e os jornais nada noticiaram sobre os aplausos rubro-negros.

Um dos surpresos foi o próprio Mendonça, que tive a chance de entrevistar algumas vezes na época em que foi convidado pelo então recém-empossado Bebeto de Freitas para ser técnico dos juniores do Botafogo (2003). Como correu em direção à torcida alvinegra para comemorar o golaço que fez, ele não teria como saber, diferentemente de Cristiano Ronaldo, que gentilmente agradeceu aos torcedores da Velha Senhora (Vecchia Signora), como é conhecida a Juve na Itália.

Ingresso da minha coleção
Quando pensei em escrever este texto, e depois conversando com amigos, muitas perguntas me vieram à cabeça. Por exemplo: dá para imaginar hoje em dia cenas como estas duas citadas acima em clássicos de torcida única nas arenas deste país? Dá para imaginar algo deste tipo com o ódio corroendo todos os setores da vida brasileira? E dá para imaginar um futebol como aquele que o Real Madrid de Cristiano Ronaldo jogou em Turim em nossos campos atualmente?

Infelizmente, após ter se evaporado pouco a pouco por anos e anos, a gentileza, a humildade e a educação que algum dia muitos de nós tivemos estão se esvaindo na velocidade da luz nas últimas décadas. E o futebol-arte parece mesmo que não nos pertence mais.



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Alguns jogos que faço questão de recordar 2
O meia-armador virou desarmador (texto de 1990)
Futebol brasileiro x seleção brasileira

sexta-feira, 16 de março de 2018

O ÓDIO PRESENTE

Por muitas postagens que recebi em meu celular no dia seguinte à morte da vereadora Marielle Franco, parece que ela foi a assassina e não a assassinada, juntamente com o motorista Anderson Gomes. Não votei nela, tenho restrições a algumas "bandeiras" dela e do PSOL, apesar de já ter votado em alguns integrantes deste partido, mas a morte dela revolveu um ódio inexplicável, absurdo.

Peço desculpas, mas como Lobão disse outro dia em entrevista à Rádio Jovem Pan, de São Paulo, sobre o que nutriu por Herbert Viana durante três décadas: "Estou exausto de tanto odiar". E este (res)sentimento, que na verdade também é ressaltado por muitos que elogiam e defendem a vereadora, só vai fazer reverberar mais e mais ódio. 

O uso político de lado a lado é notório e repulsivo, o que prenuncia - agora mais claramente - um período eleitoral bastante conturbado, para dizer o mínimo. O Rio, o Brasil, o mundo só pioram com tudo isso. Prefiro cultivar sentimentos mais elevados.

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sábado, 10 de março de 2018

JOGADA DE MÚSICA PENETRA EM MAIS UMA GRANDE ÁREA

No ar desde o dia 1º de fevereiro, a coluna Jogada de Música do site do Pop Bola é renovada a cada quinta-feira, falando das músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro. O mais recente texto, com links, vídeos e áudios, é "O musical Clássico dos Milhões".  A coluna é uma extensão do quadro semanal de mesmo nome apresentado todas as terças-feiras no programa da Rádio Globo RJ Zona Mista, comandado pelo pessoal do Pop Bola

O quadro na Rádio Globo e a coluna no site do Pop Bola são apenas os dois primeiros passes de primeira do projeto Jogada de Música, que tem uma sede (fan page) no Facebook. Em tabelinha com parceiros de categoria, em breve serão feitos outros lançamentos nas grandes áreas culturais, artísticas e de comunicação e entretenimento, sempre em busca de gols e mais gols, num verdadeiro show de bola. Curta esta Jogada!

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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

EM MEIO À BARBÁRIE, O AMOR

Este texto é um canto de louvor aos abnegados e comprometidos, embora não deixe de falar indiretamente dos vaidosos e gananciosos, apenas para contrapor. Porém, o que se pretende aqui é destacar o amor, jamais o ódio, apesar do imã que ultimamente tem nos atraído em muitas ocasiões para este sentimento tão corrosivo. Em cada parede do velho hospital vi uma placa com uma relação de nomes de políticos, em vez de médicos(as), enfermeiros(as) e funcionários(as). Mas é a estes que quero agradecer e louvar.
Numa cidade, num estado calamitoso, num país, onde se têm cultivado tanto rancor, tanta ira e, ao mesmo tempo, tanta indiferença, ainda se vê o cuidado, a solidadriedade, o altruísmo, o sorriso, o amor pelo outro, mesmo desconhecido. Como já escrevi inúmeras vezes, creio em vocação, não somente em profissão. Uma deve apenas abrir o caminho para a outra, pois quando não há conjunção, somos apenas seres existentes, sobreviventes, empurrando com a barriga a nossa vida e a alheia. Para onde? De nenhum lugar para lugar nenhum.
Escrevo apenas para dizer muito obrigado ao pessoal que trabalha no Hospital Souza Aguiar e dizer que as placas em toda a cidade deveriam exaltar o nome de cada um deles e de tantos outros que passaram por lá (e por tantas outras instituições públicas de saúde). Enfrentar diariamente com dedicação incansável uma rotina pesada e com tantos problemas de estrutura e verba não é para qualquer um. Só a vocação explica tanta doação. Muito obrigado mais uma vez!

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Que me diz você?
Mãe exalta o amor em "Filho de mil homens"
A memória viva de Mandela

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

ODE AO FUTEBOL-ARTE

Não se deve subestimar de maneira alguma aqueles que conseguem inscrever seus nomes numa lista de vitoriosos, mesmo sem brilhantismo ou destaque especial. Mesmo que venha a ser apenas um nome em meio a tantos outros que muito poucos se lembrem com o passar do tempo. Aos vencedores de justas batalhas jamais se negam as honras.

Lorant, Buzansky, Hidegkuti, Kocsis, Zakarias, Czibor, Bozsic e Budai;
Lantos, Puskas e Grosics
Porém, muito menos se deve menosprezar aqueles que, mesmo fora de uma relação de campeões, ou somente excluídos de alguma lista especialmente valorizada, fazem parte de um seleto grupo que tem a sua História contada e recontada, geração após geração, incansavelmente, sempre com emoção.

Neeskens, Krol, Van Hanegen, Jansen, Suurbier, Rep, Rijsbergen, Resenbrink, Haan, Jongbloed e Cruyff
Todas as minhas homenagens aos húngaros de 54, os holandeses de 74 e os brasileiros de 82. E também a todos os craques dos gramados que, por qualquer razão, não conseguiram conquistar títulos de grande expressão, mas que levavam milhares de fãs aos estádios para assisti-los jogar.



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Futebol-Arte: Os Maiores Jogos de Todos os Tempos 2
O meia-armador virou desarmador (texto de 1990)
O teatro e o futebol

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

NEO-FEMINISMO, O MACHISMO NO ESPELHO (RETROVISOR), OU TODO PODER QUE EMANA ABUNDA

Não sei o que é melhor,
em tempos de medrosa
e hipócrita correção,
se me expresso e me arrisco
ou me calo.
Mas não resisto,
então insisto,
pois este papo
já foi até o talo:
mulher tá usando a bunda
como se fosse falo.

Podem travestir
o vulgar com pele sensual,
transformar toda ação
em marketing político,
sócio-cultural.
Até mesmo confundir
paquera com abuso,
enquanto boçais
abusam com ou sem paquera.
Podem, nesta cínica Era,
chamar de empoderamento
ou de neo-feminismo,
pois que pra mim
não passa de reflexo
no espelho do machismo.

Ilustração retirada do site Eye 2 Magazine

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Versos do avesso
Uma noite no Rio

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

CRÔNICA QUE NASCEU NO BOTECO TACO

Acabo de saber pela coluna Gente Boa, do jornal O Globo, que o tradicional Boteco Taco, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro, engrossou a lista de estabelecimentos comerciais fechados na combalida cidade em que nasci e (ainda) moro. Como era bastante previsível, o legado olímpico e da Copa das Copas deixado por Cabral filho e sua gangue realmente é devastador. Ao ler a nota no site do jornal, lembrei-me de uma crônica fantasiosa, ou melhor, uma "croniqueta", que escrevi no fim dos anos 90 após uma noitada no Boteco Taco com amigos que trabalharam comigo justamente naquela empresa jornalística. Este será mais um local a freqüentar minha memória afetiva, juntamente com o Maracanã, o Jornal dos Sports, o Manoel e Juaquim da Mem de Sá, os muitos cinemas de rua que frequentei na chamada Grande Tijuca e até mesmo o antigo estádio do América, o Volnei Braune. Então, fica o texto (um dos primeiros publicados neste blog e retirado posteriormente) para relembrá-lo.

Croniqueta da madrugada readmitida

Talvez esse sonho não tenha meio nem fim. Como um salto imaginário num imenso vazio. Dormir muitas vezes pode ser um suicídio provisório, uma fuga efêmera de retorno ainda mais rápido que o caminho de ida. E foi numa dessas madrugadas, cada vez menos freqüentadas por mim, que reconheci por dentro a floresta urbana. A madrugada fora redmitida.
Um lugar irreal, sem músicos, mas animado por uma grande caixa musical. Garçons desdentados e descalços serviam as mesas com suas rudes delicadezas. O pequeno grande artista, e seus namoradinhos de ocasião circulava, sem deferências especiais.
A cinderela alviverde brilhante banhava-se com seu amante carcamano em cascatas de cerveja. Depois cansava-se da brincadeira e, frente a um espelho, lavava seus cabelos com copos de água mineral , tal qual uma sereia do asfalto. Ao lado, dois casais de meninos e meninas se revezavam na dança de rostos colados, corpos suados, roçados, tudo em sorrisos sinceros e sedutores.
Aqui, onde eu estava, como tudo na vida é um jogo – mesmo quando imaginária –, dois rapazes disputavam a vez de dançar com a dama. E, embalados por palmas ritmadas, faziam uma disputa leal, pois no fim todos se cumprimentaram e se despediram. Exatamente quando a nossa música finalmente tocou.
Saí de lá pensando o quanto seria bela a vida se sempre fosse assim. Mal dormi, pois logo estaria de pé para enfrentar o extremo oposto da vida dessa imensa selva urbana. À noite cometi meu suicídio provisório para tentar voltar àquele lugar mágico ou outro qualquer. Tudo em vão: a rotina recomeçara.

Nota de esclarecimento: no Boteco Taco, os garçons não eram desdentados e descalços, foi apenas um delírio da minha imaginação. Como no texto não citei o local, fiquei à vontade para escrever o que quisesse, sem denegrir a imagem de ninguém.

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