quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

NEO-FEMINISMO, O MACHISMO NO ESPELHO (RETROVISOR), OU TODO PODER QUE EMANA ABUNDA

Não sei o que é melhor,
em tempos de medrosa
e hipócrita correção,
se me expresso e me arrisco
ou me calo.
Mas não resisto,
então insisto,
pois este papo
já foi até o talo:
mulher tá usando a bunda
como se fosse falo.

Podem travestir
o vulgar com pele sensual,
transformar toda ação
em marketing político,
sócio-cultural.
Até mesmo confundir
paquera com abuso,
enquanto boçais
abusam com ou sem paquera.
Podem, nesta cínica Era,
chamar de empoderamento
ou de neo-feminismo,
pois que pra mim
não passa de reflexo
no espelho do machismo.

Ilustração retirada do site Eye 2 Magazine

Veja também:
Versos do avesso
Uma noite no Rio

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

CRÔNICA QUE NASCEU NO BOTECO TACO

Acabo de saber pela coluna Gente Boa, do jornal O Globo, que o tradicional Boteco Taco, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro, engrossou a lista de estabelecimentos comerciais fechados na combalida cidade em que nasci e (ainda) moro. Como era bastante previsível, o legado olímpico e da Copa das Copas deixado por Cabral filho e sua gangue realmente é devastador. Ao ler a nota no site do jornal, lembrei-me de uma crônica fantasiosa, ou melhor, uma "croniqueta", que escrevi no fim dos anos 90 após uma noitada no Boteco Taco com amigos que trabalharam comigo justamente naquela empresa jornalística. Este será mais um local a freqüentar minha memória afetiva, juntamente com o Maracanã, o Jornal dos Sports, o Manoel e Juaquim da Mem de Sá, os muitos cinemas de rua que frequentei na chamada Grande Tijuca e até mesmo o antigo estádio do América, o Volnei Braune. Então, fica o texto (um dos primeiros publicados neste blog e retirado posteriormente) para relembrá-lo.

Croniqueta da madrugada readmitida

Talvez esse sonho não tenha meio nem fim. Como um salto imaginário num imenso vazio. Dormir muitas vezes pode ser um suicídio provisório, uma fuga efêmera de retorno ainda mais rápido que o caminho de ida. E foi numa dessas madrugadas, cada vez menos freqüentadas por mim, que reconheci por dentro a floresta urbana. A madrugada fora redmitida.
Um lugar irreal, sem músicos, mas animado por uma grande caixa musical. Garçons desdentados e descalços serviam as mesas com suas rudes delicadezas. O pequeno grande artista, e seus namoradinhos de ocasião circulava, sem deferências especiais.
A cinderela alviverde brilhante banhava-se com seu amante carcamano em cascatas de cerveja. Depois cansava-se da brincadeira e, frente a um espelho, lavava seus cabelos com copos de água mineral , tal qual uma sereia do asfalto. Ao lado, dois casais de meninos e meninas se revezavam na dança de rostos colados, corpos suados, roçados, tudo em sorrisos sinceros e sedutores.
Aqui, onde eu estava, como tudo na vida é um jogo – mesmo quando imaginária –, dois rapazes disputavam a vez de dançar com a dama. E, embalados por palmas ritmadas, faziam uma disputa leal, pois no fim todos se cumprimentaram e se despediram. Exatamente quando a nossa música finalmente tocou.
Saí de lá pensando o quanto seria bela a vida se sempre fosse assim. Mal dormi, pois logo estaria de pé para enfrentar o extremo oposto da vida dessa imensa selva urbana. À noite cometi meu suicídio provisório para tentar voltar àquele lugar mágico ou outro qualquer. Tudo em vão: a rotina recomeçara.

Nota de esclarecimento: no Boteco Taco, os garçons não eram desdentados e descalços, foi apenas um delírio da minha imaginação. Como no texto não citei o local, fiquei à vontade para escrever o que quisesse, sem denegrir a imagem de ninguém.

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domingo, 17 de dezembro de 2017

FUTEBOLICES DE FIM DE ANO

Cristiano Ronaldo, o segundo melhor do Mundial; Modric,
o melhor, e Urretaviscaya (Pachuca), o terceiro. Foto: EFE
O Real Madrid não fez o menor esforço para ganhar a final do Mundial Interclubes contra o apenas esforçado Grêmio. O placar de 1 a 0 é mentiroso. Podia ter sido 3 ou 4 como jogou - ou treinou - o time espanhol. Se o Real jogasse mesmo para valer, enfiaria uns 7, apesar da boa defesa gremista, o que demonstra o nível baixíssimo do futebol praticado nos gramados brasileiros e da América do Sul atualmente.
O Grêmio tem um goleiro (Grohe) e um zagueiro (Geromel) excelentes, um bom lateral (Cortez), um promissor atacante (Luan) e uma promessa de craque (Arthur), que está machucado e nem foi para os Emirados Árabes. Na decisão, Grohe esteve um pouco abaixo de suas atuações, mas não foi de todo mal (seria falha feia se entrasse a bola do croata Modric - aliás, um monstro de jogador, o Duende!).  Geromel atuou muito bem mais uma vez; mas Cortez, de boca seca, mal conseguindo dominar a bola muitas vezes, e Luan, tropeçando nas próprias pernas, sentiram o jogo, respeitaram demais o adversário e nada fizeram. O resto é de medíocre para baixo, com destaque negativo para Lucas Barrios, que além de tudo abriu a barreira no gol. É o campeão da América, imagine o resto.
Pois é, o resto. Na quarta-feira passada, o Flamengo se tornou vice da Série B da América do Sul, a chamada Copa Sul-Americana, fazendo vergonha mais fora do que dentro de campo, onde perdeu mais uma vez um título para o Independiente do excelente Barco, que já está içando velas para os Estados Unidos (por que se esconder lá?). No gramado, pelo menos houve esforço, algo que rareou na temporada medíocre do caro, mas apenas medíocre, elenco rubro-negro. A destacar, em 2017, os garotos, especialmente Lucas Paquetá, e o goleiro César, formado nas divisões de base rubro-negras há mais tempo. César assumiu o gol do Flamengo num momento muito difícil, sem ritmo de jogo, mas mesmo assim deu conta do recado. Reinaldo Rueda agora terá tempo para montar um time, pois em 2017 não se viu organização em campo com a camisa carioca de listras vermelha e preta (nem com a branca, muito menos com a feiosa amarela). 
Fora de campo, uma quantidade bastante expressiva de torcedores do clube da Gávea mostrou que desta vez não dá para dizer que eles não representam a grande massa da Nação. A quantidade de rubro-negros praticando as violências mais absurdas dentro e fora do Maracanã ficou longe de ser pequena. O Flamengo merece uma punição exemplar da Conmebol, tradicionalmente frouxa e parcial (quase sempre a favor de times de países de língua espanhola). Não será nada injusto se o time rubro-negro for eliminado da Taça Libertadores da América de 2018. Nada injusto.

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

PENSO, LOGO SINTO 33

O Brasil entre duas mãos: a da ganância perversa que toma não mais tão discretamente quanto outrora e a do coitadismo, que afaga a cabeça de quem só quer receber sem qualquer esforço ou merecimento. Vamos prestar atenção aos discursos dos dois lados. Ambos não prestam.

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

QUESTÃO EM QUESTÃO 7

Quando, afinal, será fundada a República (res publica) no Brasil? Desde 15 de novembro de 1889 até hoje ela só foi afundada em causas próprias. Seus afundadores desde então levam tudo quanto possível (e até o que parece impossível) da vida pública para a privada. O regime "propinocrático" foi instaurado para facilitar os trâmites ilegais e até para tornar legais os mais absurdos atos espúrios. Quarta-feira vem só mais um feriado para nos distrair.



Veja também:
Questão Em Questão 6

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

sábado, 7 de outubro de 2017

MÚSICA E FUTEBOL, O BRASIL NO PRIMEIRO MUNDO

Em pé: Lima e Denílson. Garrincha, Pelé e Ivair.
Foto retirada do site Terceiro Tempo.
Muitas e muitas e muitas vezes, no auge da revolta e da indignação com a bandidagem e o baixíssimo nível de nossos políticos, responsabilizei o povo brasileiro por este mal que não cessa. Não totalmente desprovido de razão, ainda penso assim. Afinal, os que estão no poder não caíram do céu, vieram desta sociedade cada vez mais doente em que (sobre)vivemos. Porém, também infinitas vezes brequei tão usais frases - mesmo que só em pensamento - como "temos um povinho de merda" e suas muitas variações. 

Abre parênteses: curioso e sintomático falarmos ou escrevermos sempre na terceira pessoa, nunca na primeira. "O inferno são os outros", já bem dizia Sartre. Fecha. 

Sempre que me confrontei para estancar a minha ira, o que trazia ao meu pensamento era o tanto de maravilhoso que emerge deste mesmo povo sofrido, mas não coitado, responsável também por tudo o que de ruim ocorre. Deixemos de paternalismos, de uma vez por todas. Abre e fecha parênteses novamente.

O flamenguista João Nogueira e o tricolor Cartola,
no projeto Pixinguinha, em 1977
Entre o melhor que temos, a nossa música e o nosso futebol são certamente o que de mais lindo oferecemos ao mundo, além das inegáveis e tão decantadas belezas naturais, algo que nunca nos competiu construir, mas destruir, sem dúvida, infelizmente. Claro que não me refiro a quase tudo o que tem feito sucesso nas mídias, nem ao que tem sido apresentado em nossos gramados nos últimos anos. Mas é indiscutível que a música brasileira, com toda a sua variedade de estilos e ritmos, neste misto de simplicidade com sofisticação e de inventividade com técnica, adjetivos que bem podem se juntar ao nosso futebol, está no topo do que de melhor já se fez - e se faz ainda - no Universo. Nos campos, fomos - e espero ainda sermos - responsáveis, especialmente em 1958 e 70, por elevar o futebol ao patamar de Arte, como bem definiu o historiador britânico Eric Hobsbawn ao escrever sobre a seleção do tri.


Mesmo o espírito destrutivo de alguns compatriotas, os 7 a 1 para a Alemanha e o sucesso internacional dos ruídos mais submersos feitos por aqui ultimamente não serão capazes de rebaixar a nossa verdadeira Música e o nosso mais genuíno Futebol. Nestes dois temas - e mais em uns dois ou três, não mais - o Brasil pertence ao Primeiro Mundo. E foi da tabelinha preciosa destes dois riquíssimos aspectos de nossa vida cultural que surgiu Jogada de Música, projeto que hoje está no rádio, mas que em breve estará em outros campos.

Acredito que valorizar o que temos de melhor é a única forma de tirarmos este país do atoleiro em que todos nós o pusemos. Portanto, mãos à obra!



Vídeos: "Só se não for brasileiro nessa hora" (Galvão/Moraes Moreira), com Novos Baianos, e "Aqui é o país do futebol" (Milton Nascimento/Fernando Brant), com Wilson Simonal.

Veja também:
Músicas que nos fazem viajar 2
Jogada de Música está de volta
Futebol brasileiro x seleção brasileira

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O ROUBO DA TAÇA JULES RIMET NO JOGADA DE MÚSICA

Em episódio que reuniu, além da música e do futebol, literatura e cinema, o roubo da Taça Jules Rimet foi o tema principal do quadro Jogada de Música no dia 30 de abril, ainda no programa Panorama Esportivo do Pop Bola, da Rádio Globo Rio. Cheguei ao escritor Henrique Pongetti e seu conto publicado no livro "Inverno em Biquíni" que previu com pelo menos 19 anos de antecedência o roubo da Jules Rimet (ocorrido em 1983), por um livro que ganhei de presente no meu oitavo aniversário (20/7/74): "Futebol tem cada uma", de Armando M. Marques. Uma descoberta entre muitas neste trabalho que realizo desde o fim de 2015 sobre as músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro. 

Em breve, postarei no meu canal do YouTube os vídeos, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, dos outros dois episódios da primeira fase do quadro e os que já foram ao ar no programa Zona Mista, apresentado por Alexandre Araújo e os demais integrantes do Pop Bola. Às terças, entre 18h e 20h (de 19h às 20h na internet), você ouve o Jogada de Música na Rádio Globo. Marque na agenda.

Além do rádio, é objetivo do projeto Jogada de Música estar nas TVs (série e documentário), nos cinemas, nos teatros e casas de espetáculos. Só para começo de conversa, pois as possibilidades são muitas. As empresas interessadas em financiar este trabalho, que começou comigo, mas que tem parceiros totalmente engajados nele, são muito bem-vindas. Faça esta grande Jogada de Música com a gente! Entre em contato pelo email: emquestao.el@gmail.com. Crise é esperar a bola no pé.



Veja também:
Jogada de Música está na área
A premonição literária de um crime no futebol

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PENSO, LOGO SINTO 32

A Guerra Fria acabou? Capitalistas ainda querem nos livrar de comunistas. Comunistas continuam desejando nos livrar de capitalistas. Quem nos livra de tão estreita visão de mundo, da vida?

Veja também:
Penso, logo sinto 18
A questão em questão 3
Gasolina no incêndio 13
Estilhaços 4

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O FLA-FLU NO JOGADA DE MÚSICA

O último episódio do quadro Jogada de Música apresentado no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola teve como tema o Fla-Flu, no dia 7 de maio, poucas horas após a decisão do Campeonato Carioca deste ano. No vídeo abaixo, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, você poderá ouvir histórias e músicas sobre este grande clássico do futebol.

Na última terça-feira o quadro reestreou na mesma Rádio Globo, no programa Zona Mista, apresentado pelo pessoal do Pop Bola, tendo Garrincha e o surgimento do "olé" no futebol como tema. Na próxima quarta (6/9) - excepcionalmente, pois na terça haverá a transmissão de Colômbia x Brasil pelas eliminatórias da Copa 2018 -, outro gênio será lembrado com as músicas feitas em sua homenagem. Não perca!



Veja também:
Alguns jogos que faço questão de recordar 2
Um Fla-Flu e um herói quase esquecidos no tempo

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

JOGADA DE MÚSICA ESTÁ DE VOLTA

Nesta terça-feira, dia 29, a História do futebol brasileiro voltará a ser cantada e tocada na Rádio Globo. Depois de fazer parte do extinto programa Panorama Esportivo do Pop Bola, entre 29 de janeiro e 7 de maio deste ano, o Jogada de Música retorna em grande estilo, desta vez no Zona Mista, novamente com o pessoal do Pop Bola. Neste primeiro episódio de retorno do quadro, que será apresentado sempre às terças, músicas em homenagem a um dos maiores gênios do futebol de todos os tempos e como surgiu uma expressão que todo torcedor adora gritar nos estádios. O programa vai ao ar de segunda à sexta, das 18h às 20h. Para ouvir a Rádio Globo: http://radioglobo.globo.com/# .

Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la. Além desta volta ao rádio, em breve haverá muitas novidades sobre este projeto, que tem muita coisa para contar, cantar e tocar, de primeira. Aguarde!

Veja também:
Jogada de Música está na área
Futebol-Arte: os maiores jogos de todos os tempos 11
Garrincha, 77

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ZICO CANTANDO DE GALO NO JOGADA DE MÚSICA

No último 5 de março, dois dias após o seu aniversário de 64 anos, Zico foi o tema do Jogada de Música, quadro que foi ao ar entre 29 de janeiro e 30 de abril deste ano no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola. O Galinho de Quintino é um dos jogadores brasileiros mais lembrados pelos compositores brasileiros, muitos deles do primeiro time da MPB. Não só foi homenageado em músicas inteiras, como fizeram Jorge Benjor, Moraes Moreira, Alexandre Pires e Carlinhos Vergueiro, como é citado em algumas delas, como em composições da dupla João Bosco e Aldir Blanc e de Erasmo Carlos.
Ouça no vídeo abaixo (ou no YouTube), curtindo a seleção de imagens e a edição feitas por Lucas Neiva. Este foi o terceiro episódio da série e começa com um gol histórico de Zico, narrado pelo saudoso Jorge Cury. Divirta-se!



Veja também:
Jogada de Música está na área
Templos e espetáculos

terça-feira, 8 de agosto de 2017

TOSTÃO, MILTON E KID MORENGUEIRA NO JOGADA DE MÚSICA

No ar de 29 de janeiro a 30 de abril deste ano, o Jogada de Música foi um quadro do extinto programa da Rádio Globo do Rio de Janeiro Panorama Esportivo do Pop Bola. No segundo episódio, que foi ao ar no dia 19 de fevereiro, Tostão, Milton Nascimento e Moreira da Silva fizeram uma triangulação perfeita. Com edição do vídeo e pesquisa de fotos de Lucas Neiva, você pode ver e ouvir abaixo ou no meu canal do YouTube. A produção é de Alexandre Araújo e a narração, de Alexandre Tavares.

O Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la. Em breve, haverá muitas novidades sobre este projeto que une duas das maiores paixões nacionais: o futebol e a música. 



Correção: Tostão sofreu um descolamento (e não deslocamento) de retina.

Veja também:
Jogada de Música está na área
O teatro e o futebol