quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #42

Uma coisa jogada com música - Capítulo #41

Mario Vianna, entre o capitão suíço Roger Bocquet e o italiano Giampiero Boniperti, na "tirada do toss" antes da partida Suíça 2 x 1 Itália, pela Copa do Mundo de 1954

Zé Ary, ainda surpreso com o que João Sem Medo dissera sobre o desconhecimento do regulamento da Copa de 54 pela delegação brasileira, não se conteve.

Garçom: - Caramba, seu João, como pode? Que confusão!

Ceguinho Torcedor: - Confusão houve mesmo depois da partida contra a Iugoslávia. No jogo contra a Hungria, a pancadaria foi generalizada. Perdemos de 4 a 2 no jogo e a cabeça depois.

Idiota da Objetividade: - A Hungria abriu 2 a 0 logo no início da partida, com gols de Hidegkuti e Kocsis, que estaria em posição de impedimento. Djalma Santos, de pênalti, diminuiu ainda no primeiro tempo, mas o zagueiro Lantos aumentou pra 3 a 1 em pênalti inexistente de Pinheiro na etapa final. Depois, Julinho Botelho reduziu a vantagem húngara e a equipe brasileira passou a pressionar novamente em busca do empate. Chegou a botar duas bolas seguidas na trave, mas aí Kocsis marcou no fim.

João Sem Medo: - Jornalistas brasileiros chegaram a dizer que o atacante húngaro estava impedido, mas não houve nada disso. Os brasileiros ainda reclamaram um pênalti em Julinho, não marcado pelo juiz, que eu achei duvidoso.

Idiota da Objetividade: - O jogo foi muito violento, teve três expulsos: Pinheiro e Humberto, pelo Brasil, e Bozsik, que era deputado no Parlamento húngaro.

João Sem Medo: - Com todo mundo de cabeça quente estourou a pancadaria após a partida, que ficou conhecida como a Batalha deBerna. Atingiram até o ministro de Esportes da Hungria.

Garçom: - Nossa mãe!

Idiota da Objetividade: - Faltou espírito esportivo a quase todo mundo ali.

Garçom: - Boa, seu Idiota! Hehe da Objetividade! Vamos aproveitar tua deixa pra chamar ao palco mais uma vez: Moraes Moreira!

Aplausos de toda plateia.

Moraes Moreira: - Obrigado, gente. Se faltou espírito esportivo em 54, aqui vamos de “Espírito Esportivo”.

A plateia dança e se diverte muito com Moraes Moreira e aplaude ao fim da música. O artista agradece e volta à sua mesa.

Idiota da Objetividade: - Depois daquilo tudo, daquela total falta de espírito esportivo, até Mário Vianna, com dois enes, o árbitro brasileiro na Copa, se envolveu. Ele acusou o juiz inglês Arthur Ellis de estar comprado e a Fifa, de ser uma camarilha de ladrões.

Garçom: - Desde aquela época? Não sei como era, mas hoje tem ex-dirigentes da Fifa afastados e até presos.

Ceguinho Torcedor: - Mário Vianna arrancou o distintivo da Fifa do peito e o queimou.

Idiota da Objetividade: - Acabou sendo expulso do quadro da Fifa depois disso.

João Sem Medo: - Trabalhei com ele muitos anos na Rádio Globo.

Idiota da Objetividade: - Mário Vianna encerrou sua carreira de árbitro em 1957. Foi técnico do Palmeiras, mas acumulou oito derrotas em 14 jogos e acabou saindo do clube paulista. Temperamental e polêmico, ele foi comentarista de arbitragem na Rádio Guanabara na década de 60 e da Rádio Globo por mais de 20 anos, entre as décadas de 70 e 80.

Garçom: - Ah, me lembro muito bem dele. (canta a vinheta do comentarista na Rádio Globo) “Mário Viaaaaanna”, com dois enes.

Mario Vianna, que chegara naquele momento ao bar, ao ouvir sua vinheta na voz de Zé Ary, entra com seu vozeirão.

Mario Vianna: - “Gooooooooool legaaaaaaal”.

Risada geral.

Garçom: - Que prazer, seu Mario Vianna. O senhor chegou na hora certa.haha

Mario Vianna: - O prazer é todo meu.

Garçom: - O senhor tinha outros bordões famosos... Quando o árbitro cometia um erro, como era?

Mario Vianna: - “Eeeeeeeeeeerrooooou”! Cadê o eco? “Eeeeeeeeeeerrooooou”.

Garçom: - Tinha também “pênalti que não é, não entra”. Hahahaha .

Mario Vianna (rindo): - Também, também.

João Sem Medo: - Zé Ary tá com o gogó afiado. Dá um abraço aqui, Mario!

Os dois se abraçam e Mário Vianna cumprimenta Ceguinho Torcedor, Idiota da Objetividade e Sobrenatural de Almeida, que brinca com o ex-árbitro.

Sobrenatural de Almeida: - Você era assombroso, Mário. Assombroooooosoooooo!

Os dois caem na gargalhada. Mário Vianna segue então em direção à sua mesa. João Sem Medo retoma  pelota.

João Sem Medo: - A derrota de 50 gerou uma pressão imensa da imprensa e dos torcedores para que o time brasileiro deixasse de ser frouxo. Havia quase uma unanimidade...

Ceguinho Torcedor: - Toda unanimidade é burra!

João Sem Medo: - Pois é, Ceguinho, acredito que aquilo acabou mexendo com a cabeça dos jogadores. Até o uniforme mudaram pro Mundial na Suíça.

Idiota da Objetividade: - A seleção jogou até a Copa de 1950 com camisas brancas, calções azuis e meiões brancos.

João Sem Medo: - Aí juntaram a pressão com a superstição. Disseram que além de um time frouxo, tínhamos um uniforme que dava azar.

Sobrenatural de Almeida: - Ora essa! Isso é assombroso, assomborso. Hahaha

Garçom: - Seu Almeida, peço licença, mas assombrosa mesmo é a qualidade das músicas brasileiras que falam do futebol. Vamos ouvir no som o grande CarlinhosVergueiro num samba que fala de juiz, camisa, muito do que foi conversado aqui. Vamos lá, “Camisa Molhada”, de Toquinho e Carlinhos Vergueiro.

Fim do Capítulo #42

Episódio originalmente publicado em 16 de novembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 18 de dezembro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A GRANDE LIÇÃO DE FILIPE LUÍS

A grande lição de Filipe Luís

Filipe Luís, técnico do Flamengo, durante a Copa Intercontinental, no Catar. Foto: Getty Images

O jovem e já muito vitorioso técnico do Flamengo, Filipe Luís, vem sendo exaltado  com todos os motivos do mundo por torcedores e jornalistas pelas taças que ele tem ajudado muito o time rubro-negro a ganhar (claro, há os chatos e sem noção que ficam pedindo a cabeça do técnico a qualquer mau resultado, mas faz parte da cegueira da paixão que o futebol muitas vezes traz). Embora ele ainda cometa algumas falhas, o que é normalíssimo em se tratando de um treinador que está há pouco mais de um ano no comando do time principal, eu também estou muito satisfeito. Claro, como quem me conhece ou lê este blog sabe muito bem para qual time torço.

No entanto, no meu modo de entender, a maior lição que Filipe Luís deixa a todos, não só os envolvidos com o futebol é que a Educação compensa. Em um país em que até presidentes e políticos das mais variadas (des)orientações se vangloriaram e se vangloriam de que não precisaram estudar para terem chegado onde chegaram, o técnico do Flamengo deixa o recado importantíssimo, principalmente aos mais jovens.

Veja também:
Filipe Luís, nem besta, nem bestial
Ética no futebol

E não só o fato de dedicar horas e mais horas a estudar os adversários e o seu próprio time, a responsabilidade de liderar 40, 50 cabeças ou mais, das mais diversas culturas e vivências, é a Educação em lidar com o outro, com o adversário, jornalistas, funcionários etc. Filipe Luís trata a todos com muita Educação e valoriza a educação esportiva, pois sabe reconhecer os méritos dos adversários até mesmo quando vence e não fica dando chiliques e pressionando a arbitragem durante os jogos.

É portanto um jovem treinador brasileiro dando a lição em muitos dos seus colegas mais velhos, que em vez de estudarem e se atualizarem voltam-se contra técnicos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro. Alguns deles (nem todos, claro) importantíssimos para, justamente elevar o sarrafo e forçar nossos treinadores a melhorarem cada vez mais.

Outro jovem técnico em destaque 

Para completar, logo após a vitória sobre o Ceará, que garantiu o título brasileiro deste ano ao Flamengo, Filipe Luís elegeu Rafael Guanaes o melhor técnico da competição. Humildade, além de tudo, ele tem. Afinal, mesmo com todos os méritos do treinador campeão, o que o também jovem Guanaes fez com o Mirassol, ao levar a pequena equipe do interior de São Paulo ao quarto lugar na sua primeira participação na elite do futebol brasileiro e à consequente classificação para a fase de grupos da Taça Libertadores pode entrar no rol dos milagres futebolísticos. 

E Guanaes, pelo pouco que vi, li e ouvi, é outro que valoriza o estudo, a Educação. Que, neste mundo com tantos péssimos exemplos no comando de nações, inclusive, os técnicos de Flamengo e Mirassol sirvam de exemplo, referência. 

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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

NAU POESIA: UM MUNDO INTEIRO SEM CABER EM MIM

Nau Poesia: Um mundo inteiro sem caber em mim

A Lô Borgesin memoriam

Passeio no passado
Flutuo no futuro
Piso no presente 

E lá vou eu novamente
Em busca do meu lugar no mundo
Como, se há tanto, um mundo inteiro
Aqui dentro sem caber em mim?

Tantas terras, tanta gente,
Tantos cantos, tantas palavras,
Tantos momentos, tantos instantes,
Ecos, reflexos, reflexões, criações
Pensamentos, sentimentos, sensações,
Alegrias, emoções, consternações,
Conquistas, erros, erros, erros...
E a eterna vontade de acertar,
A vibrante inquietude
de ver florescer
Tudo, tudo, tudo o que foi
Pacientemente, diariamente,
Semeado.
E tudo, tudo, tudo o que ainda
Falta semear.

Passeio no passado
Flutuo no futuro
Piso no presente 

Ilustração produzida com o auxílio do GPT Image (IA)

Um pouco mais sobre isso tudo acima

Toda vez que ocorre uma mudança importante em minha vida palavras, versos, frases, versões brotam dos meus pensentimentos. Não só nestes momentos, claro, mas invariavelmente neles. E agora que deixamos, eu e minha mulher, Florianópolis - como moradia - no passado e estamos em Jundiaí (SP) com esperança de novos tempos, novas oportunidades, "novos olhares que nos façam sorrir" (muito grato, mestre Paulinho da Viola), compus em duas etapas "Um mundo inteiro sem caber em mim", que você que aqui chegou provavelmente leu.

E, como a tecnologia em que venho mergulhando já há um ano me permite, aproveitei para pedir ao Suno que me trouxesse música aos versos acima. Pensei depois em trocar "piso" por "finco pé" no presente, mas deixei como originalmente surgiu-me. 

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Nau Poesia: Às obviedades da objetividade
Nau Poesia: Novos rumos, novos tempos

Creio que a interpretação de leitoras e leitores não será a de pisotear, mas ao lançar ao mundo o que escreve o poeta sabe que cada leitura traz uma nova cor, uma nova mensagem, novas interpretações de acordo com a vivência de quem lê e de alguma forma se apropria da obra. Desapego e lanço assim ao mundo. Mesmo que este mundo seja formado por apenas meia dúzia de pessoas.

Saudações a você e a tudo de maravilhoso que o Universo nos traz diariamente. E que os maus espíritos e maus pressen e pensentimentos não ganhem vida. Obrigado a Floripa e a todos os amigos e amigas que lá deixei e que reverei, alguns muitas vezes mais, pois se assim desejarmos. 

A homenagem

A partida de Lô Borges me deixou muito triste. Suas músicas, especialmente as do Clube da Esquina fazem parte da trilha sonora da minha vida e continuarão até o fim. Tenho sangue mineiro, isso explica muita coisa. 

Inclusive o pedido à plataforma de IA para que fizesse uma música para esta poesia que criei em duas partes há poucas semanas com estilo da música das Minas Gerais, com pitadas de rock e música clássica, o que neste caso específico entendo que foi completamente ignorada. Sem problemas, o resultado me agradou e me emocionou muito.

E a você? Ouça e veja o vídeo abaixo ou no meu canal do YouTube como ficou a música e comente, siga o blog. Agradeço.   


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Música pra Viagem: Children's Cruzade
Nau Poesia: Nada mais

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #41

Uma coisa jogada com música - Capítulo #41

Brasil x Hungria, na Copa de 54: Castilho salta para defender a bola, acossado por Czibor. Os brasileiros Pinheiro (de bigode), Djalma Santos (2) e Bauer acompanham o lance. Foto: CBF

O heavy metal fez uma parte do público curtir e balançar cabeça no bar Além da Imaginação. Porém, outra parte se dispersou, foi ao banheiro, pegar um ar do lado de fora. Ceguinho Torcedor, então, deu como se fosse um passo, um passe pra trás, recuando um pouco com a intenção de o jogo abrir novamente.

Ceguinho Torcedor: - Aquele Santos era o maior do mundo, muito melhor que o escrete húngaro do Armando Nogueira!

João Sem Medo: - O escrete húngaro de 54 era espetacular, mas não era imbatível, Ceguinho. Tanto que perdeu, de virada, a final da Copa pra Alemanha Ocidental.

Idiota da Objetividade: - Os húngaros eram os campeões olímpicos e chegaram à final sem saber o que era derrota há mais de quatro anos, num total de 31 jogos invictos. Em novembro de 53, golearam por 6 a 3 os ingleses em Wembley, onde os donos da casa não eram derrotados por uma seleção não-britânica desde 1901. Este é chamado de O Jogo do Século, eleito pela Fifa como um dos mais sensacionais de todos os tempos. Na revanche pedida pelos ingleses, menos de um mês antes da Copa de 54, os húngaros fizeram ainda melhor, venceram por 7 a 1, em Budapeste. Esta é a pior derrota da história do futebol inglês até hoje.

Garçom: - Esse negócio de 7 a 1 eu não gosto muito, não.

Alguns riem, outros fazem cara feia.

Idiota da Objetividade: - Já no Mundial da Suíça, massacraram os alemães ocidentais na primeira fase, com uma vitória de 8 a 3.

Sobrenatural de Almeida: - Não estive na Suíça, mas foi assombroso. Deve ter sido algum parente distante meu que tirou aquele título da Hungria.

Ceguinho Torcedor: - Os húngaros eram favoritíssimos e abriram 2 a 0 no início da grande final.

Idiota da Objetividade: - Acabaram derrotados por 3 a 2. Mas teve um gol de Púskas invalidado no fim da partida que gerou muita discussão.

Sobrenatural de Almeida: - Foi um parente distante na Suíça, só pode.

Garçom: - O Brasil perdeu da Hungria naquela Copa, não foi?

Ceguinho Torcedor: - Perdemos. E por quê? Pela superioridade técnica dos adversários? Absolutamente. Para nós brasileiros, o futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas puramente emocionais. Em técnica, brilho, agilidade mental, somos imbatíveis. Antes do jogo com os húngaros, estávamos derrotados emocionalmente. Fomos derrotados por uma dessas tremedeiras obtusas, irracionais e gratuitas. E não era uma pane individual: era um afogamento coletivo. Naufragaram, ali, os jogadores, os torcedores, o chefe da delegação, o técnico, o massagista. Mas quem perde e ganha as partidas é a alma. Foi nossa alma que ruiu face à Hungria, foi a nossa alma que ruiu face ao Uruguai, em 50. Um Freud seria muito mais eficaz na boca do túnel do que um Flávio Costa, um Zezé Moreira, um Martim Francisco. Só um Freud explicaria a derrota do Brasil frente à Hungria, do Brasil frente ao Uruguai e, em suma, qualquer derrota do homem brasileiro no futebol ou fora dele.

Sobrenatural de Almeida: - Os psicólogos e as psicólogas já estão no futebol tem tempo, Ceguinho.

João Sem Medo: - Agora não tem mais desculpa. Se bem que tem uma turma de palestrantes motivacionais...

Garçom: - Melhor deixar quieto, seu João.

João Sem Medo: - É. Não compro mais briga por tão pouco.

Idiota da Objetividade: - A Hungria, sem Púskas, porque estava machucado, mas com Hidegkuti, Kocsis e outros grandes craques, eliminou a seleção brasileira nas quartas-de-final, com uma vitória de 4 a 2. Foi uma partida muito tumultuada e teve confusão no fim.

João Sem Medo: - Tínhamos grandes jogadores também, como Djalma Santos, Nilton Santos, Didi, Pinga, Julinho Botelho, mas a seleção não estava bem preparada.

Músico: - Seu João, desculpe interromper, mas antes daquela Copa, os paulistas, especialmente os corintianos, levavam muita fé no Baltazar, o Cabecinha deOuro...

Idiota da Objetividade: - Baltazar foi o autor do primeiro gol do Brasil naquele Mundial, na goleada de 5 a 0 sobre o México. Mas depois de enfrentar a Iugoslávia, ficou fora da partida contra a Hungria.

Músico: - Mas a esperança nos gols dele pela seleção eram tão grandes que o compositor e radialista Alfredo Borba, autor da música “Gol de Baltazar”, gravada por ElzaLaranjeira em 1953, em homenagem ao artilheiro do Corinthians, com citação a vários de seus companheiros, fez uma adaptação da música para a Copa de 54 e pôs o título de “Gol do Brasil”.

Garçom: - Por isso, vamos chamar a cantora Elza Laranjeira ao palco pra cantar esta versão pra gente, juntamente com o narrador Geraldo José de Almeida.

Elza e Geraldo se dirigem ao palco e chamam Baltazar pra ir com eles. Os três são muito aplaudidos.

Elza Laranjeira: - Muito obrigado. Foi uma honra muito grande gravar as duas versões desta música em homenagem ao grande artilheiro Baltazar.

Geraldo José de Almeida: - E de minha parte, um prazer enorme fazer a locução de um gol deste grande artilheiro pela seleção brasileira, mesmo sendo uma criação do Alfredo Borba, que ali está e gostaria que viesse ao palco também, por favor.

Alfredo Borba atende o chamado de Geraldo José de Almeida e também é muito aplaudido pelo público.

Baltazar: - Agradeço muito a Elza, ao Geraldo, ao Alfredo Borba e a todos vocês pela emocionante homenagem.


Todos aplaudem a apresentação de Elza e a bola volta ao João Sem Medo.

João Sem Medo: - A festa e a alegria aqui são muito bem-vindas, mas em 54, na Suíça, os dirigentes, o técnico Zezé Moreira e os jogadores não conheciam sequer o regulamento.

Idiota da Objetividade: - Depois de passar pela primeira vez por eliminatórias, com quatro vitórias em quatro partidas, contra Paraguai e Peru, a delegação brasileira também foi pela primeira vez de avião para uma Copa do Mundo. Na estreia, como já dissemos, a seleção venceu o México, por 5 a 0, na estreia na Copa de 54. Em seguida, enfrentou a Iugoslávia com ambas as equipes necessitando apenas de um empate para se classificarem.

João Sem Medo: - Um regulamento esdrúxulo, mas que os brasileiros tinham obrigação de conhecer.

Idiota da Objetividade: - Eram dois cabeças de chave por grupo e ambos não se enfrentavam; as outras duas seleções também não se confrontavam. No Grupo 1, o do Brasil, a França era a outra cabeça de chave. Como a seleção brasileira derrotou o México, e a Iugoslávia venceu a França,por 1 a 0, o empate classificava as duas equipes para as quartas-de-final.

João Sem Medo: - O regulamento ainda previa uma prorrogação, sabe-se lá por quê. O jogo estava 1 a 1, o time do Brasil se esforçando ao máximo pra tentar a vitória, enquanto os iugoslavos jogavam tranquilos, os brasileiros se desesperavam em campo achando que teriam de fazer um jogo extra três dias depois. Ninguém na delegação brasileira conhecia o regulamento da Copa. Enquanto ainda estávamos surpresos com a classificação, os iugoslavos bebemoraram e dançaram à vontade depois do jogo, no hotel em que estavam hospedados.

Idiota da Objetividade: - Os brasileiros só ficaram sabendo que a seleção estava classificada pelos repórteres que foram ao vestiário após o jogo. Ainda assim dirigentes foram atrás do árbitro da partida e o representante da Fifa para confirmarem a informação.

João Sem Medo: - Os dois ficaram horrorizados com o desconhecimento do regulamento por parte dos brasileiros. Isso mostra bem como estávamos na Suíça.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

Garçom: - O futebol brasileiro não foi bem na Suíça, mas não deixou de ter a alegria da tabelinha entre música e futebol naquele ano de 1954. Vamos ouvir, então, “O rei da bola”, de Luiz Antonio e Sebastião Nunes, na voz de Marly Sorel.

Fim do Capítulo #41

Episódio originalmente publicado em 9 de novembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 22 de outubro de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país.
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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #42

Uma coisa jogada com música - Capítulo #41 Mario Vianna , entre o capitão suíço ...

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