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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A GRANDE LIÇÃO DE FILIPE LUÍS

A grande lição de Filipe Luís

Filipe Luís, técnico do Flamengo, durante a Copa Intercontinental, no Catar. Foto: Getty Images

O jovem e já muito vitorioso técnico do Flamengo, Filipe Luís, vem sendo exaltado  com todos os motivos do mundo por torcedores e jornalistas pelas taças que ele tem ajudado muito o time rubro-negro a ganhar (claro, há os chatos e sem noção que ficam pedindo a cabeça do técnico a qualquer mau resultado, mas faz parte da cegueira da paixão que o futebol muitas vezes traz). Embora ele ainda cometa algumas falhas, o que é normalíssimo em se tratando de um treinador que está há pouco mais de um ano no comando do time principal, eu também estou muito satisfeito. Claro, como quem me conhece ou lê este blog sabe muito bem para qual time torço.

No entanto, no meu modo de entender, a maior lição que Filipe Luís deixa a todos, não só os envolvidos com o futebol é que a Educação compensa. Em um país em que até presidentes e políticos das mais variadas (des)orientações se vangloriaram e se vangloriam de que não precisaram estudar para terem chegado onde chegaram, o técnico do Flamengo deixa o recado importantíssimo, principalmente aos mais jovens.

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Filipe Luís, nem besta, nem bestial
Ética no futebol

E não só o fato de dedicar horas e mais horas a estudar os adversários e o seu próprio time, a responsabilidade de liderar 40, 50 cabeças ou mais, das mais diversas culturas e vivências, é a Educação em lidar com o outro, com o adversário, jornalistas, funcionários etc. Filipe Luís trata a todos com muita Educação e valoriza a educação esportiva, pois sabe reconhecer os méritos dos adversários até mesmo quando vence e não fica dando chiliques e pressionando a arbitragem durante os jogos.

É portanto um jovem treinador brasileiro dando a lição em muitos dos seus colegas mais velhos, que em vez de estudarem e se atualizarem voltam-se contra técnicos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro. Alguns deles (nem todos, claro) importantíssimos para, justamente elevar o sarrafo e forçar nossos treinadores a melhorarem cada vez mais.

Outro jovem técnico em destaque 

Para completar, logo após a vitória sobre o Ceará, que garantiu o título brasileiro deste ano ao Flamengo, Filipe Luís elegeu Rafael Guanaes o melhor técnico da competição. Humildade, além de tudo, ele tem. Afinal, mesmo com todos os méritos do treinador campeão, o que o também jovem Guanaes fez com o Mirassol, ao levar a pequena equipe do interior de São Paulo ao quarto lugar na sua primeira participação na elite do futebol brasileiro e à consequente classificação para a fase de grupos da Taça Libertadores pode entrar no rol dos milagres futebolísticos. 

E Guanaes, pelo pouco que vi, li e ouvi, é outro que valoriza o estudo, a Educação. Que, neste mundo com tantos péssimos exemplos no comando de nações, inclusive, os técnicos de Flamengo e Mirassol sirvam de exemplo, referência. 

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quinta-feira, 1 de maio de 2025

GLOBOESPORTE.COM 20 ANOS, EU ESTIVE LÁ

Título da Postagem

Logo da campanha dos 20 anos do ge.com

Como vi ex-companheiros de trabalho fazendo relatos nas redes sociais sobre as suas experiências nestes recém-completados 20 anos do Globoesporte.com (atual ge.com), resolvi contar no LinkedIn e também aqui um pouco dos 6 anos e meio que passei por lá, entre novembro de 2006 e abril de 2013. Cheguei com contrato terceirizado para ser o primeiro a trabalhar diariamente na madrugada do site (de meia-noite às 8h), com a enorme responsabilidade de cuidar dele sozinho, de 1h, quando todos quase sempre já haviam ido embora, às 7h, quando começavam a chegar os primeiros colegas.

Em fevereiro de 2007, fui contratado em definitivo, o que foi uma grande felicidade, pois várias vezes as tentativas de lado a lado haviam sido frustradas por motivos variados, desde a época em que eu trabalhava em O Globo Online, e o Globoesporte.com era apenas um embrião do que se tornaria, na Copa do Mundo de 1998.

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Naquele período em que estive na madruga, teve o Pan de 2007, as Olimpíadas de 2008 e a Copa de 2010, sendo que nestes dois últimos eventos ganhei a companhia de uma equipe, à qual me integrei no Rio de Janeiro. Em 2010, após a Copa da África do Sul, pedi para trabalhar em um horário "normal" e fui prontamente atendido, ao que agradeço muito, principalmente a Gustavo Poli, Daniel Lessa, vulgo Cabelada, e Marcio Moreira, o Cabelo. Além dos companheiros no Rio, não posso me esquecer dos grandes profissionais de outros estados que me ajudaram muito, principalmente os de São Paulo, casos de Zé Gonzalez Joanna de Assis e Julyana Travaglia, por exemplo.

Fui substituído na madruga pelo meu xará e já amigo naquela época Eduardo Santos. No horário de 16h às 24h tive o prazer de trabalhar mais diretamente com pessoas que só encontrava rapidamente à noite ou de manhã. E vi grandes talentos que despontam hoje na TV Globo, no próprio site e em outros veículos darem os seus primeiros passos ali, casos de Richard Souza e Cahê Mota. Também pude voltar a trabalhar diretamente com meu amigo, irmão de consideração e compadre Bruno Lobo.

Trabalhar na madruga não foi fácil, minha vida de viúvo com 3 filhos adolescentes ficou de cabeça pra baixo por 4 anos, mas foi, com acertos e erros, uma grande experiência profissional e pessoal também, pela qual agradeço muito sempre às pessoas que muito me ajudaram, principalmente minha mãe e minha namorada na época, hoje esposa, Denise. Em 2012 recebi uma proposta, tentei conciliar dois trabalhos, mas acabei decidindo assumir de vez outra paixão minha, como sócio-diretor de uma empresa da área cultural e artística, e pedi demissão do Globoesporte.com com o coração na mão.

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Foi lá o local em que trabalhei por mais tempo em toda a minha carreira de jornalista, iniciada em 1988, superando a passagem pela Agência O Globo e O Globo Online (1995/2000). O Globoesporte.com foi também um período riquíssimo de minha carreira de jornalista, que acabou se tornando a última oportunidade que tive de trabalhar numa redação jornalística, o que fazia desde o fim dos anos 80. Curiosamente outro dia me bateu saudades do trabalho em redações, onde sempre quis mais trabalhar, do que nas ruas, como a maioria dos jornalistas prefere.

Matérias inesquecíveis

Para terminar este relato, relembro aqui duas matérias que me deram imenso prazer de fazer, já no período da tarde e pelas quais tenho de agradecer ao amigo Márcio Mará, que as revisou e editou: uma pro centenário do Fla-Flu, em junho de 2012 (clique aqui pra ler) , e outra, em setembro do mesmo ano, uma entrevista por telefone com o grande Mauricio de Sousa , sobre o jogo da vida dele (clique aqui).

Print de trecho da entrevista com Mauricio de Sousa no Globoesporte.com

Parabéns ao globoesporte.com, muito obrigado a todos que me ajudaram direta ou indiretamente lá, muitos que já saíram e alguns que ainda estão tocando brilhantemente aquela bola já há alguns anos em um lugar diferente do que trabalhei, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Peço só mil desculpas a quem não foi citado, mas que merecia, e não foram poucos.

E você, já passou por experiências profissionais que marcaram sua trajetória e deixaram saudades?

Compartilhe nos comentários um momento ou um aprendizado que te acompanhou ao longo da carreira. Agradeço.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

MEMÓRIAS AMARGAS DA INFLAÇÃO

Memórias amargas da inflação
O dragão da inflação brasileira, por Julos/Getty Images

Nos últimos meses, ir ao supermercado se tornou um programa repleto de novidades. Ruins. Muito ruins. Ou você encontra os preços de vários alimentos novamente reajustados, ou os produtos tiveram peso, tamanho ou quantidade reduzidos para se ajustar ao preço, numa canalhice mais antiga de parte do nosso empresariado do que muitos deles imaginam. Preste atenção quando voltar ao supermercado. E nem falei na troca de ingredientes para baratear o custo, mesmo a custo de prejudicar a qualidade dos produtos e a nossa saúde. É a chamada inflação invisível.

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O medo da inflação, que vem desde o desgoverno passado e encontra eco no atual (por enquanto, com o som bem alto), é algo que certamente acomete os que viveram os duríssimos dias dos anos 80, a chamada Década Perdida. Em 1989, a inflação anual chegou a estratosféricos 1.972,92%. E eu estava lá, naquele turbulento Planeta Século XX, já com meus 20 e poucos anos, sabendo pouco, mas já trabalhando, inclusive em supermercados, com maquininha na mão, trocando todos os dias os preços dos produtos que representava como promotor de vendas. Foram só 2 meses, mas que valeram por 20 e poucos anos de aborrecimentos e aprendizado.

Naquela época, a tática de reduzir peso, tamanho ou quantidade dos produtos foi a saída "jenial" de certos empresários para combater a inflação galopante, como se dizia naqueles tempos. Lembro muito bem que, só no que se refere a supérfluos, as barras de chocolates ficaram translúcidas; os vinis dos LPs, quase isso, e os álbuns eram vendidos com capas de papel dos mais vagabundos.

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Por outro lado, com o fracasso do Plano Cruzado e a disparada dos preços de leite e carne, em 1986 o então presidente da época passou a culpar os pecuaristas de estarem escondendo os bois no pasto. Muitas décadas depois, vimos um presidente também delegar culpas pelas suas incompetências e a alta dos preços a insubordinados, e outro, em seguida, a aconselhar o povo a não comprar produtos caros, mesmo que - isso ele não disse, mas deixou tanto implícito quanto explícito - sejam essenciais.

Promotor de vendas remarca preços do inseticida
SBP em um supermercado do Rio de Janeiro,
em 1993. Foto: Antônio Moura/Ag.O Globo
Posteriormente, com o confisco (eufemismo para roubo) do Plano Collor, a inflação foi a um lugar ainda mais alto e além: a impressionantes 2.477,15%, em 1993. No ano seguinte, após a cassação do falso Caçador de Marajás, veio a estabilização com o Plano Real, sob o governo de Itamar Franco, eleito como vice de Collor, então primeiro cassado da Nova República, para alguns anos depois ser novamente aclamado pelo povo que reclama muito, mas não muda nada.

É bom lembrarmos aqui - não tão bom assim dependendo de quem leia - que o partido do atual presidente, ele inclusive, combateu com todas as forças o plano que finalmente deu estabilidade a uma moeda no Brasil. Aliás, o anterior, quando deputado, também votou contra a medida provisória que deu origem ao Plano Real.

No entanto, apesar de ter enfrentado ao longo das últimas décadas crises econômicas, internas e externas, em alguns momentos com sucesso, em outros, muito pelo contrário, o país ainda consegue se manter num patamar de inflação bem longe daqueles dos anos 80 e início dos 90. Mas, volta e meia, as memórias amargas retornam ao imaginário popular. Mesmo a quem não viveu aqueles tempos de outrora, mas sabe que o mundo não começou no estonteantemente veloz Planeta Século XXI.

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E aí, está gostando mais dos conteúdos do blog ou dos preços dos alimentos no supermercado? Essa pergunta é muito fácil de responder, concorda? 

Brincadeiras à parte, agradeço muito pela sua visita, volte sempre.

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quarta-feira, 17 de abril de 2024

A MACONHA EM QUESTÃO

Antes de qualquer coisa esclareço: nunca fui usuário de maconha. No máximo inspirei indiretamente a fumaça de centenas em shows e de uns e outros em festinhas, nas quais algumas vezes o cigarro passou de passagem pelas minhas mãos sem nunca chegar à boca. Bebida alcóolica sim, praticamente todos os fins de semana, já há muitos anos.

Posto isso, vou direto à minha opinião sobre o tema, que tem servido para dividir ainda mais a já rachada sociedade moribunda e hipócrita brasileira: sou a favor da liberação da maconha. E por quê? Simples: se a bebida alcóolica é, por que a maconha, muito mais inofensiva a outrem, não seria?

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Explico-me: é muito, muito, muito mais fácil você ver ou se lembrar de alguém alcoolizado (e este alguém certamente é alguém bem próximo) ficar agressivo e até partir pra brigas sem que sequer tenha sido provocado. Já alguém que tenha fumado um baseado é bem possível que seja a vítima do alcoolizado ou um troglodita qualquer e nem levante um dedo sequer.

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Ambos, maconha e bebida alcóolica além dos limites são casos de Saúde pública e devem ser tratados como tal. Porém, no limite aceitável (e não há como estabelecer quantificação, como desejam legisladores e cidadãos comuns para definir o que é para uso pessoal e o que é para tráfico), o mal se refere apenas à Saúde particular e deve ser uma opção na qual o Estado não deve se meter. Até por permitir, no caso da bebida alcóolica, a sua livre comercialização, com restrição (quase nunca cumprida) a menores de 18 anos.

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E por falar em Saúde pública, está mais do que comprovado que a planta cannabis sativa, agente da maconha, pode ser uma importante medicação no tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson, dor crônica e problemas de saúde mental. E o canabidiol ainda é atacado como se maconha fosse.

Deixemos, portanto, as hipocrisias e as gritarias bem de lado, e vamos adiante para o próximo tema bem mais importante para a nossa sociedade, que anda nas últimas e provavelmente ainda vai votar muito mal mais uma vez, no fim deste ano.

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segunda-feira, 9 de outubro de 2023

MÚSICA PRA VIAGEM: THIS MASQUERADE

Não vi absolutamente nada em lugar algum, o que não quer dizer que ninguém tenha se lembrado, mas em fevereiro deste ano completou-se 40 anos da despedida deste mundo de Karen Carpenter, uma das mais belas vozes da História da Música. Descobri isso no sábado ao selecionar músicas dos Carpenters num desses serviços de streaming para ouvir com minha mulher e ela decidir pesquisar quando Karen havia falecido.

Karen Carpenter. Foto: Getty Images

A cantora, compositora e baterista (sim, ótima baterista também!) faleceu de anorexia um mês antes de completar 33 anos de idade, mas deixou aos corações apaixonados e partidos de minha geração e outras tantas anteriores e posteriores uma legião gigantesca de fãs. Prefiro, no entanto, não me prender ao romantismo de letras e músicas, mas me reportar especialmente à grande sensibilidade, beleza e técnica da cantora.

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Música pra viagem: Pegando leve
Música pra viagem: Feeling good

A facilidade com que Karen sai (sim, sai, sua voz permanece viva, muito viva) do agudo para o grave e vice-versa não só traz admiração pela facilidade, quase sem esforço algum, como pela elegância. Por isso, optei aqui por "This masquerade", de Leon Russell (e pelo mesmo motivo poderia ter escolhido "A song for you", do mesmo compositor e tecladista), em vez de seus maiores sucessos "Please, Mr. Postman", "Close to you", "I need to be in love", "We've only just began", "Rainy days and mondays", entre outros que embalaram nos anos 70 as festinhas da minha infância e pré-adolescência na Rua Canavieiras, Grajaú, zona norte do Rio de Janeiro.

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Portanto, sugiro a você que vai ouvir "This masquerade" aqui comigo, nesta versão espetacular dos Carpenters - pois não podemos nos esquecer de Richard, o ótimo pianista irmão de Karen -, com acompanhamento luxuoso da Royal Philarmonic Orchestra, preste muita atenção ao canto, à voz de Karen passeando com charme e formosura por seus ouvidos. Um encanto infinito que merece ser recordado para sempre. 



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Uma coisa jogada com música - Capítulo 1

quarta-feira, 14 de junho de 2023

EM MEMÓRIA DE SIMON ÂNGELO BERTOLOTO

Em memória de Simon Ângelo Bertoloto

Se há alguém aí do outro lado do texto, certamente estará se perguntando: quem é Simon Ângelo Bertoloto? Um morador de rua, respondo. Foi, pois como fiquei sabendo ontem no perfil do Instagram de um deputado estadual em quem voto desde que cheguei a Florianópolis há 4 anos, Simon faleceu de hipotermia na segunda-feira, dia 12. Tinha entrado na rede social para desativá-la, assim como fiz com outras, e recebi de cara a chocante notícia que não pude ignorar, de jeito algum.

Ele vivia à porta do Johrei Center do Centro da cidade, na Rua General Bittencourt, e depois de o cumprimentar algumas vezes, assim como a outros que ali ficavam, numa segunda-feira há um mês e meio ou mais (o tempo veloz, furioso, fugidio me deixa cada vez mais perdido), Simon me pediu que orasse por ele. Eu respondi que faria isso sempre, entrei e cumpri a partir de então. Ali e em casa.

Primeiramente ofereci um Johrei. Aceitou, então fiz a oração com e para ele ali mesmo onde dormia e passava, creio, o dia inteiro. Conversamos um pouco e ele me disse que era de Santa Rosa (RS). Sabendo que era gaúcho e, como vestia uma camisa de manga comprida azul, brinquei dizendo que ele devia ser gremista, mas respondeu que não, era torcedor do Internacional. Quando o informei de que eu também não era daqui (de Santa Catarina), mas que agora, há 4 anos, passara a ser, ele me surpreendeu com um sorriso da mais pura alegria e estendeu a sua mão direita em direção a que eu ministrava o Johrei. Deu pra sentir sua mão grossa, da roça e ou da rua.

Quando encerramos, voltei a entrar e, quando saí para ir embora, ele me pediu algo para comer e comprei uma quentinha e um suco para matar um pouco a sua fome. Pedi em troca que mantivesse o local em que vivia o mais limpo possível e, imediatamente, foi para o outro lado da rua comer o seu almoço. Uma semana depois voltei ao Johrei Center com um casaco e uma camisa do Inter para lhe dar, pois havia pedido roupas também. Quase me esqueci, já estava no ponto do ônibus quando me lembrei. Voltei em casa para pegar os presentes, pois de alguma forma sabia que não teria outra chance de encontrá-lo, o que se confirmaria. 

Esquecido que havia me falado que era torcedor do Colorado, ao receber a camisa pareceu querer me dizer: "como você sabe o meu time?". Agradeceu as vestimentas e, posteriormente, vi que as vestiu logo. Na saída, eu me despedi e ele, sentado no chão de sempre, encostado na parede, me pediu algo para comer, mas recusei: "Vou ficar lhe devendo esta, desta vez". Ele me olhou com uma expressão triste, baixou a cabeça e é a imagem dele que não gostaria de ter em minha memória. É também uma infeliz ironia saber que lhe dei um casaco e tenha falecido de hipotermia.

Talvez este texto fique aqui esquecido e seja um símbolo do que foi Simon e tantos, tantos, tantos outros que vivem nas ruas e são desprezados ou feitos para uso político. Anônimos, sem título de eleitor, sem documentos, sem identidade, sujos, famintos, drogados, bêbados, porém, de acordo com as circunstâncias, úteis ou inúteis para oportunistas egocêntricos indiferentes.

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Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
A necessidade do desejo
O caminhante
Rima

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A CORRIDA DA MORTE NO "JORNALISMO"

Foto originalmente publicada no site "Brasil Escola", do UOL

Para começar e não deixar qualquer sombra de dúvida com relação à minha posição: o Jornalismo é fundamental. Ainda mais nos dias de hoje, neste país. Não fosse o Jornalismo (assim, com letra maiúscula), a boiada inteira já haveria passado com madeira ilegal no lombo, os equinos do poder estariam ainda mais despudorados e a cloroquina com agrotóxicos proibidos em várias partes do mundo estariam nas refeições diárias de quase todo brasileiro.

Paulo Gustavo
Dito isso, vamos ao que me trouxe aqui: a antecipação da morte de Paulo Gustavo publicada em alguns sites na tarde da última terça-feira (04/05). A sanha de querer ser o primeiro a dar uma informação, mesmo que segundos antes de um concorrente, nas ávidas mãos de maus jornalistas ou pseudojornalistas não respeita nada, nem ninguém, só a sua própria vaidade. Furo jornalístico neste caso não existe, ainda mais sabendo-se que a notícia da morte de alguém tão famoso como o comediante, já com sua saúde em estado muito grave, correria com a velocidade da luz. E foi o que ocorreu em alguns veículos, só que na hora errada.

O debate - importantíssimo - sobre este fato, começou num grupo do whatsapp do qual participo ainda no fim da tarde de terça, horas antes do falecimento de Paulo Gustavo, porque já se confirmara a barriga (como no meio jornalístico se chamam, ou se chamavam, as falsas notícias publicadas por erro de apuração. fake news é outra coisa, crime inclusive). Em virtude disso, lá mesmo, um dia depois, contei duas histórias que vivenciei de formas diferentes com o objetivo de ilustrar o debate.

Zuenir Ventura
Comecei pela mais recente, embora já tenha mais de 20 anos isso. Eu trabalhava no Globo Online, nos primeiros anos de internet no Brasil (segunda metade dos anos 90), quando alguém disse que a Agência Estado estava noticiando a morte de Zuenir Ventura. Acho que foi em 1998 ou 99 isso. Houve um corre-corre natural, acredito que na redação do jornal também tenha ocorrido, mas naquela época estávamos em outro prédio e não deu para ver, saber. Mauro Ventura, creio que na época colunista do Jornal do Brasil, ficou desesperado, até porque não conseguia falar com o pai. Tinha estado no mesmo dia com ele num debate, palestra ou seminário e depois cada um seguira seu rumo. Ressalte-se que celulares naqueles tempos eram aqueles tijolões que nem tantos possuíam e nem sei se o Zuenir tinha, acho que não.

No fim, soube-se que o (ou a) repórter que deu a "notícia", confirmou a informação que recebera de alguém com a empregada da casa do Zuenir. Nem sei se existia essa empregada, se ele (ou ela) ligou para o número certo (muitas vezes liga-se para um e cai em outro, até hoje, com toda tecnologia existente), nem sei como foi a abordagem. Só sei que na pressa (não confundir com velocidade), no afã de dar o furo, deu-se uma barrigada estrondosa. Zuenir continua vivão, na ativa e completa 90 anos em 1º de junho.

Renato Russo
A outra foi sobre a morte do Renato Russo, em outubro de 1996. Quem primeiro deu a notícia foi a Agência O Globo, onde eu trabalhava desde janeiro de 95. Minha amiga Valéria Rehder foi a  responsável pelo furo jornalístico. Eu e ela éramos os primeiros a chegar de manhã à Agência, às 7h, num tempo de transição que chamo de Era da Pré-Internet, quando o noticiário em tempo real da agência, 99,9% de Economia e Política, funcionava de 9h às 17h (o mesmo do mercado financeiro) e só era recebido por quem adquirisse o pacote da Agência. O assinante tinha direito a um computador específico para poder ter acesso às informações em tempo real. 

Pois bem, Valéria recebeu um telefonema bem cedo de algum amigo ou amiga em comum dela e da família do Renato Russo com a notícia de que o cantor e compositor da Legião Urbana falecera. Era fonte fidedigna, não tinha erro, mas ela não abriu a agência antes do horário (como ocorria quando acontecia algo extraordinário) enquanto não conseguiu o telefone da casa do Renato Russo ou de algum familiar e confirmou a informação dada por uma pessoa identificada da família. Ainda assim, mesmo eu dizendo que ela não devia temer nada, pois tinha feito tudo corretamente, ainda nervosa, abriu a agência antes do horário regulamentar, como mandava o protocolo, e publicou a notícia.

Mais nervosa ficou e eu também fiquei bem apreensivo quando avistamos Ali Kamel, então ocupante dos cargos mais altos do jornal, vindo como uma seta do outro lado da redação (a equipe da Agência O Globo ficava no fundo da antiga redação em L do jornal, na pequenina Rua Irineu Marinho 35, atrás das editorias Internacional e Segundo Caderno. Para quem conheceu, ficava no lado oposto ao da  lanchonete da redação). Naquele momento, alguns outros companheiros já haviam chegado para trabalhar. A cara do Ali era a mais séria possível e ele perguntou: "Quem deu a notícia da morte do Renato Russo?" Valéria se "acusou". Ele fez mais duas ou três perguntas de como tinha sabido e apurado. Ao ouvir as explicações, disse, mais seco que o mais árido dos sertões: "Parabéns!". Deu às costas e voltou para o seu aquário (as salas de vidro onde trabalhavam os peixões, ou seja, os editores).

Ressalto que o (ou a) repórter do Estadão, que nem sei quem foi, pode ter aprendido a lição e ao longo da carreira se recuperado do erro que cometeu. Inexperiência pode ser uma das causas. Porém, tudo isto - e muito mais - só prova que o Jornalismo não é, não pode ser, para qualquer um.

Veja também:
A melhor propaganda de todos os tempos
A propósito do jornalismo, o que tenho eu a dizer
O jornalismo em questão
A mídia bizarra
A midiotização

sábado, 5 de setembro de 2020

O CHOQUE DOS BURACOS NEGROS NO BRASIL

O Brasil atingiu um nível intelectual, moral e emocional de eleitores e eleitos tão baixo, mas tão baixo, que o país corre o sério risco de, tendo algo um pouquinho melhor daqui para frente, parecerá para alguns um grande avanço. Com patamares tão subterrâneos, nos termos de comparação não fica difícil conseguir algo menos ruim, mas é bom ressaltar que sempre pode piorar. Por exemplo, com a reeleição de quase todos os atuais "representantes do povo".

Isso tudo é fruto de investimento em massa por décadas e décadas em deseducação, algo muito sério e claramente agravado pelo atual desgoverno, repleto de imbecis e gananciosos de todos os naipes. Vai ser difícil sair deste buraco negro em que nos metemos. Aliás, o choque de dois buracos negros que assustou recentemente cientistas ocorreu na verdade aqui e tem um pouco mais de tempo: o que já havia sido formado ao longo das últimas muitas décadas e o que veio em 2018.

Veja também:
O ódio presente
Fábrica de ídolos
Beco sem saída
Folia de Reis

terça-feira, 7 de outubro de 2014

MÃE EXALTA O AMOR EM "O FILHO DE MIL HOMENS"

Valter Hugo Mãe
Com o amor ao próximo tão fora de moda é realmente uma felicidade ler um livro que o eleva ao patamar do qual jamais deveria deixar: o da máxima grandeza. Em seu "O filho de mil homens" (Cosac & Naify), o escritor Valter Hugo Mãe, nascido em Angola, mas que vive em Portugal desde a infância, proporciona aos anacrônicos, sonhadores, utópicos ou ingênuos voltarem a acreditar que o sentimento que nos torna além-humanos ainda está vivo, mesmo que numa ficção. Porém, como já escrevi algumas vezes há mais verdades nas ficções do que no noticiário do dia-a-dia, é mais que uma esperança, bate uma certeza de que os tempos, eles mudarão.

Com notória influência de José Saramago e Gabriel García Márquez, Mãe tece seus personagens individualmente, com ternura, para ir entrelaçando-os ao longo da trama, numa narrativa envolvente, acolhedora, embora a dor, a discriminação, a ignorância, a intolerância, a ganância estejam bem presentes para nos mostrar em contraponto a beleza dos opostos - ou do oposto - disso tudo. Com o pescador Crisóstomo à frente de todos, como um condutor do mais nobre sentimento, Mãe faz jus ao sobrenome e exalta o amor maior, o verdadeiro e gigantesco e puro amor em tempos de egoísmos extremos, em plena Era do Cinismo.

Veja também:

sábado, 1 de março de 2014

DO CAOS SÓ VIRÁ O CAOS

O movimento #naovaitercopa chega com atraso de anos e se mostra um gigantesco equívoco. Muito maior prejuízo do que os nossos conhecidos ladrões de gravata já nos causaram com seus estádios hiper-faturados o país teria se a Copa do Mundo não fosse realizada. Ao deixarmos que tudo chegasse a este ponto, não é mais hora de tentar impedir a realização do evento, ainda mais que já se sabe muito bem que os métodos serão os mais violentos e estúpidos possíveis, tanto de um lado, quanto do outro. 

Foto: Getty Images
A ocasião que se apresenta a aproximadamente cem dias do início da Copa do Mundo é uma excelente oportunidade para se mostrar ao próprio país e ao mundo – dentro e fora dos estádios – a imensa indignação com os gastos diários com supérfluos, a nossa (in)justiça, os extorsivos impostos sem retorno à população e o sucateamento ostensivo da Saúde e da Educação pública. Esta é a melhor chance também para a população que verdadeiramente estuda e trabalha para levar este lugar a se tornar um grande país - e não apenas um país grande - mostrar a sua gigante insatisfação com o povo que só quer fazer prevalecer seus desejos passando por cima de quem quer que esteja à sua frente ou montando nas costas daqueles.

É preciso pressionar sim, fortemente, os nossos políticos. Mas é bom que se saiba que eles representam fidedignamente o que somos como povo. E lá, no microcosmo dos palácios, câmaras, assembléias legislativas, senado e tribunais de (in)justiça o que vemos é mais corrupção e luta ferrenha por interesses individuais e de pequenos grupos, do que uma preocupação com a construção de um país decente. Por isso, só mudarão eles, se mudarmos nós. Protestar com ódio, quebrando tudo - e todos -, só fará o Brasil continuar a repetir seus históricos erros de violações e violências.


  Vídeo: "Ouro de tolo", de e com Raul Seixas.
Veja também:
O Brasil em chamas
Fábrica de ídolos
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
O outro ovo da serpente

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A MEMÓRIA VIVA DE MANDELA

Na África do Sul sob o cruel apartheid, Mandela ficou preso 27 anos lutando pela liberdade dos oprimidos, o povo negro de seu país, e também pela libertação dos opressores. Entendo o pensamento e as ações do grande líder que se foi ontem como uma verdadeira ode à paz, ao entendimento, à mudança de postura ofensiva e defensiva contra alguém, ao amor. Creio que Mandela defendia a libertação do ódio para ambos os lados: o injustificável do opressor, e o da vingança, do oprimido.

Nós, brasileiros miscigenados, que temos correndo em nossas veias tanto o sangue do senhor, quanto do escravo, como bem escreveu Darcy Ribeiro, precisamos muito aprender mais essa lição. Manter viva a memória deste e de outros tantos grandes homens que lutaram pela união (e não a padronização) de todas as etnias, culturas, religiões e nações é o dever nosso de cada dia. Mandela está e continuará vivo!
Vejam como são as invisíveis conexões neste mundo. Ontem à tarde, horas antes de saber da morte de Mandela, entrei num desses sites de streaming para ouvir o grupo chileno Illapu, que gosto muito e há anos não ouvia. Pois a primeira música a tocar foi exatamente esta acima, "Mande Mandela".
Veja também:
Los fragiles y los fuertes
Adiós, La Negra
Esmola oficial

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

UMA TARDE INESQUECÍVEL NA CIDADE DE DEUS

Retratada de forma ao mesmo tempo histórica e ficcional em livro de Paulo Lins que depois foi para as telas de cinema, a Cidade de Deus sempre teve a fama justificada de um dos lugares mais violentos do lado mais cruel do Rio de Janeiro. A coisa se acalmou um pouco nos últimos anos com a "pacificação" implementada pelo Governo do Estado, que por outro lado jamais se preocupou em dar sustentação ao projeto das UPPs com os mais fortes alicerces que crianças e jovens devem ter: a Saúde e a Educação. Como o Governo se  ausenta destes e de outros vários setores prioritários, a sociedade se movimenta para fazer a sua parte e a de quem deveria estar à frente de tudo. Assim, já há três anos, a Agência do Bem atua na Cidade de Deus com um pólo da Escola de Música e Cidadania, atendendo a 200 meninas e meninos.
Levado por um grande amigo (mais que amigo, irmão), tive a honra de conhecer o trabalho dessa organização da sociedade civil em 7 de agosto deste ano em seminário realizado num hotel da Barra da Tijuca. Lá pude assistir comovido a uma apresentação de um sexteto selecionado da Orquestra Nova Sinfonia, que abrange jovens e crianças de outras duas comunidades atendidas pela Agência do Bem: Beira Rio, em Vargem Grande, e Novo Palmares, em Vargem Pequena. E no debate realizado naquele dia, após a apresentação de Alan Maia, diretor da Agência do Bem, dos seus parceiros e da sensacional palestra do economista Sérgio Besserman, vi claramente que muito mais do que formar músicos profissionais, o objetivo é sensibilizar e formar público para músicas de qualidade. E isso também vale para os adultos.
Esse trabalho fantástico me motivou a levar a ajudá-lo de alguma forma. E depois de cedermos alguns DVDs e CDs para o acervo da Escola de Música e Cidadania, tivemos a chance de levar ontem, 15 de outubro, dia do Professor, o ator-palestrante internacional Raul de Orofino para uma apresentação especial e gratuita na Cidade de Deus. E como pus no título, foi uma tarde inesquecível, por tudo. Pela apresentação inspirada e inspiradora deste grande ator, a interação com o público jovem presente, a participação de todos na conversa que houve após a peça "O Homem do Fecicebuque e outras histórias", o brilho no olhar de cada um, o carinho e o amor dado e recebido, todo o aprendizado que se colheu em mais ou menos três horas naquela sala de aula.
Saí da Cidade de Deus, pouco depois das 16h, uma pessoa muito melhor do que a que chegou lá, por volta de 13h. E vi reforçado em mim que não serão grandes reformas políticas, legislativas ou judiciárias, revoluções, protestos - ainda mais os violentos -, projetos mirabolantes e milionários, que farão mudar para melhor nosso dia a dia, nossa casa, nosso prédio, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado (e o Estado), nossa região, nosso país, nosso continente, o mundo. É somente exercendo por inteiro o amor, uma palavra que anda sendo desgastada por tão mal usada, que poderemos "sacudir o mundo" (viva também o outro Raul!). Tenho agora isso definitivamente dentro de mim.
Foto: Vanderson Rodrigues
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sábado, 13 de julho de 2013

TORCEDORES DO RIO, UNI-VOS!

No próximo dia 21, torcedores de Fluminense e Vasco, e no dia 28, de Flamengo e Botafogo, terão uma grande oportunidade de dar uma imensa demonstração do quanto anda insatisfeita (muito mais do que isso, indignada) a população do estado do Rio de Janeiro com o despótico governo de Sergio Cabral Filho. Dentro da "arena MacanaX" os novos donos poderão proibir cartazes, faixas, bandeirões, instrumentos de percussão, peitos nus, que se torça em pé, xingamentos e palavrões, poderão vigiar tudo por um trilhão de câmeras, mas não conseguirão impedir o grito em uníssono contra a privatização do estádio a preço de banana , os passeios de helicóptero do (des)governador e de seus secretários, a truculência de seus policiais, as mansões construídas com misteriosa fortuna, o sucateamento da Educação e da Saúde públicas e tantas outros abusos que ocupariam um espaço gigantesco se fossem enumerados.
As próprias declarações infelizes do presidente do Consórcio que adquiriu de mão beijada a arena, João Borba, com relação às novas condutas que os torcedores deverão ter a partir de agora podem - e devem - ser condenadas e desobedecidas pelos torcedores dos quatro grandes times do Rio de Janeiro. A imprensa estará lá para mostrar tudo para o Brasil inteiro. E ai daquela que tentar camuflar algo, pois também será alvo dos protestos posteriormente, como já ocorreu nas recentes manifestações nas ruas.
Quando a bola rolar, cada um grite o nome de seu time, vibre com as jogadas de seus atletas, mas antes dos jogos flamenguistas, tricolores, vascaínos e botafoguenses terão uma grande chance que não pode ser desperdiçada. É hora de torcer por um time só: o Rio de Janeiro. Sem Cabral!
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