terça-feira, 21 de setembro de 2010

ADEUS, MARACANÃ!


Muito provavelmente o estádio que será reaberto no início de 2013, como está prometido já com grande atraso, após as reformas exigidas pela Mrs. Fifa, será mais vistoso, moderno, limpo, até seguro, mas certamente não será mais o Maracanã. Pelo menos não aquele que passei a freqüentar no início dos anos 70, ainda muito garoto para assistir à chegada de Papai Noel, e depois para ver os mais variados jogos de futebol de 1974 em diante - com muito pouca presença, admito, nos últimos dez, 12 anos. A emoção de entrar pelo túnel na arquibancada e ver o imenso gramado e as torcidas, como me aconteceu tantas e tantas vezes, ficará guardada na minha memória como os antigos retratos que vão amarelando com o tempo.

A arquibancada de cimento, onde já couberam 90 mil pessoas (14 mil a mais que a capacidade inteira do novo estádio) e a geral, onde muitas vezes se apertaram 30 mil ou mais, já não existiam há muito tempo. Várias obras foram feitas, como a que vedou a ventilação do estádio com suntuosos camarotes no alto das arquibancadas, mas o aspecto e principalmente a alma do ex-maior estádio do mundo permanecia, a essência era a mesma. Porém, ele foi sendo morto aos poucos e agora receberá o tiro de misericórdia: depois de mais de dois anos fechado, virá outro em seu lugar. Outro sim, não mais o Maracanã. Por justiça deveriam trocar seu nome.

O Maraca não será implodido fisicamente como sugeriu certa vez João Havelange, e posteriormente seu ex-genro Ricardo Teixeira, mas de certa forma ele será demolido por dentro e desaparecerá levando junto a sua alma. Determina o tombamento de monumentos históricos que sua fachada deve ser mantida. Pois no Mário Filho, o que menos importa é a sua carcaça. A magia estava dentro, com seu gigantismo que fez muitos jogadores, dos mais modestos pernas-de-pau aos mais decantados craques, tremerem ou se consagrarem.
Que o mudassem por fora, criando novas rampas, entradas e saídas mais largas, mas derrubar suas arquibancadas, depois de já terem levado a geral, e ainda reduzir o campão de 110x75 para 105x68, é tirar tudo de mais sagrado e fascinante que existia no Maracanã. Um desconhecido surgirá em seu lugar. E, por mais esforço que façam as torcidas cariocas, reviver a magia anterior será impossível. Talvez outra seja criada, pois aquela que perdurou até Flamengo 0 x 0 Santos, jamais. Jamais!




* Este texto foi publicado originalmente no extinto Futebloguices e foi revisado e levemente ampliado em 28/9/2011.

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