Que o homem sempre se sentiu atraído pelo escândalo e os
crimes é uma verdade que existe desde que o mundo é mundo. Porém, creio que não
haja precedentes na história dos veículos de comunicação tanta bizarrice e
sangue para alimentar os consumidores sedentos e famintos da vida alheia. A
glamourização do grotesco está nas páginas e telas sendo vendida como o último
grito da moda desde o movimento punk.
Veja na cabeça de Neymar e seus imitadores o resultado da
manifestação daqueles garotos pobres da Inglaterra, que revoltados por não
terem grana pra pagar ingressos dos shows das mega-bandas dos anos 60 e 70
começaram a protestar gritando e xingando contra aqueles que amavam. Primeiro
se tornaram tão ricos e famosos quanto os ídolos e depois foram vendidos em prateleiras
de lojas de vestimentas e supermercados. Che Guevara também sofreu o mesmo
processo depois de morto, mas isso esticaria demais este assunto.
Mas não é só, claro que não. No Brasil, por exemplo, veja
nas bundas e peitos inchados das mulheres hortifrutigranjeiras (mais granjeiras
que frutas e hortaliças) e nas desafinadas e “belas” e “cantoras” que surgem
diariamente o quanto Gretchen, Rita Cadilac e Xuxa foram influentes para as
jovens dos últimos 30 anos. Veja o quanto elas vêm se deformando para ficarem
parecidas com esses grandes exemplos. Veja no fânqui (funk carioca) como o que
de pior existia na música e cultura americanas mais a cultura do tráfico fez
com a cabeça e os corpos de adolescentes dos barracões às mansões nos últimos
20, 30 anos.
Por fim, veja na mídia e nos seus patrocinadores: a bizarrice tem mais valor que a arte.
Ilustração retirada da página oficial de Amy Winhouse no facebook.
Vídeo: "Back to black" (Ronson/Winehouse), com Amy Winehouse.
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A midiotização


