quinta-feira, 24 de abril de 2014

A COPA É UM MUNDO À PARTE

Depois de muitos anos voltei a escrever para uma revista – se minha memória não falha, a última vez havia sido em 1994 para um especial da Placar. Convidado por Dirley Fernandes durante o carnaval, não perdi tempo para começar logo a escrever sobre a dolorosa Copa do Mundo de 1982 para a revista História Viva, que ele brilhantemente edita. Hoje a recebi em casa e a edição especial sobre o futebol (capa ao lado) é literalmente um show de bola.

Não sei se já publiquei isso aqui ou em outro lugar, mas me tornei jornalista, profissão que exerci regularmente de 1988 até 1º de abril do ano passado, por causa do esporte, em especial o futebol. E mais particularmente ainda, por causa das Copas do Mundo. Nunca assisti a nenhuma no local – e dificilmente estarei em algum dos estádios hiperfaturados nesta que será realizada aqui no Brasil daqui a cerca de um mês e meio -, mas participei da cobertura de cinco: 1990, no Jornal dos Sports; 1994, em O Fluminense; 1998, no Globo Online; 2002, na Lancepress, e 2010, no Globoesporte.com.

A história que conto na revista me remete aos tempos de torcedor de arquibancada, das peladas na rua de asfalto ou nos campinhos de terra. Foi uma viagem no tempo, que me fez despejar um oceano de memórias para depois pesquisar alguns fatos e ver se confirmavam as informações que o meu arquivo particular ia me mandando pôr no texto. Revi com tristeza Brasil 2 x 3 Itália, com a narração do recém-falecido Luciano do Valle, na época locutor da Globo, e posso dizer que não foi um jogo bom tecnicamente (para os altos padrões da época) e que venceu aquele que errou menos. Ou melhor, venceu quem tinha Paolo Rossi, o único a acertar tudo naquele 5 de julho de 1982, no estádio Sarrià.

Não citei os nomes, mas meu irmão, o hoje músico Léo Neiva; meu irmão de consideração Nilton Claro Júnior, auditor e contador, e os irmãos Duda (o professor de História Eduardo Barros) e Mike (o professor de Educação Física Alexandre Barros), também meus amigos, saberão se reconhecer no texto quando o lerem. Foi uma viagem no tempo que fiz sem nostalgia, apenas voltei a entender que aquela precoce eliminação decretou o fim do futebol-arte e o início da era do futebol de resultados, que teve no meu modo de entender grande influência também fora das quatro linhas, em outras áreas. Lamentável.

Tão lamentável quanto o fato de ter uma Copa como vizinha e não poder festejá-la inteiramente como um grandioso e emocionante evento, do qual tanto gosto - e acompanho inteiramente com imenso prazer desde 1974 - devido aos reincidentes e cansativos problemas brasileiros.
Charge de Dalcio Machado (http://dalciomachado.blogspot.com.br/)
Veja também: 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

sábado, 1 de março de 2014

DO CAOS SÓ VIRÁ O CAOS

O movimento #naovaitercopa chega com atraso de anos e se mostra um gigantesco equívoco. Muito maior prejuízo do que os nossos conhecidos ladrões de gravata já nos causaram com seus estádios hiper-faturados o país teria se a Copa do Mundo não fosse realizada. Ao deixarmos que tudo chegasse a este ponto, não é mais hora de tentar impedir a realização do evento, ainda mais que já se sabe muito bem que os métodos serão os mais violentos e estúpidos possíveis, tanto de um lado, quanto do outro. 

Foto: Getty Images
A ocasião que se apresenta a aproximadamente cem dias do início da Copa do Mundo é uma excelente oportunidade para se mostrar ao próprio país e ao mundo – dentro e fora dos estádios – a imensa indignação com os gastos diários com supérfluos, a nossa (in)justiça, os extorsivos impostos sem retorno à população e o sucateamento ostensivo da Saúde e da Educação pública. Esta é a melhor chance também para a população que verdadeiramente estuda e trabalha para levar este lugar a se tornar um grande país - e não apenas um país grande - mostrar a sua gigante insatisfação com o povo que só quer fazer prevalecer seus desejos passando por cima de quem quer que esteja à sua frente ou montando nas costas daqueles.

É preciso pressionar sim, fortemente, os nossos políticos. Mas é bom que se saiba que eles representam fidedignamente o que somos como povo. E lá, no microcosmo dos palácios, câmaras, assembléias legislativas, senado e tribunais de (in)justiça o que vemos é mais corrupção e luta ferrenha por interesses individuais e de pequenos grupos, do que uma preocupação com a construção de um país decente. Por isso, só mudarão eles, se mudarmos nós. Protestar com ódio, quebrando tudo - e todos -, só fará o Brasil continuar a repetir seus históricos erros de violações e violências.


  Vídeo: "Ouro de tolo", de e com Raul Seixas.
Veja também:
O Brasil em chamas
Fábrica de ídolos
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
O outro ovo da serpente

sábado, 22 de fevereiro de 2014

ESTILHAÇOS 11

Há muitos momentos em que acredito ser a música e a leitura tão vitais pra mim quanto a água e o ar.



Vídeo: "Khubananukh", com Kuckhermann-Metz-Nadishana trio.
Veja também: Estilhaços 4
Há muito o que fazer
Penso, logo sinto 17

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

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