quarta-feira, 17 de junho de 2026

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #48

Uma coisa jogada com música - Capítulo #48
Djalma Santos, Zito, Vicente Feola, Pelé e Aymoré Moreira. Foto aprimorada por IA

Com o apoio do público presente ao bar Além da Imaginação, Zé Ary mal esperou acabar o “Hino aos campeões mundiais” e emendou no aparelho de som com “Campeão do mundo”, de João de Barro, com Joel de Almeida, orquestra e coro.

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O povo se divertiu a valer com a marchinha, mas, como bem disse João Sem Medo logo que chegou ao Além da Imaginação, é a resenha que resolve qualquer jogo e o papo é a vida do futebol. Por isso que ele muitas vezes parece se tornar infinito quando estamos rodeados de amigos, ainda mais quando tem algo pra beber e beliscar, e muita música pra abrilhantar a conversa.

E como não se pode perder o domínio da bola, nem da resenha, João Sem Medo faz a meia cancha organizar o jogo, dando um toque final sobre aconquista de 1958 pela seleção brasileira, indo ao início da preparação da equipe.

João Sem Medo: - Da seleção de 56 que fez um giro à Europa, o Gino era o centroavante.

Idiota da Objetividade: - Gino Orlando tinha origem italiana, começou no Palmeiras, mas se destacou mesmo como centroavante do São Paulo, de 1952 a 62. E depois de encerrada a carreira ainda trabalhou como administrador do estádio do Morumbi.

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Zé Ary cochicha com os quatro amigos à mesa.

João Sem Medo: - Gino está aí?

Gino: - Sim, João Sem Medo. Com muito prazer.

Ele se levanta e o público o aplaude.

Gino: - Muito obrigado. Como bem disse o Sr. Idiota da Objetividade, fui da base do Palmeiras. Mas comecei a jogar antes, na Associação Atlética Matarazzo, clube das Indústrias Francisco Matarazzo. Fiquei no Palmeiras de 1947 a 51 e depois fui jogar no interior, no XV de Jaú e no Comercial de Ribeirão Preto, para só depois ir para o São Paulo e ser convocado para a seleção brasileira, entre 1956 e 57. Joguei depois na Portuguesa e no Juventus da Mooca. Eu era um grosso, trombador, mas estou na lista dos maiores artilheiros do São Paulo, com muito orgulho.

Idiota da Objetividade: - Fez 233 gols com a camisa tricolor e é o segundo maior goleador da História do São Paulo, atrás apenas de Serginho Chulapa, que fez 243 gols.

Gino é aplaudido, agradece e se senta.

João Sem Medo: - Pois então, Gino naquela excursão à Europa fez um gol de bicicleta contra Portugal.

Gino se levanta novamente.

Gino: - Ótima lembrança, João!

Mais aplausos.

João Sem Medo: - O Feola, que já tinha sido técnico da seleção em um jogo contra o Chile em 55, trocou todo o time de 56, 57, em 58, quando assumiu. E em 58 a seleção só deu o grande salto, porque fez dois jogos duros. O primeiro, em Uddevalla, contra a Áustria, ganhamos de 3 a 0 aquele jogo, campinho pequeno, 14 mil pessoas e tal. Quando entrou o Garrincha no time, a declaração da comissão técnica foi: “ganhamos com quatro reservas”. Os quatro reservas eram Zito, Garrincha, Pelé e Vavá. Porque não era o time, era o time da Escola de EducaçãoFísica do Exército, dois pontas recuados, os dois da frente que eram o Dida e o Mazolla abriam e aí vinha a jogada detrás. Do time de 56, se não estou enganado, sobrou o Djalma Santos, no último jogo. O Nilton Santos foi em 56, mas jogou pouco, jogou dois e depois se machucou, mas o Djalma jogou todas.

Idiota da Objetividade: - João, você está enganado, o Nilton Santos jogou todas as partidas na Europa, em 56.

João Sem Medo: - Mas foi um outro time, e o Feola foi imprensado pela tese de ter só branco no time, mas felizmente os reservas entraram... O Garrincha e o Pelé eram dois reservas. Com Garrincha e Pelé, joga as outras camisas pro alto, quem pegar joga.

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Garçom: - Diziam que o Feola dormia no banco de reservas e quem mandava mesmo eram os jogadores mais experientes.

Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!

Garçom: - Uma pena ele não estar aqui pra que pudesse dizer o que aconteceu.

Ceguinho Torcedor: - Vicente Feola teve muitos méritos. Pelé na verdade era titular.

Todos ao redor da mesa de Pelé olham pro Rei, que apenas concorda com um gesto para não interromper a resenha.

Idiota da Objetividade: - Pelé ficou fora dos amistosos já na Europa e dos dois primeiros jogos da Copa de 58 porque estava machucado desde a vitória de 5a 0 da seleção sobre o Corinthians, no Pacaembu, o último amistoso disputado no Brasil. Feola foi o treinador da seleção de fevereiro de 1958 até 1959, quando teve de ser substituído por Aymoré Moreira, por razões de saúde. Devido a esses problemas de saúde, causados pelo seu peso excessivo, tomava muitos remédios, o que poderia causar sonolência. Ele deixou invicto o comando da seleção: com 18 vitórias e quatro empates. Voltaria em 1964 e dirigiria a seleção na Copa de 66, que não nos traz boas lembranças.

João Sem Medo: - Antes, em 55, ele já havia dirigido a seleção numa partida contra o Chile, como falei anteriormente.

Idiota da Objetividade: - O Brasil venceu por 2 a 1 e conquistou a primeira Taça Bernardo O’Higgins, que foi disputada cinco vezes entre as duas seleções até 1966.

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Garçom: - Peço licença à nossa mesa de debates pra outra homenagem a Vicente Feola e à seleção de 58.

Ceguinho Torcedor: - O que nunca é demais.

João Sem Medo: - Não mesmo!

Garçom: - Vamos ouvir, então, “Escola de Feola”, de Nelson Ferreira e Luiz Queiroga, com Os Três Boêmios e Orquestra. Podem sambar à vontade!

O povo ri e aplaude, enquanto se levanta para dançar.


Fim do Capítulo #48

Episódio originalmente publicado em 21 de dezembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 16 de junho de 2026.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura brasileira.
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