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O povo se divertiu a valer com a marchinha, mas, como bem
disse João Sem Medo logo que chegou ao Além da Imaginação, é a resenha que
resolve qualquer jogo e o papo é a vida do futebol. Por isso que ele muitas
vezes parece se tornar infinito quando estamos rodeados de amigos, ainda mais
quando tem algo pra beber e beliscar, e muita música pra abrilhantar a conversa.
E como não se pode perder o domínio da bola, nem da resenha, João
Sem Medo faz a meia cancha organizar o jogo, dando um toque final sobre aconquista de 1958 pela seleção brasileira, indo ao início da preparação da
equipe.
João Sem Medo: - Da seleção
de 56 que fez um giro à Europa, o Gino era o centroavante.
Idiota da Objetividade: - Gino Orlando tinha origem italiana, começou no
Palmeiras, mas se destacou mesmo como centroavante do São Paulo, de 1952 a 62.
E depois de encerrada a carreira ainda trabalhou como administrador do estádio do Morumbi.
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Zé Ary cochicha com os quatro amigos à mesa.
João Sem Medo: - Gino está aí?
Gino: - Sim, João Sem Medo. Com muito prazer.
Ele se levanta e o público o aplaude.
Gino: - Muito obrigado. Como bem disse o Sr. Idiota da Objetividade, fui da
base do Palmeiras. Mas comecei a jogar antes, na Associação Atlética Matarazzo,
clube das Indústrias Francisco Matarazzo. Fiquei no Palmeiras de 1947 a 51 e
depois fui jogar no interior, no XV de Jaú e no Comercial de Ribeirão Preto,
para só depois ir para o São Paulo e ser convocado para a seleção brasileira,
entre 1956 e 57. Joguei depois na Portuguesa e no Juventus da Mooca. Eu era um
grosso, trombador, mas estou na lista dos maiores artilheiros do São Paulo, com
muito orgulho.
Idiota da Objetividade: - Fez 233 gols com a camisa tricolor e é o segundo
maior goleador da História do São Paulo, atrás apenas de Serginho Chulapa, que
fez 243 gols.
Gino é aplaudido, agradece e se senta.
João Sem Medo: - Pois então, Gino naquela excursão à Europa fez um gol de
bicicleta contra Portugal.
Gino se levanta novamente.
Gino: - Ótima lembrança, João!
Mais aplausos.
João Sem Medo: - O Feola, que já tinha sido técnico da seleção em um jogo
contra o Chile em 55, trocou todo o time de 56, 57, em 58, quando assumiu. E em
58 a seleção só deu o grande salto, porque fez dois jogos duros. O primeiro, em
Uddevalla, contra a Áustria, ganhamos de 3 a 0 aquele jogo, campinho pequeno, 14
mil pessoas e tal. Quando entrou o Garrincha no time, a declaração da comissão
técnica foi: “ganhamos com quatro reservas”. Os quatro reservas eram Zito,
Garrincha, Pelé e Vavá. Porque não era o time, era o time da Escola de EducaçãoFísica do Exército, dois pontas recuados, os dois da frente que eram o Dida e o
Mazolla abriam e aí vinha a jogada detrás. Do time de 56, se não estou
enganado, sobrou o Djalma Santos, no último jogo. O Nilton Santos foi em 56,
mas jogou pouco, jogou dois e depois se machucou, mas o Djalma jogou todas.
Idiota da Objetividade: - João, você está enganado, o Nilton Santos jogou
todas as partidas na Europa, em 56.
João Sem Medo: - Mas foi um outro time, e o Feola foi imprensado pela tese
de ter só branco no time, mas felizmente os reservas entraram... O Garrincha e
o Pelé eram dois reservas. Com Garrincha e Pelé, joga as outras camisas pro
alto, quem pegar joga.
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Garçom: - Diziam que o Feola dormia no banco
de reservas e quem mandava mesmo eram os jogadores mais experientes.
Sobrenatural de Almeida: - Assombroso!
Garçom: - Uma pena ele não estar aqui pra que pudesse dizer o que aconteceu.
Ceguinho Torcedor: - Vicente Feola teve muitos méritos.
Pelé na verdade era titular.
Todos
ao redor da mesa de Pelé olham pro Rei, que apenas concorda com um gesto para
não interromper a resenha.
Idiota da Objetividade: - Pelé ficou fora dos amistosos já na Europa e dos
dois primeiros jogos da Copa de 58 porque estava machucado desde a vitória de 5a 0 da seleção sobre o Corinthians, no Pacaembu, o último amistoso disputado no
Brasil. Feola foi o treinador da seleção de fevereiro de 1958 até 1959,
quando teve de ser substituído por Aymoré Moreira, por razões de saúde. Devido
a esses problemas de saúde, causados pelo seu peso excessivo, tomava muitos
remédios, o que poderia causar sonolência. Ele deixou invicto o comando da
seleção: com 18 vitórias e quatro empates. Voltaria em 1964 e dirigiria a
seleção na Copa de 66, que não nos traz boas lembranças.
João Sem Medo: - Antes, em 55, ele já havia dirigido
a seleção numa partida contra o Chile, como falei anteriormente.
Idiota da Objetividade: - O Brasil venceu por 2 a 1 e
conquistou a primeira Taça Bernardo O’Higgins, que foi disputada cinco vezes
entre as duas seleções até 1966.
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Garçom: - Peço licença à nossa mesa de debates pra outra homenagem a Vicente
Feola e à seleção de 58.
Ceguinho Torcedor: - O que nunca é demais.
João Sem Medo: - Não mesmo!
Garçom: - Vamos ouvir, então, “Escola de Feola”, de Nelson Ferreira e Luiz Queiroga, com Os Três Boêmios e Orquestra. Podem sambar à vontade!
O povo ri e aplaude, enquanto se levanta para dançar.
Fim do Capítulo #48
Episódio originalmente publicado em 21 de dezembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 16 de junho de 2026.
Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura brasileira.
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