segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CIA DOS À DEUX, A POESIA DO CORPO

Sem uma palavra, tudo dito, com graça, emoção. Mais uma vez assisti a um espetáculo da Cia Dos à Deux e saí do teatro enriquecido. Todas as palavras não ditas são expressadas com os gestos, o corpo, de seus magníficos atores.

Dança, teatro, circo, ilusionismo e os bonecos que são personagens à parte, regidos por músicas instrumentais originais e uma iluminação de altíssima qualidade. “Irmãos de sangue” é uma peça densa, forte, envolve alegrias e tristezas, memórias de infância, encontros e despedidas, risos e choros, esgares e ternuras, castigos e carinhos, tensões e alívios, tragédias pessoais.

Como “Fragmentos do desejo”, que tive a felicidade de assistir em outubro de 2010, “Irmãos de sangue” é mais uma obra-prima desta companhia franco-brasileira, comandada por André Curti e Artur Ribeiro. A peça fica em cartaz no CCBB-RJ até 23 de fevereiro, ao preço de apenas R$ 10, o ingresso  inteiro. Depois, estará no CCBB de Belo Horizonte, de 14 de março a 6 de abril. Imperdível!
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Sentença de vida
O elefante e o javali 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

AMIGO CYRO, QUE ESPETÁCULO!

Uma amiga comprou os ingressos pra mim e minha mulher com uma semana de antecedência e fui sem grandes expectativas assistir à peça "Amigo Cyro, muito te admiro", ontem, no CCBB-RJ, apesar de a figura de Cyro Monteiro sempre ter me despertado grande simpatia e gostar de muitas de suas músicas. Saí de lá extasiado - ou melhor, saímos - com a beleza e a simplicidade - a beleza da simplicidade e a simplicidade da beleza - deste que foi certamente um dos melhores espetáculos que eu já vi no teatro.

A agilidade no palco, permitida pelo talento e o entrosamento dos atores e os músicos (Levi Chaves, Lucas Porto, Luis Barcelos e Marcus Tadeu, dirigidos por Luis Barcelos), regidos por uma direção geral perfeita de André Paes Leme, fazem o tempo passar sem que se perceba. O tempo no teatro e o tempo da vida de Cyro Monteiro, contada e cantada por Claudia Ventura, Alexandre Dantas, Milton Filho e Rodrigo Alzuguir (autor do ótimo texto), que se revezam na interpretação do personagem principal e de muitos de seus amigos - e um inimigo, Mr Evans. Todos cantam (e dançam) muito bem, mas Claudia se destaca neste quesito com uma belíssima e afinada voz. No fim, dá vontade de pedir bis, mais um!

O cenário, os figurinos e a iluminação resumem a simplicidade e a beleza do talento que caracterizam o homenageado pelo seu centenário, que seria completado em maio de 2013. Ouvindo aquelas músicas e me envolvendo com uma época que o Brasil deixou muito para trás no que tinha de melhor me fez lembrar do pai desta minha amiga, Julia Evangelista. Na última vez que estivemos juntos aqui no Rio, há uns três, quatro anos, ele me disse em referência a outro musical, "Sassaricando", algo que nunca esqueci: "O Brasil perdeu a sua delicadeza". Sábio "seu" Curcino.

Que ótimo que ainda é possível resgatar, pelo menos nos palcos, na arte, essa delicadeza perdida. É, amigo Cyro, também muito te admiro!
Claudia Ventura, Rodrigo Alzuguir, Milton Filho e
Alexandre Dantas. Foto de Silvana Marques
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Homenagem ao teatro
Fragmentos do desejo, um belo espetáculo
O teatro e o futebol

sábado, 25 de janeiro de 2014

EM DEFESA DE DJAVAN

Há muitos anos me desinteressei pela obra de Djavan. Passei a não curtir mais as músicas que lançava e a achar que suas letras haviam caído no ramerrão do amor romântico e da sedução. Não me tocavam mais. Porém, sempre guardei respeito pelo compositor das primeiras obras, dos primeiros discos, que para mim apresentaram sempre um frescor de novidade surpreendentte.

Nos últimos tempos, nesta “Era do Já Era”, como classificou Aderbal Freire Filho, Djavan tem sido motivo de chacotas, sendo tachado de hermético, incompreensível. Incompreensível é como o brasileiro de um modo geral conseguiu se deixar embrutecer tanto - e cair no humor barato -, manter o olhar reto, desviar ou esconder o olhar torto do artista (todo poeta é caolho!), que historicamente é quem elevou e ainda eleva este país. É certo que fica muito difícil compreender poesia para quem vive a cultura do prato feito ou do “fast-food” e “self-service” de historinhas banais e pegajosas com começo, meio e fim (necessariamente nesta ordem) e ainda assim muitas vezes com imensas dificuldades para entender.

As figuras de linguagem, alma da poesia e da grande literatura universal, estão definhando por falta de bons leitores. Pelo menos cá, por essas bandas. Há exceções, claro – e ainda bem! -, mas cada vez menos pessoas prestam-lhe a devida atenção. A poesia está sumindo da Música Popular Brasileira não é de hoje. E é por causa dos ouvintes, da maioria de seus ouvintes, de viciados ouvidos. Por isso, “açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a tez da manhã” é ridicularizada, escorraçada, por quem não consegue mais enxergar, sentir, ouvir as cores, os cheiros, os sabores, os sons pulsantes da natureza a cada linda manhã de sol.


Foto do site oficial de Djavan: www.djavan.com.br
Vìdeo: "Açaí", com e de Djavan

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