Como você pode se entregar de corpo e alma a algo (ou alguém) se só ouviu o seu coração?
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Penso, logo sinto 18
Estilhaços 10
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
CIA DOS À DEUX, A POESIA DO CORPO
Sem uma palavra, tudo dito, com graça, emoção. Mais uma
vez assisti a um espetáculo da Cia Dos à Deux e saí do teatro enriquecido.
Todas as palavras não ditas são expressadas com os gestos, o corpo, de seus
magníficos atores.
Dança, teatro, circo, ilusionismo e os bonecos que são
personagens à parte, regidos por músicas instrumentais originais e uma
iluminação de altíssima qualidade. “Irmãos de sangue” é uma peça densa, forte, envolve
alegrias e tristezas, memórias de infância, encontros e despedidas, risos e
choros, esgares e ternuras, castigos e carinhos, tensões e alívios, tragédias
pessoais.
Como “Fragmentos do desejo”, que tive a felicidade de
assistir em outubro de 2010, “Irmãos de sangue” é mais uma obra-prima desta
companhia franco-brasileira, comandada por André Curti e Artur Ribeiro. A peça
fica em cartaz no CCBB-RJ até 23 de fevereiro, ao preço de apenas R$ 10, o
ingresso inteiro. Depois, estará no CCBB de Belo Horizonte, de 14 de março a 6 de abril. Imperdível!
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Amigo Cyro, que espetáculo!
Sentença de vida
O elefante e o javali
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
AMIGO CYRO, QUE ESPETÁCULO!
Uma amiga comprou os ingressos pra mim e minha mulher com uma semana de antecedência e fui sem grandes expectativas assistir à peça "Amigo Cyro, muito te admiro", ontem, no CCBB-RJ, apesar de a figura de Cyro Monteiro sempre ter me despertado grande simpatia e gostar de muitas de suas músicas. Saí de lá extasiado - ou melhor, saímos - com a beleza e a simplicidade - a beleza da simplicidade e a simplicidade da beleza - deste que foi certamente um dos melhores espetáculos que eu já vi no teatro.
A agilidade no palco, permitida pelo talento e o entrosamento dos atores e os músicos (Levi Chaves, Lucas Porto, Luis Barcelos e Marcus Tadeu, dirigidos por Luis Barcelos), regidos por uma direção geral perfeita de André Paes Leme, fazem o tempo passar sem que se perceba. O tempo no teatro e o tempo da vida de Cyro Monteiro, contada e cantada por Claudia Ventura, Alexandre Dantas, Milton Filho e Rodrigo Alzuguir (autor do ótimo texto), que se revezam na interpretação do personagem principal e de muitos de seus amigos - e um inimigo, Mr Evans. Todos cantam (e dançam) muito bem, mas Claudia se destaca neste quesito com uma belíssima e afinada voz. No fim, dá vontade de pedir bis, mais um!
O cenário, os figurinos e a iluminação resumem a simplicidade e a beleza do talento que caracterizam o homenageado pelo seu centenário, que seria completado em maio de 2013. Ouvindo aquelas músicas e me envolvendo com uma época que o Brasil deixou muito para trás no que tinha de melhor me fez lembrar do pai desta minha amiga, Julia Evangelista. Na última vez que estivemos juntos aqui no Rio, há uns três, quatro anos, ele me disse em referência a outro musical, "Sassaricando", algo que nunca esqueci: "O Brasil perdeu a sua delicadeza". Sábio "seu" Curcino.
Que ótimo que ainda é possível resgatar, pelo menos nos palcos, na arte, essa delicadeza perdida. É, amigo Cyro, também muito te admiro!
Veja também:
Clarice Niskier, de corpo e alma
Homenagem ao teatro
Fragmentos do desejo, um belo espetáculo
O teatro e o futebol
A agilidade no palco, permitida pelo talento e o entrosamento dos atores e os músicos (Levi Chaves, Lucas Porto, Luis Barcelos e Marcus Tadeu, dirigidos por Luis Barcelos), regidos por uma direção geral perfeita de André Paes Leme, fazem o tempo passar sem que se perceba. O tempo no teatro e o tempo da vida de Cyro Monteiro, contada e cantada por Claudia Ventura, Alexandre Dantas, Milton Filho e Rodrigo Alzuguir (autor do ótimo texto), que se revezam na interpretação do personagem principal e de muitos de seus amigos - e um inimigo, Mr Evans. Todos cantam (e dançam) muito bem, mas Claudia se destaca neste quesito com uma belíssima e afinada voz. No fim, dá vontade de pedir bis, mais um!
O cenário, os figurinos e a iluminação resumem a simplicidade e a beleza do talento que caracterizam o homenageado pelo seu centenário, que seria completado em maio de 2013. Ouvindo aquelas músicas e me envolvendo com uma época que o Brasil deixou muito para trás no que tinha de melhor me fez lembrar do pai desta minha amiga, Julia Evangelista. Na última vez que estivemos juntos aqui no Rio, há uns três, quatro anos, ele me disse em referência a outro musical, "Sassaricando", algo que nunca esqueci: "O Brasil perdeu a sua delicadeza". Sábio "seu" Curcino.
Que ótimo que ainda é possível resgatar, pelo menos nos palcos, na arte, essa delicadeza perdida. É, amigo Cyro, também muito te admiro!
| Claudia Ventura, Rodrigo Alzuguir, Milton Filho e Alexandre Dantas. Foto de Silvana Marques |
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sábado, 25 de janeiro de 2014
EM DEFESA DE DJAVAN
Há muitos anos me desinteressei
pela obra de Djavan. Passei a não curtir mais as músicas que lançava e a achar
que suas letras haviam caído no ramerrão do amor romântico e da sedução.
Não me tocavam mais. Porém, sempre guardei respeito pelo compositor das
primeiras obras, dos primeiros discos, que para mim apresentaram sempre um
frescor de novidade surpreendentte.
Nos
últimos tempos, nesta “Era do Já Era”, como classificou Aderbal Freire Filho,
Djavan tem sido motivo de chacotas, sendo tachado de hermético,
incompreensível. Incompreensível é como o brasileiro de um modo geral conseguiu se deixar embrutecer tanto - e cair no humor barato -, manter o olhar reto, desviar
ou esconder o olhar torto do artista (todo poeta é caolho!), que historicamente
é quem elevou e ainda eleva este país. É certo que fica muito difícil compreender poesia para
quem vive a cultura do prato feito ou do “fast-food” e “self-service” de
historinhas banais e pegajosas com começo, meio e fim (necessariamente nesta
ordem) e ainda assim muitas vezes com imensas dificuldades para entender.
As
figuras de linguagem, alma da poesia e da grande literatura universal, estão
definhando por falta de bons leitores. Pelo menos cá, por essas
bandas. Há exceções, claro – e ainda bem! -, mas cada vez menos pessoas
prestam-lhe a devida atenção. A poesia está sumindo da Música Popular Brasileira
não é de hoje. E é por causa dos ouvintes, da maioria de seus ouvintes, de viciados ouvidos. Por isso, “açaí, guardiã, zum de besouro, um imã, branca é a
tez da manhã” é ridicularizada, escorraçada, por quem não consegue mais
enxergar, sentir, ouvir as cores, os cheiros, os sabores, os sons pulsantes da natureza a
cada linda manhã de sol.
Vìdeo: "Açaí", com e de Djavan
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