domingo, 13 de julho de 2014

O QUE NÃO SE PODE PERDER É A ESSÊNCIA

Sim, eu sei, na vida é preciso sempre tocar em frente. Mas é necessário que não se esqueça jamais tudo de bom construído durante a jornada e o que levamos como o bem mais precioso dentro de nós, aquilo que nos caracteriza, nos diferencia, que faz não só os outros, mas nós mesmos, nos reconhecer.

É assim também com uma nação e sua cultura. Ei, Brasil, vamos tocar em frente, sem virar as costas para o que de mais belo você criou e consolidou para o mundo. Sua cultura e sua arte são os seus bens mais preciosos, genuínos. Por que você os tem deixado para trás? Por que destruir o que se tem de melhor?

Respeite sua essência, respeite sua cultura, respeite seu futebol, sua música, sua arte. Isso é o que temos de melhor, e é onde eu me reconheço em você. E você em mim.



Vídeo: "Tocando em frente" (Almir Sater/Renato Teixeira), com Almir Sater
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terça-feira, 8 de julho de 2014

FUTEBOL BRASILEIRO X SELEÇÃO BRASILEIRA

Tostão e Pelé em 1970
O óbvio, Nelson já dizia, é muito difícil de ser enxergado. E demorei mesmo bastante tempo para ver que gosto muito mais do futebol do que da seleção brasileira. Acrescento e explico: do futebol brasileiro que aprendi a admirar muito novo e que me fez querer assistir qualquer partida na TV ou no estádio sempre que possível. E me fez sonhar um dia me tornar um craque da bola - mas só tive alguns bons momentos em asfaltos e calçadas, campinhos de terra batida, quadras de cimento ou taco corrido, gramados mal-tratados e até em poucos "tapetinhos verdes".

Garrincha, Pelé e Djalma Santos em 1958
Antes os sentimentos se confundiam, porque na seleção jogavam os jogadores que mais admirava, tanto no meu time como no de alguns dos meus amigos e de outros que nunca conheci por morarem em outros estados. E eu os via quarta e domingo, no Maracanã ou em casa, sempre com prazer renovado. Talvez hoje goste até mais desse jeito de jogar do que do meu time, que cada vez mais se afasta de tudo que gosto de ver em campo. E por isso tenho visto cada vez menos jogos de nossas competições. Exatamente por causa deste imenso afeto que tenho por este futebol de ginga e elegância, dribles, troca de passes rápidos e lançamentos perfeitos e com efeito, inventividade, agilidade, habilidade que foram rechaçados pro mato, porque o jogo é de campeonato. Não é uma questão de jogar bem ou mal, mas de estilo, filosofia de jogo, característica, cor própria.

O time brasileiro nesta Copa, com raríssimas exceções (Neymar, já fora, e os zagueiros como as principais delas), segue esta linha da botinada na bola e no adversário e da correria desenfreada, com  um meio-de-campo duro e sem imaginação. Por isso não posso torcer por ele, como não torci em 1990, 1994 e 2010. Torcer por equipes como essas seria, guardadas as devidas proporções, como torcer para um fânque, axé, gospel, sertanejo universitário num concurso internacional de "música" só por ser defendido por alguém que nasceu no Brasil. Seria como assistir a uma briga do MMA ou UFC. Seria trair essa minha imensa afeição pelo futebol do meu país, que para mim é uma identidade, como a nossa verdadeira música, a nossa arte.

Falcão, Júnior, Sócrates e Zico em 1982
Torcer para a equipe amarela que joga feio e faz questão de achar isso bonito é torcer contra o que creio e admiro. Não é saudosismo, apenas o desejo que renasça aqui o que muitos países já estão fazendo - mesmo ainda sem grandes gênios da bola - como foi possível ver durante a Copa que acabará no próximo domingo.

No vídeo acima desconsidere a parte inicial, muito ufanista para o meu gosto, e parta direto para alguns dos mais belos gols da seleção brasileira.

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domingo, 8 de junho de 2014

DELICADEZA ARTESANAL

Acho que já disse isso em outra postagem, mas não custa repetir, até porque a sensação só vem se renovando com o passar do tempo. Tenho tido contato direto com trabalhos e artistas maravilhosos das mais diversas áreas (Cinema, Teatro, Música, Artes Plásticas, Literatura, História, Educação, Moda...). Ontem foi mais um dia de viver um momento sublime proporcionado por este trabalho e, melhor, ao lado de minha mulher e dos companheiros e amigos da empresa do bonequinho laranja, que chamo de Xará. E outra vez isso ocorreu num espetáculo da Artesanal Cia. de Teatro.
Márcio Nascimento e o boneco, pai e filho
Depois de ter visto no ano passado O Gigante Egoísta (baseado em texto de Oscar Wilde), que rendeu posteriormente à companhia oito indicações para o Prêmio Zilka Sallaberry e três conquistas (melhor espetáculo; melhor ator, com Márcio Nascimento, e melhor figurino, de Henrique Gonçalves e Fernanda Sabino), ontem foi a vez de O Homem que Amava Caixas. Ambas abordam o universo infantil, com os habituais e belíssimos cenário e figurinos, incluindo máscaras e bonecos, mas notei uma sutil diferença que pode servir para um ótimo debate.

Enquanto O Gigante toca diretamente as crianças e a criança que existe em cada adulto, creio que O Homem das Caixas, baseado no livro de Stephen Michael King, faz os pais e os filhos que foram ou ainda são se reconhecerem e se transportarem para a delicada história que é contada no palco quase sem palavras. As crianças se encantam, claro, mas são os adultos que mais se emocionam com aquele pai generoso, mas pouco carinhoso, com seu filho tão desejoso desse afago, aconchego de braços e abraços, que demora a vir. Ninguém deve perder este espetáculo, que vai até 22 de junho, sempre aos sábados e domingos, às 17h, no Teatro Glaucio Gill, que fica bem ao lado da estação Cardeal Arcoverde do metrô, em Copacabana.
Bruno Oliveira e Marise Nogueira manuseando os bonecos
Conexões

Curiosamente na semana passada, mas não tanto por acaso, assisti ao filme "Wilde, o primeiro homem moderno", de Brian Gilbert, com primorosa atuação de Stephen Fry no papel principal. O Gigante Egoísta perpassa todo o filme, com a voz de Wilde (Fry) - ora em off, ora em on - contando a história que criou para os seus dois filhos. História esta que ele, um pai ausente, mas carinhoso, só passa para o papel quando está preso, condenado por atentado ao pudor, já nos últimos anos de vida. E como as conexões não são poucas, o ator me transportou a Zeca Baleiro, que compôs e gravou "Por onde andará Stephen Fry?", que me levou a uma entrevista de 1997 (mesmo ano do filme) entre ambos, que quem se interessar pode ler aqui: http://conteudo.potterish.com/entrevistas-stephen-fry-brazilian-music-uptodate/.

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

PENSO, LOGO SINTO 21

Eu, a pior e a melhor pessoa que existe. Eu, a única pessoa que pode me modificar. Eu, a única pessoa que posso verdadeiramente mudar.

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UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

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