quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A NOVA DINÂMICA DA VIOLA DE HUGO LINNS

Tive a felicidade de assistir nesta terça-feira ao show do meio-dia do multi-instrumentista Hugo Linns dentro do projeto Pernambuco Contemporâneo, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro. Mais, tive a oportunidade de conversar com ele, alguns membros de sua banda e equipe, e ainda acompanhar a entrevista que concedeu ao programa Estúdio Móvel, da TV Brasil. Apesar de tocar outros instrumentos (piano, baixo, violão, guitarra), Linns é apaixonado mesmo por sua viola dinâmica.

Ele conta que, como sempre acontece com os violeiros, foi procurado por ela, entregue a suas mãos - para sua surpresa - por um professor de violão quando tinha uns 17 anos de idade.  Tem tantos ciúmes dela que diz não emprestar a ninguém. Quando lembrei de brincadeira que durante o espetáculo ele troca de viola com Eduardo Buarque, que toca a tradicional, de 10 cordas, Hugo Linns respondeu rindo que é porque o companheiro está por perto.

Com a viola dinâmica, Linns foi o primeiro a registrar em disco (o CD "Fita branca", de 2009, gravado em seu próprio estúdio) esse instrumento característico dos cantadores em solo, só com músicas instrumentais. Explica que, apesar de alguns outros artistas de Pernambuco estejam seguindo o mesmo caminho, normalmente a viola dinâmica apenas faz acompanhamento para os cantadores.

Ele tem experiência de acompanhar muitos artistas pelo exterior tocando outros instrumentos e tenta desbravar o mercado de música no Brasil com sua música original. Está prestes a lançar o segundo CD, "Vermelhas nuvens", previsto para sair no segundo semestre deste ano. Neste próximo Linns inclui elementos muito comuns num gênero que adora e que poderia soar como ruído para os puristas: o roquenrol.

- Escuto muito rock. Ouço Doors, Led Zeppelin, Yes, dos mais antigos. Dos atuais, Beck e Radiohead são os meus preferidos – revela o violeiro.

Com pedais diversos e até slide, que passou a usar também nas músicas do primeiro CD em suas apresentações, Linns cria uma sonoridade nova para a característica música pernambucana, passeando por cocos, maracatus, xaxados, emboladas, baiões, cavalos marinhos e cirandas com uma pegada roqueira muito interessante. Segundo ele, o importante é expandir as possibilidades sonoras de sua viola dinâmica. E realmente consegue dar ainda mais dinamismo ao instrumento que ajudou a recriar.

Foto (Carol de Hollanda): Hugo Linns usando o slide em sua viola dinâmica, ao lado de Rogério Victor (baixo acústico), no CCBB-RJ.
Vídeo: "Vermelhas nuvens" (Hugo Linns), com Hugo Linns e banda (Eduardo Buarque, no violão tenor; Rogério Victor, no baixo acústico, e Carlos Amarelo, na percussão, em 2011.
Veja também: A força nordestina
Antulio Madureira, mestre de obras-primas
Samba líquido

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

OS MISERÁVEIS, VERSÃO 2012: NEM TANTO AO MAR, NEM TANTO À TERRA

O filme-musical "Os miseráveis", dirigido por Tom Hooper, foi claramente feito para emocionar o público, o que se tratando da obra monumental de Victor Hugo não é lá algo tão difícil de se conseguir. É só não fazer muita besteira. Hooper arriscou ao levar o sucesso da Broadway para a telona, deixou furos, mas a direção musical deu conta do recado, teve muito mais acertos que erros. O diretor se equivocou ao optar por um início corrido, meio videoclipado. A virada na trágica história de Jean Valjean começa ali e a dramaticidade desta mudança radical foi um pouco perdida, embora a cena do conflito pessoal  tenha sido muito bem feita. Ponto para Hugh Jackman, que cumpre bem o papel principal.


A montagem do filme também tem uns vacilos, com cortes estranhos. Um dos momentos mais importantes da história apresenta um grave problema a meu ver: o espectador só sabe que Marius desconhecia que Valjean o havia salvado no levante de 1832 no momento em que o personagem vivido por Eddie Redmayne descobre quem tinha o levado desacordado nas costas pelos esgotos de Paris. Mas o que mais chama a atenção negativamente é a atuação de Russel Crowe, logo no importantíssimo papel de Javert. Claro, interpretar cantando não deve ser moleza, mas acho que ele se saiu bem melhor usando sua voz, o que não significa muito.

Por outro lado, as músicas são belíssimas, assim como figurinos, maquiagem e cenários, e a atuação de Anne Hathaway merece tanto destaque quanto a estatueta que arrebatou na noite de domingo passado (melhor atriz coadjuvante). Excelente a Fantine composta por ela. Como excelentes também são as crianças, em especial o que interpreta um personagem que já havia me cativado no livro: Gavroche, que o lourinho Daniel Huttlestone fez com maestria.

Não tive a oportunidade ainda de ver o musical no teatro, lacuna que pretendo preencher nem que seja pelo vídeo, mas para o filme, se tivesse a oportunidade de opinar, diria que o melhor seria intercalar falas com cantos. Creio que funcionaria melhor.


Foto: Hugh Jackamn (Jean Valjean) e Anne Hathaway (Fantine), no filme "Os miseráveis".
Vídeo: "Do You Hear The People Sing" e "Look Down (The Beggars)", músicas do mesmo filme.
Veja também: A grandiosidade de Victor Hugo
A Cruzada das Crianças
A conversa continua

domingo, 24 de fevereiro de 2013

PENSO, LOGO SINTO 14

Os opostos se atraem é uma lei da Física, mas também pode ser uma lei do físico, do orgânico, emocional, sexual. Mas como amar alguém que não ama o que você ama?


Vídeo: "Eu queria ter uma bomba" (Cazuza/Roberto Frejat), com Barão Vermelho.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CLARICE NISKIER, DE CORPO E ALMA

"A alma imoral" é uma inusitada peça de teatro que precisa ser vista pelo maior número de pessoas possível. Os ensinamentos são tão profundos e certeiros, que a atriz Clarice Niskier se propõe a repetir partes do texto que os espectadores desejarem. A peça encerrou sua temporada no teatro Zimbienski, na Tijuca, no último domingo (16/12), mas voltará em janeiro no Serrador, no Centro do Rio. Só digo uma coisa: quem perder é mulher do padre.

Clarice Niskier. Foto: Dalton Valerio (almaimoral.com)

A peça fala basicamente dessa desobediente e rebelde que faz o mundo girar de verdade: a alma. Da tradição que representa o corpo e a traição que significa a alma, o corpo obediente e a alma desobediente. E é um espetáculo que, se não chega a subverter totalmente os preceitos da dramaturgia, desobedece sim muitas de suas "normas". A própria Clarice Niskier fala sobre isso no início da peça quando explica quando e como teve a idéia de levar o livro homônimo, do rabino Nilton Bonder, para os palcos. Ela se indaga como pode não haver ação dramática se dentro dela tantas transformações haviam ocorrido quando leu o livro. E, inspirada (inspiradíssima!) pelos pensa-sentimentos e parábolas do livro, ousou. Com brilhantismo.

Não existe um personagem, é a própria atriz que se apresenta literalmente nua para, com técnicas de interpretação, nos agulhar com verdades tão contraditórias como só o ser humano pode ter naturalmente em si, e construir, destruir e reconstruir ao longo de sua vida. E influir diretamente na vida das pessoas, como fazem há séculos os religiosos. Veja bem, os religiosos, e não as religiões. Ela e Bonder defendem que as religiões complementam-se umas às outras e não conheço uma sequer que não tenha como fundamento o amor. Repito, falo das religiões, dos seus escritos sagrados, e não do que fizeram - e fazem - com elas muitos de seus líderes e fiéis. Nenhuma pode ser apartada da Filosofia. Não tenho religião, creio em partes do que dizem e discordo de outras, penso com a alma, sou portanto imoral. Porém, fico muito à vontade para defender o que acabei de escrever.

Não há um personagem, mas Clarice ocupa todo o espaço cênico com uma apurada expressão corporal auxiliada por um grande pano preto, que serve para os mais variados figurinos. E o momento mais forte é quando ele vira uma burca. O texto é tão bem costurado, tão incômodo, comovente e ao mesmo tempo tão simples que já encomendei meu livro e mais um para dar de presente. Separei duas frases que guardei da peça para encerrar este texto e deixar quem o ler com algumas pulgas atrás das orelhas:
"A pior solidão é a ausência de si".
"Quantas vezes empreendemos todos os nossos esforços para nada".

Veja também:

Homenagem ao teatro

"Fragmentos do desejo", um belo espetáculo

O teatro e o futebol

sábado, 15 de dezembro de 2012

PENSO, LOGO SINTO 12

Nunca fui músico, embora gostasse de ter sido. No entanto, tenho um amor tão incondicional pela música que tento escrever como se compusesse uma canção. De vez em quando acerto.


Vídeo: Animamusic

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