quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O ESCREVER


Escrever para mim é pôr a alma pelos poros. Obviamente que, como jornalista formado desde março de 1988, quase sempre tive de escrever para sobre(sub)viver como a puta que, enquanto dá, lê um gibi. Não acredito em profissão, creio em vocação, esse instinto de animal voraz que rosna com dentes afiados dentro de cada ser criador. O grande mal de nossos tempos é que existem profissionais demais e amadores de menos. Amadores não no sentido que lhes grudaram, de despreparados, inexperientes, mas sim daqueles que amam o seu ofício.


Amador é aquele que não precisa do dinheiro como combustível para exercer seu trabalho, embora seja muito bem-vindo para que possa fazê-lo menos preocupado com as contas a pagar. Pratica-o sempre, não o deixa jamais, até porque ele o acompanha onde quer que vá, como uma sombra que se confunde com o próprio corpo que a produz. E para isso é necessário que haja a luz eterna da vocação.

Os profissionais, por melhores que sejam, se não tiverem essa iluminação, jamais conseguirão transpor um milímetro sequer as cercas eletrificadas da mediocridade que os envolvem. Até para ser boa puta é preciso ter vocação! Mas para ser puta da informação, basta ser profissional.
Ilustração: "Drawing Hands', de M.C. Escher.
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