quarta-feira, 6 de julho de 2011

RIO DE JANEIRO, UM DOENTE EM ESTADO GRAVE

O Rio de Janeiro ainda possui traços de um belo corpo, que no entanto está exaurido, gravemente enfermo. Um corpo tão usado e abusado, torturado, estuprado, mutilado tantas e tantas vezes e por tanto e tanto tempo, por mais resistente que seja, não pode suportar incólume eternamente. Já se podem ver enormes feridas em carne viva e fraturas expostas, que as várias cirurgias plásticas a que foi submetido não conseguem esconder. Muitos de seus órgãos internos estão podres - exalam no mau hálito diário! - e roubam dos que ainda não foram atingidos o pouco de vitalidade que possuem para tentar, como se fosse possível, uma sobrevivência espúria.
Vários sintomas vêm se manifestando ao longo dos anos, mas poucos prestam atenção. E a alma e o espírito cariocas, sempre tão afeitos a fantasias, ilusões, tentam compensar, mas só agravam a situação. Um curativo aqui, um remedinho ali, e de paliativo em paliativo o belo corpo foi adoecendo, sem que se atacassem as causas, buscando sempre atenuar os efeitos. Ele agora está empanzinado, cheio de gases, que seus orifícios expulsam cada vez mais violentamente.
Que este corpo já fedia há tempos, basta ter os sentidos em dia para se perceber, e não só pelo olfato. Agora, a violência das flatulências e dos arrotos nas suas vias, ainda que esparsos, certamente vão se intensificar se continuarem com os paliativos e a exauri-lo, usá-lo, abusá-lo, torturá-lo, estuprá-lo, mutilá-lo.
Se o doente não for muito bem cuidado, com urgência, se é que ainda há chance de recuperação, aí virá uma sofrida e lenta morte, com hemorragias internas e externas, intensos vômitos e seguidas diarréias.

Vídeo: "O Pulso", Titãs.
Foto: achei-a na internet e não havia crédito, gostaria de dá-lo.
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