quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A CONVERSA CONTINUA...

Outro dia, tive o prazer de me encontrar por acaso com meu amigo Ecio, um cinéfilo apaixonado por trilhas sonoras para filmes, e na conversa no ônibus, em dado momento, ele disse que concordava com a tese de que tudo o que havia de ser criado (ele se referia a cinema e a música, mas creio que estenderia a outras formas de arte) já foi feito e que nos últimos tempos só há repetições, adaptações, recriações. Na hora assenti, e citamos Shakespeare, Beethoven, Victor Hugo e Chacrinha, o autor da célebre frase “nada se cria, tudo se copia”.

Mas uma conversa nunca termina quando me despeço, ela segue em minha cabeça. Rememoro falas, idéias e pensamentos, angustio-me com algo que poderia ter dito e deixei passar, histórias que comecei ou o interlocutor iniciou e ficou parada no ar, e crio diálogos que não aconteceram, mas que bem poderiam. E o papo só acaba mesmo quando me esqueço dele. Como se vê, ele ainda não acabou.

É que, mesmo já tendo questionado várias vezes o que seria espontâneo hoje nas manifestações artísticas – e esse hoje abrange um período que vai além da metade que conto de vida – não posso, simplesmente não posso e não quero crer que nada mais possa ser efetivamente novo, surpreendente, espontâneo. Porque o dia que eu acreditar nisso, eu paro. E não quero, simplesmente não posso parar. Continuo a busca e enquanto isso vou me salvando de mim mesmo.


Vídeo: Sinfonia número 3 (A Heróica) - Movimentos 3 e 4 - de Beethoven (regida pelo maestro Gustavo Dudamel), com a Orquestra Sinfônica Simon Bolívar.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

PENSO, LOGO SINTO

Cada um preenche seus vazios com a força de sua natureza: com brisas amainadoras, constantes ventos de renovação, vendavais, ar rarefeito, poluição ou com o vácuo de suas parcas idéias.

Vídeo: "Cortina (Curtain)", com e de Naná Vasconcelos.

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domingo, 24 de julho de 2011

NA VOLTA DO BONSUCESSO À PRIMEIRA DIVISÃO DO RIO, AS CONSEQÜENTES BOAS LEMBRANÇAS DE MEU AVÔ THOMÉ

No mesmo dia em que Amy Winehouse concretizou a crônica de uma morte tantas vezes anunciada, recebi a notícia de que o Bonsucesso havia conseguido voltar à Primeira Divisão do futebol do Rio, algo que me deixou muito satisfeito e que me trouxe à memória ótimas lembranças. Um assunto, obviamente, nada tem a ver com o outro, mas é que pensava em escrever algo sobre a talentosa e conturbada cantora e compositora, quando veio a informação de bem menor repercussão, mas que me atraiu mais por fortes motivações pessoais. Além do mais, a mídia esgotará ad nauseam a morte de Amy.

Além de ter o nome do bairro onde nasci, o Bonsucesso Futebol Clube teve como center half (o cabeça de área ou volante dos tempos passados) um garoto chamado Lamas nos anos de 1935, 36, 37 e iniciozinho de 38, ninguém menos que meu avô materno, Thomé de Souza Lamas (1919-1985), de quem tenho as melhores recordações e de quem herdei a paixão pelo futebol e pela escrita. 

Que ele havia jogado no Bonsucesso eu já sabia, porque me contara inclusive que teve de parar no ano em que completaria 18 anos para servir o Exército. Os anos em que ele jogou só vim a saber há poucos anos, graças ao amigo pesquisador Eduardo Santos.

Apesar de ter jogado no Bonsuça, meu avô era torcedor do Olaria, que também leva o nome do bairro em que ele morava e eu também morei, até os 4, 5 anos de idade. E foi me levando em algumas manhãs de domingo ao estádio da Rua Bariri, após um café com pão e ovo de gema mole (ou ovo quente), preparado por ele para mim, que comecei a me aproximar mais do mundo do futebol. Lá vi vários jogos do time alvianil, inclusive contra o próprio Bonsucesso. 

O craque do Olaria Atlético Clube naquela época (início dos anos 70) era o camisa 8 Lulinha, que depois foi vice-campeão brasileiro pelo Bangu no mesmo ano em que "seu" Thomé faleceu e posteriormente ainda teve uma passagem pelo Botafogo. Certamente fortaleceu-se muito ali, naquelas alegres manhãs, a minha paixão pelo futebol.

Olaria x Bonsucesso, em 2008, na Rua Bariri.
Foto: André Queiroz, 
do blog Fanáticos pelo Cesso

Se de meu avô Thomé recebi influências que me fizeram sonhar ser também um jogador de futebol (cheguei a fazer testes para o América, Flamengo e Vasco), também me ajudaram muito a me tornar escritor e jornalista, algo que só muitos e muitos anos mais tarde pude perceber. Ele que me ensinou a manusear corretamente uma máquina de escrever e me explicava o significado de palavras que eu lia e não entendia na parte de esportes do jornal, a única que me interessava naquela época. 

Vendendo material gráfico para jornais, meu avô conheceu muitas e muitas cidades deste país, de onde me mandava telegramas e cartas, ora me parabenizando pelo aniversário, ora por ter passado de ano no colégio ou apenas para matar a saudade. Nestas viagens, ele começou a escrever nas horas vagas alguns textos e um livro, cujo o manuscrito está comigo, cedido pelo meu tio e padrinho, Roberto, falecido há um ano. 

Pode ser que publique um trecho aqui qualquer dia em mais uma homenagem a este homem de importância imensurável na minha vida e que me voltou com força à memória neste sábado, 23 de julho, graças ao retorno do Bonsuça à Primeira Divisão do Rio após 18 anos de ausência.

Termino parabenizando o clube alvirrubro (o Barcelona da Leopoldina) e também o Friburguense, que também retorna, no mesmo ano em que a sua cidade, Nova Friburgo, foi duramente castigada pelas chuvas de verão.

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