Haver lógica não significa necessariamente que há verdade.
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Estilhaços 2
Questão Em Questão 4
Gasolina no incêndio 13
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
terça-feira, 6 de maio de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
SICKO ($O$ SAÚDE) É UM FILME FUNDAMENTAL PARA SE ENTENDER OS EUA E O BRASIL
Ao levar às telas o filme Sicko ($O$ Saúde), o diretor Michael Moore
atirou num abominável sistema de “saúde”, o de seu país, os Estados Unidos da
América, e acertou no mesmo modelo adotado pouco a pouco há anos pelo Brasil. Não
sei se algo mudou nos EUA desde 2007, ano da produção cinematográfica, porém vi
ali o futuro do meu país e perdi meu sono (mais uma vez). Em suma, o que Moore
mostra em seu documentário é que no seu país, ainda vendido aqui como a maior
democracia do mundo e imposto como grande exemplo a ser seguido, quem não tem
grana pra pagar um plano (seguro) de saúde (ou um emprego que o forneça) não
tem nada, e quem tem, possui pouco mais que nada. O assustador foi saber que
aqui, apesar das condições precárias e o insuficiente atendimento à população do nosso sistema
de saúde público, ainda há opção, graças a muitos abnegados que o mantém vivo,
mesmo respirando por aparelhos.
Pior que denunciar um modelo mesquinho, cruel, desumano de “saúde”,
Moore nos mostra em pouco mais de duas horas um horripilante modelo de
sociedade, em que o ser humano é um objeto descartável, lixo. Claro, claro,
isso não é novidade no país em que se morre mais gente assassinada que em
locais em declarada guerra. No entanto, quando se vê que o próprio governo e seus legisladores fomentam essa prática, não com a tradicional e criminosa omissão característica
dos (des)governantes brasileiros e tantos outros pelo mundo, mas com leis e
atitudes para reforçá-las e mantê-las, fica muito difícil dormir tranquilo.
Ainda mais sabendo que temos por aqui aquele modelo de lá.
Este filme, que há anos tentava ver, deveria ser assistido por todos os brasileiros, sem
exceção. Mesmo que o documentário só contasse mentiras, exagerasse nas
denúncias, fosse de alguma forma uma irresponsável ou pretensiosa ficção,
nos mostraria um espelho em que nos veríamos daqui a alguns anos. Moore foi ao
Canadá, à Inglaterra, à França e finalmente ao país mais odiado pelos
americanos e americanistas, Cuba, para onde levou três voluntários (heróis) que
trabalharam nos destroços fumegantes das torres gêmeas derrubadas por aviões em
11 de setembro de 2001 – e onde eles finalmente conseguiram ser tratados com
dignidade. E demonstrou que, tanto em países ricos, como na paupérrima ilha do
ditador Fidel (hoje comandada por seu irmão, Raúl), o sistema universal e gratuito
de Saúde (e de Educação, é bom que se frise) tanto é possível, como o único caminho
a ser seguido por todo o mundo.
E eu, que já fui vítima de plano de saúde financeira - e do nosso (propositalmente) sucateado sistema público também -, perco o sono às vésperas
de contratar outro pra mim e minha família depois de um ano sem uma
carteirinha. Fico com a cabeça a girar novamente neste tema que já abordei tantas e tantas vezes, porque sei que é preciso que algo seja feito para que
o pouco que resta de Saúde pública decente por aqui sobreviva - ao menos
sobreviva – e que pagar todos os escorchantes impostos que me são
cobrados não são suficientes para isso. Neste momento não sei o que fazer: alimento este sistema perverso ou entro nas intermináveis e cruéis filas do sistema público? Por que devo pagar duas vezes por um direito que tenho? Por enquanto, só tenho condições de recomendar este filme (o trailler vai aqui abaixo) como lição de casa para todos.
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
quinta-feira, 24 de abril de 2014
A COPA É UM MUNDO À PARTE
Depois de muitos anos voltei a
escrever para uma revista – se minha memória não falha, a última vez havia sido
em 1994 para um especial da Placar. Convidado por Dirley Fernandes durante
o carnaval, não perdi tempo para começar logo a escrever sobre a dolorosa Copa
do Mundo de 1982 para a revista História Viva, que ele brilhantemente edita.
Hoje a recebi em casa e a edição especial sobre o futebol (capa ao lado) é literalmente um
show de bola.
Não sei se já publiquei isso aqui
ou em outro lugar, mas me tornei jornalista, profissão que exerci regularmente
de 1988 até 1º de abril do ano passado, por causa do esporte, em especial o
futebol. E mais particularmente ainda, por causa das Copas do Mundo. Nunca
assisti a nenhuma no local – e dificilmente estarei em algum dos estádios hiperfaturados
nesta que será realizada aqui no Brasil daqui a cerca de um mês e meio -, mas
participei da cobertura de cinco: 1990, no Jornal dos Sports; 1994, em O
Fluminense; 1998, no Globo Online; 2002, na Lancepress, e 2010, no
Globoesporte.com.
A história que conto na revista me
remete aos tempos de torcedor de arquibancada, das peladas na rua de asfalto ou
nos campinhos de terra. Foi uma viagem no tempo, que me fez despejar um oceano
de memórias para depois pesquisar alguns fatos e ver se confirmavam as
informações que o meu arquivo particular ia me mandando pôr no texto. Revi com
tristeza Brasil 2 x 3 Itália, com a narração do recém-falecido Luciano do
Valle, na época locutor da Globo, e posso dizer que não foi um jogo bom
tecnicamente (para os altos padrões da época) e que venceu aquele que errou menos. Ou melhor, venceu quem tinha
Paolo Rossi, o único a acertar tudo naquele 5 de julho de 1982, no estádio
Sarrià.
Não citei os nomes, mas meu irmão,
o hoje músico Léo Neiva; meu irmão de consideração Nilton Claro Júnior, auditor
e contador, e os irmãos Duda (o professor de História Eduardo Barros) e Mike (o
professor de Educação Física Alexandre Barros), também meus amigos, saberão se
reconhecer no texto quando o lerem. Foi uma viagem no tempo que fiz sem
nostalgia, apenas voltei a entender que aquela precoce eliminação decretou o
fim do futebol-arte e o início da era do futebol de resultados, que teve no meu
modo de entender grande influência também fora das quatro linhas, em outras
áreas. Lamentável.
Tão lamentável quanto o fato de
ter uma Copa como vizinha e não poder festejá-la inteiramente como um grandioso e emocionante evento, do qual tanto gosto - e acompanho inteiramente com imenso prazer desde
1974 - devido aos reincidentes e cansativos problemas brasileiros.
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| Charge de Dalcio Machado (http://dalciomachado.blogspot.com.br/) |
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
ESTILHAÇOS 12
Ajoelhado aos pés de seus erros, implorava desculpas. Como nunca ficou de pé, jamais mereceu o perdão.
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Estilhaços 3
Há muito o que fazer
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