Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
A saída não é pela direita, nem pela esquerda, muito menos pelo centro. A única saída possível é pela elevação do espírito público, com a união dos que agem com honestidade e competência e têm como meta a Justiça social.
Desde que comecei a pesquisar as músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro, antes mesmo de o projeto ganhar o nome Jogada de Música, sugerido pelo jornalista, radialista e escritor Alexandre Araújo, o Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) foi fundamental para o meu trabalho. Foi por intermédio de João e Luiza Carino, por exemplo, que consegui o áudio da primeira música sobre o esporte gravada no Brasil, chamada "Foot-ball", de Francisco de Oliveira Lima. Este ano, o projeto e o IMMuB começaram a conversar nos bastidores e uma parceria foi firmada para em muito breve apresentar grandes novidades.
E foi no dia que tive o imenso prazer de ir à sede do Instituto, em Niterói, que fui convidado a escrever um texto como colunista convidado sobre músicas que falam de futebol. Aceitei de pronto e o primeiro já foi ao ar, no último sábado. No total serão três, e os próximos sairão nos sábados seguintes: 23 e 30 de junho. Conto com o prestígio de todos. É só clicar aqui.
Embora jamais tenha sido um jornalista que ousasse aparecer em frente às câmeras, resolvi adotar um lema de Nelson Rodrigues: "Jamais tenha medo de ser ridículo". Ou seja, não seja ridículo de temer o ridículo. Não creio que chegue a tanto, mas posso escorregar aqui ou ali no "Lamas na Área". E é isso que dá graça ao espetáculo, não ter receio de errar. Como já aprendi muito, mas muito mesmo, com as derrotas da vida, agora quero decretar que chegou a minha hora de aprender com as vitórias, mesmo que sejam magrinhas. A primeira foi vencer minha timidez. E, para mim, particularmente, é uma goleada consagradora.
Portanto, o programa "Lamas na Área" estreou ontem no meu canal do YouTube, seguiu com o segundo vídeo hoje e terá um episódio por dia até 15 de julho, data da final da Copa do Mundo da Rússia. Minha ideia é tentar fugir um pouco dos mesmos comentários de sempre. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar. E conto com a ajuda de quem acompanhar com comentários, críticas e sugestões.
Não fui convidado, mas vim mesmo assim. Conto com sua audiência.
Ao ver pela TV a torcida da Juventus aplaudindo Cristiano Ronaldo após o antológico gol de bicicleta que marcou em Turim, logo me veio à memória um episódio que muito pouca gente sabe ou lembra, mas do qual fui participante e testemunha ocular e auditiva. Quando Mendonça marcou aquele golaço no Flamengo em 1981, gol que ficou conhecido como Baila Comigo, por ser nome de música e novela de muito sucesso na época e pelo drible desconcertante em Júnior, muitos flamenguistas, inclusive eu e meu pai, aplaudimos. Foi o gol que decretou a vitória de 3 a 1 e a classificação alvinegra, que já viria com um empate, para a semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano. Um amigo flamenguista, ao receber a postagem que enviei com esta história pelo whatsapp, me contou que também ele aplaudiu o golaço de Mendonça e que viu e ouviu o mesmo que eu naquele dia.
Foto: Roberto Oliveira (copiada do
Globoesporte.com: http://goo.gl/DEyJSX)
Todas as (poucas) vezes em que contei esta história os botafoguenses que a leram ou ouviram se surpreenderam, claro. E não só porque muitos acham que na torcida rival só tem mal-educado e ladrão, mas também porque na hora todos deviam estar pulando, berrando, chorando e se abraçando com amigos e desconhecidos, muito justamente, aliás. Além disso, a TV não mostrou e, que eu saiba, as rádios e os jornais nada noticiaram sobre os aplausos rubro-negros.
Um dos surpresos foi o próprio Mendonça, que tive a chance de entrevistar algumas vezes na época em que foi convidado pelo então recém-empossado Bebeto de Freitas para ser técnico dos juniores do Botafogo (2003). Como correu em direção à torcida alvinegra para comemorar o golaço que fez, ele não teria como saber, diferentemente de Cristiano Ronaldo, que gentilmente agradeceu aos torcedores da Velha Senhora (Vecchia Signora), como é conhecida a Juve na Itália.
Ingresso da minha coleção
Quando pensei em escrever este texto, e depois conversando com amigos, muitas perguntas me vieram à cabeça. Por exemplo: dá para imaginar hoje em dia cenas como estas duas citadas acima em clássicos de torcida única nas arenas deste país? Dá para imaginar algo deste tipo com o ódio corroendo todos os setores da vida brasileira? E dá para imaginar um futebol como aquele que o Real Madrid de Cristiano Ronaldo jogou em Turim em nossos campos atualmente?
Infelizmente, após ter se evaporado pouco a pouco por anos e anos, a gentileza, a humildade e a educação que algum dia muitos de nós tivemos estão se esvaindo na velocidade da luz nas últimas décadas. E o futebol-arte parece mesmo que não nos pertence mais.