quinta-feira, 4 de setembro de 2008

NADA MAIS

A rua com suas imensas cicatrizes
O mar com suas estranhas estrias
O céu e suas ranhuras de nuvens
A letra mal rabiscada num papel amassado
O olhar assustado de um rosto feminino, porém selvagem
O arrepio que faz o corpo tremer
O cheiro da chuva no asfalto escaldante
O resvalar de pele num encontro incomum
O rasgo criativo em meio ao lugar comum
O estímulo que vem do cansaço
A revelação involuntária como se fosse oração
Uma fita ao léu em laço
A luz que não pede licença e doura a poeira no chão
O som fluido que levanta pêlos, cabelos
A planta que nasce na brecha do concreto
As curvas do rumo reto
A obsessão por tudo isso, ademais:
Poesia, nada mais.

Esta poesia faz parte do livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas, que está à venda em todas as versões digitais, aqui: http://bit.ly/1L3rcqW.
Veja também:
Tecelã Natureza
Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado)
Tardes de Outono