sábado, 20 de setembro de 2008

TECELÃ NATUREZA

À memória de Vincent Van Gogh

Sobre verdes tons
e sobretons variados
- quase novas cores, inomináveis matizes –
dispersam, tecendo de renda
o céu cinza choroso
pontilhado de folhas suspensas
e nervuras verde musgo
esgarçadas, harmônicas, delicadas, sutis,
prolongamentos de veias e artérias pardas.

Esse véu delicado,
obra de talentosa tecelã,
levita no ar,
como se lhe cobrisse
os longos e invisíveis cabelos.

Ilustração: quadro "Lírios", de Vincent Van Gogh

Esta poesia faz parte do livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas. Caso queira adquirir o seu, ele está à venda em todas as versões digitais, aqui: http://bit.ly/1L3rcqW.

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