quinta-feira, 26 de agosto de 2010

POESIA SEM VERSOS*

a existência é um imenso vazio recheado de tudos recheado de nadas as árvores das ruas as copas das árvores as folhas das copas as copas flanantes bailantes sensíveis à mais leve brisa vento vento vento voa gaivota voa a vida voraz, efêmera e eterna a esperança alimento luz e energia viva desesperança também por que não a chance uma pequena viva cor viva incendeia o esmaecido solo que pisamos que deitamos em que nos ralamos a ferida aberta a dentadas a unhadas sangue brotando e escorrendo denso e fluido onde a vida começa e termina no círculo não há início, meio ou fim não há rumos não há objetivos não há alvos somente caminhar o eterno retornar o passar para deixar algo de si desmantelado esfacelado poeira suspensa que parece cair que parece levitar


Vídeo: "So What", Miles Davis e John Coltrane

* "Poesia sem Versos" faz parte do livro Profano Coração, que está à venda, em todas as versões digitais, aqui: http://bit.ly/1L3rcqW.
Veja também:
Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado)
Tardes de Outono
O Caminhante
O Brilho de Meus Olhos no seu Espelho Interior