Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
O fanatismo da sua fé é feito de falsos feitos é o efeito dessa droga que você consome é o efeito dessa droga que você consome é o efeito dessa droga que você consome é o efeito da droga mais pesada que qualquer entorpecente que qualquer alucinógeno que você tanto odeia que você tanto condena
Na possessão de sua fé você ergue seu facão como a espada inquisidora da falsa virtude e ameaça e ataca quem professa outra fé ou, a seu juízo, infiel Quem não for como você quem não for da sua fé que se ferre é a ferro e fogo que se ferre!
Sua mente adolescente e carente clama pelo pai Mas seu guia espiritualista é, a bem da Verdade, um ser mal disfarçadamente sórdido materialista traficante de drogas manipuladas e manipuladoras que você consome é a droga pesada que você consome
Seu cérebro batizado e lavado em água fria arde na pia Sua alma é sugada pela palavra berrada e pelos bolsos Seu corpo convulso em profusão delira e treme Sua mente é só e com a fusão de loucura e medo seca seu coração pro excluído irmão e sangra pelo pústula deturpador, usurpador, O ardiloso Senhor do medo e da dor
Experiente sedutor do verbo que despenca do céu vermelho como anjos incinerados Realizador de milagres infernais que lhe rendem bilhões em paraísos fiscais Negociante da fé devoto fervoroso da feiúra desta fé e de toda a infelicidade desta droga pesada que você consome.
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Acabei de ver o filme "Não Matarás", de Kristoff Kieslowski. O absurdo da pena de morte tão bem retratado na obra me fez recordar da guerra, das guerras, em todos os tempos e cantos do mundo. A guerra é a pena de morte em massa, mas neste caso, dependendo de quem esteja atacando não é uma violação dos direitos humanos. Sim, vou abordar a guerra, da culpa e do teatro macabro encenado nos tribunais pelo mundo afora pela ótica da pena de morte.
A violência é muitas vezes encarada como algo que ocorre fruto de uma reação raivosa a uma determinada situação. No entanto, o ser humano é requintado, possui sutilezas misteriosas que nem mesmo ele conhece. Ser humano é também ser capaz de agir gelidamente e programar um assassinato, com muita ou pouca antecedência. Digo isso em relação aos condenados e aos condenadores. O que motiva uma pessoa a matar outra sem sentir ódio profundo (ou sentindo, mas agindo como se não sentisse)? Os psicólogos apresentarão mil argumentos, afinal há realmente uma série de motivações inconscientes ou não. Porém, a verdade é que o ser humano é violento por natureza, especialmente o de sexo masculino. E na maior parte das vezes se orgulha desta natureza, pois utilizando-se dela tem a ilusão de que é superior à vítima. Sim, o grande mal dos homens é exatamente este: o desejo de ser superior ao outro.
Assim, um frio assassinato é punido com outro. A ilusão desses carrascos oficiais é que se fará justiça ou, pelo menos, que ficará o exemplo para que outros desistam de fazer o mesmo. Quantos desistiram? Para isso não existe estatística, mas para os que foram em frente, mesmo sabendo do seu provável destino, estão registrados em vários locais. E por que seguiram e não se frearam? Normalmente por não terem nada a perder. E por que a Justiça os condena à morte? Pelo mesmo motivo ilusório. Nada se perde com a morte de um criminoso; pelo contrário, dizem uns: a sociedade ganha com isso. Como, se foi a própria sociedade que propiciou de uma maneira ou outra, direta ou indiretamente, a existência do tal monstro e foi dela que ele saiu? Ou será que veio de outro planeta?
Já conheço os argumentos a favor e sei que muitos me farão a pergunta: já teve alguém próximo assassinado friamente, sequestrado ou estuprada antes de morrer? Não, realmente nunca tive, e se tiver, não há a menor dúvida, vou ter ímpetos de matar tal sujeito e talvez até execute este intento. Mas por que reagiria desta forma? Por estar envolvido emocionalmente com a tragédia, por ser uma vítima viva de tal crime. Estaria agindo em estado de ódio profundo. No entanto, quando o desespero é institucionalizado é porque o caos chegou à sociedade como um todo e a praga se espalhou por completo. E mais um frio assassinato é executado em nome de uma sociedade infestada, como diria Albert Camus, por ela mesma, a verdadeira peste.
Obs.: este texto, escrito por mim entre o fim dos anos 90 e o início dos 2000, com pequenas modificações e uma correção feita antes desta publicação, foi selecionado para participar do Prêmio Off Flip de 2022 na categoria crônica, mas abri mão de continuar na disputa.
Ilustração: cartaz do filme "Não matarás", de Krzysztof Kieslowski. Vídeo:trailer do filme "Não matarás", de Krzysztof Kieslowski.
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