domingo, 21 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: O CAÇADOR DE ESMERALDAS

Esta música foi paixão à primeira audição. Sou fã de longa data de João Bosco, assisti a um show dele no Canecão, no Rio de Janeiro, nos anos 90, mas confesso que não sou muito assíduo na sua obra - ou não tanto quanto eu acredito que deveria toda vez que o ouço. Creio que isso se deva ao fato de ele ter sido muito gravado por outros grandes artistas, como Elis Regina, por exemplo, e era por intermédio deles que mais frequentava suas músicas, principalmente as composições extraordinárias com Aldir Blanc. E "O Caçador de esmeraldas", obra-prima desta dupla genial da História da Música brasileira, me veio por intermédio de uma coletânea que ainda tenho em CD, a mesma cuja capa ilustra o vídeo abaixo, e chapei. Ouvi a versão com Elis e considero esta, com João, bem superior.

E por quê, pode estar se perguntando você agora que me lê e me acusando de heresia musical? O violão hipnotizante de João e o arranjo. Senhoras e senhores, que arranjo excepcional! Ouvindo a música com atenção, se puder com um bom fone de ouvido melhor ainda, eu me sinto dentro da mata acompanhando os passos do bandeirante Fernão Dias Pais Leme, o Caçador de Esmeraldas. A maestria de Aldir ao juntar poesia e História (escondida) do Brasil é por demais conhecida e aqui ela também se destaca, embora não tenha a mesma fama do Navegante Negro, o Mestre-Sala dos Mares João Cândido, líder da Revolta da Chibata. 

Em algum momento "O Mestre-Sala dos Mares" aparecerá por aqui também, mas agora viaje pelas matas ancestrais deste país, com "O caçador de esmeraldas".


domingo, 14 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: INDIAN ROPE MAN

Volta e meia enalteço o YouTube por proporcionar a mim e a qualquer pessoa que tenha interesse, momentos espetaculares da TV e do cinema que não pudemos assistir na época em que foram veiculados ou para rever o que já tínhamos visto. Isso nas mais variadas áreas de atuação do ser humano, seja na Arte, na Cultura, no Esporte, na Ciência, Política etc. Pois bem, há bem pouco tempo o YouTube me revelou uma novidade do início dos anos 70, o grupo alemão Frumpy, que nunca tinha ouvido falar, cantar, tocar. E foi só botar os fones no ouvido e apertar o play para perceber toda a qualidade da banda, em especial a cantora Inga Rumpf, que ainda está em plena e maravilhosa atividade, aos 76 anos de idade (veja aqui e aqui).

A banda nasceu em Hamburgo e é um dos representantes do krautrock alemão dos anos 70. Durou pouco tempo, de 1970 a 72, e depois teve um retorno entre 1990 e 95, mas a fase que me despertou o maior interesse foi o primeiro, com hard rock, rock progressivo e um vocal de arrepiar. A formação inicial tinha, além de Inga, o baterista Caster Bohn, o baixista Karl-Heinz Schott, o tecladista francês Jean-Jacques Kravetz e o guitarrista Rainer Baumann.

"Indian Rope Man", de Richie Havens (a versão dele também merece ser ouvida, clique aqui), J. Price e M. Roth, é apenas uma das muitas músicas gravadas pelo grupo que eu poderia escolher para fazer parte desta série, mas é ela que vai abaixo, com a banda em ação para que você concorde ou não comigo. Para mim foi uma espetacular revelação. Antes tarde do que nunca. 

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domingo, 7 de agosto de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: CROSS-EYED MARY

Embora seja muito fã do Jethro Tull e "Cross-Eyed Mary" tenha sido gravada no disco mais conhecido deste grupo inglês, "Aqualung", de 1971, eu a ouvi pela primeira vez com outra banda inglesa, o Iron Maiden, gravada num compacto que tinha "The Trooper" no lado A. Não sei bem a razão (Freud explica?), mas ela voltou à minha memória há poucos dias e resolvi incluir aqui com os dois grupos.

A letra, de Ian Anderson, cantor, flautista e violonista do Jethro Tull, conta a história de Maria Caolha (ou vesga), uma colegial prostituta que prefere a companhia de grisalhos tarados ("leching greys") e ricos do que a de seus colegas de escola. Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, diversas vezes se declarou fã do Jethro Tull, e já fez um concerto com Ian em 2011, na Catedral de Canterbury, na Inglaterra. E prometem outro encontro num projeto proposto por Bruce no fim do ano passado. Tomara que dê certo e pinte por aqui.

Bom, vamos então ouvir as duas versões da Maria Caolha? Na verdade três, pois decidi incluir uma ao vivo também do Jethro Tull. Espero que curtam!




domingo, 31 de julho de 2022

MÚSICA PRA VIAGEM: MY SWEET LORD

George Harrison é o Beatle que mais admiro. A razão é bem pessoal, muito mais do que musical, afinal John Lennon e Paul McCartney, principalmente este para mim, não deixaram seus nomes na História da música por acaso, sem esquecer Ringo Star, claro. Talvez Harrison simbolize para mim aquele que, no quarteto fabuloso, foi ofuscado pelo intenso brilho de John e Paul. Mas quando se lançou à carreira solo demonstrou que tinha talento para brilhar tanto quanto os outros dois. Porém, sempre foi preterido pela maioria dos fãs dos Beatles e, de alguma forma, pela própria banda. E eu, como quase sempre me ligo aos que têm menos atenção do que merecem, estou aqui a reverenciá-lo.

Quem já assistiu ao "Concert for George" dificilmente deixou passar incólume a emoção que tomou palco e plateia naquele 29 de novembro de 2002, portanto quase 20 anos atrás, no Royal Albert Hall, em Londres. Ainda mais vendo à frente da banda de astros da Música de Língua Inglesa Dhani Harrison, novinho, ao lado de Eric Clapton, além de Paul McCartney, Ringo Star, Jeff Lynne entre tantos outros que estiveram naquele palco. E quando Billy Preston começa a cantar "My sweet Lord" fica difícil não se comover. Pela sua interpretação, por toda profunda simplicidade que a canção pede.

No auge do sucesso dos Beatles, George Harisson buscou algo mais do que os ensurdecedores e histéricos gritinhos das moças das plateias lotadas em todo lugar em que iam, muito mais do que os muitos dólares que acumulavam com a venda de discos mundo afora. E na sua busca pela plenitude, pelo Divino, pela força espiritual, creio que ele a tenha encontrado nas coisas simples, belas e profundas que a vida nos dá, na união das espiritualidades (que vai muito além das religiões), no amor que inclui, jamais exclui. Creio que "My sweet Lord" sintetize bem tudo isso. 

Então, sem mais delongas, fique abaixo com a versão citada acima e também na voz de George, gravada originalmente no ótimo "All things must pass", seu terceiro álbum solo, o primeiro após a separação dos Beatles, lançado em 1970. O fato de ter feito um disco triplo, de ótima qualidade, só demonstra que material guardado o seu talento tinha de sobra.

"Hallelujah, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare..."



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