quarta-feira, 25 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

BELEZA E CAOS: ARTE EM TODA PARTE

Diz-se dos artistas de um modo geral e dos poetas especificamente que eles têm uma proximidade muito grande com assuntos que dizem respeito ao divino, que enxergam o invisível, o abstrato, a alma das matérias. Disse o americano Ezra Pound, com toda autoridade que lhe é conferida pela sua obra, que o poeta é a antena da raça. Muitas poesias e obras literárias anteciparam acontecimentos, ou revelaram algo que ninguém – ou quase ninguém - podia ou conseguia enxergar.

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A beleza e também o horrendo – por que não? – estão à nossa volta o tempo inteiro. Talvez seja melhor dizer a ordem natural e o caos, que tanto podem produzir o belo como o horror. Depende de como se veja. Estão em toda parte, concreta e abstratamente, talvez em maior quantidade e intensidade no mundo em que olhos nus não alcançam.
A Física já se aproximou muito da arte e da espiritualidade como já nos mostrou Fritjof Capra. Não existe divisão, departamentos, seções, classificações na natureza. Tudo é um todo. Quem divide, departamentaliza, secciona e classifica é o homem, que facilita seu entendimento, mas se esquece que uma parte não vive sem a outra, que uma interfere na outra, mesmo sem conexões plausíveis, proximidades. É como aquilo que um dia li em algum lugar (já não me lembro quem disse ou escreveu): “uma batida de asas de uma borboleta na América pode ser o princípio de um vendaval na Ásia”.





A vida ainda traz muitos mistérios que o homem nem ousa chegar perto, mesmo os cientistas mais aclamados ou santos e sacerdotes mais próximos do que chamam Deus. A vida está em constante movimento, produzindo beleza e caos, com a contribuição ativa do ser humano, tanto para um – cada vez menos – como para o outro – cada vez mais. Uma ótima ilustração é o pensamento do escultor Auguste Rodin: “Tudo é movimento, até um corpo morto, em seu processo de decomposição, produz movimento”.
Mas se a vida é eterna, infinita, o que dizer da morte? Outro dia li uma frase de Walt Withman, o poeta americano que revolucionou a língua inglesa, especialmente em seu país. Do meu modo de entendê-las, Withman retrata muito bem o que significam: “A vida é o pouco que nos sobra da morte”.

E respaldado pelas palavras de dois gigantes da poesia e um das artes plásticas, além de um físico fora do comum, posso terminar este texto que muito me honrou ter escrito para a Coluna do LAM dizendo duas coisas que acredito muito no meu ofício de escritor e poeta. Uma é que o verdadeiro artista não expressa apenas aquilo que o público quer, mas aquilo que é necessário. Fazer só o que o público deseja é ser o bobo da corte. E para fechar: poesia sem filosofia é mero jogo de palavras.

* Este texto foi originalmente publicado no antigo site do jornalita Luiz Antonio Mello, Coluna do LAM. Atualmente, Coluna do LAM é um blog

Ilustrações (por ordem, de cima para baixo): Ezra Pound; capa do livro Ponto de Mutação, de Fritjof Capra; Fritjof Capra; retrato de Auguste Rodin feito por seu xará Renoir, e Walt Whitman.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

REENCONTRO COM LOBÃO *

Já começava a querer dar por encerrada a leitura de mais um capítulo do livro "Lobão, 50 anos a Mil" na madrugada deste 27 de abril de 2011 quando me deparo com algo surpreendente que me fez corrigir o rumo que traçava nesta noite chuvosa: em vez de dormir, afinal já estava na cama com sono, vim para o computador. Conta Lobão, creio que em 1997, quando se recuperava bem de mais uma tentativa de suicídio e já começava a compor as músicas do histórico e excelente CD "A Vida é Doce", que foi assistir com sua mulher, Regina, ao filme "A Eternidade e Um Dia", do cineasta grego Theo Angelopoulos, no Cine Estação Botafogo, e que foi por intermédio deste filme que conseguiu fechar aquela que é uma das que mais gosto dele, a que dá título ao álbum numerado e vendido em banca, justamente com a frase que faltava: "A Vida é Doce".
Caramba, eu estava na mesma sala, na mesma noite, assistindo ao filme e não sabia que havia sido tão importante para ele como foi para mim. Acho que fui sozinho ao cinema, mas nunca esqueci desse episódio, por alguns bons motivos. Primeiro, o fato de ter me surpreendido na fila com um artista conhecido e era um Lobão bem mais magro do que estava habituado a ver na TV e nos jornais. Até fiquei um pouco na dúvida se era ele mesmo, mas já dentro da pequena sala (ele entrou primeiro) confirmei que era o próprio. E principalmente porque aquele ótimo filme (que aliás preciso rever) me inspirou a escrever a poesia "Minha Noite". Fiz inclusive questão de destacar que ela fôra inspirada no filme do cineasta grego. Quatorze anos se passaram para que houvesse esse reencontro, embora ele mal saiba quem sou e muito menos que houvera um encontro.

MINHA NOITE

Inspirada pelo filme “A Eternidade e Um Dia”, de Theo Angelopoulos

Nunca precisei tanto de um abraço!
E na solidão da minha noite
o que eu mais quis
foi o que nunca tive:
o seu!
Cheguei a pensar em alugar um corpo
pra fingir ser o seu...
Sim, mil vezes sim:
o amanhã é a eternidade
e um dia;
E sei que posso morrer
a qualquer instante,
mas também que posso
viver cem anos
num só dia.

* Este texto também está publicado no site Coluna do LAM
Ilustração: Fábio Oliveira (http://desenhafabio.wordpress.com/)
Vídeo: cena do filme "A Eternidade e Um Dia", de Theo Angelopoulos. Esta é a que Lobão descreve no livro como sendo a que o fez achar o verso que faltava para fechar a música "A Vida é Doce", que também dá título ao CD lançado em 1999.
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Os Sopros Mágicos de Carlos Malta

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PARA MILTON E NOSSOS AMIGOS

Talvez Elis ou outro alguém muito inspirado disse certa vez que se Deus tem uma voz ela é a do Milton Nascimento. Sou lá muito sabedor das coisas de Deus não, embora com ele tenha esbarrado por vezes, ou imaginado isso, porém não é só a potência e beleza de voz que sai da boca desse carioca de Três Pontas (MG), as palavras, as frases, a poesia cantada - até quando não há palavras.

Tá certo, tá certo, Milton não fez, nem faz, tudo sozinho, mas o cara sempre soube escolher muito bem seus amigos, e ninguém cantou melhor a amizade do que ele, ninguém. Que bom amigo é coisa pra se guardar...

Eu, que nasci no Dia Internacional do Amigo, que sempre valorizei e exaltei a amizade, e que além de tudo amo as Minas Geraes, não poderia deixar de ser fãzaço desse gênio da música chamado Milton Nascimento. Ele é um grande inspirador. Salve Milton! Vida eterna, meu amigo. Voz e poesia eternas.


Vídeo: Caxangá (Milton Nascimento), com Elis Regina e Milton Nascimento.

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