quarta-feira, 16 de outubro de 2013

UMA TARDE INESQUECÍVEL NA CIDADE DE DEUS

Retratada de forma ao mesmo tempo histórica e ficcional em livro de Paulo Lins que depois foi para as telas de cinema, a Cidade de Deus sempre teve a fama justificada de um dos lugares mais violentos do lado mais cruel do Rio de Janeiro. A coisa se acalmou um pouco nos últimos anos com a "pacificação" implementada pelo Governo do Estado, que por outro lado jamais se preocupou em dar sustentação ao projeto das UPPs com os mais fortes alicerces que crianças e jovens devem ter: a Saúde e a Educação. Como o Governo se  ausenta destes e de outros vários setores prioritários, a sociedade se movimenta para fazer a sua parte e a de quem deveria estar à frente de tudo. Assim, já há três anos, a Agência do Bem atua na Cidade de Deus com um pólo da Escola de Música e Cidadania, atendendo a 200 meninas e meninos.
Levado por um grande amigo (mais que amigo, irmão), tive a honra de conhecer o trabalho dessa organização da sociedade civil em 7 de agosto deste ano em seminário realizado num hotel da Barra da Tijuca. Lá pude assistir comovido a uma apresentação de um sexteto selecionado da Orquestra Nova Sinfonia, que abrange jovens e crianças de outras duas comunidades atendidas pela Agência do Bem: Beira Rio, em Vargem Grande, e Novo Palmares, em Vargem Pequena. E no debate realizado naquele dia, após a apresentação de Alan Maia, diretor da Agência do Bem, dos seus parceiros e da sensacional palestra do economista Sérgio Besserman, vi claramente que muito mais do que formar músicos profissionais, o objetivo é sensibilizar e formar público para músicas de qualidade. E isso também vale para os adultos.
Esse trabalho fantástico me motivou a levar a ajudá-lo de alguma forma. E depois de cedermos alguns DVDs e CDs para o acervo da Escola de Música e Cidadania, tivemos a chance de levar ontem, 15 de outubro, dia do Professor, o ator-palestrante internacional Raul de Orofino para uma apresentação especial e gratuita na Cidade de Deus. E como pus no título, foi uma tarde inesquecível, por tudo. Pela apresentação inspirada e inspiradora deste grande ator, a interação com o público jovem presente, a participação de todos na conversa que houve após a peça "O Homem do Fecicebuque e outras histórias", o brilho no olhar de cada um, o carinho e o amor dado e recebido, todo o aprendizado que se colheu em mais ou menos três horas naquela sala de aula.
Saí da Cidade de Deus, pouco depois das 16h, uma pessoa muito melhor do que a que chegou lá, por volta de 13h. E vi reforçado em mim que não serão grandes reformas políticas, legislativas ou judiciárias, revoluções, protestos - ainda mais os violentos -, projetos mirabolantes e milionários, que farão mudar para melhor nosso dia a dia, nossa casa, nosso prédio, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso estado (e o Estado), nossa região, nosso país, nosso continente, o mundo. É somente exercendo por inteiro o amor, uma palavra que anda sendo desgastada por tão mal usada, que poderemos "sacudir o mundo" (viva também o outro Raul!). Tenho agora isso definitivamente dentro de mim.
Foto: Vanderson Rodrigues
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

LUIZ MELODIA, O NEGRO GATO E SUAS PÉROLAS

Luiz Melodia no Sesc Tijuca, com Renato Piau
ao violão. Foto: Cristina Velloso.
Corrigi ontem, no Sesc Tijuca, uma falha no meu currículo de apreciador de música: assisti pela primeira vez a um show de Luiz Melodia. Um espetáculo para guardar na memória. Casa cheia, com ingressos esgotados, e o cantor e compositor demonstrando estar ainda no auge, muito bem acompanhado de um trio de cordas de primeira linha, formado por Renato Piau (violão de seis cordas), Alessandro Cardoso (cavaquinho) e Leandro Saramago (violão de sete cordas).

Melodia brincou com a platéia, deu espaço para os seus músicos brilharem, dançou, e cantou como sempre, passeando pelos seus grandes sucessos, como "Pérola negra", "Juventude transviada", "Magrelinha", "Fadas", "Estácio, holly Estácio" e "Negro gato", que encerra o show em altíssimo astral.

Ele deixou "Codinome beija-flor" de fora, para decepção de algumas fãs. Até gosto muito da música do Cazuza (com Ezequiel Neves e Reinaldo Arias), mas sinceramente não fez falta para mim. Luiz Melodia preferiu apresentar uma música nova, "A cura", e mostrar uma de seu pai, Oswaldo Melodia, que agora não me recordo o nome. Ambas muito boas.

Neste domingo, dia 13 de outubro, houve quem escolhesse o Maracanã para ver o meu Flamengo perder para o Botafogo, outros foram à Apoteose encarar o peso pesado do Black Sabbath, mas preferi o Luiz Melodia. E posso dizer sem medo de errar: foi a melhor escolha para mim. Em todos os sentidos!


Vídeo: show gravado pelo programa "Talentos", da TV Câmara
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

GASOLINA NO INCÊNDIO 14

Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A décima-quarta questão-provocação é a seguinte:

Comprar drogas no morro é financiar o tráfico, e pagar os escorchantes impostos que nos cobram os governos municipal, estadual e federal sem nos dar retorno em Saúde, Educação e Transporte Público é financiar a corrupção oficial.

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ROGER WATERS SETENTÃO

Roger Waters jovem
Falar de Roger Waters, que hoje completa 70 anos de idade, é falar de Pink Floyd, para mim o mais importante grupo de rock de todos os tempos. É tão importante pessoalmente que repito aqui o que já escrevi anteriormente: se fosse condenado a ouvir apenas um artista da música para o resto da minha vida não hesitaria em escolher a banda que Mr. Waters liderou do fim dos anos 60 até 1983. Escrever sobre ele e o Floyd me faz voltar a meados dos anos 70, quando eu ouvi pela primeira vez o antológico "The Dark Side of the Moon", na casa de um vizinho. Todas as sextas-feiras, como esta, eu e meu irmão subíamos ao 404 do prédio onde morávamos no Grajaú, para juntamente com esse colega, sua irmã e uma amiga dela ouvirmos esse disco, um do Elton John que não me recordo agora, jogar War e ver As Panteras. Não necessariamente nesta ordem, muito menos separadamente.

Demorei muitos anos para me tocar qual disco misterioso, com sons amedrontadores e fantásticos, de capa preta com um "triângulo" desenhado, ouvia lá pelos meus 8, 9 ou 10 anos. E percebi que foi ali que toda minha admiração por Waters, David Gilmour, o saudoso Richard Wright e Nick Mason começara. Nunca os vi juntos ao vivo, mas tive a feliz oportunidade de me emocionar muito com duas apresentações do aniversariante deste dia 6, que trouxe ao Rio versões completas de dois álbuns históricos: o próprio "Dark Side of the Moon", em 2007, na Apoteose, com músicas de outros excelentes discos, como o "Animals", e da sua carreira solo, e um show dilacerante em março do ano passado de "The Wall", que, pelo que dizem hoje as autoridades cariocas, poderia ter posto o Engenhão abaixo.

Roger Waters, com seu baixo, em ação num show

Veja também:

Vida longa, muito longa, a este gênio da música!

Vídeo: show completo de "Dark Side of the Moon Live Tour", na Argentina, em 2007.

Para quem não sabe, Roger Waters é criador das músicas da ópera "Ça Ira", sobre a Revolução Francesa, já apresentada no Brasil (quem quiser assistir é só clicar aqui). Já ouvi, mas só verei em breve.

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

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