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Filipe Luís, técnico do Flamengo, durante a Copa Intercontinental, no Catar. Foto: Getty Images
O jovem e já muito vitorioso técnico do Flamengo, Filipe Luís, vem sendo exaltado com todos os motivos do mundo por torcedores e jornalistas pelas taças que ele tem ajudado muito o time rubro-negro a ganhar (claro, há os chatos e sem noção que ficam pedindo a cabeça do técnico a qualquer mau resultado, mas faz parte da cegueira da paixão que o futebol muitas vezes traz). Embora ele ainda cometa algumas falhas, o que é normalíssimo em se tratando de um treinador que está há pouco mais de um ano no comando do time principal, eu também estou muito satisfeito. Claro, como quem me conhece ou lê este blog sabe muito bem para qual time torço.
No entanto, no meu modo de entender, a maior lição que Filipe Luís deixa a todos, não só os envolvidos com o futebol é que a Educação compensa. Em um país em que até presidentes e políticos das mais variadas (des)orientações se vangloriaram e se vangloriam de que não precisaram estudar para terem chegado onde chegaram, o técnico do Flamengo deixa o recado importantíssimo, principalmente aos mais jovens.
E não só o fato de dedicar horas e mais horas a estudar os adversários e o seu próprio time, a responsabilidade de liderar 40, 50 cabeças ou mais, das mais diversas culturas e vivências, é a Educação em lidar com o outro, com o adversário, jornalistas, funcionários etc. Filipe Luís trata a todos com muita Educação e valoriza a educação esportiva, pois sabe reconhecer os méritos dos adversários até mesmo quando vence e não fica dando chiliques e pressionando a arbitragem durante os jogos.
É portanto um jovem treinador brasileiro dando a lição em muitos dos seus colegas mais velhos, que em vez de estudarem e se atualizarem voltam-se contra técnicos estrangeiros que atuam no futebol brasileiro. Alguns deles (nem todos, claro) importantíssimos para, justamente elevar o sarrafo e forçar nossos treinadores a melhorarem cada vez mais.
Outro jovem técnico em destaque
Para completar, logo após a vitória sobre o Ceará, que garantiu o título brasileiro deste ano ao Flamengo, Filipe Luís elegeu Rafael Guanaes o melhor técnico da competição. Humildade, além de tudo, ele tem. Afinal, mesmo com todos os méritos do treinador campeão, o que o também jovem Guanaes fez com o Mirassol, ao levar a pequena equipe do interior de São Paulo ao quarto lugar na sua primeira participação na elite do futebol brasileiro e à consequente classificação para a fase de grupos da Taça Libertadores pode entrar no rol dos milagres futebolísticos.
E Guanaes, pelo pouco que vi, li e ouvi, é outro que valoriza o estudo, a Educação. Que, neste mundo com tantos péssimos exemplos no comando de nações, inclusive, os técnicos de Flamengo e Mirassol sirvam de exemplo, referência.
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E lá vou eu novamente Em busca do meu lugar no mundo Como, se há tanto, um mundo inteiro Aqui dentro sem caber em mim?
Tantas terras, tanta gente, Tantos cantos, tantas palavras, Tantos momentos, tantos instantes, Ecos, reflexos, reflexões, criações Pensamentos, sentimentos, sensações, Alegrias, emoções, consternações, Conquistas, erros, erros, erros... E a eterna vontade de acertar, A vibrante inquietude de ver florescer Tudo, tudo, tudo o que foi Pacientemente, diariamente, Semeado. E tudo, tudo, tudo o que ainda Falta semear.
Passeio no passado Flutuo no futuro Piso no presente
Ilustração produzida com o auxílio do GPT Image (IA)
Um pouco mais sobre isso tudo acima
Toda vez que ocorre uma mudança importante em minha vida palavras, versos, frases, versões brotam dos meus pensentimentos. Não só nestes momentos, claro, mas invariavelmente neles. E agora que deixamos, eu e minha mulher, Florianópolis - como moradia - no passado e estamos em Jundiaí (SP) com esperança de novos tempos, novas oportunidades, "novos olhares que nos façam sorrir" (muito grato, mestre Paulinho da Viola), compus em duas etapas "Um mundo inteiro sem caber em mim", que você que aqui chegou provavelmente leu.
E, como a tecnologia em que venho mergulhando já há um ano me permite, aproveitei para pedir ao Suno que me trouxesse música aos versos acima. Pensei depois em trocar "piso" por "finco pé" no presente, mas deixei como originalmente surgiu-me.
Creio que a interpretação de leitoras e leitores não será a de pisotear, mas ao lançar ao mundo o que escreve o poeta sabe que cada leitura traz uma nova cor, uma nova mensagem, novas interpretações de acordo com a vivência de quem lê e de alguma forma se apropria da obra. Desapego e lanço assim ao mundo. Mesmo que este mundo seja formado por apenas meia dúzia de pessoas.
Saudações a você e a tudo de maravilhoso que o Universo nos traz diariamente. E que os maus espíritos e maus pressen e pensentimentos não ganhem vida. Obrigado a Floripa e a todos os amigos e amigas que lá deixei e que reverei, alguns muitas vezes mais, pois se assim desejarmos.
A homenagem
A partida de Lô Borges me deixou muito triste. Suas músicas, especialmente as do Clube da Esquina fazem parte da trilha sonora da minha vida e continuarão até o fim. Tenho sangue mineiro, isso explica muita coisa.
Inclusive o pedido à plataforma de IA para que fizesse uma música para esta poesia que criei em duas partes há poucas semanas com estilo da música das Minas Gerais, com pitadas de rock e música clássica, o que neste caso específico entendo que foi completamente ignorada. Sem problemas, o resultado me agradou e me emocionou muito.
E a você? Ouça e veja o vídeo abaixo ou no meu canal do YouTube como ficou a música e comente, siga o blog. Agradeço.
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O heavy metal fez uma parte do público curtir e balançar
cabeça no bar Além da Imaginação. Porém, outra parte se dispersou, foi ao
banheiro, pegar um ar do lado de fora. Ceguinho Torcedor, então, deu como se
fosse um passo, um passe pra trás, recuando um pouco com a intenção de o jogo abrir novamente.
Ceguinho Torcedor: - Aquele Santos era o maior do
mundo, muito melhor que o escrete húngaro do Armando Nogueira!
João Sem Medo: - O escrete húngaro de 54 era
espetacular, mas não era imbatível, Ceguinho. Tanto que perdeu, de virada, a
final da Copa pra Alemanha Ocidental.
Idiota da Objetividade: - Os húngaros eram os campeões
olímpicos e chegaram à final sem saber o que era derrota há mais de quatro
anos, num total de 31 jogos invictos. Em novembro de 53, golearam por 6 a 3 os
ingleses em Wembley, onde os donos da casa não eram derrotados por uma seleção
não-britânica desde 1901. Este é chamado de O Jogo do Século, eleito pela Fifa
como um dos mais sensacionais de todos os tempos. Na revanche pedida pelos
ingleses, menos de um mês antes da Copa de 54, os húngaros fizeram ainda
melhor, venceram por 7 a 1, em Budapeste. Esta é a pior derrota da história do
futebol inglês até hoje.
Garçom: - Esse negócio de 7 a 1 eu não gosto
muito, não.
Alguns riem, outros fazem cara feia.
Idiota da Objetividade: - Já no Mundial da Suíça,
massacraram os alemães ocidentais na primeira fase, com uma vitória de 8 a 3.
Sobrenatural de
Almeida: - Não
estive na Suíça, mas foi assombroso. Deve ter sido algum parente distante meu
que tirou aquele título da Hungria.
Ceguinho Torcedor: - Os húngaros eram favoritíssimos e
abriram 2 a 0 no início da grande final.
Idiota da Objetividade: - Acabaram derrotados por 3 a 2. Mas
teve um gol de Púskas invalidado no fim da partida que gerou muita discussão.
Sobrenatural de
Almeida: - Foi um
parente distante na Suíça, só pode.
Garçom: - O Brasil perdeu da Hungria naquela
Copa, não foi?
Ceguinho Torcedor: - Perdemos.
E por quê? Pela superioridade técnica dos adversários? Absolutamente. Para nós
brasileiros, o futebol não se traduz em termos técnicos e táticos, mas
puramente emocionais. Em técnica, brilho, agilidade mental, somos imbatíveis. Antes
do jogo com os húngaros, estávamos derrotados emocionalmente. Fomos derrotados
por uma dessas tremedeiras obtusas, irracionais e gratuitas. E não era uma pane
individual: era um afogamento coletivo. Naufragaram, ali, os jogadores, os
torcedores, o chefe da delegação, o técnico, o massagista. Mas quem perde e
ganha as partidas é a alma. Foi nossa alma que ruiu face à Hungria, foi a nossa
alma que ruiu face ao Uruguai, em 50. Um Freud seria muito mais eficaz na boca
do túnel do que um Flávio Costa, um Zezé Moreira, um Martim Francisco. Só um
Freud explicaria a derrota do Brasil frente à Hungria, do Brasil frente ao
Uruguai e, em suma, qualquer derrota do homem brasileiro no futebol ou fora
dele.
Sobrenatural
de Almeida: - Os psicólogos e as
psicólogas já estão no futebol tem tempo, Ceguinho.
João
Sem Medo: - Agora não tem mais desculpa. Se bem que
tem uma turma de palestrantes motivacionais...
Garçom: - Melhor deixar quieto, seu João.
João
Sem Medo: - É. Não compro mais briga por tão pouco.
Idiota da Objetividade: - A Hungria, sem Púskas, porque
estava machucado, mas com Hidegkuti, Kocsis e outros grandes craques, eliminou a
seleção brasileira nas quartas-de-final, com uma vitória de 4 a 2. Foi uma
partida muito tumultuada e teve confusão no fim.
João Sem Medo: - Tínhamos grandes jogadores também,
como Djalma Santos, Nilton Santos, Didi, Pinga, Julinho Botelho, mas a seleção
não estava bem preparada.
Músico: - Seu João, desculpe interromper, mas antes daquela Copa, os paulistas,
especialmente os corintianos, levavam muita fé no Baltazar, o Cabecinha deOuro...
Idiota da Objetividade: - Baltazar foi o autor do primeiro gol do Brasil
naquele Mundial, na goleada de 5 a 0 sobre o México. Mas depois de enfrentar a
Iugoslávia, ficou fora da partida contra a Hungria.
Músico: - Mas a esperança nos gols dele pela seleção eram tão grandes que o
compositor e radialista Alfredo Borba, autor da música “Gol de Baltazar”, gravada por ElzaLaranjeira em 1953, em homenagem ao artilheiro do Corinthians, com citação a
vários de seus companheiros, fez uma adaptação da música para a Copa de 54 e
pôs o título de “Gol do Brasil”.
Garçom: - Por isso, vamos chamar a cantora Elza Laranjeira ao palco pra cantar
esta versão pra gente, juntamente com o narrador Geraldo José de Almeida.
Elza e Geraldo se dirigem ao palco e chamam Baltazar pra ir
com eles. Os três são muito aplaudidos.
Elza Laranjeira: - Muito obrigado. Foi uma honra muito grande gravar as duas
versões desta música em homenagem ao grande artilheiro Baltazar.
Geraldo José de Almeida: - E de minha parte, um prazer enorme fazer a locução de um gol deste grande artilheiro pela seleção brasileira, mesmo sendo uma criação do Alfredo Borba, que ali está e gostaria que viesse ao palco também, por favor.
Alfredo Borba atende o chamado de Geraldo José de Almeida e também é muito aplaudido pelo público.
Baltazar: -
Agradeço muito a Elza, ao Geraldo, ao Alfredo Borba e a todos vocês pela emocionante homenagem.
Todos aplaudem a apresentação de Elza e a bola volta ao João
Sem Medo.
João Sem Medo: - A festa e a alegria aqui são muito bem-vindas, mas em 54,
na Suíça, os dirigentes, o técnico Zezé Moreira e os jogadores não conheciam
sequer o regulamento.
Idiota da Objetividade: - Depois de passar pela primeira vez
por eliminatórias, com quatro vitórias em quatro partidas, contra Paraguai e
Peru, a delegação brasileira também foi pela primeira vez de avião para uma
Copa do Mundo. Na estreia, como já dissemos, a seleção venceu o México, por 5 a
0, na estreia na Copa de 54. Em seguida, enfrentou a Iugoslávia com ambas as
equipes necessitando apenas de um empate para se classificarem.
João Sem Medo: - Um regulamento esdrúxulo, mas que
os brasileiros tinham obrigação de conhecer.
Idiota da Objetividade: - Eram dois cabeças de chave por
grupo e ambos não se enfrentavam; as outras duas seleções também não se
confrontavam. No Grupo 1, o do Brasil, a França era a outra cabeça de chave.
Como a seleção brasileira derrotou o México, e a Iugoslávia venceu a França,por 1 a 0, o empate classificava as duas equipes para as quartas-de-final.
João Sem Medo: - O regulamento ainda previa uma
prorrogação, sabe-se lá por quê. O jogo estava 1 a 1, o time do Brasil se
esforçando ao máximo pra tentar a vitória, enquanto os iugoslavos jogavam
tranquilos, os brasileiros se desesperavam em campo achando que teriam de fazer
um jogo extra três dias depois. Ninguém na delegação brasileira conhecia o
regulamento da Copa. Enquanto ainda estávamos surpresos com a classificação, os
iugoslavos bebemoraram e dançaram à vontade depois do jogo, no hotel em que
estavam hospedados.
Idiota da Objetividade: - Os brasileiros só ficaram sabendo
que a seleção estava classificada pelos repórteres que foram ao vestiário após
o jogo. Ainda assim dirigentes foram atrás do árbitro da partida e o
representante da Fifa para confirmarem a informação.
João Sem Medo: - Os dois ficaram horrorizados com o
desconhecimento do regulamento por parte dos brasileiros. Isso mostra bem como
estávamos na Suíça.
Sobrenatural de
Almeida: -
Assombroso!
Garçom: -
O futebol brasileiro não foi bem na Suíça, mas não deixou de ter a alegria da
tabelinha entre música e futebol naquele ano de 1954. Vamos ouvir, então, “O
rei da bola”, de Luiz Antonio e Sebastião Nunes, na voz de Marly Sorel.
Almir se livra de um jogador do Milan, observado por Coutinho (9). Foto: Santos FC
Santos e Botafogo foram mesmo os principais times do Brasil
nos anos 60. Portanto, o papo no bar “Além da Imaginação” acabou retornando ao
clube paulista, que obteve conquistas mais expressivas que o carioca.
Idiota da Objetividade: - A confirmação de que o Santos era
o melhor time do mundo no início dos anos 60 veio em 1963, com a conquista do
bicampeonato mundial. Almir Pernambuquinho foi um dos grandes nomes daquela
final, como já dissemos.
Garçom: - O Santos enfrentou qual time mesmo
na final?
Garçom: - Lembro do Maldini filho, muito bom
jogador. Foi vice pra gente, em 94.
João Sem Medo: - O pai dele também foi um grande
jogador. Mas o Santos, mesmo sem Pelé, conseguiu superar o timaço do Milan.
Sem anunciar nada, Zé Ary põe no telão a versão de Zeca Baleiro pro hino mais popular do Santos, chamado de “O Leão do Mar” e que foi
composto por Mangeri Neto e Mangeri Sobrinho.
O povo do bar assiste com atenção e quando o clipe acaba,
João Sem Medo passa a bola pra Ceguinho Torcedor.
João Sem Medo: - O Santos conquistou aquele título de 63 no pau e na bola.
Ceguinho Torcedor: - O Santos era uma equipe
assassinada pela desumanidade de seus dirigentes. Nenhuma equipe terrena pode
jogar tanto sem morrer. E contra o Milan, o glorioso time santista ruía aos
pedaços, estrebuchava, agonizava.
João Sem Medo: - Os times brasileiros eram
obrigados a excursões extenuantes, com jogos de dois em dois dias, mais as
viagens. Além do Pelé, o Santos jogou as finais de 63 no Maracanã sem o Zito e
o Calvet.
Ceguinho Torcedor: - Nunca houve cansaço tamanho. E
apesar disso ganhou do Milan na mais linda reação que se conhece. Ganhou duas
vezes. No primeiro jogo, o Santos saiu pro intervalo perdendo por 2 a 0. Mas
cai uma tempestade de 5º ato do Rigoletto no Rio de Janeiro e mudou tudo.
Como que por encanto, ouve-se um estrondo, um trovão com
relâmpagos, e toda plateia fica arrepiada. Sobrenatural de Almeida dá sua
gargalhada tenebrosa, cantarola um trechinho da ópera de Giuseppe Verdi e todos entendem que ele tinha atuado como sonoplasta da narração do Ceguinho
Torcedor, que prossegue.
Ceguinho Torcedor: - O Santos virou e levou a decisão para a terceira partida. Houve
quem dissesse que Almir era um delinquente irrecuperável e paranoico. Mas se
Almir chutou o Amarildo no terceiro jogo, o que fez Didi, o Príncipe Etíope de Rancho,
que quebrou o Mendonça? Ninguém o chamou de delinquente e paranoico. Nem o
próprio Amarildo, que quebrou o Jair Marinho, num Fluminense e Botafogo.
Didi, em sua mesa, ao lado de d. Guiomar, nada fala, apenas
acompanha a resenha com atenção. Numa mesa próxima, Almir Pernambuquinho apenas
sorri quando João Sem Medo começa a relatar o que viu naqueles jogos finais.
João Sem Medo: - A pancadaria comeu solta no
Maracanã. Almir deu um chute em Amarildo logo no início do primeiro jogo no
Maracanã. Almir, que aqui está e não me deixará mentir, confessou que jogou
dopado e que foi pra vingar Pelé, por quem tinha grande respeito. Amarildo
teria dito em entrevista que Pelé não era mais o Rei. E Pelé não pôde ir a
campo em nenhum dos dois jogos. Almir foi em seu lugar e na partida que decidiu
o título sofreu o pênalti de Maldini, que quis brigar e foi expulso. Dalmo pegou
a bola que seria do Pepe e converteu o pênalti pra dar o título ao Santos. Até o Lula, técnico do Santos, agrediu com um
soco o Carniglia, treinador do Milan. O Trapattoni caçou o Almir em campo, mas
ficou até o fim do jogo. Ismael deu uma cabeçada em Amarildo e também foi
expulso.
Sobrenatural de
Almeida: -
Assombroso! Eu fiz plantão naqueles dois jogos e irritei muito os jogadores do
time italiano. (dá outra gargalhada
tenebrosa e volta a cantarolar um trecho do Rigoletto)
Idiota da Objetividade: - O Santos chegou à final do Mundial
de 63 depois de conquistar a Libertadores daquele ano. Eliminou o Botafogo na
semifinal, com um empate em 1 a 1, no Pacaembu, e goleada de 4 a 0, no
Maracanã. Na final contra o Boca Juniors, da Argentina, venceu por 3 a 2 no
Maracanã, e 2 a 1, em La Bombonera.
João Sem Medo: - O Santos ganhou do Boca lá dentro,
de virada, com gols de Coutinho e Pelé.
Idiota da Objetividade: - Pelé só jogou o primeiro jogo das
finais do Mundial, em Milão, na derrota de 4 a 2. Ele fez os dois gols do Santos,
de pênalti. Amarildo fez dois pro Milan. No Maracanã, diante de 132 mil
pagantes, o Santos perdia por 2 a 0 no primeiro tempo, mas virou na segunda
etapa para 4 a 2, com dois gols de Pepe, ambos de falta, um de Almir e outro de
Lima. Foi necessário então um terceiro jogo, disputado dois dias depois, em 16
de novembro de 1963. Mais de 120 mil pessoas pagaram ingresso para ver quem
seria o campeão. E numa partida marcada pela violência, como João já nos
relatou, o Santos ganhou de 1 a 0, gol de pênalti marcado por Dalmo, aos 35
minutos de jogo.
Almir Pernambuquinho, enfim, pede a palavra de sua mesa.
Almir: - Entrei com tudo naquela partida, pra matar ou morrer. Eu só pensava no
bicho, que dava pra comprar um Fusca do ano. Fui incentivado por um dirigente
chamado Nicolau Moran. Ele me disse: “Você pode fazer o que quiser em campo,
Almir. Você é rei lá dentro, faz o que achar melhor. O juiz não vai fazer
nada”.
Sobrenatural de Almeida: - Assombroso, Almir. Assombroso.
O público ri e Zé Ary pede a palavra.
Garçom: - Como falamos muito do grande Santos bicampeão mundial, vamos fazer uma
grande homenagem aqui com mais duas versões no telão do hino do clube: “Leão do
Mar”, com Paulo Miklos, e o hino oficial com a Rygel, banda santista de heavy
metal. Aguentem os ouvidos aí!
Músico: -
Aumenta que isso aí é roquenrol!
Fim do Capítulo #40
Episódio originalmente publicado em 2 de novembro de 2022 e republicado totalmente modificado em 22 de setembro de 2025.
O time do Santos campeão mundial em 1962: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Foto: Agência JB
A homenagem a Pelé é muito aplaudida pelo público presente ao
bar Além da Imaginação. Após uma breve dispersada, Idiota da Objetividade começa
a contar como o Santos conquistou o bicampeonato mundial de clubes.
Idiota da Objetividade: - No dia 11 de outubro de 1962, o
Santos, que havia sido campeão da Taça Libertadores da América ao vencer o
Peñarol do Uruguai, por 3 a 0, enfrentou o Benfica, no Estádio da Luz, em
Lisboa, depois de ter vencido por 3 a 2, no Maracanã, na primeira partida da
final do Mundial Interclubes. Diante de 80 mil presentes, o Santos sagrou-se
campeão com a vitória de 5 a 2, com três gols de Pelé, um de Coutinho e outro
de Pepe. Só nos cinco minutos finais, o time português descontou com Eusébio e
Santana.
Ceguinho Torcedor: - E Pelé, que na Copa do Chile praticamente não jogou, pôde
demonstrar mais uma vez o gênio que era.
Garçom: - Vamos, então, aproveitar pra ouvir outra música em homenagem ao Rei?
O “sim” forte e alto ecoa novamente no Além da Imaginação.
Garçom: - Jair Rodrigues, por favor, venha ao nosso palco!
Jair Rodrigues atende o pedido com o sorriso largo que todos
se habituaram a ver. E é muito aplaudido.
Jair Rodrigues: - Muito obrigado, minha gente! Vamos aqui fazer uma dupla
homenagem, ao Rei do Futebol e ao Rei do Baião. A música, de Durval Vieira e
Reginaldo Santos, se chama “Rei Pelé, Rei Luís”. Vamos lá, rapaziada!
Sob aplausos, Jair Rodrigues agradece e, quando ia voltar à
sua mesa, Zé Ary e os músicos pedem que ele aguarde um pouco. Ceguinho Torcedor
retoma a pelota.
Ceguinho Torcedor: - Mil novecentos e sessenta e dois foi
um ano glorioso para o futebol brasileiro. Na Europa só chamavam os jogadores
do Santos de gênios, gênios. Técnicos ingleses, italianos, a imprensa
portuguesa, todos se esbaldaram de elogios ao time brasileiro.
Ceguinho Torcedor: - É verdade, com um show de
Garrincha, deu de 3 a 0 no Flamengo, que jogava pelo empate.
Garçom: - Depois daquele jogo, o Gerson
resolveu sair do Flamengo, né?
João Sem Medo: - Foi escalado de ponta-esquerda e
ficou tentando ajudar o Jordan a marcar o “imarcável” Garrincha, que fez dois
gols. O outro Vanderlei jogou contra a própria rede após chute do Mané.
Garçom: - Na década de 60, Botafogo e Santos
eram os melhores times do Brasil e formaram a base da seleção.
João Sem Medo: - Isso mesmo. Mané, venha aqui, por
favor. Quero lhe dar mais um abraço. Enquanto isso, o Zé Ary vai convocar outra
música.
Garçom: - É verdade, seu João. Vamos agora homenagear os nossos dois maiores
gênios da bola e todos os que sonharam e ainda sonham ser um craque da bola,
novamente com o grande Jair Rodrigues.
Jair
Rodrigues: -
Bom, rapaziada, Mané, muito prazer revê-lo aqui. Vamos rolar a bola, então, com
“Pelés e Manés”, de Chico Xavier, que não é o
médium mineiro, mas o compositor cearense.
Ao fim da apresentação de Jair Rodrigues, a emoção tomou
conta de todos no bar. Garrincha subiu ao palco para abraçar o cantor e todos
aplaudiram de pé. Os aplausos foram bem demorados e muitos dos presentes se
dirigiram a Jair e Garrincha para cumprimentá-los.
Fim do Capítulo #39
Episódio originalmente publicado em 26 de outubro de 2022 e republicado totalmente modificado em 3 de setembro de 2025.