sexta-feira, 6 de junho de 2025

"FRAGMENTOS POÉTICO-FILOSÓFICOS DE BOTECO", POESIA MUSICADA COM IA

Título da Postagem
Imagem gerada com auxílio da IA para a abertura do vídeo

As experiências que tenho feito utilizando minhas poesias para musicá-las, com o auxílio da IA, mostrou-me, mais uma vez, como já imaginava lá nos primórdios, em meados dos anos 80, que este meu trabalho com versos foram feitos para a música. Nas primeiras poesias que produzi e registrei em papel, lá pelos meus 17, 18 anos, eu escrevia abaixo do título "Letra: Edu" (ainda tenho aqui, à máquina, arquivados em antigas pastas muitos destes papéis), o que comprovava já naquele tempo a minha intenção.

É que quando comecei a escrever poesias, a minha experiência com os versos era quase que exclusivamente alimentada pelas músicas brasileiras que tanto admirava e ainda admiro, principalmente Chico, Milton, Gil. Com o passar do tempo, o interesse em ler Cecilia Meireles, Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Cruz e Sousa, Arthur Rimbaud, William Blake e outros poetas, tanto dos versos quanto da prosa (quem disse que Clarice Lispector, por exemplo, não é poeta?), fui moldando minha escrita mais para o ler, sem, no entanto, abandonar o ouvir, pois que um ritmo, uma harmonia, até melodia sempre me acompanharam. 

Tanto que, tantas e tantas vezes escrevi - aqui mesmo, como você já deve ter observado - que componho versos, como a dizer compus letra pra música.

Veja também:

A poesia musicada com IA da vez

Todo este preâmbulo acima pra dizer que "Fragmentos Poético-Filosóficos de Boteco", que compus para o ainda inédito livro "Canções", como os próprios nomes sugerem (da poesia e do livro), são versos musicais que a inteligência artificial permitiu nascer, com arranjo de voz e violão, de um modo bem baiano, como sugeri à plataforma Suno

Normalmente, acho que já expliquei anteriormente, a aplicação fornece duas versões para cada geração de música, então, eliminei uma delas e fiquei com a que muito me agradou e que você vai poder ouvir abaixo, assistindo ao vídeo que editei com imagens também produzidas com a ajuda da IA.

Porém, antes do vídeo leia a poesia composta provavelmente num destes quase seis anos em que vivo em Florianópolis, aniversário que provavelmente não se completará, mas isto é outro papo. Creio que assim você terá uma ideia melhor de como foi a poesia antes de ter uma melodia pra chamar de sua.

Veja também:

FRAGMENTOS POÉTICO-FILOSÓFICOS DE BOTECO

(Eduardo Lamas Neiva)

Como se jogar
de corpo inteiro
se só ouviu o coração?
Jogue as vaidades
na fogueira.
Perdoar-se
pode ser sim
a melhor maneira,
mas pode levar sim
a um perigoso cinismo.

Onde há quem veja
acaso, coincidência,
fruto da fé
enxergo poesia
e finco pé
nas nuvens

Poesia é reconhecer o quanto
de sagrado e de profano
há num santuário e num bordel
Poesia é fazer o percurso
do Inferno ao Céu

Poesia está em ti,
está em mim
É prece ou revelação,
pois a arte mais sugere
que mostra
sem princípio,
nem fim.

Espero que tenha gostado e tenha vontade de comentar abaixo e seguir o blog. Agradeço, mais uma vez, desde já.

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Veja também:
Nau Poesia: Vertiginosa vida
Música pra Viagem: Mirrorball


quarta-feira, 4 de junho de 2025

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #36

Uma coisa jogada com música - Capítulo #33

Chico Buarque e Cyro Monteiro, a rivalidade do Fla-Flu levada na letra e na música

Todos se divertem com a música de Gilberto Gil, tocada e cantada pelos Novos Baianos.

Músico: - Embora seja o autor desta música em homenagem ao Bahia, Gilberto Gil diz que é torcedor de outro Tricolor, o doRio de Janeiro.

Garçom: - Ah, mas ele fez uma grande homenagem ao Flamengo. “Alô torcida do Flamengo, aquele abraço...”

Músico: - Na verdade, Zé Ary, Gil alega que aquele verso é uma ironia com a torcida rubro-negra. Diz ele que era um adeus aos flamenguistas que deixavam o Maracanã após os 3 a 2 pros tricolores na final do Carioca de 69.

Garçom: - Eu não acredito nisso. Será?

Músico: - Mas foi o que o compositor falou...

Ceguinho Torcedor: - Gilberto Gil é um autêntico e ilustríssimo torcedor do Fluminense. Meus caros, o Fluminense nasceu com a vocação para a eternidade. Tudo pode passar, só o Tricolor não passará jamais. O Fluminense é o único time tricolor do mundo! O resto são só times de três cores.

No público, ouvem-se risadas, aplausos e alguns poucos protestos bem-humorados.

Sobrenatural de Almeida: - Que Fla-Flu, que sururu!

Todos agora riem.

João Sem Medo: - Esta discussão fora de campo já rendeu música.

Músico: - Verdade, seu João. O próprio Cyro Monteiro pode nos contar a história.

Cyro se levanta e é aplaudidíssimo.

Cyro Monteiro: - Muito obrigado, minha gente. Bom, a história foi a seguinte, em 1969, quando meu amigo Chico Buarque foi pai pela primeira vez, em Roma, pois estava exilado, mandei de presente pra Silvia, filha recém-nascida dele e da Marieta Severo, uma camisa do meu Flamengo. Eu fazia isso com todos os meus amigos, fossem ou não torcedores rubro-negros. Chico agradeceu, mas respondeu com a letra de um samba que me devia: “Ilustríssimo Senhor Cyro Monteiro ou Receita para virar casaca de neném”.

Garçom: - Vamos ouvir, então? Depois o senhor prossegue contando esta história que é muito boa. Pode ser?

Cyro Monteiro: - Claro.

O povo no bar se diverte com o samba e a letra. Os tricolores aproveitam, então, para tirar um sarro com os flamenguistas. Mas Cyro retoma a pelota.

Cyro Monteiro: - Bom, ele gravou esta música que vocês acabaram de ouvir, em 1970. Mas não me fiz de rogado e a gravei dois anos depois. Querem ouvir?

Todos respondem em uníssono “sim”.

Cyro Monteiro: - Então, vamos lá.

E lá foi Cyro ao palco, com uma caixinha de fósforo na mão e uma bandeira do Flamengo enrolada no corpo, sendo muito aplaudido e apupado mais na troça do que qualquer outra coisa, pelos torcedores rivais, claro.

Quando ao final Cyro diz: “Ô Chico, a  Silvinha vai crescer e entender, tá?” e dá sua risada, todo povo entra em alvoroço, num verdadeiro Fla-Flu.

Cyro Monteiro (ainda rindo muito): - Eu avisei. Qual é o time da Silvia? Flamengo, claro.

E veio mais um sururu no bar, com muita alegria e respeito.

Ceguinho Torcedor: - O Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada!

Sobrenatural de Almeida: - E continua sendo disputado no Além da Imaginação! Assombroso! hahaha

Gargalhada geral, muita falação e barulheira, com gritos de “Mengo” e “Nense” e resposta dos torcedores dos outros clubes. Quando o povo se acalma um pouco, após pedidos insistentes de Zé Ary, João Sem Medo bota a bola no chão.  

João Sem Medo: - Vejam só, meus amigos, a conversa era sobre o Bahia e foi parar num Fla-Flu.

Garçom: - Sim, falávamos sobre o Tricolor baiano, campeão brasileiro em 1959 e 1988.

Sobrenatural de Almeida: - Ué, mas os campeonatos só terminaram em 1960 e 89. Coincidência? Isso é assombroso!

João Sem Medo: - Na verdade, é a eterna desorganização dos nossos dirigentes. O Campeonato Brasileiro já começou num ano e terminou no seguinte algumas vezes, sem ser por causa de pandemia, como ocorreu em 2020, ou qualquer problema sério acima do futebol. Fora as muitas confusões, mudanças de regulamento no meio da competição...

Idiota da Objetividade: - O campeonato de 1977, por exemplo, só terminou em 78. O São Paulo foi o campeão, vencendo nos pênaltis o AtléticoMineiro, no Mineirão.

João Sem Medo: - Reinaldo e Serginho, que eram os artilheiros do Atlético e do São Paulo não jogaram. Lembro do Neca dando uma entrada criminosa no Ângelo, do Atlético, e o Chicão pisando no meia atleticano depois. Pior, ninguém foi expulso!

Idiota da Objetividade: - O árbitro era Arnaldo CezarCoelho.

Todos em uníssono: - Pode isso, Arnaldo?

Idiota da Objetividade: - Pra defender o Arnaldo, na hora que Chicão pisou o calcanhar do Ângelo, ele estava de costas dando cartão amarelo pro Neca.

João Sem Medo: - Tinha de expulsar os dois!

Todos em uníssono: - Pode isso, Arnaldo?

Fim do Capítulo #36

Episódio originalmente publicado em 5 de outubro de 2022 e republicado totalmente modificado em 4 de junho de 2025.

Esta série é uma homenagem especial a João Saldanha e Nelson Rodrigues e também a Mario Filho e muitos dos artistas da música, da literatura, do futebol e de outras áreas da Cultura do nosso tão maltratado país. Saiba mais clicando aqui. 

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Veja também:
Uma coisa jogada com música - Capítulo #35


                                              

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