sexta-feira, 29 de outubro de 2010

MARADONA CINQÜENTÃO

Seis belgas na caça - em vão - ao
10 na semifinal da Copa de 86
De El Pibe, com sua vasta barba grisalha para esconder a cicatriz deixada pela mordida de um cachorro que cria em sua mansão, Diego Armando Maradona já não tem mais nada. Mas foi com um futebol de espírito alegre como o de um menino e a genialidade dos grandes craques que o atarracado Maradona deixou seu nome marcado entre os maiores jogadores de futebol de todos os tempos.
Os aspectos tristes de sua biografia merecem ser deixados de lado nesta data, pois agora, neste sábado, dia 30, o senhor Maradona se tornará um cinqüentão. Parece que deseja seguir a carreira de técnico, mesmo depois da frustrada campanha com a seleção argentina na última Copa do Mundo. Por mais que faça como treinador, porém, é com a arte que desenhou nos gramados do mundo com sua perna esquerda que ele será sempre lembrado.
Não tenho o menor apreço pelo seu gol trapaceiro que tanta fama faz, mais pelo fato de ele ser ótimo frasista (como Romário) do que propriamente pelo feito em si. Gol com a mão não vale, e aquele contra a Inglaterra que ele disse ter sido feito com a mão de Deus, no meu modo de entender foi feito com a ponta de uma das pontas do tridente do Diabo.
Prefiro crer que o segundo que ele marcou naquele mesmo jogo pelas quartas de final da Copa do Mundo no México, em 1986, valeu por dois. Aliás, valeu por 50. Valeria por toda a sua carreira, se só tivesse feito aquele que já foi eleito o mais bonito de todos os tempos. Mas ele fez bem mais. Bem mais.


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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

GARRINCHA, 77

Cinco dias após Pelé, com quem fez a maior e mais vitoriosa parceria de ataque de todos os tempos, Manoel Francisco dos Santos, muito mais conhecido como Garrincha, também fazia aniversário. E ele completaria neste 28 de outubro 77 anos, uma idade bastante simbólica, pois une duas vezes o número que o consagrou, tanto com a camisa do Botafogo, como com a da seleção brasileira. Ele ainda jogou por Flamengo, Corinthians e Olaria, mas já sem o mesmo brilho.
O Anjo das Pernas Tortas, a Alegria do Povo, seja lá como fosse chamado, Garrincha brilhou por poucos anos - atesta Ruy Castro, biógrafo do livro "Estrela Solitária: um Brasileiro Chamado Garrincha" - mas com uma intensidade tão grande que foi o suficiente para ajudar muito o Brasil a conquistar o bicampeonato mundial, em 1958, quando começou como reserva de Joel, do Flamengo, e enfileirou "joões" na Suécia, e em 62, quando tomou a responsabilidade por comandar a seleção que perdera Pelé no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, mesmo adversário da final no Chile.
Em importância para o futebol brasileiro no mundo, Garrincha só perde para Pelé. E isso não é demérito, pois juntos jamais saíram de campo derrotados pela seleção brasileira. Os dribles desconcertantes de Mané Garrincha inspiraram muitos pontas, mas hoje eles estão praticamente extintos. Fazem muita falta ao futebol, os pontas e as suas criativas fintas.
Abaixo, uma entrevista e dribles e gols de Mané, ao som de "Preciso Me Encontrar", de Candeia, com a voz inconfundível de outro gênio: Cartola.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

PELÉ, SÓ ELE

Foto de Luiz Paulo Machado para a revista Placar

No próximo sábado Pelé completará 70 anos de idade e as homenagens, que já começaram, serão inúmeras no mundo inteiro. Por isso, não vou me estender muito ao falar do Atleta do Século XX, o Rei do Futebol, que com técnica inigualável e um preparo físico que estava a anos-luz dos demais colegas de profissão de sua época foi o principal jogador a elevar o futebol ao patamar de arte.

Tudo o que se falar do jogador Pelé será pouco pelo que ele representa até hoje para o Brasil no mundo inteiro. Nenhum outro brasileiro é tão (re)conhecido como ele no exterior e seus gols e jogadas que ficaram registradas por câmeras de TV e cinema são mostradas diversas vezes nos mais variados cantos do planeta, principalmente quando se fala em Santos, Seleção Brasileira e Copa do Mundo.

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Maradona, que foi sim um gênio da bola, pode estrebuchar até depois que adentrar seu túmulo e ou virar cinzas, mas igual a Pelé não houve e, ouso dizer, jamais haverá. Classificar o que Pelé foi em campo é perda de tempo, não há um nome em língua alguma que possa descrever o que esse homem fez nos 21 anos de carreira nos gramados com a bola nos pés, na cabeça, no peito, nos ombros, nas coxas, e até mesmo sem tocar nela. Basta se informar e pesquisar um pouquinho para se constatar isso tudo.

Fique abaixo com 20 gols do dono da bola e curta um pouco do que representa Pelé para o futebol, e por que são quase sinônimos:


Obs.: a foto acima foi feita em 6/10/1976, no jogo Seleção Brasileira 0 x 2 Flamengo, no Maracanã, com renda destinada à família de Geraldo, meia rubro-negro falecido dois meses antes.



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"Contos da Bola" em promoção imperdível

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FRAGMENTOS DO DESEJO, UM BELO ESPETÁCULO


Para quem mora no Rio ainda dá tempo, pouco, mas dá: vai até domingo, dia 24/10, a apresentação do belo e cuidadoso espetáculo Fragmentos do Desejo, da companhia franco-brasileira Dos a Deux, no Centro Cultural Banco do Brasil. E melhor, por um preço que posso considerar gratuito tamanha a qualidade do que se vê e se sente: apenas R$ 10,00. Para quem é de Brasília, prepare-se: a partir do dia 28, ele estará no CCBB daí.
Fragmentos do Desejo é muito mais do que uma peça de teatro, é também dança, mas como bem avisa o programa da peça, sem coreografias. Quase não há palavras faladas, basicamente são os gestos e expressões faciais e corporais dos atores o "texto" da peça. Há vários momentos comoventes e muito bem executados no espetáculo - a trilha sonora, a iluminação e o cenário são sublimes - mas vou destacar dois que mais me chamaram a atenção: o balé da solidão do filho que tenta e não consegue um entendimento com o pai, e o do cinema, no qual se usa com maestria os recursos tecnológicos extra-teatrais.
A companhia foi muito feliz na sua realização, e dá pra perceber o quanto de trabalho foi preciso para se chegar ao palco e levá-lo ao público. Espetáculo do mais alto nível como esse, com o preço que o CCBB cobra, merece ser visto e apreciado por muito mais gente que a sala lotada do Teatro I, como certamente vem ocorrendo nesta temporada.
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