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O mais previsível ao pôr aqui uma música de Guilherme Arantes seria selecionar "Meu mundo e nada mais" ou "Planeta Água". Porém, como gosto de fugir de padrões, obviedades, fáceis caminhos, aqui está "Amanhã", por vários motivos. O principal é porque foi dela que me lembrei no último fim de semana quando meu pensamento caiu numa desesperança total com tudo o que este país vem passando, especialmente desde 2018, com nossas instituições e nosso povo anestesiados, assistindo passivamente ao circo dos horrores atear o fogo dos infernos para se chegar a um céu cinzento. Cinzento de cinzas!
As outras duas músicas merecem e estarão em algum momento por aqui, como também "Coisas do Brasil" e outras deste grande artista brasileiro. Assim como "Meu mundo e nada mais", que me apresentou a Guilherme Arantes nos idos de 1976 (na novela Anjo Mau!), quando contava eu os dez dedos das mãos para revelar minha idade, "Amanhã" é daquele tempo, mais precisamente um ano após. E como parece que, apesar de tudo, ainda acreditamos fielmente que somos um país do futuro, continuamos a crer no amanhã. E que se inicie hoje. Ontem!
Ah, que saudade das rodas de samba, que saudade! Na noite do mais recente Ano Novo e nos fins de semana seguintes, o samba tem predominado no repertório aqui de casa, especialmente uma série de discos chamado "Samba de Raiz ao vivo". E "Sentimento de posse", de Adilson Bispo e Zé Roberto, gravada originalmente pelo grupo Pirraça, em 1989, e pouco tempo depois pelo Raça, me remeteu às rodas de samba que acabamos não frequentando ainda aqui em Florianópolis, apesar de termos planejado conhecer várias delas.
Mas a pandemia invadiu este pandemônio chamado Brasil e nos deixou sem lazer e eventos culturais fora de casa, desde o dia 15 de março do ano passado. Ao menos conseguimos ir a um ótimo show do mestre Paulinho da Viola, na UFSC, em novembro de 2019, o que, creio eu, nos redime com certa folga desta nossa falta.
Então, embora seja da mesma filosofia de vida do supracitado mestre, "Meu tempo é hoje", não pude evitar certa nostalgia das incríveis noites e madrugadas no Sobrenatural do Samba e no Mercado das Pulgas, em Santa Teresa; no Trapiche Gamboa, no Centro do Rio; no Candongueiro, nos tempos em que era em Maria Paula (Niterói), e em tantos outros lugares onde o pagode de mesa comia solto e só se via todo mundo sorrindo, cantando, dançando.
O samba de Adilson Bispo e Zé Roberto me leva de volta àqueles ótimos momentos, que em breve voltarão, porque "apesar de você amanhã há de ser outro dia". Então, curta abaixo o grupo Revelação com uma galera boa no gogó, no batuque e nas cordas: "É difícil dizer, qual de nós tem razão..."
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