Sou o que escrevo. Quem nunca me leu não conhece nem 10% do que sou.
Veja também: tudo o que foi publicado em outubro de 2011.
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
domingo, 7 de outubro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
ESTILHAÇOS 4
Escolhi - ou fui escolhido para - trilhar um caminho árduo, difícil, aquele que muitos sequer passam perto, o que invariavelmente leva às profundezas do ser, lá onde quase ninguém quer ir, nem saber o que há. Mas é onde cada um verdadeiramente é. Com tudo o que há de mais belo e mais horrendo.
Vou na contramão, mas é a escolha, não há volta. Acho que por isso tenho grande afinidade com quem fala sozinho e quem tem sérias divergências com o espelho.
Vídeo: "Espelho" (João Nogueira/Paulo César Pinheiro), com João Nogueira.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
FÁBRICA DE ÍDOLOS
"A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais..."
(Renato Russo)
(Renato Russo)
CENA 1: dois meninos, um de 8 e outro de seis anos, sentados no chão, assistem à TV. Propaganda com imagens de dribles e gols: “Futebol ao vivo, amanhã!”
Os meninos se olham, levantam-se rapidamente, pegam a bola, improvisam uma baliza entre dois pés da mesa da sala e começam a jogar, um na linha, outro no gol. “Gol!”CENA 2: os mesmos dois meninos, sentados no chão, assistem à TV. Propaganda com imagens de um jogo de basquete, com jogadas e cestas espetaculares: “NBA ao vivo, não perca este grande jogo!”
Os meninos se olham, levantam-se com pressa, pegam a bola e começam a quicá-la e arremessar para uma lata de lixo posta em cima da mesa. “Cesta!”
CENA 3: os meninos na mesma posição, novamente vendo TV. Propaganda com imagens de uma partida de vôlei, com defesas e cortadas, grandes ralis: “Vôlei ao vivo na sua tela, hoje às 21h!”
Os meninos se olham, levantam-se correndo, improvisam uma rede na varanda, com um barbante, e começam a jogar. “Que cortada! É ponto!”
CENA 4: novamente os dois meninos vendo TV. Propaganda com imagens de homens se agarrando num ringue, um esmurrando continuamente a cara do outro. Sangue espirrando pra todo lado: “Ultimate fighting, vale tudo pra você. Hoje à meia-noite, não perca!”
O mais novo nem tem tempo de olhar o mais velho, que lhe desfere um soco no meio do nariz e se debruça sobre o irmão, sufocando-o e batendo nele até se cansar.
Ilustração: imagem retirada do blog "Mais saúde no B.P.C."
Vídeo: "Baader-Meinhof blues" (Renato Russo/Flávio Lemos/André Pretorius/Fê Lemos), com Legião Urbana.
Veja também:
A midiotização
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
A "arte transgressora"
Os muros
Mais uma sobre educação
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
A MÍDIA BIZARRA
Será que a forma como Amy Winehouse foi se matando e os “motivos” que a levaram a desistir da vida não são muito semelhantes aos dos outros astros que se foram aos 27 anos, com a única diferença de ela ter sido muito mais exposta do que os anteriores por viver num mundo paparazzo, bigbrotheriano? A degradação de Amy era espiada e transmitida quase diariamente pela mídia. Será que as angústias, dores, depressões e pressões que sofreu não foram tão intensas quanto às de Cobain, Morrison, Hendrix e Joplin? Talvez a ela tenha sido acrescido esse pré-show de Truman que vemos diariamente na internet e na televisão, mesmo que não queiramos.
Ilustração retirada da página oficial de Amy Winhouse no facebook.
Vídeo: "Back to black" (Ronson/Winehouse), com Amy Winehouse.
Veja também:
Há 40 anos, o fim da voz rascante de Janis Joplin
Há 40 anos, o adeus de Jimi Hendrix
A midiotização
Que o homem sempre se sentiu atraído pelo escândalo e os
crimes é uma verdade que existe desde que o mundo é mundo. Porém, creio que não
haja precedentes na história dos veículos de comunicação tanta bizarrice e
sangue para alimentar os consumidores sedentos e famintos da vida alheia. A
glamourização do grotesco está nas páginas e telas sendo vendida como o último
grito da moda desde o movimento punk.
Veja na cabeça de Neymar e seus imitadores o resultado da
manifestação daqueles garotos pobres da Inglaterra, que revoltados por não
terem grana pra pagar ingressos dos shows das mega-bandas dos anos 60 e 70
começaram a protestar gritando e xingando contra aqueles que amavam. Primeiro
se tornaram tão ricos e famosos quanto os ídolos e depois foram vendidos em prateleiras
de lojas de vestimentas e supermercados. Che Guevara também sofreu o mesmo
processo depois de morto, mas isso esticaria demais este assunto.
Mas não é só, claro que não. No Brasil, por exemplo, veja
nas bundas e peitos inchados das mulheres hortifrutigranjeiras (mais granjeiras
que frutas e hortaliças) e nas desafinadas e “belas” e “cantoras” que surgem
diariamente o quanto Gretchen, Rita Cadilac e Xuxa foram influentes para as
jovens dos últimos 30 anos. Veja o quanto elas vêm se deformando para ficarem
parecidas com esses grandes exemplos. Veja no fânqui (funk carioca) como o que
de pior existia na música e cultura americanas mais a cultura do tráfico fez
com a cabeça e os corpos de adolescentes dos barracões às mansões nos últimos
20, 30 anos.
Por fim, veja na mídia e nos seus patrocinadores: a bizarrice tem mais valor que a arte.
Ilustração retirada da página oficial de Amy Winhouse no facebook.
Vídeo: "Back to black" (Ronson/Winehouse), com Amy Winehouse.
Veja também:
Há 40 anos, o fim da voz rascante de Janis Joplin
Há 40 anos, o adeus de Jimi Hendrix
A midiotização
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
ESTILHAÇOS 3
Não me apego ao livro como objeto. Há quem goste de senti-lo nas mãos, até cheirá-lo. Eu só quero lê-lo. O que me interessa necessariamente é o que ele contém, suas palavras, suas frases, suas idéias, suas imagens.
Veja também:
A grandiosidade de Victor Hugo
Poesia sem versos
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A grandiosidade de Victor Hugo
Poesia sem versos
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
ESTILHAÇOS 2
Eu me interesso bem mais pelas sombras, pelo lado oculto do ser, do que por aquilo que ele irradia. Isto já está presente em mim desde a infância.
Ilustração: gravura de Oswaldo Goeldi (quem souber o nome me informe, por favor)
Veja também: tudo o que foi publicado em setembro de 2011
Ilustração: gravura de Oswaldo Goeldi (quem souber o nome me informe, por favor)
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
GASOLINA NO INCÊNDIO 12
Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis. A décima-segunda questão-provocação é a seguinte:
Uma sociedade (ou um grupo social) que não respeita nada, nem ninguém, que em nome da defesa - algumas vezes até legítima - de seus direitos atropela sem se importar com os dos demais (que seja de uma só pessoa), é tão repugnante quanto a mais feroz ditadura.
Veja também:
Gasolina no incêndio 3
Penso, logo sinto 3
Brasil, um edifício que cresce sobre frágeis alicerces
Uma sociedade (ou um grupo social) que não respeita nada, nem ninguém, que em nome da defesa - algumas vezes até legítima - de seus direitos atropela sem se importar com os dos demais (que seja de uma só pessoa), é tão repugnante quanto a mais feroz ditadura.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
AGRADECIMENTO A ALTAMIRO
Dizem que pedido de amigo é uma ordem. Meu irmão Bruno Lobo me pediu que escrevesse aqui sobre Altamiro Carrilho porque não tem blog (deveria ter, deveria), portanto, a ordem foi dada e já está sendo cumprida. Sempre procurei evitar que o blog virasse um obituário, ainda mais em épocas sombrias como esta, quando no espaço de poucos dias se foram grandes músicos, como o flautista que é tema deste texto, Severino Araújo e Celso Blues Boy, que acabou motivando, em meio à consternação de sua morte, o encontro de amigos que citei na postagem Conexões.
Não desfilarei aqui as virtudes, muito menos a biografia de Altamiro Carrilho, porque isso felizmente alguns sites e jornais fizeram bem, embora seja sempre muito pouco para alguém de uma dimensão incalculável. Queria, mesmo que tardiamente, fazer um agradecimento ao grande flautista por ter com o CD "Flauta Maravilhosa", de1996, tornado mais ameno alguns dos dias mais duros de minha vida. Já conhecia algumas músicas altamiranas até aquele difícil ano de 1998, lembrando que chorinho pouco se toca em rádio - e quase nada na TV - desde sempre e que não havia a internet com toda a expansão que há hoje com acesso fácil a tudo o que se refere a música.
Naquele que foi um dos dois piores anos da minha vida, estando fora de minha casa com minha família por circunstâncias que não vem ao caso comentar - e agradecendo eternamente a hospedagem e a atenção que recebemos durante três messes de dona Lêda Cid Maia e seus filhos - ouvi pela primeira vez um "álbum" inteiro de Altamiro, justamente o citado acima. Foi um bálsamo, que me motivou a comprar posteriormente o mesmo CD e uma coletânea e sempre exaltar a obra desse grandioso músico. Aqui presto minha humilde homenagem e faço o meu agradecimento por ter tornado melhores dias tão duros. Como ele bem disse, em um especial da TV Cultura, seu nome deveria ser Flautamiro. Viva Altamiro! Altamiro vive.
Fiquem abaixo com Altamiro demonstrando todo seu talento e toda sua vitalidade aos 85 anos em show de maio de 2010, com direito a um solo de percursão e bateria de Eber de Freitas.
Ilustração: capa do CD "Flauta Maravilhosa" (1996), de Altamiro Carrilho.
Vídeos: 1- imagens de MarDeIdeias e música "Bem-te-vi tristonho", de e com Altamiro Carrilho, música do CD "Flauta Maravilhosa; 2- "Urubu Malandro" (Louro), com Altamiro Carrilho.
Veja também:
Adiós, La Negra
Villa-Lobos, o pai da MPB
Nina Simone, a sacerdotisa do jazz
Os sopros mágicos de Carlos Malta
Tardes de outono
Não desfilarei aqui as virtudes, muito menos a biografia de Altamiro Carrilho, porque isso felizmente alguns sites e jornais fizeram bem, embora seja sempre muito pouco para alguém de uma dimensão incalculável. Queria, mesmo que tardiamente, fazer um agradecimento ao grande flautista por ter com o CD "Flauta Maravilhosa", de1996, tornado mais ameno alguns dos dias mais duros de minha vida. Já conhecia algumas músicas altamiranas até aquele difícil ano de 1998, lembrando que chorinho pouco se toca em rádio - e quase nada na TV - desde sempre e que não havia a internet com toda a expansão que há hoje com acesso fácil a tudo o que se refere a música.
Naquele que foi um dos dois piores anos da minha vida, estando fora de minha casa com minha família por circunstâncias que não vem ao caso comentar - e agradecendo eternamente a hospedagem e a atenção que recebemos durante três messes de dona Lêda Cid Maia e seus filhos - ouvi pela primeira vez um "álbum" inteiro de Altamiro, justamente o citado acima. Foi um bálsamo, que me motivou a comprar posteriormente o mesmo CD e uma coletânea e sempre exaltar a obra desse grandioso músico. Aqui presto minha humilde homenagem e faço o meu agradecimento por ter tornado melhores dias tão duros. Como ele bem disse, em um especial da TV Cultura, seu nome deveria ser Flautamiro. Viva Altamiro! Altamiro vive.
Fiquem abaixo com Altamiro demonstrando todo seu talento e toda sua vitalidade aos 85 anos em show de maio de 2010, com direito a um solo de percursão e bateria de Eber de Freitas.
Ilustração: capa do CD "Flauta Maravilhosa" (1996), de Altamiro Carrilho.
Vídeos: 1- imagens de MarDeIdeias e música "Bem-te-vi tristonho", de e com Altamiro Carrilho, música do CD "Flauta Maravilhosa; 2- "Urubu Malandro" (Louro), com Altamiro Carrilho.
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