sexta-feira, 24 de setembro de 2010

REINALDO, O REI DO GALO MINEIRO


Para animar um pouco a entristecida torcida do Atlético-MG, aqui vai uma homenagem ao melhor centroavante que vi jogar. Sim, na minha opinião tecnicamente Reinaldo foi melhor do que Romário e Ronaldo. Infelizmente o Rei teve sua carreira encurtada pelas botinadas de péssimos jogadores, que contaram com a condescendência de árbitros igualmente péssimos.


Ele também não deu sorte de a medicina ser na década de 70 tão avançada como hoje. Qualquer lesãozinha no menisco obrigava o médico a tirá-lo por inteiro, por isso Reinaldo jogou boa parte de sua carreira sem os quatro meniscos e ainda assim não dava sossego mesmo aos melhores zagueiros do mundo.

Já na Copa de 1978 ele jogou machucado. A então CBD levou para a Argentina o Nautilus, uma aparelhagem monstrenga, para que o camisa 9 da seleção pudesse fortalecer os músculos das pernas e agüentar o tranco. O horrível gramado de Mar del Plata o derrubou.

Reinaldo foi um cracaço, um gênio, principalmente dentro da área, mas não deu muita sorte. Em 1981 foi um dos maiores responsáveis pela classificação do Brasil para a Copa de 1982 e faria na Espanha aquela Seleção de Telê tão lembrada ser ainda melhor do que foi. Muito, muito melhor, afinal jogaria no lugar de Serginho Chulapa, o homem que sorria a cada gol feito desperdiçado. Mas as lesões não deixaram.

Serginho também levou a melhor sobre Reinaldo cinco anos antes, na final do Brasileiro de 77, que na verdade foi disputada em 5 de março de 1978(!). Ambos não jogaram a partida decisiva por estarem suspensos, mas o São Paulo, do Chulapa e dos violentíssimos Neca e o falecido Chicão, que literalmente quebraram o talentoso meia Ângelo (também já falecido), acabou campeão nos pênaltis. Nenhum time merecia mais aquele título que o Galo mineiro, que terminou a competição invicto. Mas o futebol, como a própria vida, não costuma levar muito em conta a palavra justiça.


Na sensacional e conturbada decisão do Brasileiro de 1980, ele fez os três gols do Atlético-MG. No primeiro jogo, no Mineirão, local em que a violência novamente tirou um jogador de campo por alguns meses, desta vez o zagueiro Rondinelli, do Flamengo - atingido por um soco desferido até hoje não se sabe se por Palhinha ou Éder - ele fez o único da vitória do Galo, que partiria para o Rio com a vantagem do empate. No Maracanã abarrotado, com mais de 154 mil pagantes quatro dias depois (1º de junho de 1980), ele por duas vezes empatou a partida e deixou apreensiva a torcida rubro-negra. O detalhe é que quando fez o segundo já se encontrava machucado.


Acabou expulso de campo após comemorar o segundo gol. De acordo com o zagueiro Marinho (em entrevista recente ao jornal "O Dia", do Rio), Reinaldo ia levar o vermelho antes de fazer o segundo gol por ter "falado um monte de besteiras" para o árbitro José de Assis Aragão. O ex-atacante nega e não se conforma com sua expulsão até hoje. Nunes desempatou, e sem Reinaldo o Galo não voltou a empatar, embora tenha tido uma chance quase no fim, com Pedrinho. Segundo Manguito, o outro zagueiro do Fla, que falhou no lance: "Se fosse o Reinaldo..."

Embora não tenha conseguido ser campeão brasileiro, Reinaldo foi por muitos anos o maior artilheiro em uma edição da competição, em 77, com 28 gols em 18 partidas. Foi superado por um gol por Edmundo, em 1997, mas o então vascaíno fez muito mais jogos (29) e a média de gols do Rei por partida obtida no Brasileiro de 33 anos atrás é até hoje a maior.

Reinaldo é o maior artilheiro da História do Atlético Mineiro, com 255 gols em 475 partidas. Pela seleção brasileira ele fez 14 em 37 jogos. Esses dados são do Wikipedia. Curta agora belos momentos do Rei em campo nos dois vídeos encontrados no Youtube.





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