quinta-feira, 20 de maio de 2010

MENINOS DA VILA: A ARTE E O PRAZER DE JOGAR BOLA

Há muitos anos não tinha tanto prazer em ver um time jogar futebol como este do Santos. Os Meninos da Vila mostraram contra o muito bom time do Grêmio de Victor, Douglas e Borges que não chutam só cachorro morto, como os adeptos do futebol de resultados andaram decantando nas goleadas arrasadoras sobre Naviraiense (10 a 0), Ituano (9 a 1) e Guarani (8 a 1).

Enquanto os burocratas da bola apresentam números discutíveis de roubadas de bola e passes certos para o lado e mostram aquele meio-sorriso enfadonho de satisfação ao fim de um trabalho como se batesse ponto, Paulo Henrique Ganso, Neymar, André, Wesley, Robinho e coadjuvantes se divertem e mostram que beleza e objetividade nos campos de futebol não são incompatíveis. O verdadeiro futebol brasileiro hoje veste preto e branco, infelizmente não é a amarelinha. Só espero, sinceramente, que não seja apenas por menos de um semestre.


Vídeo: imagens, narração e comentários do SporTV.

sábado, 15 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 7

BRASIL 2 X 0 URSS - Amistoso internacional - 1976

Este até pode não ter sido um maravilhoso jogo de futebol - só me recordava dos gols que aí acima estão - mas para mim tem dois significados especiais, sendo que um deles o faz merecedor de estar aqui: o gol de Zico, que considero o mais bonito que fez com a amarelinha e que vi ao vivo ele marcar. Esta foi também a primeira partida da seleção que assisti no Maracanã, acabei descobrindo durante a pesquisa, embora já desconfiasse disso.

Mil novecentos e setenta e seis era o ano do início do trabalho para a Copa do Mundo de 1978, que começou com Osvaldo Brandão de técnico e terminou com Cláudio Coutinho. Nesta partida, Falcão, que entrou no lugar de Givanildo, do Corinthians, abriu o marcador com um gol de cabeça, mas se tinha vaga com Brandão acabou preterido pelo excelente Coutinho, que se perdeu na convocação para a Copa, deixando o craque do Inter fora para chamar o botinudo Chicão, do São Paulo.

A vitória de 2 a 0 naquele 1º de dezembro de 1976, no Rio, serviu de meia-vingança da derrota nas Olimpíadas de Montreal, em 29 de julho, pelo mesmo placar. Naquele time que fôra ao Canadá estavam dois jogadores que disputariam o Mundial da Argentina: Batista, do Inter, e Edinho, do Fluminense. Aliás, Edinho seria outro erro de Coutinho, não pela convocação, pois se tratava de um grande zagueiro, mas por ter sido "inventado" como lateral-esquerdo. Júnior, do Flamengo, que também esteve nas Olimpíadas, não estava nesse time de Brandão e tampouco no de Coutinho, que além de Edinho levou Rodrigues Neto, do Inter, para a lateral-esquerda, em 1978.

FICHA TÉCNICA
Data: 1º/12/1976
Local: Maracanã - Rio de Janeiro
Público: 49.836 pagantes 
Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai)
Gols: Falcão, aos 34, e Zico, aos 43 do segundo tempo.
BRASIL: Leão (Palmeiras); Carlos Alberto Torres (Fluminense) depois Marinho Chagas (Botafogo), Amaral (Guarani), Beto Fuscão (Grêmio) e Marco Antônio (Vasco); Givanildo (Corinthians) depois Falcão (Inter), Rivelino (Fluminense) depois Caçapava (Inter) e Zico (Flamengo); Gil (Fluminense), Roberto Dinamite (Vasco) e Nei (Palmeiras). Técnico: Osvaldo Brandão.
URSS: Gontar; Kruglov, Oshanski, Khinchagashvili e Parov; Slobodian (Beresznoi), Machaidze e Tarkhanov; Dolmatov, Chesnokov (Kazachenok) e Petrosian. Técnico: Wladimir Nikolaiev.

domingo, 2 de maio de 2010

OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 6

ALEMANHA OC. 1 X 2 BRASIL - Amistoso internacional- 1963


Encontrei por acaso este jogo dividido em dois vídeos no "Youtube" há alguns meses e logo salvei em meus favoritos para um dia publicá-los com alguns detalhes sobre a partida. Não encontrei muitas informações sobre a partida, mas deu para fazer a ficha técnica. Não entendo alemão, porém dá para perceber o deslumbramento do locutor após um lençolzinho (ou balãozinho) de Pelé em um jogador adversário na primeira etapa. O lance foi inexplicavelmente invalidado pelo árbitro suíço.
A seleção jogou em Hamburgo naquele dia 5 de maio de 1963 com uma base formada por oito jogadores do histórico time do Santos que conquistaria o bicampeonato da Libertadores e mundial no segundo semestre daquele ano. Do time alvinegro jogaram Gilmar, Lima, Mengálvio, Zito, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. A equipe comandada por Aymoré Moreira foi completada com os zagueiros Eduardo, do Corinthians, e Roberto Dias, do São Paulo, e pelo lateral-esquerdo Rildo, do Botafogo.
Nessa partida, os alemães tiveram as melhores chances de gol, mas eles sempre foram fregueses de caderninho da seleção brasileira. Assista aos dois vídeos, tem até os hinos no início (repare como o estádio estava lotado), e se delicie com grandes lances, especialmente os golaços de Coutinho e Pelé.

FICHA TÉCNICA
Data: 5/5/1963
Local: Volksparkstadion, em Hamburgo (Alemanha Ocidental)
Árbitro: Gottfried Dienst (Suíça)
Gols: Werner, aos 44 minutos do primeiro tempo (de pênalti); Coutinho, aos 25, e Pelé, aos 27, do segundo tempo
BRASIL - Gilmar; Lima, Eduardo, Roberto Dias e Rildo; Mengálvio e Zito; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Aymoré Moreira.
ALEMANHA - Fahrian, Novak, Schnelinger e Wildenx; Schulz e Werner; Heiss, Schuetz, Seeler, Kornietzka (Strauss) e Doerfeu.

Veja também:

FLUMINENSE 1 X 0 BAYERN DE MUNIQUE - AMISTOSO INTERNACIONAL - 1975

ITÁLIA 4 X 3 ALEMANHA OC. - SEMIFINAL DA COPA DE 1970

Esta seção deu seu pontapé inicial no blog Em Questão e agora foi transferida para este gramado. Mas você não perde os jogos passados, é só clicar abaixo no que mais interessar:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O TEATRO E O FUTEBOL

Muito se fala e se escreve – é já um clichê – sobre a relação íntima entre a música e o futebol, especialmente no Brasil. E esta relação tem sido proporcional à pobreza que vem sendo apresentada na maioria dos casos em ambos os lados.

Porém, apesar de mestres como Nelson Rodrigues - o maior exemplo - a intimidade da bola com as peças teatrais tem sido muito pouco explorada. Nem tanto nos palcos, já que Nelson (na foto ao lado com Zico e mais abaixo com a camisa do seu Fluminense), Plínio Marcos e outros já retrataram muito bem o futebol em suas obras. 

Mesmo assim, principalmente no caso de Nelson Rodrigues, ele se preocupou muito mais com a paixão clubística, a ótica das sensações e reações do torcedor do que com o jogo em si e os jogadores.

No campo dos boleiros, o que me motivou a escrever este texto que ensaio em minha cabeça há alguns anos foi uma matéria publicada no fim do ano passado pelo jornal “O Globo”, em que o ex-zagueiro e atualmente técnico Estevam Soares, então no Botafogo, relatava como conheceu Plínio Marcos (na foto abaixo retirada do seu site oficial), a forma que o dramaturgo encontrou para impedir que o então zagueiro do São Paulo perdesse uma das pernas e da sua conseqüente amizade com o “maldito” até a sua morte, em novembro de 1999.

Veja também:
CRUZEIRO 5 X 4 INTER - TAÇA LIBERTADORES DE 1976
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974


Pois bem, nunca entendi por que o futebol sempre se manteve a uma distância – que vou chamar de respeitosa – do teatro. Num tempo em que alguns técnicos, muitos dos mais importantes que temos, parecem se achar os inventores da bola, vivem convidando palestrantes motivacionais com seus vídeos mirabolantes para tirar seus comandados do tédio das concentrações, viagens e treinos, sempre me perguntei – e a questão foi reacesa ao saber dessa amizade de Estevam com Plínio: por que nunca um diretor de teatro foi convocado?

As montagens de uma peça de teatro e a de um time de futebol se assemelham muito em vários aspectos – talvez a exceção esteja nos monólogos, mais afeitos aos jogadores de tênis ou a outros esportes individuais. As analogias entre o futebol e o teatro - e à própria vida, por que não? – são bastante plausíveis e a palestra de um diretor de teatro a um time de futebol ainda teria a vantagem de apresentar aos jogadores um mundo completamente desconhecido para muitos e tão fascinante quanto o seu.

A deixa de uma peça é como o passe no futebol. E para que sejam perfeitos não bastam talento e muitos ensaios (ou treinos). O entrosamento é algo que pode sim ser obtido com muitos treinamentos e ensaios; no entanto, para uma boa tabela, triangulação, para o ritmo não se perder e fluir com maestria é preciso aquele entendimento que vem do olhar, de um gesto, de uma expressão, que podem ser inesperados, não previstos nos treinos e ensaios. 

Nem falo aqui dos cacos, que são frases ou pequenos textos não escritos pelo dramaturgo ou diretor que são inseridos (criados) por um ator no meio de uma peça. Um caco num grupo sem entrosamento e ou talento, ou dito no momento errado, pode fazer uma peça - e até uma temporada - desandar. Assim como um passe errado ou não entendido por um companheiro pode pôr um jogo e até um campeonato a perder.

Por outro lado, uma atuação genial de um grande ator ou de um craque sempre dependerá dos companheiros. A deixa e o passe precisam ser bem feitos para que o espetáculo teatral ou o desempenho de uma equipe sejam um sucesso. 

A deixa pode em alguns casos nem ser dada pela última palavra da fala que cabe a um personagem, como normalmente acontece: pode ser uma reticência, uma vírgula, um olhar, um gesto, uma expressão facial ou corporal. Como um gol pode ser marcado sem um passe ou lançamento direto para o artilheiro, nascendo de um corta-luz, um drible de corpo ou um deslocamento que ludibrie a marcação adversária.

Veja também:
FLAMENGO 6 x 0 BOTAFOGO - CAMPEONATO CARIOCA DE 1981
"Contos da Bola", quem lê recomenda


O diretor de teatro é o técnico do seu grupo. O seu “plano tático” é determinado por nuances estabelecidas pelo autor que o encenador pode respeitar ou criar em cima das rubricas do texto. As marcações de cena, assim como as deixas, as entonações, as entradas em cena, as expressões corporais e faciais, os olhares, a quem se dirige cada uma das falas, como utilizar o cenário ou o próprio figurino, tudo isso faz parte de seu “plano de jogo”. 

Assim como o treinador prepara seu time ensaiando jogadas, deslocamentos, formas de marcação sobre o adversário, a colocação da defesa nas situações defensivas e ofensivas e do ataque também, onde ficará cada um de seus jogadores na cobrança de um escanteio (seja de seu próprio time ou do adversário), por onde seguir nos contra-ataques, quem o puxará, quem abrirá pelas pontas, enfim uma gama de situações.

No entanto, cada partida de futebol e cada apresentação de teatro têm suas particularidades que as transformam em únicas, irrepetíveis, embora o texto e as regras do jogo sejam os mesmos e até a possibilidade de os atores e os jogadores serem os mesmos. O imponderável, o aspecto humano, a platéia, até o clima pode mudar tudo. Por isso, teatro e futebol sejam tão fascinantes, apaixonantes.

Pena que em muitos casos tenham se afastado tanto da arte para se entregarem ao pragmatismo comercial dos resultados. Mesmo assim, ainda creio que ambos tenham muito a aprender um com o outro.


Obs: quem souber os créditos das fotos acima, por favor, me passem para eu publicá-los.

Veja também:

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

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