Depois que Zico parou de jogar pelo Flamengo (sua despedida foi no dia 6 de fevereiro de 1990, data que marco bem porque foi a primeira vez em que trabalhei como repórter no Maracanã), o clube passou a buscar a todo custo um novo Galinho nas suas divisões de base. Alguns até foram bem, como Sávio, mas ninguém chegou a brilhar tanto como o sérvio Petkovic, que chegou à Gávea em 2000, depois de ter despontado para o torcedor brasileiro no Vitória.
Com o fantástico gol de falta que garantiu o tricampeonato carioca para o Flamengo em 2001, ele já havia escrito o seu nome na galeria dos maiores jogadores que vestiram a camisa rubro-negra. Porém, depois de passar por Fluminense e Vasco, com algum brilho, e discretamente por Goiás, Atlético-MG e Santos (e pelo mundo árabe e até a China), ele voltou ao Flamengo no ano passado nitidamente para encerrar sua carreira. Alguns dirigentes ingratos não o queriam lá e, para a sorte da torcida do Flamengo, ele não só ficou, como foi para mim o maior responsável pela conquista do título brasileiro de 2009. Sem ele, o Flamengo não teria voltado a ser campeão brasileiro após 17 anos de espera. Hoje, 10 de setembro de 2010, Pet faz 38 anos de idade, não tem mais a força física para comandar o fraco Flamengo deste ano, mas merece todas as homenagens da torcida rubro-negra e de todo aquele que admira o futebol bem jogado. Parabéns, grande artista da bola!
Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
JOGO DE RECORDAÇÃO 1 E 2: FLAMENGO X AMÉRICA-RJ
Este Flamengo 2 x 1 América-RJ, com gols de Alex, Júnior e Zico, no dia 8 de dezembro de 1974, foi o primeiro jogo a que assisti no Maracanã (veja o vídeo acima). Com a vitória, o time rubro-negro conquistou o terceiro turno do Campeonato Carioca (o último antes da fusão dos estados da Guanabara com o do antigo Rio de Janeiro) e ganhou o direito de disputar o triangular final contra o próprio América, ganhador da Taça Guanabara (primeiro turno), e o Vasco, vencedor do segundo turno.
Uma semana depois eu estaria lá no Maraca de novo, levado pelo meu saudoso pai, para assistir à abertura do triangular, com outro Flamengo e América e novo 2 a 1 para o Rubro-Negro, gols de Júnior (num chute espetacular sobre o goleiro Rogério) e Jaime - o do América foi de Manoel (veja o vídeo abaixo). Vasco e América empataram a segunda partida em 2 a 2, e o Fla foi campeão carioca com o empate sem gols com o Vasco na última partida.
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Mas eu só voltaria ao Maraca para ver outro time vermelho, o Internacional, no início de 1975 (2 de fevereiro, descobri pesquisando), num amistoso em que Zico deu show, fez dois golaços, e o Fla venceu por 4 a 2. Lembro bem que o goleiro colorado era Manga e o time gaúcho já tinha a base que se tornaria campeã brasileira daquele ano pela primeira vez em sua história.
A força daquela equipe foi provada três dias depois no jogo em Porto Alegre, onde goleou o mesmo Fla por 4 a 0. Outra coisa que me recordo é que Doval não jogou, estava machucado e foi substituído por Ivanir, que fez os outros dois gols rubro-negros naquela partida. Alguém se lembra de Ivanir?
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domingo, 15 de agosto de 2010
SEMPRE UM BOM JOGO PARA SE RECORDAR
Esta partida amistosa, realizada em meio às eliminatórias sul-americanas e europeias da Copa do Mundo de 1978, foi uma das primeiras a que assisti da seleção e, por mais contraditório que possa parecer em relação ao título do texto, foi meio decepcionante, apesar dos grandes jogadores em campo. A seleção brasileira abriu 2 a 0 e parou para assistir ao time de Platini, Didier Six e Tresor passear em campo e empatar o jogo.
Naquela noite, em 1977, a torcida brasileira no Maracanã, revoltada com a equipe que tinha Rivelino, Cerezo, Roberto Dinamite, Leão, Luís Pereira, Edinho entre outros (Zico não jogou, devia estar machucado), gritou "França, França, França..." Repare no gol de Tresor uns torcedores pulando de alegria na antiga geral.
Os castigos viriam nas Copas de 1986, 1998 e 2006.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 2 X 2 FRANÇA
Amistoso
Data: 30/6/1977
Local: Maracanã
Renda: Cr$ 3.352.630,00
Público: 83.517 pagantes.
Gols: Edinho, aos 28 minutos do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 4; Didier Six, aos 6, e Tresor, aos 40 do segundo tempo.
Árbitro: Romualdo Arpi Filho.
BRASIL: Leão; Zé Maria (Orlando Lelé), Edinho, Luís Pereira e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Rivellino; Gil, Roberto Dinamite e Paulo César Caju. Técnico: Claudio Coutinho.
FRANÇA: Rey; Janvion, Tresor, Bossis e Rio; Bathenay, Sahnoun e Platini; Zimako (Rouyer), Lacombe e Six. Técnico: Michel Hidalgo.
Amistoso
Data: 30/6/1977
Local: Maracanã
Renda: Cr$ 3.352.630,00
Público: 83.517 pagantes.
Gols: Edinho, aos 28 minutos do primeiro tempo; Roberto Dinamite, aos 4; Didier Six, aos 6, e Tresor, aos 40 do segundo tempo.
Árbitro: Romualdo Arpi Filho.
BRASIL: Leão; Zé Maria (Orlando Lelé), Edinho, Luís Pereira e Rodrigues Neto; Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Rivellino; Gil, Roberto Dinamite e Paulo César Caju. Técnico: Claudio Coutinho.
FRANÇA: Rey; Janvion, Tresor, Bossis e Rio; Bathenay, Sahnoun e Platini; Zimako (Rouyer), Lacombe e Six. Técnico: Michel Hidalgo.
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domingo, 8 de agosto de 2010
BRASIL, UM EDIFÍCIO QUE CRESCE SOBRE FRÁGEIS ALICERCES
Em um texto que escrevi há uns dez anos e que dou por perdido – infelizmente – defendia uma tese de que o Brasil antes mesmo de uma crise ética enfrentava uma grave crise estética. E que esta seria determinante para a outra. Hoje já não tenho mais tanta firmeza em fazer esta afirmação, pois pelo que tenho observado e lido as duas crises se agravaram tanto e se entrelaçam de tal maneira que não dá mais para saber onde começa uma, onde termina outra.
Não há dúvidas de que economicamente hoje o país é mais seguro, principalmente para quem conviveu com a hiper-inflação dos anos 80. Mas desde 1964, a base da nação vem sendo corroída e o que se pensou ser uma responsabilidade dos governos militares, já passados 25 anos desde que o último fardado se foi do Poder Executivo, não dá mais para acusá-los. Todos os civis que comandaram este país a partir de 1985 mantiveram a (falta de) política pública dos militares nas áreas da saúde e da educação, que são os alicerces de uma nação. E hoje, ainda mais que há 40, 30, 20, 10, 5 anos, são praticamente só os privilegiados financeiramente que têm acesso a hospitais, clínicas, colégios, cursos e universidades privados e também públicos de boa qualidade.
Não precisa ser um gênio para perceber que neste país esses serviços essenciais são uma piada de péssimo gosto, com raríssimas exceções – e estas são frutos exclusivos da competência e da abnegação dos profissionais dessas áreas ou de esforços isolados de uns pouquíssimos governantes. A ordem implícita é a seguinte: sucateia-se o serviço público para que o privado lucre mais. Quando morei numa cidade da Região Metropolitana do Rio por 13 anos, meus filhos sempre estudaram em colégios particulares porque não havia escolas públicas de qualidade por lá e eu tinha condições de pagar. Vindo para a capital, “a cidade mais cara do mundo” segundo um conceituado e riquíssimo técnico de futebol, desde 2007 eles passaram a estudar em escolas públicas. E é muito complicado, pois sempre há uma paralisação ou falta de profesores por qualquer motivo. Rara é a semana em que há aulas todos os dias e em todos os tempos.
Outro grande exemplo? Os planos de saúde. Só o fato de existirem já é um absurdo completo. Eles não existiriam, caso tivéssemos saúde pública decente para todos – e pagamos impostos altíssimos, sendo que um durante muitos anos foi exclusivo para esse setor. E não temos, muito longe disso. Saúde e educação neste país têm fins lucrativos. E como há milionários nos dois setores! Um deles gasta rios de dinheiro em patrocínio de um grande clube do Rio de Janeiro. E, não se enganem, tem retorno com muitas sobras garantido.
Ainda este ano (em janeiro de 2010) uma pessoa muito próxima a mim passou muito mal, e como não tinha plano de saúde tivemos de levá-la a um grande hospital público da zona norte do Rio de Janeiro. Voltasse à Terra, Dante Alighieri poderia basear o Purgatório e o Inferno da Divina Comédia naquele conjunto de prédios. Só estando lá para saber do que descrevo. Para se ter uma vaga idéia do que se passou, de 19h até pouco depois de meia-noite, que foi o tempo que passamos lá, duas pessoas morreram não por ausência de atendimento, mas por total falta de condições do hospital de atender bem os pacientes. E aqui entro na questão ética.
A pessoa que levei ao hospital foi atendida por alguns profissionais bastante competentes, tanto que saiu bem de lá, mas foi preciso brigar, discutir. Se não todos, mas a grande maioria dos profissionais, inclusive os competentes, era completamente despreparada para lidar com as pessoas, que estão ali porque sofrem com algum problema. Uns mais graves, outros menos, mas sofrem. Será que aulas de psicologia, ética e atendimento ao público são dadas nos cursos da área de saúde, especialmente na Medicina? Há uns dez anos, quando entrevistei o vice-presidente do Cremerj de então, tive a certeza de que não. A conclusão da história é que, reunida a família, resolvemos pagar um plano de saúde, para evitar que de uma próxima vez fosse ela a morrer num hospital imundo como aquele.
Eu nem vou falar na questão dos remédios que tantos lucros dão a médicos que receitam a DROGA “certa” aos seus pacientes. Uma percentagem do laboratório que a produziu estará garantida no fim do mês. Porque isso é uma questão que fere a lei, e nem sempre cumprir genuinamente a lei quer dizer que o cidadão tenha postura ética e é disso, desta questão mais sutil, porém importantíssima para a convivência em sociedade, de que quero falar. E da má educação pela falta de estudo à má educação por não se respeitar o outro numa fila de banco ou padaria, no ônibus, nas ruas, principalmente quando se joga lixo em qualquer lugar, faz-se barulho a qualquer hora e em qualquer local, vamos contruindo uma sociedade que valoriza o oportunismo, a extrema competitividade, o grotesco, o bizarro. E aí eu falo da estética.
Uma vasta rede emaranha tudo e uma questão influencia a outra. É só ver os ídolos e as "obras" que têm sido adorados nos últimos tempos, e quantos geniais artistas ficam completamente marginalizados e desconhecidos. Estes, ou são obrigados a procurar outro trabalho para sobreviver ou dão sorte de serem descobertos aqui e valorizados por estrangeiros ou vão viver no exterior para terem seus méritos reconhecidos e bem pagos. Isto acontece ainda mais do que há 40, 30, 20, 10, 5 anos...
Apesar da tão decantada boa fase econômica que vive o país, é fácil ver nas ruas do Rio de Janeiro – e não duvido que em São Paulo e outras grandes cidades ocorra o mesmo – como aumentou o número de moradores de rua e pedintes. É impossível sair de casa e não ver gente deitada nas ruas ou perambulando maltrapilhas sem rumo de um lado para o outro. Adultos, crianças e velhos. Fico me perguntando pela tal distribuição de renda.
Outro dia fui, depois de muito tempo, ao Centro do Rio com minha filha. Eram umas 9h e boa parte daqueles mendigos que vejo dormirem nas calçadas dos bancos e restaurantes da Presidente Vargas, desde que trabalhava lá em 1991, deitados nas calçadas centrais. Isso nunca havia visto antes, o que me faz crer que a população que vive nos cantos daquela larga avenida do Centro carioca esteja chegando a uma explosão demográfica.
E fico pensando, no limiar da questão ética – confesso – o que acontecerá com o Rio de Janeiro quando a maquiagem das UPPs e PACs terminar e começarem a chegar mais e mais imigrantes, chamados e incentivados por seus parentes e amigos que aqui vivem. Mais puxadinhos, mais gente dormindo nas ruas, mais violência, certamente. Por isso, o investimento pesado na saúde e na educação públicas em todo o país – eu disse, em todo o país – se torna tão necessária. E quando falo em investimento pesado não é simplesmente jogar dinheiro nessas áreas e depois ficar contabilizando notas, conceitos e estatísticas. É ter uma orientação, uma linha ética e estética a ser seguida para qualificar todos os profissionais e a população ser bem atendida e educada. Mas quem fala disso? Em que programa de governo está isso? Raros, raríssimos políticos, exceções que gritam no deserto, onde não há eco ou onde ele se perde na imensidão ou na multidão mais preocupada em pular e dançar.
Estamos às vésperas de mais 5 eleições importantíssimas e não tenho a ilusão de que votaremos melhor, exatamente por tudo o que escrevi acima. Os canalhas e aproveitadores continuarão a ser maioria entre os eleitos, justamente porque o povo se contenta com pouco, é muito mal educado e ainda é obrigado a votar. Ou seja, ele exerce um dever e não um direito. O que faz toda diferença.
Vídeo: "Roda Viva", de Chico Buarque, com o próprio e MPB-4, no Festival da Record de 1967, tema do documentário "Uma Noite em 67", dirigido pelo meu camarada Renato Terra e Ricardo Calil.
Veja também:
Os Bichos Vão se Rebelar
Os Muros
Os Infernos de São Sebastião
Mais Uma Sobre Educação
Não há dúvidas de que economicamente hoje o país é mais seguro, principalmente para quem conviveu com a hiper-inflação dos anos 80. Mas desde 1964, a base da nação vem sendo corroída e o que se pensou ser uma responsabilidade dos governos militares, já passados 25 anos desde que o último fardado se foi do Poder Executivo, não dá mais para acusá-los. Todos os civis que comandaram este país a partir de 1985 mantiveram a (falta de) política pública dos militares nas áreas da saúde e da educação, que são os alicerces de uma nação. E hoje, ainda mais que há 40, 30, 20, 10, 5 anos, são praticamente só os privilegiados financeiramente que têm acesso a hospitais, clínicas, colégios, cursos e universidades privados e também públicos de boa qualidade.
Não precisa ser um gênio para perceber que neste país esses serviços essenciais são uma piada de péssimo gosto, com raríssimas exceções – e estas são frutos exclusivos da competência e da abnegação dos profissionais dessas áreas ou de esforços isolados de uns pouquíssimos governantes. A ordem implícita é a seguinte: sucateia-se o serviço público para que o privado lucre mais. Quando morei numa cidade da Região Metropolitana do Rio por 13 anos, meus filhos sempre estudaram em colégios particulares porque não havia escolas públicas de qualidade por lá e eu tinha condições de pagar. Vindo para a capital, “a cidade mais cara do mundo” segundo um conceituado e riquíssimo técnico de futebol, desde 2007 eles passaram a estudar em escolas públicas. E é muito complicado, pois sempre há uma paralisação ou falta de profesores por qualquer motivo. Rara é a semana em que há aulas todos os dias e em todos os tempos.
Outro grande exemplo? Os planos de saúde. Só o fato de existirem já é um absurdo completo. Eles não existiriam, caso tivéssemos saúde pública decente para todos – e pagamos impostos altíssimos, sendo que um durante muitos anos foi exclusivo para esse setor. E não temos, muito longe disso. Saúde e educação neste país têm fins lucrativos. E como há milionários nos dois setores! Um deles gasta rios de dinheiro em patrocínio de um grande clube do Rio de Janeiro. E, não se enganem, tem retorno com muitas sobras garantido.
Ainda este ano (em janeiro de 2010) uma pessoa muito próxima a mim passou muito mal, e como não tinha plano de saúde tivemos de levá-la a um grande hospital público da zona norte do Rio de Janeiro. Voltasse à Terra, Dante Alighieri poderia basear o Purgatório e o Inferno da Divina Comédia naquele conjunto de prédios. Só estando lá para saber do que descrevo. Para se ter uma vaga idéia do que se passou, de 19h até pouco depois de meia-noite, que foi o tempo que passamos lá, duas pessoas morreram não por ausência de atendimento, mas por total falta de condições do hospital de atender bem os pacientes. E aqui entro na questão ética.
A pessoa que levei ao hospital foi atendida por alguns profissionais bastante competentes, tanto que saiu bem de lá, mas foi preciso brigar, discutir. Se não todos, mas a grande maioria dos profissionais, inclusive os competentes, era completamente despreparada para lidar com as pessoas, que estão ali porque sofrem com algum problema. Uns mais graves, outros menos, mas sofrem. Será que aulas de psicologia, ética e atendimento ao público são dadas nos cursos da área de saúde, especialmente na Medicina? Há uns dez anos, quando entrevistei o vice-presidente do Cremerj de então, tive a certeza de que não. A conclusão da história é que, reunida a família, resolvemos pagar um plano de saúde, para evitar que de uma próxima vez fosse ela a morrer num hospital imundo como aquele.
Eu nem vou falar na questão dos remédios que tantos lucros dão a médicos que receitam a DROGA “certa” aos seus pacientes. Uma percentagem do laboratório que a produziu estará garantida no fim do mês. Porque isso é uma questão que fere a lei, e nem sempre cumprir genuinamente a lei quer dizer que o cidadão tenha postura ética e é disso, desta questão mais sutil, porém importantíssima para a convivência em sociedade, de que quero falar. E da má educação pela falta de estudo à má educação por não se respeitar o outro numa fila de banco ou padaria, no ônibus, nas ruas, principalmente quando se joga lixo em qualquer lugar, faz-se barulho a qualquer hora e em qualquer local, vamos contruindo uma sociedade que valoriza o oportunismo, a extrema competitividade, o grotesco, o bizarro. E aí eu falo da estética.
Uma vasta rede emaranha tudo e uma questão influencia a outra. É só ver os ídolos e as "obras" que têm sido adorados nos últimos tempos, e quantos geniais artistas ficam completamente marginalizados e desconhecidos. Estes, ou são obrigados a procurar outro trabalho para sobreviver ou dão sorte de serem descobertos aqui e valorizados por estrangeiros ou vão viver no exterior para terem seus méritos reconhecidos e bem pagos. Isto acontece ainda mais do que há 40, 30, 20, 10, 5 anos...
Apesar da tão decantada boa fase econômica que vive o país, é fácil ver nas ruas do Rio de Janeiro – e não duvido que em São Paulo e outras grandes cidades ocorra o mesmo – como aumentou o número de moradores de rua e pedintes. É impossível sair de casa e não ver gente deitada nas ruas ou perambulando maltrapilhas sem rumo de um lado para o outro. Adultos, crianças e velhos. Fico me perguntando pela tal distribuição de renda.
Outro dia fui, depois de muito tempo, ao Centro do Rio com minha filha. Eram umas 9h e boa parte daqueles mendigos que vejo dormirem nas calçadas dos bancos e restaurantes da Presidente Vargas, desde que trabalhava lá em 1991, deitados nas calçadas centrais. Isso nunca havia visto antes, o que me faz crer que a população que vive nos cantos daquela larga avenida do Centro carioca esteja chegando a uma explosão demográfica.
E fico pensando, no limiar da questão ética – confesso – o que acontecerá com o Rio de Janeiro quando a maquiagem das UPPs e PACs terminar e começarem a chegar mais e mais imigrantes, chamados e incentivados por seus parentes e amigos que aqui vivem. Mais puxadinhos, mais gente dormindo nas ruas, mais violência, certamente. Por isso, o investimento pesado na saúde e na educação públicas em todo o país – eu disse, em todo o país – se torna tão necessária. E quando falo em investimento pesado não é simplesmente jogar dinheiro nessas áreas e depois ficar contabilizando notas, conceitos e estatísticas. É ter uma orientação, uma linha ética e estética a ser seguida para qualificar todos os profissionais e a população ser bem atendida e educada. Mas quem fala disso? Em que programa de governo está isso? Raros, raríssimos políticos, exceções que gritam no deserto, onde não há eco ou onde ele se perde na imensidão ou na multidão mais preocupada em pular e dançar.
Estamos às vésperas de mais 5 eleições importantíssimas e não tenho a ilusão de que votaremos melhor, exatamente por tudo o que escrevi acima. Os canalhas e aproveitadores continuarão a ser maioria entre os eleitos, justamente porque o povo se contenta com pouco, é muito mal educado e ainda é obrigado a votar. Ou seja, ele exerce um dever e não um direito. O que faz toda diferença.
Vídeo: "Roda Viva", de Chico Buarque, com o próprio e MPB-4, no Festival da Record de 1967, tema do documentário "Uma Noite em 67", dirigido pelo meu camarada Renato Terra e Ricardo Calil.
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