quinta-feira, 14 de maio de 2020

QUANDO A PÁTRIA FICA ACIMA DE TUDO, ESMAGA TAMBÉM SEUS ADEPTOS

Você certamente já ouviu falar em lavagem cerebral, doutrinação, louvação a um líder como se fosse um deus, que deve-se dar a vida pela pátria, que "o trabalho liberta". E muitas vezes pode ter sido convencido disso, desistido ou seguido adiante, consciente ou inconscientemente. Ou melhor, sem se dar muito conta das conseqüências de seguir adiante, sem querer saber qual a verdadeira razão para estarem vendendo a você este peixe fedido e podre. Ou pior, estar consciente de que é isso mesmo que deseja.

O nazismo usou o militarismo, o amor incondicional à pátria e ao seu líder máximo e incontestável,  transformou-o numa seita pseudo-religiosa e é certamente o exemplo mais emblemático, o mais forte, o extremo da História. Mas não é o único. Longe disso. Ele é resultado de muitos ódios passados e ecoa em ódios posteriores, presentes e - espero que não - futuros. O extremismo não está apenas nas agora longínquas imagens épicas de milhões de alemães e alemãs de braços erguidos idolatrando o seu deus do mal. Um deus que muitos imaginavam só queria o bem. Bem de quem, meu bem?


Qualquer inspiração, semelhança, com o que você vê ou já viu no seu dia a dia, em seu país ou fora, não é mera coincidência. Porém, não se iluda: um dia o fantasma aparece do seu lado direito; em outro, no esquerdo, e logo vai encará-lo de frente, até cercar você. Ele pode seduzir ou apavorar, a escolha é sua. Lembre-se sempre: você tem escolha e arcará com as conseqüências dela. Não é agradável se deparar com as imagens nefastas provocadas pela tirania e a guerra, mesmo aquelas aparentemente felizes, pois já se conhecem as terríveis consequências dela. Porém, muitas vezes é necessário conhecê-las, revê-las, para impedir que se repitam, mesmo que em minúsculas formas, míseros fragmentos.

Por isso, vi no YouTube os dois episódios exibidos pela NatGeo sobre a Juventude Hitlerista, com importantíssimos depoimentos de ex-integrantes daquela animada gangue que os nazistas (de)formaram com o objetivo de se perpetuarem no poder da Alemanha e do mundo que pretendiam conquistar. Quem quiser assistir ao primeiro episódio é só clicar aqui. E o segundo, aqui.


Para quem quer conhecer um pouco mais sobre como o mundo tapou os olhos para o que acontecia na Alemanha de Hitler, achando que não era nada tão abusivo assim e quando despertou percebeu que era tarde demais, há várias séries no Netflix. No reino da ficção, lembro-me sempre de "O ovo da serpente", de Ingmar Bergman, que assisti há muitos anos na antiga videoteca do CCBB-RJ, e que está no YouTube, mas não sei por quanto tempo. Vou tentar revê-lo logo, antes que retirem de lá.


Veja também:
A tropa do horror está no poder
Encantamento, fanatismo, cegueira
Eles não nos entendem
Manifesto de resistência
Os muros
Anti-Luther King e a E.E.ra das Trevas

sábado, 9 de maio de 2020

ORAÇÃO DO AUTO-CONVENCIMENTO*

Está mais do que na hora
de o talento dar o sustento.
É o único alento.
Não se perca
nos números que açoitam,
continue atento.
Os dias passam no vento,
mas não se afobe,
tudo pode ser bem lento...

* O Facebook me informou no dia 8 de maio que em 2012 eu tinha publicado lá esta oração em versos e, sinceramente, não me recordava dela. Tampouco a guardei em meus arquivos. Que bom que ela retornou, está tão atual.

Veja também:
Azul e branco
Um tanto de grandeza e muito de coragem

domingo, 26 de abril de 2020

CANALHAS TÊM SEMPRE RAZÃO

"Infeliz é a nação que precisa de heróis" (Bertolt Brecht)

Os canalhas têm sempre razão
Quando trocam acusações
Razão que somente
Em suas próprias razões
Se reconhecem,
Mas eles se desconhecem
Quando se deparam com a dignidade

Canalhas não são razoáveis
Menores que medíocres
Sob a linha da mediocridade

Quando aliados
Pavoneiam-se e adulam-se
De estúpida vaidade

E de suas certezas absolutas
De quem vê sempre ameaça
À sua autoridade
Dão início às disputas

E têm sempre razão
Quando se acusam

Para se acudirem
Desesperados, acuados
Disparam, cospem-se
E à razão de acusar,
Apontar, atirar,
Morrem abraçados
A toda e qualquer sordidez
Que se recusam a renunciar.

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