terça-feira, 29 de março de 2011

DAS PELADAS DE RUA ÀS ARENAS

"Futebol", de Orlando Teruz

Hoje divaguei um pouco em pensamentos desconexos sobre futebol. Na verdade, tudo começou quando, encadeado a outras lembranças que agora não me recordo mais, percebi que as peladas de rua morreram no bairro da Zona Norte carioca onde cheguei em 1971 e em muitos, muitos outros do Rio de Janeiro. Isso para não dizer em todos, pelo menos em todos por que passei nos últimos 10 anos ou mais  (me diga um que ainda tenha para eu ir). Lembrava das muitas que joguei em ruas bem e mal asfaltadas, de paralelepípedos, de terra, esburacadas, um pouco íngremes, até em ladeiras (bom era jogar no time de cima). Voltou à minha mente também o dia em que, no afã de salvar um gol, fui atropelado por uma Brasília – ou a atropelei, já nem sei.

A violência urbana certamente afastou a criançada das ruas para jogar bola e a atraiu para fazer malabarismos nos sinais de trânsito, mendigar e cheirar cola. Lembro muito bem da voz imponente de João Saldanha no radinho de pilha criticando, ainda na década de 70, a especulação imobiliária que andava acabando com os campinhos de pelada. E os playgrounds dos prédios, que brotaram como mato nesta cidade, com o tempo deixaram de ser espaço para a criançada se divertir para virar local de festas de adultos, cada vez mais reservados e caros.

Logicamente estou aqui falando da classe média, média baixa, porque no andar debaixo da pirâmide social - fora as antenas parabólicas e os "gatonets" – talvez tenha mudado um pouco menos, embora o espaço tenha ficado cada vez mais apertado nas favelas. A pelada sempre foi um fator de integração entre os garotos das mais variadas idades e classes sociais. Ali, no campinho improvisado no meio da rua, com balizas demarcadas com chinelos, latas, pedras ou até mesmo com estacas de madeira presas das mais diversas maneiras, todos se encontravam, dividiam-se em times para correr atrás da bola de borracha, plástico, couro ou meia. A distinção só existia para os que a controlavam melhor. Eram os mais respeitados e logo escolhidos, quando não eram os próprios a tirar o par ou ímpar ou "adedanha" e montar seus times. E entre os melhores poderia estar o neguinho do morro, o branco azedo da maior e mais bela casa da rua, o moreno da casa pobre da esquina, o cara de índio do prédio mais velho, ou o mestiço do prédio mais alto e luxuoso. O gordinho, o magrelo, o baixinho, o grandão, tanto faz. Neste aspecto as meninas de outrora levavam uma grande desvantagem.

Hoje, essa integração que as ruas promoviam estão extintas. As crianças estão separadas por grades, muros, entre escolas particulares e públicas, as ruas cada vez mais cheias de carros sempre velozes e furiosos e o futebol nosso de cada dia cada vez mais esquematizado taticamente e empobrecido tecnicamente. Se uma coisa é conseqüência da outra não posso precisar, mas posso intuir ou desconfiar. É o que sinto. Há muitos outros aspectos, sem dúvida. O modo de vida das pessoas no Rio – só para não ter a pretensão de dizer que é no país inteiro - mudou muito. E se sinto cada vez menos prazer em assistir a um jogo de futebol (as duas últimas Copas do Mundo foram pavorosas, numa decadência que vem da pior que assisti, a de 1990) é porque fui muito mal acostumado – ou muito bem, dependendo do ângulo que se veja. E não só pelos grandes jogadores que via no Maracanã e na televisão na época de torcedor, mas pelos que enfrentava ou tinha como companheiros nas peladas de rua. Joguei com muita gente que teria facilmente chegado à seleção brasileira se tivesse se profissionalizado.

Zico e Maradona na Copa de 1982. Foto: J.B. Scalco (Placar)

Esse apartheid brando do Rio de Janeiro que vislumbrei desmoronando a cidade no apito final das partidas de futebol disputadas em campos improvisados – e não do Playstation – me levaram em viagem para a Europa, onde o racismo recrudesce de maneira clara e tem nos estádios ou arenas um de seus palcos principais. Se no dia-a-dia, desconfio, essa discriminação é mais disfarçada – ou menos explícita –, foi nos campos de futebol profissional que ganharam força, porque a massa esconde o indivíduo. E, como todos sabem, o covarde só é forte quando se traveste de multidão. Vejo com tristeza, certa amargura até, a minha paixão infanto-juvenil, o futebol, ser usado por fascistas para manifestarem suas frustrações, seu ódio à vida, às diferenças. Esse racismo contra tantos africanos e brasileiros que atuam em clubes da Europa - e agora Neymar na vitória do Brasil sobre a Escócia - está revestido do fascismo que sempre ressurge em períodos de crise econômica. Certamente esses estúpidos que levam bananas aos estádios, não para se alimentar, mas para ofender, estão incomodados com os negros – ou estrangeiros de todas as cores e credos – que, segundo eles, estão ocupando um espaço que lhes pertence.

Aqui no Brasil, os fascistas do futebol se integram a torcidas organizadas para atacar quem não torce para o mesmo time e os homossexuais. São os pitboys. Nunca apreciaram uma boa partida de futebol, jamais jogaram uma pelada na rua ou em qualquer lugar. Para eles, mais até do que o time, é a torcida – ou quadrilha – organizada que precisa ser defendida, atacando quem pensa diferente. Para eles, melhor que o grande clássico é o encontro com os rivais - inimigos - para se digladiarem dentro ou fora dos estádios.

Diante de tudo isso me vem uma pergunta à cabeça: chegará o dia em que será preciso tirar a bola, os jogadores e o árbitro de campo para que esses fascistas adentrem o gramado e transformem em campos de batalha medievais as luxuosas arenas do mundo?

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Veja também:
Ademir da Guia, o Divino
Setenta Anos do Canhotinha de Ouro
Maradona Cinqüentão
Garrincha, 77
Pelé, Só Ele
Reinaldo, o Rei do Galo Mineiro
Corinthians 4 x 3 Palmeiras (1971)
Beckenbauer, a Elegância do Kaiser
Fluminense 1 x 0 Bayern de Munique (1975)
Holanda 2 x 0 Uruguai (1974)
Cruzeiro 5 x 4 Internacional (1976)

segunda-feira, 28 de março de 2011

FRAGMENTO DE O NEGRO CREPÚSCULO NA COLUNA DO LAM

O jornalista, radialista, produtor musical e escritor Luiz Antonio Mello, um dos fundadores da Rádio Fluminense FM (juntamente com Samuel Wainer Filho), me convidou na semana passada para que eu lhe enviasse um texto de minha autoria para ser publicado em seu site, Coluna do LAM, que eu leio diariamente e, obviamente, recomendo com todas as letras. Fiquei muito feliz e honrado e (es)colhi um trecho do livro que pretendo lançar ainda este ano - com ou sem editora - e lá está desde este último dia 27 de março Fragmento de O Negro Crepúsculo com uma ilustração que me fez lembrar uma cena que imaginei para o roteiro de cinema que fiz para O Anjo Grave. Este livro já tem alguns trechos publicados aqui neste blog na série Monólogos. Alguns já estavam escritos e apenas retirei para postar aqui, mas outros eu incluí no Negro Crepúsculo, como por exemplo aquele que mais visitas recebe, justamente o que deu origem à série: O Jogo dos Espelhos. Além de agradecer novamente a Luiz Antonio Mello e reforçar o convite a todos que naveguem pelo seu site, queria recomendar um texto de outra convidada de LAM, Cyana Leahy-Dios. Ela fala da importância da leitura e da necessidade de se criar novos leitores neste país. Eu só posso apoiar com todas as minhas forças, afinal o que será do escritor se não houver mais leitor? Veja também: Monólogos 9 (A Solidão e a Angústia) Monólogos 5 (O Espírito dos Insensatos)

quarta-feira, 23 de março de 2011

A MIDIOTIZAÇÃO

Vinha eu dia desses caminhando pelas fétidas, esburacadas e lotadas ruas do centro do Rio de Janeiro (o lado modernoso que tombou o antigo) e não conseguia – na verdade, nem tentava - tirar da cabeça um pensamento profético de Nietzsche: "Mais um século de jornais e as palavras se corromperão". Muitas coisas se passaram na minha cabeça em torno disso, não propriamente sobre os jornais, mas sobre as palavras. As palavras não como símbolos da Comunicação, mas como expressão de algum sentimento, de alguma ação, comportamento, expressão, manifestação.

Assim, como de relâmpago, voltei ao pensamento nietzschiano e me lembrei que ele não contava (e nem poderia!) com a participação decisiva da televisão, muito menos da internet. O que os jornais levaram cem anos para fazer (talvez até menos), a TV realizou com absurda competência em poucas décadas. E a internet parece realizar em poucos segundos, embora por outro lado ela seja uma brecha interessante para quem não deseja se entregar a qualquer lixo e se manifestar - e espero que este blog seja um bom exemplo.

A era da rapidez da informação on line também expande as imbecilidades com muita pressa. E vejo diariamente em tempo real a mídia eletrônica vilipendiar a escrita automática, expressão criada por Maurice Blanchot. Automática sim, mas livre e espontânea, jamais.

Juntando tudo e voltando às palavras da forma como as citei, fui observando as pessoas nas ruas (o que já vinha fazendo desde o momento em que iniciei minha caminhada sob sol escaldante). E descobri que a TV fez muito mais que os jornais: ela corrompeu pessoas.

Percebi com bastante clareza que não há quase diferença entre gestos, modo de falar, andar, vestir (provavelmente também despir), o comportamento, enfim, das gentes nas ruas. Não há diferença sequer entre as putas da Praça Tiradentes e as dos escritórios e das faculdades. Nem entre os contínuos e os engravatados, ambos suando em bicas. Talvez a única diferença residisse nos mendigos, mas eles não valem, pois não assistem à TV com regularidade e nem chegam perto da internet. E olhei pra mim, que andava na contra-mão do fluxo, para ver se também eu não havia me corrompido, igualado, pasteurizado...

Diante de tudo isso, fiquei me indagando e até agora não encontrei resposta definitiva (e existe resposta definitiva para algo?): será que ainda há nesses turbulentos tempos em que vivemos espaço para manifestações espontâneas? Artísticas, principalmente, será? Sem a massificação de atitudes, conseqüência do máximo e praticamente único interesse comercial, é bem difícil identificar. É complicado até identificar quem pelo menos tenta, com honestidade, se livrar dessas amarras que a sociedade globalizada criou. De minha parte, continuarei a lutar ferozmente contra as mediocridades, inclusive - e principalmente - as minhas. Acabo de desligar mais uma televisão que esqueceram tagarelando sozinha...


Vídeo: "Televisão", de Marcelo Fromer, Tony Belotto e Arnaldo Antunes, com Titãs.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O ESCREVER


Escrever para mim é pôr a alma pelos poros. Obviamente que, como jornalista formado desde março de 1988, quase sempre tive de escrever para sobre(sub)viver como a puta que, enquanto dá, lê um gibi. Não acredito em profissão, creio em vocação, esse instinto de animal voraz que rosna com dentes afiados dentro de cada ser criador. O grande mal de nossos tempos é que existem profissionais demais e amadores de menos. Amadores não no sentido que lhes grudaram, de despreparados, inexperientes, mas sim daqueles que amam o seu ofício.


Amador é aquele que não precisa do dinheiro como combustível para exercer seu trabalho, embora seja muito bem-vindo para que possa fazê-lo menos preocupado com as contas a pagar. Pratica-o sempre, não o deixa jamais, até porque ele o acompanha onde quer que vá, como uma sombra que se confunde com o próprio corpo que a produz. E para isso é necessário que haja a luz eterna da vocação.

Os profissionais, por melhores que sejam, se não tiverem essa iluminação, jamais conseguirão transpor um milímetro sequer as cercas eletrificadas da mediocridade que os envolvem. Até para ser boa puta é preciso ter vocação! Mas para ser puta da informação, basta ser profissional.
Ilustração: "Drawing Hands', de M.C. Escher.
Veja também:
Um Sonho Chamado Kurosawa
A "Arte Transgressora"
Entrevista: Nelson Pereira dos Santos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

SONHOS E PESADELOS NOS QUADROS DE CLÁUDIO NEIVA, O REPRESENTANTE DA PINTURA NUMA FAMÍLIA DE ARTISTAS


Em um almoço no segundo dia deste ano, meu primo João Arthur me disse algo que nunca havia me dado conta inteiramente: nossa família, a Neiva, de meu saudoso pai (Sebastião), tem representantes vivos em quase todas as artes. Que eu saiba, ainda não temos um cineasta - quem sabe um dia emplaco um dos roteiros que já escrevi - e um escultor, considerando-se as sete artes tradicionais (música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura e cinema).

A minha referência mais antiga de artista na família era o meu avô paterno, Geraldo, que tocava clarinete e compunha, embora eu não tenha chegado a conhecê-lo. Agora já soube por intermédio de meu tio Edson Cláudio Neiva, personagem principal deste espaço, que um tio-bisavô chamado Edimundo Barros era um grande compositor de músicas sacras, e que meu bisavô Francisco Marçal, além de barbeiro, também era clarinetista e regente da banda da terra de meu pai, Itaverava (MG), no início do século passado. Uma viagem e tanto no tempo.

Há bailarina (minha prima Luciana Bagby, irmã de João Arthur), atriz (Camila Meskell, prima), músico (meu irmão Léo Neiva, contrabaixista), cantora (minha tia e madrinha, Elza Neiva), escritor e o pintor das obras expostas aqui.

Cláudio Neiva, como assina, tem um belo e vasto trabalho que merece ser mais conhecido e valorizado. Desde 1981 expõe suas pinturas e desenhos, especialmente no Rio de Janeiro e em Brasília, onde mora, e já teve suas obras adquiridas por colecionadores das mais diversas partes do planeta. Num mundo que hoje valoriza mais o entretenimento do que a arte, está com seus quadros em seu próprio estúdio na capital federal desde 2002.

Porém, falar desse trabalho que revela sonhos e pesadelos, reais e imaginários, os inconscientes coletivos e individuais, é muito pouco, por mais que se escreva um livro. É preciso mostrá-lo cada vez mais para que as pessoas que ainda têm interesse em arte possam conhecê-lo, valorizá-lo e divulgá-lo, e é isto que me proponho aqui.

Aproveitem bem esta mini-exposição. Quem quiser saber mais sobre Cláudio Neiva, que também é arquiteto, e ver fotos de outros quadros seus é só visitar o endereço http://www.multistudio.arq.br/. Alguns quadros do artista, inclusive alguns destes aqui, estão inscritos no evento Artists Wanted 2010: http://www.artistswanted.org/portfolio.php?preview=true&artist=Neiva. Lá você pode dar a sua avaliação para o conjunto de obras, de uma a cinco estrelas, quantas vezes quiser (uma por dia). Já votei várias vezes nas 5 estrelas, porque é a nota máxima que ele merece.




Quadros (fotos da Multistudio):
1- Sonhando com os Pássaros - acrílico sobre tela (1995)
2- Rumo Inevitável - óleo sobre duratex (1987)
3- Mãos Suplicantes - óleo sobre duratex (1987)
4- Horizonte da Metrópole - óleo sobre tela sobre duratex (2000)
5- Eolo e os Filhos de Ícaro - óleo sobre tela (2000)

Veja também:
Poesia Sem Versos
Um Sonho Chamado Kurosawa

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SETENTA ANOS DO CANHOTINHA DE OURO

O grande comandante daquela que é considerada a maior seleção de todos os tempos completou nesta terça-feira 70 anos de idade. Gérson, o Canhotinha de Ouro, que desde 1974 comenta jogos em rádio e televisão, sempre com seu jeito irreverente, merece ser lembrado como um dos mais talentosos e importantes jogadores da História do futebol.

Praticamente não vi Gérson jogar. Os lances que guardei na memória desde pequeno são praticamente dos lançamentos e gols da Copa do Mundo de 1970, no México. Na época em que ainda sonhava me tornar jogador de futebol, eu procurava imitar o Canhotinha - geralmente com o pé direito - na hora de fazer lançamentos longos. Buscava sempre copiar a forma como ele batia por baixo da bola para que ela chegasse limpa ao companheiro. 

Não cabe aqui dizer se fui bem ou mal-sucedido nas minhas tentativas nas muitas peladas que joguei em campos esburacados ou nas ruas de terra e de asfalto, mas o fato de muito novo ainda eu imitar um jogador que nunca havia visto jogar ao vivo já demonstra o respeito que sempre tive por ele. Um grande maestro da bola.

Veja também:


No vídeo abaixo está a homenagem que o "Esporte Espetacular", da TV Globo, fez a Gérson no último domingo, com imagens raras e sensacionais. Mas há um erro no início da matéria do excelente Renato Ribeiro: ele diz que Pelé empatou de cabeça a final contra a Itália, em 70, e que Gérson virou o jogo. Não, o Brasil abriu o marcador e a Itália empatou no fim do primeiro tempo. 

Apenas um detalhe que não chega a atrapalhar a bela homenagem ao cracaço que lançava a bola com precisão milimétrica. Que o digam Pelé, Jairzinho, Tostão, entre outros.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FOLIA DE REIS

Dia de Reis me lembra Rio do Ouro (São Gonçalo-RJ), onde morei por 13 anos (de dezembro de 1993 a novembro de 2006). No primeiro ano meu lá, provavelmente em 6 de janeiro de 1994, um grupo de senhores e poucos jovens vestidos do que para mim - na minha imensa ignorância - eram apenas fantasias coloridas, vieram à porta de minha casa, que nem portão direito ainda tinha, com instrumentos, tocando e cantando. Fiquei paralisado com meus dois filhos e minha mulher com o terceiro na barriga assistindo da varanda àquele show particular, meio sem saber o que fazer.

Aplaudimos e eles se despediram rumo a outra residência da rua de terra em que morávamos. Descobrimos depois que teríamos de presenteá-los com algo, um bolo, algo para comer, talvez. Pelo menos foi o que nos disseram. Mas, como disse, ignorávamos. Mal sabíamos que o folclore havia batido à porta de nossa casa e se despedira para nunca mais voltar...


Veja também:
A Força Nordestina
Antúlio Madureira, o Mestre de Obras-Primas


O trecho a seguir, retirei do Wikipedia e explica bem o que representa para a cultura brasileira este dia:

Na cultura tradicional brasileira, os festejos de Natal eram comemorados por grupos que visitavam as casas tocando músicas alegres em louvor aos "Santos Reis" e ao nascimento de Cristo; essas manifestações festivas estendiam-se até a data consagrada aos Reis Magos. Trata-se de uma tradição originária de Portugal que ganhou força especialmente no século XIX e mantém-se viva em muitas regiões do país, sobretudo nas pequenas cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, dentre outros.

Na cidade de Muqui, sul do Espírito Santo, acontece desde 1950 o Encontro Nacional de Folia de Reis, que reúne cerca de 90 grupos de Folias do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. É o maior e mais antigo encontro de Folias de Reis do país. O evento é organizado pela Secretaria de Cultura do Município e tem data móvel. astião e padroeiro do Estado.


Detalhe: Muqui era a terra de minha saudosa avó materna.


Ilustração:
"Folia de Reis", de Fernando Pires (http://fernando_pires.blig.ig.com.br/)
Vídeo: "Folia de Reis", com Baiano e os Novos Caetanos (Arnaud Rodrigues e Chico Anysio)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ADEMIR DA GUIA, O DIVINO

Outro dia a trabalho tive o prazer de ver um vídeo produzido pelo site do Palmeiras com um bate-papo entre César Maluco e Ademir da Guia e pude recordar o quanto o Divino tem de valor dentro e fora de campo. Simplicidade e elegância. Para mim, Ademir da Guia foi o Paulinho da Viola dos campos de futebol, genialidades pouco reconhecidas, talvez até pelo jeito tímido de cada um desses artistas. Daria um belo papo entre o palmeirense e o vascaíno. Fica a idéia.
Ademir, que começou no Bangu, foi um dos melhores jogadores que vi atuar, embora tenha pego já o finzinho de sua carreira. Mesmo assim, o modo como dominava a bola e a visão que tinha do campo e do gol sempre me impressionaram. Para os mais novos poderem ter uma idéia, sem entrar na babaca discussão de quem foi o melhor, Zidane tinha um estilo de jogar muito semelhante ao de Ademir. Cabeça em pé, telescópio do time, avistava cada canto do campo, com a bola grudada nos pés. E a mesma facilidade para arrematar de pé direito ou esquerdo e também de cabeça.
Pena que ele não tenha tido mais chances na seleção. Não sei se foi por causa da desistência de Pelé que ele entrou na lista de Zagallo para a Copa de 1974. Mas o certo é que o Divino ficou em segundo plano e só jogou 66 minutos na decisão do terceiro lugar contra a Polônia que terminou com derrota brasileira. No vídeo abaixo, muto bem produzido por Renato Palestrino, você pode ver lances, gols e saber mais da história deste grande jogador da história do futebol brasileiro.

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #47

Uma coisa jogada com música - Capítulo #46 Garrincha e Pelé, durante a Copa do Mu...

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