Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
Lima e Denílson, em pé. Garrincha, Pelé e Ivair. Foto retirada do site Terceiro Tempo.
Muitas e muitas e muitas vezes, no auge da revolta e da indignação com a bandidagem e o baixíssimo nível de nossos políticos, responsabilizei o povo brasileiro por este mal que não cessa. Não totalmente desprovido de razão, ainda penso assim. Afinal, os que estão no poder não caíram do céu, vieram desta sociedade cada vez mais doente em que (sobre)vivemos. Porém, também infinitas vezes brequei tão usais frases - mesmo que só em pensamento - como "temos um povinho de merda" e suas muitas variações.
Abre parênteses: curioso e sintomático falarmos ou escrevermos sempre na terceira pessoa, nunca na primeira. "O inferno são os outros", já bem dizia Sartre. Fecha.
Sempre que me confrontei para estancar a minha ira, o que trazia ao meu pensamento era o tanto de maravilhoso que emerge deste mesmo povo sofrido, mas não coitado, responsável também por tudo o que de ruim ocorre. Deixemos de paternalismos, de uma vez por todas. Abre e fecha parênteses novamente.
O flamenguista João Nogueira e o tricolor Cartola,
no projeto Pixinguinha, em 1977
Entre o melhor que temos, a nossa música e o nosso futebol são certamente o que de mais lindo oferecemos ao mundo, além das inegáveis e tão decantadas belezas naturais, algo que nunca nos competiu construir, mas destruir, sem dúvida, infelizmente. Claro que não me refiro a quase tudo o que tem feito sucesso nas mídias, nem ao que tem sido apresentado em nossos gramados nos últimos anos. Mas é indiscutível que a música brasileira, com toda a sua variedade de estilos e ritmos, neste misto de simplicidade com sofisticação e de inventividade com técnica, adjetivos que bem podem se juntar ao nosso futebol, está no topo do que de melhor já se fez - e se faz ainda - no Universo. Nos campos, fomos - e espero ainda sermos - responsáveis, especialmente em 1958 e 70, por elevar o futebol ao patamar de Arte, como bem definiu o historiador britânico Eric Hobsbawn ao escrever sobre a seleção do tri.
Mesmo o espírito destrutivo de alguns compatriotas, os 7 a 1 para a Alemanha e o sucesso internacional dos ruídos mais submersos feitos por aqui ultimamente não serão capazes de rebaixar a nossa verdadeira Música e o nosso mais genuíno Futebol. Nestes dois temas - e mais em uns dois ou três, não mais - o Brasil pertence ao Primeiro Mundo. E foi da tabelinha preciosa destes dois riquíssimos aspectos de nossa vida cultural que surgiu Jogada de Música, projeto que hoje está no rádio, mas que em breve estará em outros campos.
Acredito que valorizar o que temos de melhor é a única forma de tirarmos este país do atoleiro em que todos nós o pusemos. Portanto, mãos à obra!
Em episódio que reuniu, além da música e do futebol, literatura e cinema, o roubo da Taça Jules Rimet foi o tema principal do quadro Jogada de Música no dia 30 de abril, ainda no programa Panorama Esportivo do Pop Bola, da Rádio Globo Rio. Cheguei ao escritor Henrique Pongetti e seu conto publicado no livro "Inverno em Biquíni" que previu com pelo menos 19 anos de antecedência o roubo da Jules Rimet (ocorrido em 1983), por um livro que ganhei de presente no meu oitavo aniversário (20/7/74): "Futebol tem cada uma", de Armando M. Marques. Uma descoberta entre muitas neste trabalho que realizo desde o fim de 2015 sobre as músicas que contam, cantam e tocam a História do futebol brasileiro.
Em breve, postarei no meu canal do YouTube os vídeos, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, dos outros dois episódios da primeira fase do quadro e os que já foram ao ar no programa Zona Mista, apresentado por Alexandre Araújo e os demais integrantes do Pop Bola. Às terças, entre 18h e 20h (de 19h às 20h na internet), você ouve o Jogada de Música na Rádio Globo. Marque na agenda.
Além do rádio, é objetivo do projeto Jogada de Música estar nas TVs (série e documentário), nos cinemas, nos teatros e casas de espetáculos. Só para começo de conversa, pois as possibilidades são muitas. As empresas interessadas em financiar este trabalho, que começou comigo, mas que tem parceiros totalmente engajados nele, são muito bem-vindas. Faça esta grande Jogada de Música com a gente! Entre em contato pelo email: emquestao.el@gmail.com. Crise é esperar a bola no pé.
A Guerra Fria acabou? Capitalistas ainda querem nos livrar de comunistas. Comunistas continuam desejando nos livrar de capitalistas. Quem nos livra de tão estreita visão de mundo, da vida?
O último episódio do quadro Jogada de Música apresentado no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola teve como tema o Fla-Flu, no dia 7 de maio, poucas horas após a decisão do Campeonato Carioca deste ano. No vídeo abaixo, com pesquisa de imagens e edição de Lucas Neiva, você poderá ouvir histórias e músicas sobre este grande clássico do futebol.
Na última terça-feira o quadro reestreou na mesma Rádio Globo, no programa Zona Mista, apresentado pelo pessoal do Pop Bola, tendo Garrincha e o surgimento do "olé" no futebol como tema. Na próxima quarta (6/9) - excepcionalmente, pois na terça haverá a transmissão de Colômbia x Brasil pelas eliminatórias da Copa 2018 -, outro gênio será lembrado com as músicas feitas em sua homenagem. Não perca!
Nesta terça-feira, dia 29, a História do futebol brasileiro voltará a ser cantada e tocada na Rádio Globo. Depois de fazer parte do extinto programa Panorama Esportivo do Pop Bola, entre 29 de janeiro e 7 de maio deste ano, o Jogada de Música retorna em grande estilo, desta vez no Zona Mista, novamente com o pessoal do Pop Bola. Neste primeiro episódio de retorno do quadro, que será apresentado sempre às terças, músicas em homenagem a um dos maiores gênios do futebol de todos os tempos e como surgiu uma expressão que todo torcedor adora gritar nos estádios. O programa vai ao ar de segunda à sexta, das 18h às 20h. Para ouvir a Rádio Globo: http://radioglobo.globo.com/# .
Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la. Além desta volta ao rádio, em breve haverá muitas novidades sobre este projeto, que tem muita coisa para contar, cantar e tocar, de primeira. Aguarde! Veja também: Jogada de Música está na área Futebol-Arte: os maiores jogos de todos os tempos 11 Garrincha, 77
Zico comemora um de seus gols contra a Nova Zelândia na Copa de 82
No último 5 de março, dois dias após o seu aniversário de 64 anos, Zico foi o tema do Jogada de Música, quadro que foi ao ar entre 29 de janeiro e 30 de abril deste ano no extinto programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola.
Ouça no vídeo abaixo (ou no YouTube), curtindo a seleção de imagens e a edição feitas por Lucas Neiva. Este foi o terceiro episódio da série e começa com um gol histórico de Zico, narrado pelo saudoso Jorge Curi. Divirta-se!
No ar de 29 de janeiro a 30 de abril deste ano, o Jogada de Música foi um quadro do extinto programa da Rádio Globo do Rio de Janeiro Panorama Esportivo do Pop Bola. No segundo episódio, que foi ao ar no dia 19 de fevereiro, Tostão, Milton Nascimento e Moreira da Silva fizeram uma triangulação perfeita.
Com edição do vídeo e pesquisa de fotos de Lucas Neiva, você pode ver e ouvir abaixo o quadro ou no meu canal do YouTube. A produção é de Alexandre Araújo e a narração, de Alexandre Tavares.
O projeto Jogada de Música é fruto de um trabalho de pesquisa que realizo desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la, cantá-la e tocá-la, de primeira. Em breve, haverá muitas novidades sobre este projeto que une duas das maiores paixões nacionais: o futebol e a música.
"O outro é seu espelho", retirado deste site: https://www.o-curador.com/
No auge da minha vida como torcedor, naqueles anos em que minha paixão pelo futebol foi mais latente, entre os 7, 8 até 21, 22 anos, havia algo que me incomodava um pouco toda vez que vibrava muito com uma grande vitória ou conquista do meu time. Ficava e continuava alegre, mas dentro de mim havia um vácuo que, creio até ter identificado em alguns daqueles momentos, embora tenha deixado de lado com o passar do tempo. Trabalhei dentro do futebol como jornalista a partir do início dos anos 90 até 2013, com poucas interrupções. E conhecendo melhor tudo o que move este esporte que virou um grande (e muitas vezes escuso) negócio - justamente porque move paixões exacerbadas -, e observando bem colegas, amigos, conhecidos e até desconhecidos, fui tomando maior consciência do que significava aquele vazio em mim nos grandes momentos de glória do meu time: eu não havia conquistado nada.
Esta talvez seja a grande questão que faz das torcidas de futebol ao mesmo tempo um espetáculo lindo e também um cenário de horror pior que as piores selvagerias coletivas. O torcedor de futebol raramente é um apaixonado por futebol. E muitas vezes nem é apaixonado pelo seu time. Explico melhor um corriqueiro caso específico: a pessoa tem um time desde criança, porque seus amigos também têm, e passa algumas vezes boa parte da infância e até da adolescência sem dar muita atenção àquilo. Porém, quando as frustrações da vida adulta começam a bater à sua porta, passam a lhe corroer as entranhas, quando percebe que o tempo está passando e ele pouco se realiza, ou nada preenche o enorme vazio que construiu para a sua vida, agarra-se àquela ilusão infantilóide e perversa de que o time de futebol vai redimir tudo aquilo que ele não realizou e não faz para alcançar.
Vi isso muitas vezes não só nos estádios de futebol, nas mesas de bar, até mesmo nas redações em que trabalhei, e recentemente nas redes sociais, mas também nas peladas que joguei e deixei de jogar justamente porque queria me divertir e não mais disputar uma "final de Copa do Mundo" - sonho que já havia deixado para trás nos tempos em que vivia o tal auge como torcedor. É complexo lidar com uma massa de olhos vendados por uma ilusão a preencher vazios existenciais. E muito rentável também. Muito, mas para poucos. Isso só gera desilusão, frustração, e a violência advém daí, porque este tipo de torcedor, o que se agarra à superação de seus rancores por intermédio das vitórias e conquistas de seu clube não pretende só ser feliz com a felicidade que pensa ter, porque ela é insuficiente, afinal uma ilusão no fim das contas nada preenche. Ele quer ser feliz com a infelicidade do outro, do adversário, do rival, que na sua cabeça doentia é um inimigo. E busca no seu ódio por si mesmo provocar, xingar, ofender e agredir fisicamente o outro, aquele que veste a camisa "inimiga". Destilada a sua ira no espancamento, tiro, uso de arma branca ou fogos de artifício, o ato final, ele ainda crê em sua redenção. É a demência brutal e perversa alimentando a estupidez, a ignorância, a crueldade.
Sempre fui apaixonado por futebol - e continuo sendo, embora muito decepcionado com o nível técnico dos times brasileiros nas últimas décadas. E mais ainda com o show de horrores que esses pseudo-torcedores vêm protagonizando dentro e fora dos estádios já há muitos anos. Sempre assistia com prazer a jogos dos mais variados times e campeonatos do Brasil nos meus áureos tempos de torcedor. Acompanhei e vibrei muito com muito do que vi nos estádios e pela TV ou ouvi pelo rádio, um companheiro inseparável naqueles tempos. No entanto, havia o tal vácuo e tomei consciência dele. Há tempos, ele não existe mais, porque percebi que tenho de preencher meus vazios existenciais com minhas conquistas pessoais e fazer com que elas - na medida do possível - ajudem outras pessoas a se sentirem assim também. E não falo de sucesso profissional apenas, mas em todos os campos. E isso é uma busca incessante, que não acaba, só com a morte - ou talvez nem com ela, se significar um renascimento. Fico alegre com as vitórias e conquistas do meu time, sim - bem raras ultimamente, diga-se -, mas não faço disso a minha vida. Não mais.
Umberto Eco disse que a internet deu voz aos idiotas. Só que as arquibancadas dos estádios de futebol já haviam feito isso há muitas décadas. E as cenas medonhas se repetem a cada rodada, seja na primeira ou na última divisão.
Atordoado com dias tão surpreendentemente iguais em suas pequenas diversidades - e adversidades -, passados veloz-lentamente como se fossem aviões, andorinhas ou pardais, sem qualquer boa novidade para receber ou contar, eu me recolho ao pasmado passado espremido em minha mente sombria e em meu peito, apertado. E só aí me dou conta de dias atrás, mas num instante agora, que minha única saída é voltar aonde nunca estive e sempre apreciei tanto. Agora, mesmo que seja depois. Mas tem de ser agora. Agora quando?
Após assistir na internet ao programa Conversa com Bial do último dia 16, quando o apresentador da TV Globo fez uma homenagem aos 90 anos de nascimento de Ariano Suassuna, entrevistando o diretor de TV e cinema Guel Arraes, o diretor e ator Luiz Carlos Vasconcelos e o jornalista Gerson Camarotti, é que me dei conta de que o grande intelectual e artista pernambucano nascido na Paraíba seria o único a ter autoridade para fazer uma marcha contra a guitarra. Seria a passeata de um homem só (mas muito poderoso, no bom sentido da palavra). Pela sua conduta de vida inteira, só ele não pareceria ridículo, como o jornalista e compositor Sergio Cabral admitiu ter sido em entrevista, anos depois.
Abre parênteses: para quem não sabe, no dia 17 de julho de 1967 - portanto em plena ditadura militar -, artistas e intelectuais resolveram protestar contra a guitarra elétrica numa passeata pelas ruas de São Paulo. Muitos dos artistas que lá estiveram depois passaram a usar e a abusar do instrumento em suas músicas, reconhecendo de alguma forma o seu erro. Gilberto Gil, inclusive, foi acompanhado pelos Mutantes em outubro daquele mesmo ano no histórico Festival da TV Record para defender "Domingo no Parque". O movimento foi liderado por artistas que admiro muito: Elis Regina, Jair Rodrigues, Zé Keti, Geraldo Vandré, Edu Lobo, MPB-4 e o próprio Gil, que muitos anos depois confessou que só foi à passeata por estar cego de paixão por Elis. O principal slogan da turma era "Defender o que é nosso". Lúcida, Nara Leão chegou a comentar com Caetano Veloso que aquele protesto parecia uma manifestação integralista. Ambos, obviamente, ficaram fora. Fecha.
Foto: Wilman /UH /Folhapress
Como já escrevi várias vezes, não concordava com a aversão de Ariano à guitarra e à música pop estrangeira. Porém, ele ainda é fundamental para a defesa da cultura popular brasileira e seus argumentos e ações sempre foram coerentes e muito fortes neste sentido. Por mais paradoxal que possa parecer, mesmo discordando dele neste aspecto, continuarei defendendo a ampla divulgação de sua posição, pois ela barra de alguma forma o extremismo oposto, bastante nocivo, pois reflete a progressão geométrica da aculturação do povo brasileiro ao longo dos últimos 40, 50 anos. E também seguirei defendendo que as peças de Ariano sejam encenadas semanalmente em todas as grandes praças do país.
Claudio Venturini. Crédito na foto
Ainda sobre o assunto guitarra elétrica: no sábado passado assisti ao show do 14 Bis com participação de Beto Guedes e de Sergio Hinds, ex-guitarrista de O Terço, e posso afirmar sem medo de errar que Claudio Venturini já é um dos maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos. Antes que algum gato mestre (e como há "master cat" por aí!) torça os bigodes, sugiro que assistam ao mineiro em ação.
Enquanto isso, soube hoje que nos Estados Unidos a venda de guitarras caiu 30%. No Brasil não se tem notícia, mas creio que com a crise econômica (bem diminuta em relação à moral e política) tenha havido uma queda também. Porém, gostaria que a garotada, além da guitarra e outros instrumentos elétricos e eletrônicos, abrisse seus ouvidos, mente e coração para violinos, violoncelos, oboés, clarinetes, rabecas, viola sertaneja, bandolins...
É árdua, dolorosa, porém imprescindível, a tarefa de tornar as pequenas vitórias do dia-a-dia maiores do que as gigantescas e dilacerantes derrotas da vida.
Ilustração copiada deste link: http://andersonalsan.blogspot.com.br/2014/04/rosa-no-deserto.html
A saída para a Humanidade não está à direita, nem à esquerda, tampouco ao centro. Todas estas portas foram trancafiadas, emperradas pela ação do tempo. A única solução para o ser humano é elevar-se, despindo-se completamente de seus ódios, suas mágoas, seus ressentimentos, suas mesquinharias e as certezas absolutas.
"Eu vô batê pá tu batê pá tu, pá tu batê" nove meias-verdades e uma mentira e meia (escolha a sua. Não precisa adivinhar a minha, eu digo logo: é a 5):
No último domingo foi ao ar, no quadro Jogada de Música do programa da Rádio Globo Panorama Esportivo do Pop Bola, uma das boas surpresas que tive na pesquisa que estou realizando desde o fim de 2015 sobre a História do futebol brasileiro e as músicas que ajudam a contá-la: o roubo da Taça Jules Rimet foi profetizado pelo escritor mineiro Henrique Pongetti quase 20 anos antes do crime ocorrido na noite de 19 de dezembro de 1983. Porém, Pongetti nem pôde saber disso, pois faleceu em 1979, aos 81 anos de idade.
A premonição literária foi registrada no conto “O roubo da Taça Jules Rimet” publicado originalmente em 1964 no livro “Inverno em Biquíni”, e relata em primeira pessoa um estranho sonho, no qual o troféu, que só seria conquistado em definitivo pelo Brasil em 1970, teria desaparecido da sede da então CBD, que se tornaria CBF no fim dos anos 70. Depois de fracassadas todas as investigações policiais e a decisão da Fifa de punir a seleção brasileira com a exclusão das três Copas seguintes, a taça aparece repentinamente na sede da Federação Metropolitana de Lambretistas, em Copacabana, “intacta e muito bem cuidada”.
Pongetti escreveu: “... alguns jovens transviados a converteram em troféu secreto de uma disputa de ases da lambreta”. No fim do conto, o narrador da história é incumbido de levar a taça a Paris, mas acaba preso. No quadro de domingo, além de literatura, futebol e crime, teve música, como sempre, e cinema. Incluí ainda o samba da Caprichosos de Pilares de 1985, "E por falar em saudade" ("...e derreteram a taça na maior cara de pau. Bota, bota, bota fogo nisso..."), e o filme "O roubo da taça", com a sua música tema e a que o encerra: "Pecado Capital", de Paulinho da Viola.
Além deste, foram apresentados outros três episódios desde a estreia, no fim de janeiro: Pixinguinha e a homenagem ao primeiro grande título da seleção brasileira, o Campeonato Sul-Americano de 1919; Tostão na bola e nas músicas de Milton Nascimento e Moreira da Silva, e Zico, com as muitas canções feitas para reverenciá-lo. Estas e outras muitas histórias e músicas sobre o futebol brasileiro vêm sendo apresentados nas noites de domingo, e em breve virão outras novidades com relação a este trabalho, que realizo com grande prazer e que foi abraçado por Alexandre Araújo, apresentador do Pop Bola e do Panorama Esportivo do Pop Bola e produtor do Jogada de Música.
Convido todo mundo a prestigiar o Jogada de Música. Inclusive os potenciais patrocinadores. O medo só alimenta o monstro da crise.
Um ano após ter sido lançado em ebook (http://goo.gl/SdKSqU), "O negro crepúsculo", segundo livro de minha autoria, está à disposição no formato tradicional para os leitores interessados. Agora este romance escrito em prosa e versos, com a pele à flor da alma, pode ser manuseado, lido da forma que a grande maioria mais gosta e até cheirado, como muitos apreciam.
O livro está à venda na Amazon.com: http://goo.gl/KOqvBk. E também na Amazon de Reino Unido (http://goo.gl/Xhc9FV), Alemanha (http://goo.gl/KRKkIK), França (http://goo.gl/bxqyWq), Espanha (http://goo.gl/4c2qni), Itália (http://goo.gl/drDLO9) e Japão (https://goo.gl/WG6juW).
Espalhe a boa nova, agradeço muito desde já!
"Já escrevi (e, com prazer, escrevo de novo) que o carioca Eduardo Lamas é um dos mais talentosos escritores de sua geração, com trânsito em diversos estilos e texturas...". (Luiz Antonio Mello, jornalista, escritor, produtor, radialista criador da Fluminense FM)
"... fiquei bastante impressionado com O Negro Crepúsculo. O autor consegue unir poesia e romance/crônica num estilo bem original. Recomendo muito a leitura". (Bruno Lobo, jornalista, editor do Globoesporte.com)
"Dono de uma primorosa capacidade de trafegar entre a ficção e a poesia, Eduardo Lamas escreveu um romance onde o mote é a busca pelo amor... Altamente recomendado para quem acha que a paixão move o planeta!". (Marcus Veras, jornalista, escritor e empresário do ramo de Comunicação na área cultural)
Quem acompanha este blog, especialmente aqueles que já leram postagens minhas sobre futebol, sabem bem que sou torcedor do Flamengo. E já deve ter percebido que sou da geração que acompanhou de perto a formação e todas as conquistas do time mais vitorioso da História do clube rubro-negro. Por isso é fácil deduzir porque sou tão exigente e também que tive muito mais alegrias do que tristezas nos meus tempos de arquibancada de Maracanã, que durou de 1974 a 1989 (a partir de 1990 comecei a trabalhar como jornalista e passei cada vez mais raramente a freqüentar o Maraca como torcedor. Por outro lado conheci muito mais estádios do Rio do que antes).
Pois bem, feitas as explicações em nariz de cera - para desespero dos jornalistas brasileiros objetivamente corretos -, gostaria só de acrescentar que a quantidade de jogos espetaculares a que assisti, especialmente aqueles que resultaram na conquista de títulos, são ainda motivo de lembranças maravilhosas para mim. Saí muitas vezes feliz, algumas em estado de êxtase, com o que acabara de ver no Maracanã. Porém, orgulho, orgulho mesmo eu sinto de recordar um jogo que nada valia para o Flamengo, mas no qual ele demonstrou uma dignidade tão grande que, pelo que se tem visto ultimamente, seria até ofensiva para quem hoje já está até habituado a torcer contra seu próprio clube do coração só para prejudicar um rival. Falo de Flamengo 2 x 0 Bangu, último jogo do triangular final do Campeonato Carioca de 1983.
Voltemos ao tempo em que o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro tinha grande valor, pois desfilava em seus campos alguns dos melhores jogadores do mundo e, portanto, era dificílimo de se conquistar. Além dos quatro grandes tradicionais, Bangu e América tinham equipes muito boas, tanto que chegaram a algumas finais. E vencer, por exemplo, Americano, Volta Redonda, Olaria e Campo Grande em seus domínios, não era tarefa fácil. Assim, os títulos estaduais eram comemorados pela torcida campeã com muito mais festa do que hoje em dia. E com muito mais gente no Maracanã e nas ruas também.
Feito mais um parêntese, vamos às explicações para o motivo que me faz lembrar até hoje daquele jogo exemplar, embora quase não se fale nele. Na primeira partida do triangular, Fluminense e Bangu empataram em 1 a 1. A segunda foi o Fla-Flu que começou a consagrar Assis como ídolo tricolor. No último minuto daquele jogo, logo após o árbitro Arnaldo Cezar Coelho ter apitado um impedimento inexistente de Adílio, que partira do campo rubro-negro completamente só em direção ao gol tricolor, o camisa 10 do Fluminense marcou o gol da vitória que eliminou qualquer chance rubro-negra de conquistar o título e colocou o Tricolor em boas condições de ganhá-lo.
O Flamengo foi então para a última partida, contra o Bangu, sem qualquer pretensão, a não ser defender a camisa rubro-negra e a lisura esportiva, algo tão fora de moda nos últimos sei lá quantos anos. E mesmo abatido pelas circunstâncias da derrota para o rival e a conseqüente desclassificação, a equipe do Fla e uma parte pequena, mas não desprezível, de sua torcida foram ao Maracanã com força para derrotar o bom time do Bangu, que já havia goleado o mesmo adversário naquela competição por sonoros 6 a 2. O time de Moça Bonita precisava vencer para forçar um jogo-extra com o Fluminense ou até mesmo ser o campeão (não me recordo se o regulamento previa desempate no saldo de gols, caso dois times terminassem com o mesmo número de pontos em primeiro lugar).
Lembro de ter ouvido o jogo num rádio de pilha de algum amigo tricolor na rua Araxá, no Grajaú, torcendo para que o meu time vencesse e afastasse qualquer suspeita de que faria corpo mole. E assim foi feito: com um gol de Adílio, logo no início, e outro de Tita, em belíssima cobrança de falta, no segundo tempo, o Flamengo venceu o Bangu por 2 a 0, resultado que deu ao Fluminense o primeiro título de seu último tricampeonato estadual. Claro que, em outra situação (como em 1985), eu iria preferir o Bangu campeão, em vez do Flu, mas as circunstâncias eram outras e, mesmo triste, já naquele dia senti muito orgulho do que aqueles rapazes rubro-negros fizeram.
É só ver e ouvir o vídeo abaixo para perceber que houve muita vibração em campo e nas arquibancadas. Enquanto isso, nas cadeiras especiais, os jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes tricolores puderam comemorar a conquista, valorizada ao máximo pela digna atitude do Flamengo.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 2 x 0 BANGU
Local: Maracanã (Rio de Janeiro);
Data: 14 de dezembro de 1983
Juiz: José Roberto Wright;
Renda: Cr$ 16 902 600.00;
Público: 12.872;
Gols: Adílio 3 do 1.° e Tita 27 do 2.°;
Cartão amarelo: Marinho. Mococa e Edmar
Flamengo: Raul. Leandro (Heitor). Marinho. Guto e Júnior; Andrade. Cléo (Vítor) e Tita: Lúcio. Edmar e Adílio. Técnico: Cláudio Garcia.
Bangu: Tião (Júlio Galvão). Gilson Paulino, Tecão. Fernandes e Tonho: Mococa, Arthurzinho e Mário; Marinho, Fernando Macaé (Edvã) e Ado. Técnico: Moisés.
Com "Gasolina no Incêndio" pretendo provocar quem aqui venha, mexer com os brios mesmo. Incomode-se, reclame e até xingue se achar necessário, mas aqui não cabe a indiferença. Não vou censurar nenhum comentário, mas assuma-se, não se esconda no anonimato (in)conveniente, nem com apelidos irreconhecíveis.
A direita se preocupa tanto com a Justiça que quase sempre se esquece das injustiças. A esquerda é tão obcecada com as injustiças que muitas vezes ignora a justiça.
E o centro, sempre oportunista, se aproveita flexibilizando seus discursos e suas ações (e omissões) de acordo com as circunstâncias e suas próprias conveniências.
Quando o juiz apitar o fim da rodada de abertura do Campeonato Carioca 2017, o Panorama Esportivo do Pop Bola entrará em campo na Rádio Globo (http://radioglobo.globo.com/) com o seu time de primeira e uma novidade: uma tabelinha sensacional entre duas paixões nacionais, o futebol e a música. No próximo domingo, dia 29 de janeiro, a partir das 20h, o programa apresentado por Alexandre Araújo promoverá a estreia do quadro “Jogada de Música”, que é um dos frutos do trabalho de pesquisa que venho realizando desde o fim de 2015 sobre a História e músicas relacionadas a episódios marcantes, clubes, grandes craques, personagens e estádios do futebol brasileiro.
“Jogada de Música” promete fazer o torcedor se emocionar, rir, vibrar e se surpreender a cada lance contado, tocado e cantado. O quadro é uma criação de uma triangulação na área: além da pesquisa e do texto de minha autoria, a produção é de Alexandre Araújo e a narração, de Hugo Lago.
O Panorama Esportivo do Pop Bola é apresentado na Rádio Globo todo domingo, das 20h às 22h, e faz um resumo dos principais acontecimentos do fim de semana com bom humor e informação. O programa é uma extensão do tradicional Pop Bola, que em 2017 completa 15 anos no ar.
Vamos encher a arquibancada para não perder esta "Jogada de Música"?