Aqui você encontra, em essência, trabalhos do escritor e jornalista Eduardo Lamas Neiva sobre os mais variados temas. Obrigado pela visita, volte sempre.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
ADIÓS, LA NEGRA!
A potente e emocionante voz da América Latina continuará ecoando no coração dos fãs de Mercedes Sosa. Gracias, La Negra! Por su canto, por su vida.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
NA HORA "H" VERDE-AMARELEI
Pois é, no fim das contas, o que bate mais forte e manda mesmo é o (profano) coração. Embora tenha até feito campanha contra, posso dizer que, se não estou pulando de alegria e gritando, afinal estou insone porque trabalhei a madrugada inteira na cobertura dessa eleição, tampouco estou triste com a notícia que me tirou da cama. Agora, o Brasil terá Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, no Rio. É hora de começar já a fiscalização com lupa e microscópio aos ladrões da pátria, para que eles não metam a mão nessa bocada. Alguns que já cederam a tentações bem menores estavam lá em Copenhague vibrando com mãos e lábios trêmulos, não se iludam.
Se era preciso Copa e Olimpíada para finalmente começarmos o país, que agora tenhamos Saúde e Educação decente e para todos - eu disse e repito: TODOS! - em tempo integral. É preciso que isso seja seriamente exigido dos que tanto prometeram legados e vêm deixando a desejar há muitos anos. São essas as Olimpíadas que eu quero ganhar, a de um país saudável e educado. E saúde e educação não se fazem só com hospitais e escolas, é antes de tudo saneamento básico, é não jogar lixo nas ruas, é respeitar os outros, é responsabilidade com dinheiro e o patrimônio públicos, é preservar o que de verdadeiro e bom nossa diversificada e miscigenada cultura oferece, é aceitar as diferenças...
Festejar é muito bom, mas é muito trabalho honesto - eu disse HONESTO - o que este país necessita mais. Não há mais tempo a perder!
Leia aqui Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado), um dos destaques do livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas.
Veja também: Profano Coração no Grajornal
"Profano" conquista corações
Futebol-Arte: Os Maiores Jogos de Todos os Tempos
Gasolina no Incêndio 8
Se era preciso Copa e Olimpíada para finalmente começarmos o país, que agora tenhamos Saúde e Educação decente e para todos - eu disse e repito: TODOS! - em tempo integral. É preciso que isso seja seriamente exigido dos que tanto prometeram legados e vêm deixando a desejar há muitos anos. São essas as Olimpíadas que eu quero ganhar, a de um país saudável e educado. E saúde e educação não se fazem só com hospitais e escolas, é antes de tudo saneamento básico, é não jogar lixo nas ruas, é respeitar os outros, é responsabilidade com dinheiro e o patrimônio públicos, é preservar o que de verdadeiro e bom nossa diversificada e miscigenada cultura oferece, é aceitar as diferenças...
Festejar é muito bom, mas é muito trabalho honesto - eu disse HONESTO - o que este país necessita mais. Não há mais tempo a perder!
Leia aqui Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado), um dos destaques do livro "Profano Coração", de Eduardo Lamas.
Veja também: Profano Coração no Grajornal
"Profano" conquista corações
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Gasolina no Incêndio 8
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
MAIS UMA SOBRE EDUCAÇÃO
Escreveu Nelson Rodrigues em um artigo publicado no fim da década de 60 – isto mesmo, década de 60! - que não havia como se exigir uma televisão com mais qualidade na sua programação se o público não tivesse a mesma qualidade. Transportando isso para o nosso dia-a-dia percebe-se claramente que não há como se exigir melhores governantes se a ignorância, a estupidez, o desrespeito ao outro e a violência continuarem a ser as aulas diárias das crianças das classes A a Z deste país. Diz Oscar Niemeyer: “O Brasil emburreceu”. Há como discordar?
Por dois momentos distintos na semana passada a televisão acabou sendo, coincidentemente ou não, a responsável por me impelir a escrever este texto com argumentos que uso há muitos anos, mas como continuam atuais, cada vez mais, vou continuar usando-os à exaustão. Alguém há de se juntar a mim. O primeiro, não tanto pelo circo dos horrores que foi a morte transmitida ao vivo daquele bandido que tomou de refém uma senhora, ameaçando-a com uma granada, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Desta vez, ao contrário do episódio do ônibus 174, a polícia acabou agindo da melhor forma.
O que me espanta é o encantamento das pessoas com esse tipo de ação. Ouvi coisas como “que maravilha” ou “a polícia vai limpar o Rio dessa bandidagem em dois anos”. Ou seja, é a reação do público que me indigna, como escrevi tempos atrás sobre a febre do filme “Tropa de Elite”. Como acabar com a bandidagem se a única educação que milhares e milhares de crianças e jovens recebem diuturnamente é nas salas de aula a céu aberto por “professores” que em vez de giz (sim, sou daquele tempo) usam armas de fogo poderosíssimas e em vez do quadro negro utilizam alvos vivos?
Dias depois veio o segundo momento televisivo que me empurrou de vez para cá, pois hipocrisia e desfaçatez têm limite. Assistia eu bem impressionado a uma propaganda muito bem feita com pessoas de vários países do mundo dizendo que o grande responsável pelo desenvolvimento de suas nações era o professor, quando no fim sou informado que aquele anúncio pertencia ao Ministério da Educação do Brasil (algo como o Ministério da Guerra na Suíça ou da Marinha no Paraguai). Revoltante!
Desde quando este país tem um projeto sério de educação e valoriza seus professores?
Enquanto a discussão fica desviada para a discriminatória e revanchista questão das cotas raciais, o governo vai se divertindo às nossas custas. Os militares destroçaram a educação deste país, copiando mal e porcamente o sistema de ensino dos Estados Unidos, e os civis que portaram em seu peito a faixa presidencial posteriormente conseguiram piorá-lo. E chegamos a um presidente que se gaba de ter chegado lá sem precisar estudar.
Semana passada também li um artigo de Zuenir Ventura, no jornal O Globo, lamentando a falta que Darcy Ribeiro faz. E como! Defensor das aulas em tempo integral com alimentação decente, solução para desviar os meninos e meninas das tais aulas a céu aberto que falei acima, os Cieps viraram piada no país da sacanagem. E o povo escolheu um sujeito que sequer merece ter seu nome citado para governador do Rio, em 1986.
Se tivéssemos iniciado naquela época o processo educacional, com as devidas correções de rota necessárias a qualquer projeto sério, hoje estaríamos começando a colher os bons frutos. Mas como disse, o povo escolheu o tal sujeito, apoiado que era por empresários e jornalistas poderosos, os mesmos que hoje se perguntam o que está acontecendo.
Quase um século antes de Nelson Rodrigues, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que faleceu em 1900, escrevia o seguinte pensamento: “Mais um século de jornais e as palavras se deturparão”. Ele não viveu como Matusalém, nem era um highlander para conhecer a TV. Tivesse conhecido, já há alguns anos poderia dizer: “Mais 15 minutos de TV e as pessoas se deturparão”.
OS MAIORES JOGOS DE TODOS OS TEMPOS 2
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI - COPA DO MUNDO DE 1974
Neste segundo episódio da série, apresento o início da última revolução do futebol: o Carrossel Holandês ou Futebol Total (Laranja Mecância é ótimo livro e filme, mas não se encaixa ao jogo daqueles "peladeiros" geniais de Rinus Michels). Há outros jogos exemplares da Holanda na Copa do Mundo de 1974, que acabou com a vitória na final da ótima Alemanha de Beckenbauer, Overath, Breitner e Maier - o grande responsável por segurar a vitória no segundo tempo da grande decisão - mas a estréia, contra o Uruguai, é emblemática. Aquela foi a primeira Copa do Mundo a que assisti de verdade (pela TV) e vi aquele maravilhoso jogo holandês só para reforçar a minha paixão pelo futebol-arte, viesse de que lugar do planeta fosse.
Veja também:
O jogo de estréia dos holandeses mostra bem (veja o vídeo abaixo) o que eles aprontariam naquele Mundial disputado na Alemanha pela primeira vez. Eles deixaram completamente tontos os respeitáveis uruguaios, que tinham Pedro Rocha como grande comandante e que haviam ficado em terceiro lugar quatro anos antes, no México. No fim, 2 a 0 foi muito pouco, como o próprio Pedro Rocha admitiu.
O creme holandês tinha ingredientes da mais alta qualidade, sendo que Johann Cruyff era o gênio a serviço do conjunto afinado graças à inteligência e o talento de seus jogadores, especialmente Krol, Neeskens, Rep e Resenbrink. A seguir, as palavras de Cruyff sobre aquele jogo (texto retirado do blog de Mauro Betting):
"Estávamos muito nervosos. Além de nunca termos atuado juntos, cinco jogadores estreavam em algumas funções. O goleiro era novo na equipe. O Haan e o Rijsbergen não haviam atuado daquela maneira. O Jansen demorou a chegar ao elenco. O Haan teve de ser zagueiro - era volante. O Jansen ocupou o lugar dele - embora atuasse na mesma posição do Neeskens O próprio Neeskens teve de se sacrificar. Eu não estava 100% fisicamente. Perdemos nosso zagueiro Hulshoff por contusão. E tudo isso junto, num só jogo, o da estreia Não sei como tudo funcionou tão bem. Não tínhamos um time antes da estreia. E quando acabou o jogo, tínhamos uma senhora equipe. Todos correram muito, se doaram bastante. Deveríamos ter feito mais gols. Mas essa é outra questão. Para mim, futebol é criar chances de gol. Fazer o gol é um tanto casual e está fora do futebol. Depende de um monte de circunstâncias: sangue-frio, casualidade, sorte, falha contrária."
HOLANDA 2 X 0 URUGUAI
Copa do Mundo de 1974
Local: Niedersachsenstadion - Hanover (Alemanha)
Público: 53.700 pagantes
Juiz: Karoly Palotai(Hungria)
Gols: Jonny Rep, aos 16 minutos do primeiro tempo e aos 41 da segunda etapa.
HOLANDA - 4-3-3 - Jongbloed (8); Suurbier (20), Haan (2), Rijsbergen (17) e Krol (12); Jansen (6), Neeskens (13) e Van Hanegen (3); Rep (16), Cruyff (14) e Rensenbrink (15). Técnico Rinus Michels.
URUGUAI - 4-3-1-2 - Mazurkiewicz (1); Forlán (4), Jáuregui (2), Masnik (3), Pavoni (6); Montero Castillo (5), Mantegazza (18) e Espárrago (8); Pedro Rocha (10); Cubilla (7) e Morena (9). Técnico Roberto Porta.
A seguir, momentos mágicos de um grande espetáculo da bola (e sem ela também, prestem atenção):
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