sábado, 16 de outubro de 2010

O GRANDE DITADOR, UMA OBRA-PRIMA DE 70 ANOS

Lançado em 15 de outubro de 1940, no primeiro ano da Segunda Guera Mundial, o filme "O Grande Ditador", foi um libelo de paz que o gênio de Charles Chaplin transformou em comédia. Os 70 anos desta obra poderia gerar mais discursos pacifistas como o do fim do filme, mas o que aí está, neste vídeo abaixo, já é suficiente. Suficiente para mostrar que de um modo geral a humanidade ainda continua babando de ganância, ávida por acúmulo cada vez maior de bens e poder. O entendimento entre os homens ainda está muito longe de acontecer, muito mais de 70 anos precisarão, se é que algum dia isso será possível na Terra.

Portanto, muito mais que o discurso final do primeiro filme falado de Chaplin e do sarcasmo crítico ao gigantesco ditador da época e a todos de todas as épocas, gostaria de valorizar outro lado do filme: o artístico. A cena mais bela - e por isso mesmo mais estranha, já que representa o sonho perverso de um homem na sua obsessão de dominar o mundo - é a dança do personagem Adenoid Hynkel (Chaplin) com o globo terrestre. É algo para se ver e rever muitas vezes.
Por isso, fiz questão de postar o vídeo aqui abaixo. Aproveite, não deixe de assistir, mas também não se esqueça: Hitler não tomou o poder à força (embora tenha tentado, chegando a ser preso por isso, em 1923), ele foi presidente da Alemanha, amado pelo seu povo, graças à maciça votação que o Partido Nazista ganhou em 1932.

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domingo, 10 de outubro de 2010

ÂNGELO, UMA VÍTIMA DA CRUELDADE EM CAMPO

Ângelo, uma vítima da crueldade em campo
Ângelo, meia do Atlético nos anos 70
Engana-se muito quem imagina ser o futebol atual mais violento do que "antigamente". Sempre houve em campos jogadores maldosos, cruéis, a caçar os mais talentosos com bordoadas e o mais variado repertório de violência. Já houve nos gramados brasileiros (mais esburacados antes do que hoje, muito mais) versões tão ou mais maldosas que Felipe Mello e esse holandês De Jong. Ângelo, meia do Atlético Mineiro na década de 70, bem poderia dizer se ainda vivo fosse.

O lance de que foi vítima, na final do Campeonato Brasileiro de 1977 entre Atlético e São Paulo, é uma das mais tristes lembranças ds meus primeiros anos de torcedor de futebol. Junta-se a notícias ainda mais dolorosas, como as mortes do ponta-direita Roberto Batata, do Cruzeiro, e do meia Geraldo, do Flamengo, ambos falecidos no auge de suas promissoras carreiras.

Pesquisei muito e consegui achar no youtube as imagens nada belas da entrada violentíssima de Neca no joelho de Ângelo (a título de comparação, a perna do atleticano fez o mesmo movimento para trás que a de Zico na entrada de Marcio Nunes, do Bangu, em 1985) e depois, mais cruel ainda, o pisão do também falecido Chicão na perna do meia, que engatinhava para a lateral, desnorteado de dor, à procura de ajuda médica.

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O árbitro da partida era Arnaldo Cezar Coelho, que só deu um cartão amarelo no lance. Hoje como comentarista de arbitragem tenho certeza que, vendo lance semelhante acontecer, criticaria duramente a atitude do árbitro. Já o pisão de Chicão ele realmente não viu, pois no mesmo momento estava de costas mostrando o cartão para Neca, que merecia vermelho e uma pesada suspensão.


Ângelo, caído, após ser atingido por Neca. Foto: WebGalo

Mais inacreditável é saber que meses depois (a decisão foi só em março de 1978), o volante são-paulino ganharia como prêmio a convocação para a Copa da Argentina por Claudio Coutinho, que preferiu deixar no Brasil simplesmente Paulo Roberto Falcão. Além disso, em 1980, o mesmo Atlético Mineiro que foi vítima do volante são-paulino o contratou.

Para quem quiser ver as imagens até para discordar de mim, dizer que estou exagerando, tudo aconteceu no finzinho da prorrogação e está no minuto 04'55 deste vídeo abaixo. E quem se interessar em saber mais um pouco mais sobre a carreira do talentoso camisa 8 do Galo é só clicar aqui.


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sábado, 9 de outubro de 2010

JOHN LENNON, 70 ANOS

Admito que não sou dos maiores fãs de John Lennon e principalmente da primeira fase dos Beatles, que vai até o - aí sim! - encontro de Lennon com Bob Dylan, em meados dos anos 60. A partir daí, o conjunto das músicas da banda de Liverpool melhorou consideravelmente. Embora tenha assistido a um ótimo show de Paul McCartney no Maracanã nos anos 90, na verdade, dos Fab Four eu gosto mesmo é do George Harrison, que merecerá aqui também uma homenagem em breve.
Mas o "cara ciumento" da música aí abaixo, que nasceu no dia 9 de outubro de 1940, não podia ser esquecido e merece sim muitas homenagens, apesar da chatíssima Yoko Ono, que - gosto não se discute? - ele tanto demonstrou amar.
Por falar em ciúmes, já sentiu algum hoje? Ou reviveu algum marcante ao simples ler da palavra aí acima? A posse destrói qualquer relação, cuide-se.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O ILIMITADO ABUSO DO HOMEM

A maré vermelha que tomou conta da Hungria já chegou ao Danúbio e a Europa está à beira de mais uma catástrofe ambiental, já que o segundo maior rio do continente banha mais seis países (Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Moldávia). A lama tóxica que sangrou de uma fábrica de alumínio e já matou quatro pessoas e inúmeros seres vivos pode se espalhar ainda mais agora. A previsão do governo húngaro de um ano para a limpeza total dos vilarejos atingidos pode se estender e muito, porque a correnteza fará a substância tóxica e corrosiva chegar a outros países. Mais uma irresponsabilidade do homem, pela sua incomensurável ganância, vai destruindo a vida do planeta.


Há poucos meses foi o vazamento de petróleo no Golfo do México, o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. De abril a agosto vazaram diariamente entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo do duto danificado da British Petroleum, manchando de negro o mar.


Isso tudo só este ano, sem contar outras catástrofes menos divulgadas. E as muitas que já ocorreram (lembram-se de Chernobyl,em 1986?) e continuam a ocorrer todos os anos. A estupidez do ser humano é ilimitada.

EM MEIO AO CAOS*

Crie em meio ao caos,
seja uma flor azul
que nasça no lodaçal.
Imagine a ternura,
a mais abstrata e verdadeira imagem
que puder gerar,
enquanto as TVs se exibem ininterruptamente
pra quem tem preguiça de criar.
Ouça flautas, violinos, violoncelos
no mesmo instante em que
motores, urros, batidas eletrônicas
se debatem histericamente
preenchendo todos os cantos.
Seja a ave sobrevivente
De um imenso desastre ambiental,
que mesmo coberta de óleo
resiste e entoa o seu mais belo canto.
Ouse e escreva o que ninguém mais queira ler,
diga o que pareça estranho a ouvidos viciados,
mas jamais deixe de criar em meio ao caos.

* Esta poesia está publicada no livro "Profano Coração", de minha autoria. Caso queira adquirir um exemplar, entre em contato comigo pelo e-mail edulamas20@hotmail.com


Fotos: 1- Lama tóxica no rio Torna, a 160 quilômetros de Budapeste (Agência AFP)
2- Pelicano na ilha East Grand Terre, Louisiana (agência AP)
Vídeo: "A Hard Rain's Gonna Fall", de e com Bob Dylan.
Veja também: o que foi publicado em outubro de 2009

UMA COISA JOGADA COM MÚSICA - CAPÍTULO #43

Uma coisa jogada com música - Capítulo #43 Didi na Copa do Mundo de 58. Foto sem ...

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