segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FRAGMENTOS DO DESEJO, UM BELO ESPETÁCULO


Para quem mora no Rio ainda dá tempo, pouco, mas dá: vai até domingo, dia 24/10, a apresentação do belo e cuidadoso espetáculo Fragmentos do Desejo, da companhia franco-brasileira Dos a Deux, no Centro Cultural Banco do Brasil. E melhor, por um preço que posso considerar gratuito tamanha a qualidade do que se vê e se sente: apenas R$ 10,00. Para quem é de Brasília, prepare-se: a partir do dia 28, ele estará no CCBB daí.
Fragmentos do Desejo é muito mais do que uma peça de teatro, é também dança, mas como bem avisa o programa da peça, sem coreografias. Quase não há palavras faladas, basicamente são os gestos e expressões faciais e corporais dos atores o "texto" da peça. Há vários momentos comoventes e muito bem executados no espetáculo - a trilha sonora, a iluminação e o cenário são sublimes - mas vou destacar dois que mais me chamaram a atenção: o balé da solidão do filho que tenta e não consegue um entendimento com o pai, e o do cinema, no qual se usa com maestria os recursos tecnológicos extra-teatrais.
A companhia foi muito feliz na sua realização, e dá pra perceber o quanto de trabalho foi preciso para se chegar ao palco e levá-lo ao público. Espetáculo do mais alto nível como esse, com o preço que o CCBB cobra, merece ser visto e apreciado por muito mais gente que a sala lotada do Teatro I, como certamente vem ocorrendo nesta temporada.
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Oferenda (ou Canção de um Ser Dilacerado)
Tardes de Outono
O Caminhante

sábado, 16 de outubro de 2010

O GRANDE DITADOR, UMA OBRA-PRIMA DE 70 ANOS

Lançado em 15 de outubro de 1940, no primeiro ano da Segunda Guera Mundial, o filme "O Grande Ditador", foi um libelo de paz que o gênio de Charles Chaplin transformou em comédia. Os 70 anos desta obra poderia gerar mais discursos pacifistas como o do fim do filme, mas o que aí está, neste vídeo abaixo, já é suficiente. Suficiente para mostrar que de um modo geral a humanidade ainda continua babando de ganância, ávida por acúmulo cada vez maior de bens e poder. O entendimento entre os homens ainda está muito longe de acontecer, muito mais de 70 anos precisarão, se é que algum dia isso será possível na Terra.

Portanto, muito mais que o discurso final do primeiro filme falado de Chaplin e do sarcasmo crítico ao gigantesco ditador da época e a todos de todas as épocas, gostaria de valorizar outro lado do filme: o artístico. A cena mais bela - e por isso mesmo mais estranha, já que representa o sonho perverso de um homem na sua obsessão de dominar o mundo - é a dança do personagem Adenoid Hynkel (Chaplin) com o globo terrestre. É algo para se ver e rever muitas vezes.
Por isso, fiz questão de postar o vídeo aqui abaixo. Aproveite, não deixe de assistir, mas também não se esqueça: Hitler não tomou o poder à força (embora tenha tentado, chegando a ser preso por isso, em 1923), ele foi presidente da Alemanha, amado pelo seu povo, graças à maciça votação que o Partido Nazista ganhou em 1932.

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domingo, 10 de outubro de 2010

ÂNGELO, UMA VÍTIMA DA CRUELDADE EM CAMPO

Ângelo, uma vítima da crueldade em campo
Ângelo, meia do Atlético nos anos 70
Engana-se muito quem imagina ser o futebol atual mais violento do que "antigamente". Sempre houve em campos jogadores maldosos, cruéis, a caçar os mais talentosos com bordoadas e o mais variado repertório de violência. Já houve nos gramados brasileiros (mais esburacados antes do que hoje, muito mais) versões tão ou mais maldosas que Felipe Mello e esse holandês De Jong. Ângelo, meia do Atlético Mineiro na década de 70, bem poderia dizer se ainda vivo fosse.

O lance de que foi vítima, na final do Campeonato Brasileiro de 1977 entre Atlético e São Paulo, é uma das mais tristes lembranças ds meus primeiros anos de torcedor de futebol. Junta-se a notícias ainda mais dolorosas, como as mortes do ponta-direita Roberto Batata, do Cruzeiro, e do meia Geraldo, do Flamengo, ambos falecidos no auge de suas promissoras carreiras.

Pesquisei muito e consegui achar no youtube as imagens nada belas da entrada violentíssima de Neca no joelho de Ângelo (a título de comparação, a perna do atleticano fez o mesmo movimento para trás que a de Zico na entrada de Marcio Nunes, do Bangu, em 1985) e depois, mais cruel ainda, o pisão do também falecido Chicão na perna do meia, que engatinhava para a lateral, desnorteado de dor, à procura de ajuda médica.

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Reinaldo, o Rei do Galo Mineiro
"Contos da Bola", quem lê recomenda

O árbitro da partida era Arnaldo Cezar Coelho, que só deu um cartão amarelo no lance. Hoje como comentarista de arbitragem tenho certeza que, vendo lance semelhante acontecer, criticaria duramente a atitude do árbitro. Já o pisão de Chicão ele realmente não viu, pois no mesmo momento estava de costas mostrando o cartão para Neca, que merecia vermelho e uma pesada suspensão.


Ângelo, caído, após ser atingido por Neca. Foto: WebGalo

Mais inacreditável é saber que meses depois (a decisão foi só em março de 1978), o volante são-paulino ganharia como prêmio a convocação para a Copa da Argentina por Claudio Coutinho, que preferiu deixar no Brasil simplesmente Paulo Roberto Falcão. Além disso, em 1980, o mesmo Atlético Mineiro que foi vítima do volante são-paulino o contratou.

Para quem quiser ver as imagens até para discordar de mim, dizer que estou exagerando, tudo aconteceu no finzinho da prorrogação e está no minuto 04'55 deste vídeo abaixo. E quem se interessar em saber mais um pouco mais sobre a carreira do talentoso camisa 8 do Galo é só clicar aqui.


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sábado, 9 de outubro de 2010

JOHN LENNON, 70 ANOS

Admito que não sou dos maiores fãs de John Lennon e principalmente da primeira fase dos Beatles, que vai até o - aí sim! - encontro de Lennon com Bob Dylan, em meados dos anos 60. A partir daí, o conjunto das músicas da banda de Liverpool melhorou consideravelmente. Embora tenha assistido a um ótimo show de Paul McCartney no Maracanã nos anos 90, na verdade, dos Fab Four eu gosto mesmo é do George Harrison, que merecerá aqui também uma homenagem em breve.
Mas o "cara ciumento" da música aí abaixo, que nasceu no dia 9 de outubro de 1940, não podia ser esquecido e merece sim muitas homenagens, apesar da chatíssima Yoko Ono, que - gosto não se discute? - ele tanto demonstrou amar.
Por falar em ciúmes, já sentiu algum hoje? Ou reviveu algum marcante ao simples ler da palavra aí acima? A posse destrói qualquer relação, cuide-se.

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