A idéia de selecionar 70 dos cerca de 300 jogos a que assisti
no Maracanã (entre 1974 e 2019) nasceu de um texto que meu filho mais velho,
Lucas, fez e me mandou e da conversa que tivemos em seguida, no último dia 16,
quando o estádio completou 70 anos de inauguração. Lucas fala da sua relação
com o Maracanã, desde 1997, quando o levei pela primeira vez ao estádio, e me fez
pensar um pouco mais nas muitas tardes e noites que vivi lá. Isso sem considerar a
chegada de Papai Noel, no início da década de 70, os shows de
Sting, em 1987,
de
Paul McCartney, em 1990, este num
dia repleto de histórias para contar, algumas relacionadas inclusive ao
futebol, e do
Rush, em 2002. O texto
do Lucas reproduzo mais abaixo.
Nas centenas de vezes em que fui ao Maracanã, a grande maioria estava como torcedor. E, como flamenguista, obviamente assisti a muito mais jogos do meu time do que de qualquer outro. No entanto, engana-se quem acha que não vi partidas memoráveis, terríveis e pitorescas de Vasco, Fluminense, Botafogo, América e Bangu, várias entre eles e outras tantas contra times de outros estados e países, fora a seleção brasileira, esta nos anos 70 e 80.
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Maracanã no fim dos anos 70. Foto encontrada no Google, quem souber o autor informe, por favor
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Minha intenção inicial era selecionar 70 jogos e contar a minha história em cada um deles, com os artistas do espetáculo como coadjuvantes, mas percebi que muitas delas já foram contadas (com base apenas na realidade e com contornos ficcionais), e as que ainda não foram acabarão surgindo aqui e ali neste blog ou em contos, como já fiz no livro “Contos da Bola”, que pretendo relançar ainda este ano. A escolha dos 70 jogos, ou melhor de 70 das vezes em que fui ver futebol no Maracanã, pois há um Torneio Início, com muitos jogos de 15 minutos, e outro em que só houve uma disputa de pênaltis, não foi feita pelo critério de importância, embora este tenha sido levado em conta. Porém, muito mais pelo que me lembro deles e do que vivi antes, durante e ou depois daquelas partidas, seja na arquibancada, nas cadeiras (azuis, especiais ou de imprensa) e na geral.
Em outubro do ano passado, quando fiz minha primeira entrevista para o
Museu da Pelada, disse ao
uruguaio Sérgio Ramírez, que se eles como jogadores tinham a glória de estarem no gramado, muitas vezes com centenas de milhares de olhares atentos a suas ações e tantas delas serem ovacionadas, não só por gols, grandes dribles, mas também por salvar o time num lance de extremo perigo adversário, eu e tantos e tantos e tantos torcedores tínhamos um privilégio que eles não podiam ter, além do de vê-los jogar de fora do campo: subir a rampa do Maracanã em direção às arquibancadas e atravessar aos poucos um portal de emoções e se deparar com aquele gramadão, ao mesmo tempo em que sentia o ronco da torcida, todo aquele rumor que parecia nos tirar o coração do peito, como se saíssemos dos vestiários para jogar. Como citei anteriormente, frequentei também geral e cadeiras, mas foi na arquibancada que senti mais emoção, como muito bem compôs Neguinho da Beija-Flor.
A partir dos anos 90 passei a frequentá-lo também como jornalista, mas isso não durou mais do que dez anos, pois mesmo tendo atuado na área esportiva até 2013, só fui ao Maraca no século XXI como torcedor. E depois do Jogo das Estrelas no fim de 2009, organizado por Zico, o maior artilheiro do Maracanã (com 333 gols), só retornei já com o estádio transformado em um ginásio gigante que chamam de arena, em janeiro de 2019, graças ao mesmo filho que me inspirou esta postagem. E aquela foi a última vez que lá estive, não sei se volto, ainda mais agora que não moro mais no Rio de Janeiro.