segunda-feira, 13 de julho de 2020

DEVOTOS DO DINHEIRO

Tive o grande prazer de participar no último sábado (11/07) de um debate online promovido pelo jornalista e escritor Fábio Mendes, juntamente com os também jornalistas Allan Simon e Gabriel Gontijo, sobre o futuro das transmissões de jogos de futebol, partindo do embate recente entre o Flamengo e a TV Globo (se quiser assistir é só clicar aqui). Durante a conversa pude expressar que a imagem do Tio Patinhas com cifrões nos olhos é o que dirigentes de futebol e políticos, em especial, e a sociedade de uma forma geral (afinal o futebol não é um mundo à parte) têm me passado de forma muito clara nesses tempos de pandemia. 

Não que isso seja alguma novidade nesta terra tão explorada e mal-tratada, mas certamente a tornou mais evidente neste momento de tão grave situação. Primeiramente, não deveria estar havendo jogo de futebol algum no Brasil, e nisso nós quatro concordamos firmemente (enquanto debatíamos, o Governo catarinense suspendia uma partida das quartas de final do Campeonato Estadual e a Federação local decidia adiar as outras três, depois de ter retornado na última quarta-feira).

A forte pressão de empresários-políticos, políticos-empresários e políticos do mais baixo nível nos mais altos cargos da Nação para a abertura do comércio e do funcionamento de serviços não essenciais (pseudo-religiosos, inclusive, em muitos casos, principalmente), é a grande responsável pela balbúrdia e a inconsequência perversa que se instaurou no país sem ministro da Saúde.

O dinheiro é uma grande invenção humana, mas assim como a internet e o avião, para ficarmos apenas nestes grandes exemplos, podem se tornar altamente maléficos dependendo da forma como se usa. Usa-se ou se é usado, eis a grande questão. Um dos motivos do suicídio de Alberto Santos Dumont seria o fato de ter visto (literalmente) seu invento ser utilizado como uma potente arma de guerra. 

Com o egoísmo e a ganância superando de lavada o altruísmo e a solidariedade, as mãos que manuseiam a maior parte do dinheiro (e o poder) neste país vão ficando cada vez mais imundas. De sangue, inclusive, e em muitos casos, principalmente.

Os devotos do dinheiro demonstram a quem quiser ver e seguir (a manada é submissa) que o mais importante na vida são as finanças (deles, claro). Gostaria de lembrá-los que sem Saúde não há Economia, não há nada para ninguém. Logicamente não se deve esquecer o fator econômico-financeiro, ele é importantíssimo, mas a prioridade máxima tem de ser sempre a Saúde. Entretanto, priorizar não é, definitivamente, um verbo que o brasileiro saiba utilizar bem, e isso não é de hoje.

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Nesta sociedade "aborrescente", em que vencer um adversário não basta, é preciso eliminá-lo, acabar com ele, e em que a democracia só serve quando o outro concorda comigo, vamos rastejando, sem a mínima organização, competência e muito longe da possibilidade de se ter união, solidariedade, a não ser esporadicamente, por determinados grupos. 

O conjunto, no geral, é uma bagunça, ou seja, não existe, pois é cada um por si. O mau exemplo vem de cima (ou debaixo, dependendo do ângulo que se olhe, pois o nível é baixíssimo).

E a bola vai rolando nas finais do Rio de Janeiro, enquanto os contágios e as mortes prosseguem a todo vapor. Em meio a tudo isso, a morte do caráter de um povo que vê o barco afundar, mas não pára de dançar. Vai ser difícil ressuscitá-lo depois desta tragédia potencializada pela irresponsabilidade diária.

PS: Enquanto finalizava este texto, soube que 83 milionários de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Alemanha, Dinamarca e Holanda publicaram uma carta aberta pedindo aos seus governos aumento de impostos justamente sobre os mais ricos. Por aqui, bem, por aqui os devotos do dinheiro só pensam em manter e até aumentar os seus privilégios e arrancar os olhos de quem pouco ganha, taxando inclusive desempregados. "Pobre tem que morrer", já dizia o inesquecível personagem Justo Veríssimo, genial criação do grande artista Chico Anysio.


   

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: RÉQUIEM

Transcendental, arrepiante a quarta música desta série. O Réquiem composto por Wolfgang Amadeus Mozart teve na verdade boa parte criada por seus discípulos, já que faleceu sem completá-lo. De qualquer forma, é como se esta obra-prima tivesse sido feita apenas pelo genial compositor austríaco.

Trechos dela foram usadas na montagem da peça "Sentença de Vida", de minha autoria e dirigida pela saudosa Cristine Cid, minha primeira mulher e mãe dos meus 3 filhos, com ótimas atuações de Denize Nichols e cenário de Cátia Vianna.

Eu ouvia em minha cabeça várias partes do coro maravilhoso desta missa fúnebre enquanto escrevia a peça, feita numa noite do início dos anos 2000, em Rio do Ouro (São Gonçalo-RJ), onde morava na época, num fluxo de consciência e escrita que ainda me impressiona quando me recordo. Ouço esta obra em casa há décadas, com freqüência. Sublime!


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quarta-feira, 8 de julho de 2020

MÚSICA PRA VIAGEM: MIRRORBALL

Demorei alguns anos para retornar com força a esta série, motivado por estas listas que um amigo ou outro vem me desafiando a fazer nas redes sociais neste período de quarentena, que já passou da centena. Pelo menos para mim, que nunca morei no Leblon, nem jamais simpatizei com o esnobe bairro da zona sul carioca, embora reconheça a sua beleza exterior. Comecei no Facebook chamando de "Música que me toca", mas manterei o nome original ao migrá-la para cá até para dar sequência a algo que já havia iniciado.

A primeira música desta retomada é uma versão belíssima do grupo inglês Elbow para "Mirrorball", inspirada composição do grande Peter Gabriel, que certamente vai trazer outra em sua voz para esta série a qualquer momento, pois sou muito fã do cantor original do Genesis. O Elbow conheci há uns oito anos, na radiovitrola.net, e gostei de cara. Eles têm várias músicas autorais excelentes, mas este arranjo especial que eles gravaram com a Orquestra da BBC de Londres foi a que mais me tocou. Aliás, esta apresentação de 2009, que um dia esteve inteira no YouTube, mas agora só se acha em partes, é soberba. 

Curtaê! E siga o blog, pois vem muito, muito mais.


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Músicas que nos fazem viajar
Músicas que nos fazem viajar 2

segunda-feira, 6 de julho de 2020

E 38 ANOS SE PASSARAM...

Cinco de julho de 1982, a tarde pouco avançara no Rio de Janeiro, e o árbitro israelense Abraham Klein apita o fim do jogo e de uma era no estádio Sarriá, no início da noite ainda com sol em Barcelona: o placar de 3 a 2 a favor da Itália decreta a precoce e surpreendente eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo da Espanha. Numa ampla casa na zona norte do Rio, incrédulos diante da TV, cinco garotos com idades entre 12 e 17 anos se entreolham meio encabulados, sem saber o que fazer ou dizer. Uma sensação de vazio se instaura. Dos três adultos presentes na sala, a senhora idosa se encaminha cabisbaixa para a cozinha; a filha dela, mãe do mais velho dos jovens, solta um palavrão, e o seu irmão resmunga algo que ninguém ouve, talvez nem ele mesmo.

Era inacreditável, mas era a verdade: o time comandado por Telê Santana, que escreveu poesia com a bola nos pés de Leandro, Júnior, Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico e Éder não tinha mais chances de conquistar a Copa com o mesmo brilhantismo e a magia de Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gérson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé, 12 anos antes, no México. Após o longo silêncio, um dos meninos, de 16 anos, pega a bola e decide: “Vamos jogar”. Foram para a rua verde-amarela, que fora toda enfeitada e pintada por eles mesmos com a ajuda de colegas e alguns pais, para jogar a pelada mais triste de suas vidas. Para aqueles torcedores de Flamengo, dois irmãos, Vasco, outros dois, e Fluminense, o que morava na casa onde todos se reuniam desde 1978, o jogo na rua era a única chance de os redimir com imaginários gols de “Zico”, “Sócrates”, “Falcão”. Mas não havia mais como ganhar aquela partida.

Como ocorreu após o apito final de Klein com os jogadores brasileiros no pequeno Sarriá - que já não existe mais desde os anos 90 -, não houve choro, desespero, só uma melancolia incrédula. Para aqueles jovens torcedores, nem o empate servia, embora classificasse o Brasil para as semifinais contra a Polônia. O sonho deles era uma conquista igual à de 70, só com vitórias espetaculares, para ratificar seus ídolos como os heróis do tetra. Principalmente dos rubro-negros, que haviam festejado uma sequência avassaladora de taças em apenas seis meses, de novembro de 1981 a abril de 82: Libertadores, Carioca, Mundial Interclubes e Brasileiro. Mas a Copa, para eles e tantos outros meninos, era a hora de estar do mesmo lado do amigo que torcia para um rival. A foto do garoto com a camisa da seleção chorando no Sarriá, flagrada pelo fotógrafo Reginaldo Manente, do Jornal da Tarde, vista no dia seguinte nas bancas de São Paulo - e depois no país inteiro - era a síntese do sentimento nacional. Especialmente da garotada.

Paolo Rossi (20) sai para comemorar o terceiro gol dele e da Itália. Graziani (19), Valdir Perez,
encoberto por Falcão (15) e Júnior e a bola na rede brasileira. Foto da Folha de S.Paulo/UOL
A caminhada do time de Telê começara em 1980, mas só daria provas definitivas de que encantaria o mundo quando já havia obtido a vaga para a Copa, com um time ainda melhor do que o que foi para a Espanha, por uma simples razão: Reinaldo, ídolo do Atlético-MG que foi um dos principais responsáveis pela classificação. Ele brilhou na partida mais dura, contra a Bolívia, na altitude de La Paz, e com um belo gol deu a vitória ao Brasil por 2 a 1 (o outro foi de Sócrates). Na volta, a vaga foi sacramentada com show de Zico, que fez os 3 no triunfo por 3 a 1 sobre osbolivianos, com a presença na lotadíssima arquibancada do Maracanã daqueles cinco meninos da zona norte do Rio.

Porém, como era descrito, a seleção de Telê começou a despertar a atenção do mundo da bola na turnê à Europa em maio de 81. Venceu a Inglaterra, em Wembley, por 1 a 0, gol de Zico, na primeira vez que o Brasil conseguiu tal feito em solo britânico. Depois deu espetáculo para o público francês superando o time da casa por 3 a 1, gols de Reinaldo,Zico e Sócrates. E encerrou a turnê, com 2 a 1 de virada sobre a Alemanha, em jogo que garantiu Valdir Peres como titular do gol brasileiro. Em Stuttgart, o goleiro do São Paulo defendeu duas cobranças de pênalti de Breitner (a primeira, invalidada pelo árbitro). Cerezo e Júnior marcaram os gols da vitória.

Poucos meses antes da Copa, Reinaldo ficou sem condições de seguir, e o desfalque custou caro. Telê testou o habilidoso Careca, seu preferido, e Serginho, de estilo trombador. Careca se mostrou tímido nos amistosos, Chulapa fez seus gols e acabou ficando com a 9 que seria de um mineiro de pernas curtas e joelhos maltratados desde os 16 anos por zagueiros violentos. Careca se machucou poucos dias antes da estreia e Telê chamou Roberto Dinamite, que sequer ficou no banco, algo nunca explicado.

O jogo de estreia, contra a UniãoSoviética, começou com um frango de Valdir Peres que o estigmatizou como um dos responsáveis pela eliminação brasileira, mas ele não comprometeu mais após o gol de Bal. No jogo tenso, dois petardos espetaculares de fora da área, um de Sócrates e outro de Éder, venceram o ótimo Dasaev e fizeram o samba começar nas arquibancadas do estádio Sanchez Pizjuan, em Sevilha, e nas ruas do Brasil. “Voa, canarinho, voa”, cantavam os brasileiros a música gravada por Júnior. No segundo jogo, mais uma vez os brasileiros saíram atrás no marcador, mas tiveram poder de reação e muito talento para virar e golear a Escócia, por 4 a 1, combelos gols de Zico, Oscar, Éder e Falcão. Para encerrar a primeira fase, um baile na fraca Nova Zelândia: 4 a 0, gols de Zico (dois), Falcão e Serginho.

Rua Antônio Basílio, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro,
em 1982. Foto: Agência O Globo
“Voa, canarinho, voa”... Pipas e balões brasileiros iam aos céus da Espanha levando junto a confiança dos torcedores. As peladas comiam soltas nas ruas e campinhos de terra do Brasil, com garotos imitando seus ídolos no jeito de jogar e tornando o jogo de bola ainda mais lúdico, bonito e animado. Os cinco meninos faziam isso todos os dias na rua enfeitada.

A Copa da Espanha foi a primeira com 24 seleções (antes eram 16) e a segunda fase foi o equivalente às quartas de final, com quatro grupos de três equipes. O Brasil caiu na chave da então campeã mundial, a Argentina abalada pela desastrosa aventura de seus generais na Guerra das Malvinas, e a sempre perigosa Itália, então bicampeã mundial (nos longínquos 1934 e 38) que havia passado da primeira fase sem vencer (empates com Polônia, Peru e Camarões). Os dois times de campanhas irregulares se enfrentaram logo, com vitória de 2 a 1 para a Itália. Nossos cinco personagens comemoraram, não só pela rivalidade com os argentinos, mas porque o time de Maradona, Passarella, Ardiles e Kempes era considerado mais forte. Na melhor atuação brasileira naquele Mundial, Zico, Serginho e Júnior fizeram os gols dos 3 a 1 sobre a Argentina. O jovem Maradona ficou tão desnorteado que foi expulso após agredir Batista.

Aqui uma pausa para um retorno a março, três meses e meio antes. Brasil e Alemanha Ocidental se enfrentaram no Maracanã com a presença de 150 mil pagantes, e Telê montou uma base com cinco jogadores do Flamengo: Leandro, Júnior, Vitor (reserva de Andrade), Adílio e Zico. Adílio deu o passe magistral para o golaço de Júnior no fim do jogo, o Brasil venceu por 1 a 0, e o meia rubro-negro achou que havia garantido sua vaga na Copa. O técnico da seleção, porém, após assistir às finais do Brasileiro, vencido pelo Flamengo contra o Grêmio, preferiu levar o cabeça de área gremista, que já havia ido à Argentina em 78, e tinha estilo defensivo. Telê só pensava em atacar?



Após a vitória sobre a Argentina, a confiança brasileira era imensa, mas Paolo Rossi, que ficou dois anos suspenso até pouco antes da Copa por envolvimento em manipulação de resultados, esteve em tarde iluminada e abateu o canarinho em pleno vôo, marcando os gols italianos. O time que ganhasse do Brasil naquela Copa estava mesmo fadado a ser o campeão, pois somente se admitia que os brasileiros saíssem da Espanha com a taça. Então, Rossi, que se tornaria o artilheiro do Mundial, Bruno Conti, Antognoni, que faria o quarto gol se não tivesse sido invalidado pelo árbitro, Scirea e Zoff, que fez defesas milagrosas, inclusive a que impediu o gol de Oscar na última chance brasileira, cumpririam o destino vencendo a Alemanha Ocidental na final, por 3a 1, após superarem a Polônia, por 2 a 0, com dois gols do carrasco.

Rua Miguel Lemos, Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro,
em 1982. Foto: Agência O Globo
Os cinco garotos ainda torceram na semifinal para a França de Platini, Trésor, Tigana e Giresse, mas o talento dotime francês, que chegou a estar vencendo por 3 a 1 na prorrogação, sucumbiu àforça física alemã nos pênaltis, em outro jogo inesquecível. E como o Brasil só teve um representante na final, aquele por quem quase ninguém torce, o árbitro (Arnaldo Cezar Coelho), cada um viu a decisão em sua casa.

Hoje, passados quase 32 anos daquele doloroso dia, a sensação para o menino que pegou a bola para tentar “vencer” o jogo em seus sonhos é que 5 de julho de 1982 marca o fim do futebol-arte, de uma era em que o talento e a improvisação valiam mais que a força física e a obediência tática. Embora a arte de jogar futebol tenha sido traduzida por alguns indivíduos, como Maradona por exemplo, nunca mais um time encantou tanto numa Copa quanto a Seleção de 82. Nem sequer chegou perto.

Valdir Perez, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Júnior, de pé;
Nocaute Jack (massagista), Sócrates, Cerezo, Serginho, Zico e Éder, agachados 
Este texto acima é a íntegra do que enviei ao meu amigo Dirley Fernandes, então editor da revista "História Viva", para ser publicado na edição de maio de 2014. E foi a inspiração para "5 de julho de 1982", um dos 19 "Contos da Bola", à venda nas melhores lojas online do Brasil e do mundo, nas versões em papel e digital (ebook).
Revi o jogo inteiro entre Brasil e Itália para escrever este texto acima e fiz muitas pesquisas, mas passados mais 6 anos, algumas coisas eu poderia corrigir (não tenho certeza de que Reinaldo estava sem condições físicas, por exemplo), e outras tantas acrescentar. Esta é uma história que continuará no imaginário da minha geração e de nossos filhos, netos, bisnetos por muitos e muitos e muitos anos ainda.
Aquele envolvimento com a seleção brasileira não existe mais, há muitos anos de minha parte, porém, quando revivemos aqueles dias de 1982, é como se aquela relação nunca tivesse mudado um milímetro sequer. Passou, mas permanece na memória e no coração.

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